Falta de dinheiro leva ingleses a fazerem mais sexo

Publicado originalmente no Terra

Em época de crise econômica, a vida sexual ganha força. Pelo menos é o que indica nova pesquisa publicada pelo jornal online Mirror. De acordo com o site, mais de um entre três britânicos têm relações sexuais cinco vezes pro semana, e dois entre três fazem sexo ao menos uma vez por mês.

“É bom saber que algumas coisas boas da vida ainda são de graça”, disse ao jornal Tracey Cox, autora de Sex SOS. Para ela, o sexo melhora entre os casais porque eles procuram um entretenimento barato quando o dinheiro aperta. “Não há nada mais barato e mais divertido do que muito sexo”, falou.

Mas não é só isso. Mais da metade que respondeu à pesquisa afirmou que tem assistido à mais filmes eróticos e quase o mesmo número admitiu que pratica sexo ao ar livre.

E não só os jovens aproveitam esse passatempo prazeroso. Mais de 80% dos entrevistados falaram que não há idade para o desejo sexual e para ter uma vida sexual ativa, e 67% das mulheres afirmaram que são os parceiros quem têm mais apetite sexual.

Ainda segundo a pesquisa, o lugar mais “sexy” da Grã-Bretanha é a região rural de East Anglia, onde 5,8% dos casais fazem sexo todos os dias.

Fonte: Pavablog.


Voz grave potencia sucesso na política

 

Um estudo realizado nos Estados Unidos revelou que os eleitores preferem candidatos com voz grave porque lhes transmite mais confiança e força.

Um estudo realizado por investigadores de duas universidades norte-americanas revela que tanto os homens como as mulheres são mais propensos a ter sucesso na política e a vencer eleições se tiverem um tom de voz grave, profundo, em vez de agudo.

Um grupo de biólogos e politólogos fizeram experiências, publicadas na revista ‘Proceedings of Royal Society B’, e concluíram que inconscientemente os eleitores preferem candidatos com vozes menos estridentes, e às vezes decidem mais por este tipo de fatores do que por conhecimento dos programas eleitorais.

Rindy Anderson, uma das autoras, da Universidade de Duke, argumenta que “parece que as nossas vozes levam mais informação que as palavras e saber pode ajudar-nos a entender fatores que influenciam as nossas relações sociais, e até mesmo explicar por que existem tão poucas mulheres e altos cargos políticos”.

Os sociólogos e historiadores acrescentaram outros quantos fatores nas sociedades patriarcais, mas o que prova esta investigação é que há impulsos no momento da votação para uma e para outra pessoa que não são controlados pela razão.

 

Fonte: DN.

Stress na gravidez dá prémio

Nuno Sousa, investigador da Universidade do Minho, ganhou o Prémio Janssen Neurociências com um trabalho sobre os efeitos do stress, em fases precoces do desenvolvimento, durante a gravidez.

Foi a primeira edição deste prémio, no valor de 50 mil euros. A cerimónia de entrega decorre no dia 15 de Março, no Centro Cultural de Belém (CCB), na sala Luís de Freitas Branco.

O Prémio Janssen Neurociências visa distinguir um trabalho de excelência desenvolvido por cientistas nesta área, em Portugal, e conta com o apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, da Sociedade Portuguesa de Neurologia e da Sociedade Portuguesa de Neurociências.

Fonte: DN.

Para as crianças, o Google substitui os pais

A grande esperança de todos os pais é que os filhos os prefiram na hora de tirar dúvidas, pelo menos enquanto ainda são pequenos. Mas, nesta era, parece que o papá e a mamã já não são os educadores.

Um estudo da Birmingham Science City , citado pelo jornal inglês “Daily Mail “, revela que a maioria (54%) dos jovens entre os 6 e os 15 anos prefere ir fazer perguntas ao Google.Apenas 1/4 falaria com os pais primeiro.

Na era das novas tecnologias, também os professores e os livros são postos de parte. A mesma análise diz que 45% das crianças nunca usaram uma enciclopédia e 19% um dicionário em papel. Aliás, apenas 3% dos entrevistados no estudo escolheriam os professores para terem respostas.

“Não é surpreendente que, com respostas à distância de um clique, os jovens muitas vezes perguntem ao Google. No entanto, isso não é necessariamente mau”, disse ao jornal inglês Pam Waddell, diretor do Birmingham Science City.

