Fé solitária eleva risco de transtornos

 

Pessoas espiritualizadas, mas que não seguem uma religião formal, são mais propensas a sofrerem de transtornos mentais do que ateus e religiosos “tradicionais”.

O trabalho, feito pelo University College London e publicado no “British Journal of Psychiatry”, entrevistou 7.400 pessoas na Inglaterra, das quais 35% seguiam uma religião, 19% eram espiritualizadas e 46% não eram uma coisa nem outra, ateus e agnósticos.

Os espiritualizados não religiosos tiveram um risco 77% maior de abusar de drogas. Eles também foram muito mais propensos a sofrer de transtornos alimentares, fobias e neuroses.

Os autores do artigo, liderados pelo professor Michael King, reconhecem que são necessários outros estudos para realmente destrinchar e explicar essa relação entre os espiritualizados e os transtornos mentais.

Eles, no entanto, sugerem uma explicação, mesmo que parcial, para o fenômeno: a falta da estrutura de uma religião formal na busca espiritual pode deixar os crentes mais vulneráveis aos problemas mentais.

 

Fonte: Folha de S. Paulo, via Pavablog.

Doenças mentais são mais comuns em trabalhos ligados às artes e criatividade

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A discussão é antiga: será que em pessoas criativas e com dons artísticos há maior incidência de doenças mentais como bipolaridade, depressão e abuso de drogas? Logo de cara já dá para pensar em vários exemplos: Amy Winehouse, Sylvia Plath (foto), Kurt Cobain …

Pois pesquisadores do Karolinska Institutet, na Suécia, analisaram o histórico de quase 1,2 milhão de pacientes e seus familiares e confirmaram essa hipótese.  No ano passado, a equipe já havia mostrado que há uma porcentagem maior de artistas e cientistas em famílias onde o transtorno bipolar e a esquizofrenia estão presentes do que na população em geral.

Agora, eles expandiram o estudo para abranger outros diagnósticos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, abuso de álcool, uso de drogas, autismo, TDAH, anorexia nervosa e suicídio, e incluíram pessoas em atendimento ambulatorial em vez de pacientes exclusivamente hospitalares.

Os resultados confirmaram os do estudo anterior: o transtorno bipolar novamente se mostrou mais comum entre pessoas com profissões artísticas ou científicas, como bailarinos, pesquisadores, fotógrafos e escritores, do que na população geral. Mas, tirando o transtorno bipolar, os indivíduos com profissões criativas não mostraram maior propensão a sofrer de transtornos psiquiátricos em relação aos outros.

“No entanto, ser um escritor está especificamente associado com maior probabilidade de se ter esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, transtornos de ansiedade e abuso de drogas”, diz o estudo. E tem mais: eles foram quase 50% mais propensos a cometer suicídio do que as outras pessoas. Estão aí Sylvia Plath, Virginia Woolf e Ernest Hemingway como exemplo.

Será que são as doenças que levam a pessoa para essas profissões ou o contrário?  Em todo caso, de acordo com Simon Kyaga, um dos autores do estudo, tal associação entre a criatividade e a doença mental dá motivos para se reconsiderar a forma como ela é tratada. “Na psiquiatria e medicina em geral, tem havido uma tradição de se ver o problema como algo em preto-e-branco e há o esforço para tratar o paciente removendo tudo o que for considerado mórbido”, diz ele no Medical Xpress. “Mas, se alguém acredita que certos fenômenos associados a ele são benéficos para o paciente, isso abre o caminho para uma nova abordagem no tratamento. Nesse caso, médico e paciente devem chegar a um acordo sobre o que deve ser tratado, e a que custo”, completa.

 

Fonte: Ana Carolina Prado, na Super Interessante, via Pavablog.

30 mil pessoas tentam suicídio em Portugal todos os anos

 

Por Sandra Gonçalves
Cerca de 30 mil pessoas tentam suicídio anualmente em Portugal

Todos os anos registam-se mais de mil casos de suicídio e cerca de 30 mil comportamentos suicidários não consumados em Portugal, apesar dos especialistas referirem que esta é ainda uma realidade pouco referenciada. A prevenção destes comportamentos esteve em discussão durante o primeiro dia do Congresso Nacional de Psiquiatria, a decorrer no Porto até sábado.

