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Mania de juntar lixo em casa é sintoma de doença Maio 19, 2008

Posted by A Ovelha Perdida in Comportamento, Investigação, Saúde.
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O acumular de montanhas de lixo ou objectos inúteis em casa a pensar na sua eventual utilidade futura pode parecer muito estranho, mas é sintoma de uma doença que afecta principalmente idosos que vivem sozinhos e em situação de miséria.

Baptizada com o nome do filósofo grego do século IV a.C. Diógenes de Sinope, que vivia como um mendigo e dormia num barril, o Síndrome de Diógenes caracteriza-se pela acumulação de objectos sem valor, isolamento social, falta de pudor e de cuidados com a higiene pessoal e recusa em receber ajuda.

“Apesar da doença também poder afectar pessoas mais novas, a maior parte são idosos que vivem uma vida quase de eremita”, disse à agência Lusa o director do serviço de psiquiatria do Hospital do Espírito Santo, em Évora, José Palma Góis, que tem acompanhado alguns casos.

À memória vêm-lhe dois casos. Um de uma senhora septuagenária “muito excêntrica”, que vivia sozinha numa casa “cheia de lixo”, que recolhia dos contentores, e outro de uma mulher na casa dos 50 anos que começou a fazer colecção de objectos inúteis desde os 20 anos.

Palma Góis conta que a mulher mais nova fazia acumulação de lixo por “montinhos”, como de roupa e sapatos, de acordo com as suas próprias regras. Mas com o passar dos anos, a doença foi piorando e actualmente já não organizava o lixo e a casa transformou-se numa verdadeira lixeira. A vida desta mulher é partilhada com um companheiro, alcoólico, que “por contágio aceitou este tipo de vida”, sublinhou.

Queixas dos vizinhos

Ambos os casos chegaram ao hospital através dos serviços sociais, que foram alertados pela vizinhança devido ao mau cheiro que as casas tinham e do comportamento bizarro.

Palma Góis conta que a idosa, quando chegou aos cuidados médicos, ia desnutrida, com um aspecto pouco cuidado e uma atitude desconfiada e assustada, tendo acabado por ficar internada quatro semanas. Depois de a casa ter sido limpa, a idosa, que tinha uma “demência ligeira” e registou melhoras significativas com o tratamento, voltou para casa continuando a ter acompanhamento médico e o apoio dos serviços sociais para garantir o comprimento da terapêutica, alimentação e higiene.

Segundo Palma Góis, estas pessoas vivem numa situação de miséria material muito marcada e chegam a apresentar várias patologias, desde eczemas e infecções na pele causados por parasitas e sujidade, até anemias devido à negligência da alimentação e higiene.

As causas

Palma Góis explica que o Síndrome não nasce com a pessoa, mas pode haver traços de personalidade que predispõem para a doença, que pode surgir com a morte de um familiar, dificuldades económicas, conflitos ou reforma antecipada. Embora a maioria dos casos seja em idosos, há pessoas mais novas que podem desenvolver a doença, mas nestes casos está associada a outras patologias, como uma doença obsessiva compulsiva ou esquizofrenia. Sobre a prevalência da doença em Portugal, o psiquiatra diz que não existem números, mas estima que sejam idênticos aos de Espanha: 1,7 em cada mil internamentos em pessoas com mais de 65 anos.

Fonte: Helena Neves no DN.

Comentários»

1. JOSEFINA SBRAGIA FORNER - Abril 25, 2009

por favor, poderiam me orientar como fazemos eu e a nossa familia, para ela perceber que esta doente e precisa de tratamento. ela ja nao esta mais eixando a familia entrar na casa dela. ela e uma pessoa eextremamente bondosa, ajuda os outros, quase nao pensa em si, e esta vivendo num monte de lixo dentro da casa dela. por favor me oriente o que devemos fazer

A Ovelha Perdida - Abril 28, 2009

Essa pessoa precisa de tratamento. Talvez falar com o médico de família (se tiver) para a orientar para os serviços de saúde (psicologia ou psiquiatria) que a possam apoiar.

Claudio Falcão - Setembro 11, 2009

A única providência cabível, neste caso, é alguém tomar a frente e levar essa pessoa para outro lugar, temporáriamente, fazendo-a entender o quê está acontecendo. Existem muitos vídeos a respeito, mas até se possível for, acho que gravar a casa com o lixo todo, descrevendo tudo, muito claro e explicativo, apresentando a ela em um local amigo e bem aconchegante a fará ver que está se entregando à doença que avança implacável e impiedosamente. Faze-la ver que ela está adoecendo e que há chance de vencer esse mal é o caminho.