Para Waddell, os resultados do estudo só provam que as crianças têm uma natureza curiosa, o que as torna capazes de utilizar as novas tecnologias.

Fonte: Expresso.

Cérebro pode aprender tarefas mentais com células que desempenham tarefas motoras

 

O cérebro humano pode aprender a desempenhar tarefas exclusivamente mentais com os mesmos circuitos que utiliza para tarefas motoras, uma descoberta de investigadores portugueses e norte-americanos que pode influenciar a maneira como se fabricam próteses.
Estas conclusões, publicadas na revista Nature, são o resultado da investigação de neurocientistas da Fundação Champalimaud e da Universidade de Berkeley, na Califórnia.

No estudo, os investigadores sugerem que a mobilidade perdida pode ser recuperada através do pensamento, com uma área do cérebro utilizada habitualmente para uma função motora que pode ser treinada para outra tarefa puramente mental.

Rui Costa, neurocientista da Fundação Champalimaud, disse à Agência Lusa que a investigação mostrou que “animais e pessoas podem aprender muito rapidamente regras arbitrárias” diferentes entre si, seja algo com intervenção motora, como “tocar piano ou usar um teclado”, ou algo abstrato, como “aprender xadrez”.

O investigador referiu que usando animais e um dispositivo que lhes dava uma recompensa, foi possível usar a atividade cerebral em vez da mão como mecanismo de obtenção da recompensa, uma “plasticidade” dos circuitos cerebrais que ficou agora comprovada.

O trabalho dos investigadores abre novas possibilidades na construção e uso de próteses controladas mentalmente para pessoas que tenham tido lesões que impliquem a perda de mobilidade.

Segundo o investigador Jose Carmena, da universidade de Berkeley, as conclusões do estudo são “fundamentais para as pessoas que não se podem mover”.

“A maioria dos estudos interface cérebro-máquina têm sido feitos em sujeitos saudáveis, com capacidades motoras, por isso ficava sempre em aberto a questão de saber se os resultados poderiam ser transferidos para um pacientes que ficou completamente paralisado”, afirmou.

Rui Costa acrescentou que ficou provado que pode ocorrer uma alteração funcional de determinadas circuitos cerebrais, sendo de esperar que a própria morfologia, ou anatomia dessas partes do cérebro, venha a alterar-se em função disso.

 

Fonte: RTP.

Os homens preferem mesmo as loiras

Um estudo feito com quase 250 homens em Londres confirmou o que Marilyn Monroe já sabia muitos anos atrás: as loiras fazem mesmo mais sucesso com o público masculino.

Pesquisadores da Universidade de Westminster (Reino Unido) armaram o teste: levaram uma mulher a três bares diferentes e ficaram à paisana observando quantas cantadas ela recebia. Ah, detalhe: antes de cada saída, ela pintava os cabelos de loiro, castanho escuro ou vermelho.

O resultado: loira, a moça foi abordada 60 vezes; morena, 42; ruiva, apenas 16.

Mas por quê? Em outro teste, feito pela mesma equipe de pesquisadores, voluntários tiveram que avaliar loiras, morenas e ruivas sob vários critérios (se pareciam inteligentes, arrogantesou promíscuas, por exemplo) observando apenas fotos das moças.

Dessa vez, as loiras não saíram tão na frente assim (foram as morenas, aliás, as eleitas como mais atraentes). Mas as platinadas foram avaliadas como mais “necessitadas” pela maioria dos homens — o que pode não agradá-las, mas talvez explique o aparente sucesso.

Veja o estudo aqui.

Fonte: Pavablog.

Redes sociais com papel cada vez maior nos divórcios

A proliferação de câmeras digitais e smartphones e a popularização das redes sociais fazem com que os cônjuges infiéis tenham mais dificuldade em escapar incólumes. Por isso, as tecnologia vêm tendo um papel cada vez maior nas separações de casais, segundo advogados especializados em divórcios.

Embora não se consiga medir com exatidão a relação entre essas ferramentas e o fim das relações, a Associação de Advogados Matrimoniais dos EUA estima que as publicações no Facebook já correspondam a 20% das provas apresentadas por cônjuges do país na hora da separação. Fundado em 2004, o Facebook conta hoje com mais de 1 bilhão de usuários – muitos deles mantendo olhares suspeitos sobre as atividades de seus parceiros, ou com olhos atravessados para “amigos” que podem virar “amantes”. O site Facebookcheating.com reúne dezenas de histórias contadas por internautas sobre traições realizadas por meio da rede social.