A escassez de autópsias psicológicas e o elevado número de mortes por causas indeterminadas escondem ainda muitos dos casos de suicídio em Portugal. Um grave problema de saúde pública que os especialistas querem combater através da prevenção.

De acordo com Bessa Peixoto, director do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Braga, «existem princípios básicos que devem ser tidos em consideração na óptica da estratégia das consultas de prevenção do suicídio», nomeadamente a redução da disponibilidade e acessibilidade aos meios de suicídio; a implementação de estratégias que visem a diminuição do estigma associado à doença mental; o estabelecimento de procedimentos relativos à informação com os órgãos de comunicação social; desenvolvimento e implementação de programas de prevenção, entre outras.

No entanto, segundo o especialista, «existem ainda algumas dúvidas se o foco principal da prevenção deve estar nestas questões ou se deve ser dirigido para os cuidados primários. Há que reflectir se estes serviços estão apetrechados de forma a poder desenvolver consultas de intervenção em crise que, em tempo útil, respondam ou criem uma acessibilidade capaz de dar resposta a estes aspectos».

No simpósio dedicado aos «comportamentos suicidários: da prevenção à pósvenção» foram ainda abordadas as questões dos impactos do suicídio nas famílias e nos profissionais da área. De acordo com Ema Lima das Neves, Psicóloga Clínica do Hospital de Santa Maria, «o suicídio de um membro da família é ainda hoje visto como um tabu, a fonte de muita culpa e de muito segredo dentro das famílias», acrescentando que o neste campo «o foco é colocado nos sobreviventes – aqueles que são deixados para trás como consequência do suicídio – e na intervenção a esse nível».

Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2000 existiam entre 6 a 10 sobreviventes directos por cada suicídio, o que quer dizer «que há uma necessidade de caracterizar as famílias dos suicidas e de pensar qual a intervenção nestas situações».

Ainda neste campo foi apresentado por Inês Rothes, investigadora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, o primeiro estudo sobre o impacto do suicídio de um doente em profissionais de saúde portugueses e que revelou as principais reacções emocionais, o impacto na prática clínica e os recursos disponíveis aos técnicos. Segundo o estudo, que incluiu 242 profissionais de várias áreas, 27% dos inquiridos já tinham passado pelo suicídio de um doente e segundo a especialista «são os clínicos gerais que tendem mais a estar em risco devido à organização do nosso sistema de saúde».

Os principais sentimentos e reacções emocionais nos técnicos são sobretudo o sofrimento emocional; preocupações, medos, inseguranças e dúvidas, sobretudo relativamente a doentes futuros; frustração e desilusão, existindo mesmo a situação de culpabilização da família. Muitos dos técnicos chegam a efectuar diversas alterações na sua prática clínica e 7% referem implicações na vida pessoal. «Os profissionais tendem a recorrer pouco a ajuda mas quando recorrem consideram-na útil», explica.

Durante este primeiro dia do Congresso Nacional de Psiquiatria foi ainda apresentado o estudo WAVE-bd que, segundo Luísa Figueira, directora do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria), «procurou descrever e avaliar os resultados do tratamento da doença bipolar». Realizado em 10 países, entre os quais Portugal, os resultados permitem concluir que no nosso país «os episódios de depressão são os mais frequentes na doença bipolar» e que «os doentes com episódios de depressão tiveram a mais baixa adesão ao tratamento e os doentes com episódios mistos tiveram a mais alta adesão ao tratamento».

De acordo com as estimativas a prevalência da doença bipolar está entre os 0,2% e 6,0%, sendo considerada já a 9ª causa de perda de vida saudável e morte prematura, especialmente nas faixas etárias entre os 15 e 44 anos.

A cannabis é a droga ilícita mais consumida pelos adolescentes e a maior parte das primeiras experiências ocorre durante a adolescência, fase crucial para o desenvolvimento e amadurecimento do órgão cerebral.

Segundo Julio Bobes, professor catedrático de Psiquiatria da Universidade de Oviedo, «trata-se de um facto preocupante, uma vez que como consequência deste consumo, os adolescentes estão mais propensos a ter uma redução significativa e irreversível do seu potencial cerebral».

Alterações na capacidade de pensamento e raciocínio, ansiedade, deficiências em mecanismos da memória e de aprendizagem são alguns dos efeitos mais comuns desta droga. O consumo de cannabis – particularmente em adolescentes e jovens adultos – facilita igualmente a manifestação de perturbações mentais em indivíduos vulneráveis. É também comum um indivíduo apresentar sintomas psicóticos quando consome pela primeira vez.

Abordando o tema da «Recuperação da cognição na doença mental – o papel da quetiapina na esquizofrenia, transtorno bipolar e perturbação depressiva major», Eduard Vieta explicou que esta recuperação «deve incluir as esferas sintomática, cognitiva e funcional. Apesar de muitos tratamentos permitirem uma recuperação sintomática, alcançar a recuperação cognitiva e funcional é mais difícil», acrescentando que «muitos doentes melhoram os sintomas característicos da doença mas sofrem de dificuldades neurocognitivas e de adaptação psicossocial».

Sobre como esta recuperação é realizada, João Marques Teixeira, da Universidade do Porto, referiu que são utilizadas «técnicas específicas de remediação e estimulação cognitiva (face a face ou com o auxílio de computadores), da estimulação da cognição social em pequenos grupos e em interacções contextuais com o envolvimento da família». Trata-se de uma área altamente especializada «que requer um treino prolongado e uma equipa terapêutica dedicada apenas a essa tarefa. Este investimento justifica-se dado os resultados animadores quanto à integração socioprofissional destes doentes».

No que se refere ao papel da quetiapina, João Marques Teixeira explica que «a psicofarmacologia tem um papel importante na facilitação da remediação cognitiva, muito embora a investigação não se tenha virado completamente ainda para esta área de intervenção», tendo apresentado um racional para a utilização da psicofarmacoterapia como complemento da remediação cognitiva, «no qual a quetiapina, pelos estudos que existem e pela sua configuração farmacológica, assume um papel de destaque». Uma situação corroborada por Eduard Vieta, segundo o qual «a quetiapina é uma das substâncias melhor toleradas do ponto de vista cognitivo, tanto na esquizofrenia como nos transtornos afectivos».

O Congresso Nacional de Psiquiatria, que se prolonga até sábado, no Sheraton Porto, terá na sexta-feira em destaque temas como «o balanço de 20 anos de política comunitária em saúde mental», «a sobrecarga das perturbações mentais dos idosos», «perturbação esquizo-afectiva: sua caracterização e seus limites», «medicina sexual e psiquiatria», «perturbações psicóticas na prática clínica» e «recovery – um desafio actual na promoção da saúde mental».

 

Fonte: Diário Digital.

Visão positiva da velhice melhora a saúde de idosos

Terceira idade: Visão positiva da velhice torna idosos mais saudáveis e independentes, diz estudo

Encarar a velhice de forma positiva pode ser uma maneira eficaz de melhorar a saúde. De acordo com uma pesquisa publicada no periódico The Journal of The American Association (JAMA), essa atitude eleva as chances de um idoso readquirir a capacidade de realizar sozinho atividades do cotidiano, como tomar banho ou andar, e também retarda a perda dessa habilidade, problema que ocorre normalmente com o envelhecimento.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Association Between Positive Age Stereotypes and Recovery From Disability in Older Persons

Onde foi divulgada: periódico The Journal of The American Association (JAMA)

Quem fez: Becca Levy, Martin Slade, Terrence Murphy e Thomas Gill

Instituição: Universidade Yale, Estados Unidos

Dados de amostragem: 598 pessoas com mais de 70 anos de idade

Resultado: Idosos que têm opiniões mais positivas sobre a velhice se recuperam mais facilmente da incapacidade de realizar tarefas do cotidiano. Eles também perdem essa capacidade de forma mais lenta do que idosos que são pessimistas em relação à velhice.

O estudo, feito na Universidade Yale, nos Estados Unidos, acompanhou 598 pessoas com mais de 70 anos ao longo de 11 anos. Quando a pesquisa começou, nenhum participante tinha dificuldade em realizar tarefas do cotidiano. No entanto, durante o período em que o estudo foi realizado, todos eles apresentaram, em algum momento, incapacidade em relação a essas tarefas.