Um dos usuários, identificado como ZDBZ, conta que encontrou a mulher adormecida em frente ao computador. “Ia desligar o laptop quando vi várias janelas minimizadas. Abri e estava lá. Ela havia feito sexo online com um ex-namorado”, diz o marido, cujo casamento já tinha 19 anos. O diretor do site, Craig Gross, disse à BBC Mundo que a maioria dos e-mails que o site recebe relatam casos em que internautas põem em risco seus relacionamentos ao reencontrar ex-namorados ou paqueras da adolescência. Ele diz acreditar que a rede não é a causadora direta da onda de divórcios, apenas facilitando a infidelidade de casais que já apresentavam problemas.

Rastreamento. A advogada especialista em divórcios Yulisa Rodriguez, que trabalha em Miami, diz que normalmente os “infiéis” são descobertos por mudanças no comportamento. “Eles começam a passar mais horas diante do computador ou escondem seus celulares.

O cônjuge começa a suspeitar e, um belo dia, o infiel acaba deixando a tela aberta e é pego”, afirma. Outros adultérios vêm à tona com mensagens de texto que deveriam ir para os amantes e acabam sendo enviadas, por engano, aos parceiros oficiais. Mas há quem busque outras formas de surpreender aqueles que buscam aventuras, virtuais ou não, fora dos casamentos. Embora seja ilegal rastrear computadores alheios nos Estados Unidos, há programas disponíveis na internet, como o Nannyware, voltado para a vigilância de menores, que podem muito bem servir aos interesses dos desconfiados.

A advogada diz que as autoridades policiais costumam desconfiar desse tipo de atividade. No entanto, também existem meios lícitos para descobrir traições. Rodriguez diz conhecer quem tenha criado uma conta falsa no Facebook com o único propósito de simular uma relação virtual, a fim de descobrir se seus cônjuges são suscetíveis ao apelo da infidelidade.

Olhos por toda a parte. Não é apenas o uso das redes sociais por parte dos infiéis que pode trazer casos de traição à tona. A tecnologia também potencializa a fofoca e o risco de ser descoberto por meio de câmeras fotográficas alheias, segundo o advogado Antonio Pagan, especialista em divórcios em Miami. “Conheço o caso de um cliente que foi descoberto porque uma amiga de sua namorada o flagrou no cinema com outra garota, tirando uma foto com o smartphone”, afirma. Outros são denunciados pelos populares aplicativos que mostram onde e com quem estão os internautas, como o Foursquare.

Embora amantes tendam a evitar tal tecnologia, a história pode ser revelada pela falta de cuidado (ou não) de algum amigo que, uma vez estando com eles, resolva marcá-los em alguma postagem. Em um mundo marcado cada vez mais pela falta de privacidade, a tendência é que cada vez mais relações cheguem ao fim motivadas por traições, descuidos ou fofocas virtuais. “É só o começo”, diz o diretor do Facebookcheating.com. Gross, que tem 36 anos e é casado há 13, dá sua receita para evitar problemas conjugais na rede. “Minha esposa e eu sabemos a senha do Facebook um do outro”, afirma.

Fonte: Terra.

Estudo defende homicídio de bebés

Dois investigadores de bioética desencadearam uma violenta polémica ao defenderem a legitimidade do infanticídio. Francesca Minerva e Alberto Giubilini, das universidades de Melbourne e Milão, afirmam que um recém-nascido deve poder ser morto se, após o parto, a mãe não o quiser “por razões económicas, sociais ou psicológicas”.

Num longo artigo no ‘Jornal de Ética Médica’, publicação ligada ao reputado ‘British Medical Journal’, os dois académicos afirmam que os recém-nascidos “não são pessoas, pois não têm consciência de si”. Consideram, por isso, que os médicos devem poder fazer o que designam “abortos pós-parto”, mesmo quando os bebés são saudáveis, pois “educar crianças indesejadas pode ser um fardo insuportável para a família e para a sociedade”.

Desde a divulgação do artigo, Minerva e Giubilini receberam dezenas de ameaças, sobretudo da parte de pessoas ligadas a grupos religiosos. “Gostava de poder explicar às pessoas que não estou a sugerir que se faça, nem a encorajar essa prática”, afirmou Minerva, considerando que a sua tese foi retirada “do contexto teórico e académico”.

Fonte: CM.

Saiba o que a paixão faz com o seu cérebro

Crédito: Shutterstock.