Durante os anos do estudo, os pesquisadores avaliaram a saúde dos participantes e também a visão de cada um em relação à terceira idade. Para isso, a equipe pedia que esses indivíduos falassem a primeira frase ou as primeiras cinco palavras que lhes viessem à mente quando pensavam em velhice. As incapacidades levadas em conta no estudo foram aquelas que impediam que os idosos realizassem, sozinhos, tarefas do dia-a-dia, como tomar banho, vestir-se e andar.

De acordo com os pesquisadores, os idosos com o ponto de visa mais otimista em relação à velhice apresentaram até 44% mais chances de se recuperar completamente de alguma incapacidade do que os participantes mais pessimistas em relação à terceira idade. Ou seja, eles conseguiram voltar a realizar atividades cotidianas sem a de ajuda de alguém. Essas pessoas também foram mais capazes de atenuar a gravidade da incapacidade e, além disso, apresentaram um declínio mais lento dessas habilidades.

A pesquisa mostra, segundo os pesquisadores, que o ponto de vista de uma pessoa em relação à velhice pode fazer com que ela seja um idoso mais independente e saudável. Eles acreditam que os próximos estudos devam buscar formas de promover o otimismo entre pessoas que estão entrando na terceira idade.

Fonte: Veja.

Nariz muda de temperatura quando se mente

Nariz muda de temperatura quando se mente
Fotografia © DR

 

A famosa história do Pinóquio, personagem imortalizada pela Disney, poderá ter algum fundo de verdade. Quando os seres humanos mentem o nariz não cresce, mas aquece ou arrefece.

Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Granada, em Espanha, mostrou que quando as pessoas mentem o nariz não permanece igual. Dependendo do tipo de mentira que se conta, o nariz pode aquecer ou arrefecer, notícia o site do jornal espanhol ‘El Mundo’.

De acordo com Emilio Gómez Milán e Elvira Salazar López, ambos do departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Granada, quando um indivíduo realiza um grande esforço mental, a temperatura do nariz desce. Se, por outro lado, uma mentira causar um elevado nível de ansiedade, produz-se uma subida da temperatura facial.

Deste modo, o chamado “efeito Pinóquio” demonstra que a temperatura da ponta do nariz aumenta ou diminui consoante os estados de espírito. Esta investigação faz parte de uma tese de doutoramento, defendida ontem na Faculdade de Psicologia da Universidade de Granada. Alguns dos resultados defendidos foram já publicados em revista científicas, diz o ‘El Mundo’.

 

Fonte: DN.

 

Ondas cerebrais: interface cérebro-computador

Cérebro

 

Investigadores da Universidade de Coimbra criaram interface para tetraplégicos ou doentes com paralisia executarem tarefas e comunicarem.

Stephen Hawking tinha 21 anos quando descobriu ter uma doença rara degenerativa que paralisa os músculos do corpo, mas não atinge as funções cerebrais – esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Para comunicar, ao fim de alguns anos, o físico britânico, considerado “dos mais brilhantes da história” pela comunidade científica internacional, começou a usar um sintetizador de voz. E, apesar das limitações, escreveu inúmeras obras científicas, participou em séries televisivas, filmes e gravação de músicas.

Hoje com 70 anos, o físico condecorado mais de uma dezena de vezes já utiliza um sistema computorizado para comunicar e está a colaborar com cientistas norte-americanos no desenvolvimento de um dispositivo chamado iBrain, que capta as ondas cerebrais e permite a comunicação via computador.

A tecnologia é inovadora e também já chegou a Portugal. O investigador Gabriel Pires, do Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra criou uma interface cérebro-computador para pessoas com limitações motoras graves, nomeadamente doentes com ELA, pessoas tetraplégicas e com paralisia cerebral. Ao permitir uma comunicação suportada em ondas cerebrais e estímulos visuais, o sistema desenvolvido pelo investigador abre a possibilidade de restaurar a comunicação, aumentar a mobilidade e o grau de independência dos doentes.

“É uma ferramenta de assistência muito poderosa, que, quando entrar no mercado, terá um forte impacto social, pois permitirá às pessoas com deficiências motoras muito graves obter maior autonomia”, explica ao i Gabriel Pires.

Segundo o investigador da Universidade de Coimbra, com a interface cérebro-computador os doentes poderão executar tarefas quotidianas, como conversar no Skype, conduzir uma cadeira de rodas, ligar luzes, accionar alarmes via telefone ou ligar a televisão.

O sistema é composto por um conjunto de algoritmos de processamento de sinal e aprendizagem automática que, após a recolha de sinais cerebrais pelo método não invasivo de electroencefalografia (EEG), descodifica os padrões cerebrais e selecciona letras de forma sequencial, permitindo escrever frases. São algoritmos “que se ajustam aos padrões neuronais das pessoas, conseguindo perceber se o utilizador, no momento, quer ou não executar uma dada tarefa. Com um simples fechar de olhos, o utilizador desliga a interface e repete o mesmo gesto para voltar a ligar.

De acordo com o cientista do Instituto de Sistemas e Robótica, “é no computador que reside a inteligência do sistema, onde é feita toda a tradução dos sinais cerebrais”. No entanto, os algoritmos não conseguem ler mentes, nem descodificar pensamentos: “A interface precisa de estímulos visuais.”
“Por exemplo, se uma pessoa tiver um dispositivo de escrita, quando está a escrever as letras estão a piscar de forma aleatória para que seja evocado um sinal muito específico. Ou seja, é necessário que a pessoa tenha a percepção de que determinada letra tem de aparecer acesa”, esclarece.

Resultados Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, a interface foi validada clinicamente num grupo de portadores de ELA, testada no Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, em utentes do Centro de Paralisia Cerebral de Coimbra, com resultados “muito positivos”.
“No total, o grupo era composto por 14 pessoas e correu tudo muito bem. Houve um paciente que não conseguia controlar nenhuma parte do corpo e escrevia no computador sem qualquer problema através da interface”, conta Gabriel Pires.

A ELA é uma doença neurodegenerativa pouco comum, no entanto, é a terceira doença rara mais frequente seguida do Alzheimer e de Parkinson. Para Paula Brito e Costa, presidente da Associação Raríssimas (Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras), esta inovação é “um passo muito importante” para a melhoria de qualidade de vida dos doentes que sofrem de ELA. “Sendo uma doença degenerativa, os doentes começam por perder competências e a comunicação é das primeiras a serem afectadas. Como não têm força muscular para optarem por uma comunicação alternativa, esta é realmente a única ajuda que lhes resta”, afirma ao i.
Paula Brito e Costa está convencida de que esta ferramenta é um novo caminho para quem sofre de doenças degenerativas: “As pessoas com ELA mantêm até ao final da vida a sua capacidade intelectual. Não podendo de modo nenhum comunicar, acabam por se sentir completamente isolados do mundo”, diz a dirigente da associação, acrescentando que quando estas tecnologias entram na vida de um doente será sempre para mudar radicalmente o seu quotidiano e realizar projectos de vida: “Conheço algumas pessoas que através destes tipo de inovações até conseguem escrever livros e pintar”, diz.

 

Fonte: Ionline.

Como esquecer más recordações por vontade própria

<i>A Persistência da Memória</i>, de Salvador Dalí, 1931

A Persistência da Memória, de Salvador Dalí, 1931.

 

 

No filme O Despertar da Mente (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), as personagens interpretadas por Jim Carrey e Kate Winslet decidem apagar das suas mentes todas as recordações do outro. Já não se amam e querem ver-se livres dessa parte da sua vida. Para isso, submetem-se a um procedimento não cirúrgico capaz de limpar “cirurgicamente” a memória.

 

Agora a sério: se quisesse bloquear, reprimir, esquecer algo muito desagradável que viveu ou presenciou, se se propusesse apagar essa má recordação da sua cabeça, como acha que faria? Diversos estudos realizados ao longo da última década sugerem que existem pelo menos duas maneiras de suprimir deliberadamente uma má recordação. E agora, pela primeira vez, uma equipa de cientistas britânicos concluiu não apenas que esses dois mecanismos funcionam mesmo, mas que cada um deles se processa através de um circuito cerebral diferente. “Este estudo mostra pela primeira vez a existência de dois mecanismos que conduzem ao esquecimento intencional”, diz em comunicado Roland Benoit, da Universidade de Cambridge, que liderou o estudo, publicado numa das últimas edições da revista Neuron.

As duas estratégias que permitem esquecer, “com o controlo da mente”, por assim dizer, aquela gaffe monumental que cometemos no jantar do outro dia — ou, num registo mais sombrio, aquela cena de violência que nos deixou tão perturbados — são, no fundo, opostas uma da outra. A primeira consiste simplesmente em obrigarmo-nos a bloquear a memória funesta quando surge; a segunda, em fomentar a sua substituição por outra, mais agradável, de cada vez que a recordação indesejável nos acossa. Em ambos os casos, o objectivo é não deixar a má recordação tornar-se consciente.

Para ver o que acontecia no cérebro durante a utilização de cada uma destas abordagens, os cientistas recorreram à técnica de ressonância magnética funcional, que permite visualizar as zonas que se activam no cérebro das pessoas, enquanto elas efectuam uma dada tarefa. Neste caso, os participantes no estudo, que tinham começado por memorizar certas associações entre pares de palavras, tentavam a seguir esquecer essas associações quer através do seu bloqueio, quer da sua substituição.

Os investigadores puderam assim observar que cada uma das estratégias, que se revelaram ser igualmente eficazes — tanto uma como a outra resultaram efectivamente num esquecimento —, activava circuitos neuronais distintos. Durante a supressão de uma memória, o córtex pré-frontal dorsolateral inibia a actividade do hipocampo, estrutura cerebral essencial à rememoração de acontecimentos passados (é no córtex, a “casca” do cérebro humano, onde residem as nossas funções cognitivas mais sofisticadas). Mas durante a substituição por outra memória, a actividade verificava-se em duas outras regiões: no córtex pré-frontal caudal e no córtex pré-frontal mesoventrolateral, “ambas envolvidas em fazer uma memória entrar na nossa consciência mesmo quando outras memórias estão a desviar a nossa atenção”, explica o comunicado.

“Uma melhor compreensão destes mecanismos e dos seus componentes”, diz Benoit, “poderá um dia ajudar-nos a perceber as perturbações da regulação das memórias, tal como o stress pós-traumático.” Segundo o investigador, o facto de saber quais são os processos neurais que contribuem para o esquecimento pode ser útil do ponto de vista terapêutico, porque talvez haja pessoas que têm mais jeito para pôr em prática uma das estratégias do que a outra.

 

Fonte: Público.

Burnout: quando o trabalho se transforma em doença

O <i>burnout</i> é o estado de exaustão emocional, com descrença na utilidade da função que se exerce e baixa realização

O burnout é o estado de exaustão emocional, com descrença na utilidade da função que se exerce e baixa realização (Foto: PÚBLICO)

 

Há mais de um ano que Tânia toma anti-depressivos. Os ansiolíticos também entraram na sua vida, servem para dormir e para controlar as arritmias provocadas pelo stress. Alexandra sente-se muitas vezes irritada, incapaz de conseguir estudar. Acha que nunca vai conseguir ser independente e já pensou em desistir do curso.

 

Tânia e Alexandra sofrem de burnout, ou seja, de um “estado de exaustão emocional, com descrença na utilidade da função que se exerce e baixa realização, havendo uma diminuição da eficácia devido à falta de empenho, podendo levar ao abandono da profissão”, explica João Marôco, autor do estudo “Burnout em estudantes universitários: determinantes e consequências”, apresentado em Lisboa nesta quinta-feira.

Segundo o inquérito feito em Portugal e no Brasil, em parceria com a professora Juliana Campos, que aplicou o mesmo aos estudantes de São Paulo, 15% dos alunos universitários lisboetas estão em estado de burnout.

Com 21 anos, Tânia Viegas estuda na Universidade Nova de Lisboa e confessa que já esteve “três meses a beber um copo de leite de manhã e a comer uma sandes à noite e, durante o dia, só a café”. Por causa do stress parecia que tinha “uma bola no estômago” que não lhe permitia comer, descreve.

João Marôco, professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) afirma que “quando o cansaço provoca baixa eficácia nos estudos, o consumo de café, medicação, tabaco, álcool ou drogas é a soluções mais imediata para não quebrar o ritmo, e é uma das consequências doburnout. De acordo com os resultados do estudo, 32% dos alunos inquiridos recorrem às vezes a medicação devido aos estudos, e 3,5% fá-lo com frequência.

Os dados foram recolhidos no ano lectivo de 2009/2010, em inquérito a 486 alunos de ambos os sexos, de universidades públicas e privadas de Lisboa e de todas as áreas de estudo. Hoje os resultados seriam diferentes? “A conjuntura financeira actual faz-me crer que a percentagem de estudantes com burnout que verificámos no estudo já deve ter aumentado”, calcula o investigador.

Condições precárias
Aluna na Universidade Técnica de Lisboa, Alexandra Guerreiro confessa que já chorou a pensar que nunca conseguirá sair da casa dos pais por causa da crise económica. Irrita-se com frequência, sobretudo quando não consegue estudar. “O meu irmão mais novo está constantemente a desconcentrar-me quando estou a estudar. Ao fim-de-semana, é impossível porque só se ouve os meus pais a ralharem com ele”, acusa a jovem de 21 anos.

Mas o mal estar também se sente quando está na escola. Há professores que “não têm paciência para explicar”, lamenta. “Houve um semestre em que quis desistir do curso porque tinha tantos trabalhos e frequências ao mesmo tempo que baixei as notas”, admite.

Com a introdução do processo de Bolonha, o professor passou a ser um orientador dos estudos e há mais trabalhos para apresentar, confirma João Marôco que aponta que a exaustão emocional elevada revelou-se em 21% dos estudantes inquiridos, e que a baixa eficácia, culminando em piores resultados, se verificou em 56%.

Professores mais expostos
Não são só os alunos que sofrem de burnout. Os professores também:. “O burnout dos professores é uma das causas do burnout nos alunos”, frisa João Marôco.

O fenómeno tem sido investigado nos docentes, que “estão cada vez mais expostos a factores de stress”, refere o autor deste estudo e professor universitário.

Renato Albuquerque ainda gosta da profissão mas este professor de 53 anos confessa já não investir o que devia por não se sentir recompensado. Diz sentir “uma grande instabilidade” devido a todas as medidas que vão sendo tomadas pelo Ministério da Educação. “As salas estão cada vez mais cheias de alunos, e depois pedem para explicar [a matéria] várias vezes. À terceira, já perdi a paciência”, revela o professor do ensino secundário.

De acordo com Rui Gomes, professor na Escola de Psicologia da Universidade do Minho, este é um sinal de burnout. “A mudança no estatuto da carreira docente contribuiu para o aparecimento do burnout nos professores”, afirma. Estes deixam de olhar para os alunos como pessoas, tratando-os como objectos, clarifica.Outra das características do burnout é o absentismo: “o professor deixa de dar aulas”, aponta João Marôco.

Foi o que aconteceu com Maria Abranches. Devido à indisciplina de um dos alunos, esta professora do 1.º ciclo ficou um mês em casa de baixa a tomar anti-depressivos. “A indisciplina continua a ser um dos maiores precursores de burnout nos professores”, refere Rui Gomes.

Outra das causas é a falta de envolvimento dos pais no ensino. Maria pode confirmá-lo: “A criança fazia o que queria e os pais não queriam saber”. “Tinha todos os dias, à porta da escola, a polícia por causa da indisciplina do menino. Ficava numa grande ansiedade e com palpitações”, continua a professora de 41 anos. A situação que vivia acabou por se reflectir na sua saúde – uma úlcera no estômago. “Além disso, não me podiam dizer nada na escola que eu desatava a chorar”, acrescenta.

Se não fosse o apoio do marido e dos pais, e a obrigação que sentia de não poder falhar em relação aos filhos, Maria não teria recuperado. A rede social de apoio é “extremamente importante na atenuação do burnout”, conclui João Marôco.

 

Fonte: Público.

Empregado em consultório de psiquiatra

- ‎”Vejo que o seu último emprego foi com um psiquiatra”, disse o empregador ao candidato. “Por que deixou o cargo?”
- “Bem”, começou o rapaz, “não havia escapatória para mim. Se chegasse tarde ao trabalho, eu estava a ser hostil. Se chegasse cedo, era porque sofria de ansiedade e, se chegasse na hora certa, era compulsivo.”

(Facebook de António D. Romualdo)