 

Em busca da fonte de todos os sentimentos intensos e controversos que acompanham a paixão, cientistas analisaram o cérebro dos apaixonados. No estudo feito pela Universidade de Nova York em Stony Brook, voluntários que diziam estar profundamente enamorados deveriam olhar para algumas fotos enquanto passavam por uma ressonância magnética.

Quando uma imagem do amado aparecia, o cérebro dessas pessoas produzia uma reação na parte do órgão responsável pelo nosso senso de motivação e recompensa – a mesma área ativada quando um viciado entra em contato com uma droga.

Em outras palavras, você fica, literalmente, viciado em outra pessoa.

Também conhecido como “centro do prazer”, essa área do cérebro é responsável por reconhecer algo que é bom. E, segundo especialistas, o estímulo dessa região para que você encontre alguém que o faça sentir-se bem pode ser até mais poderoso do que o desejo sexual.

Mas assim que a fase da conquista e a empolgação inicial com a nova paixão passam, o cérebro para de agir desta forma? Não completamente. Em outro estudo da Universidade de Nova York, foram feitas ressonâncias magnéticas em casais que estavam juntos, em média, por 21 anos.

Quando viam fotos de seus companheiros, a região cerebral ativada não era o “centro do prazer”, mas sim uma região associada ao afeto e a uma ligação de contentamento com recompensas. Ou seja – existe, sim, um declínio na paixão, mas um enorme crescimento na área do cérebro ligada ao companheirismo. E, de acordo com os cientistas, é isso que faz com que humanos fiquem juntos por anos, criem filhos e tenham uma vida juntos, ao contrário de outros mamíferos.

 

Fonte: Galileu.

Mau comportamento é fruto da educação dada pelos pais

As práticas educativas parentais desde o nascimento dos filhos são responsáveis, em noventa por cento dos casos, por comportamentos inadequados como o bullying e a indisciplina escolar, defende em livro o investigador e psicólogo Luís Maia.

E Tudo começa no Berço, é o título do livro a ser lançado na segunda-feira, no qual o autor defende que é desde o nascimento da criança que se desenvolvem grande parte das suas características, positivas ou negativas.

“Perdoem-me pais, mas a culpa de muitos de nós não termos controlo sobre o comportamento dos nossos filhos, estou convencido, não é dos filhos, nem da sociedade: é nossa”, escreve o autor alertando para a necessidade de os pais estarem mais presentes na vida dos filhos.

Partindo de exemplos práticos, Luís Maia pretende demonstrar como a desresponsabilização dos membros familiares e educadores próximos das crianças e adolescentes apenas contribui para a acomodação a uma sociedade desumanizada.

Então haverá ou não uma relação entre o comportamento das crianças e a forma como são educadas desde bebés? Na opinião do psicólogo, baseada em 20 anos de prática clínica, essa relação é bem evidente e manifesta-se em 90 por cento dos casos. “Na minha opinião cerca de 90% da responsabilidade do comportamento inadequado das crianças e adolescentes está sedeado nas práticas educativas nos primeiros dias e anos da criança”, disse em declarações à Lusa, adiantando que na maioria dos casos são os pais que precisam de ajuda para se reorientarem na educação dos seus filhos.

Luís Maia explica que nos milhares de casos que já atendeu, quando começa a investigar as causas dos comportamentos inadequados das crianças quer sejam de indisciplina escolar, de violência contra os pares ou de outras atitudes antissociais, na maioria das vezes os pais foram orientados percebendo que eram as suas práticas educativas que deveriam ser alteradas.

A má prática educativa, explicou, ocorre em todas classes socioeconómicas e mesmo em ambientes familiares normais quando por exemplo os pais se desautorizam em frente à criança, quando quebram rotinas ou quando delegam competências.

A sociedade, defende o autor em declarações à agência Lusa, desaprendeu a arte de educar os filhos e a comportarem-se em sociedade, delegando nas estruturas essa responsabilidade. Uma aposta que considera errada.

Fonte: DN.

Excesso de confiança na tecnologia afecta vida social

Fotografia © Paulo Spranger/Globalimagens

A confiança excessiva nos equipamentos digitais pode afetar a forma como pensam os jovens. O especialista Mal Fletcher avisa que o que é hoje um sinal de demência pode transformar-se no estado normal da mente em 2022.

Mal Fletcher defende que a oportunidade tecnológica pode ser aproveitada, mas com disciplina e confinada a algumas áreas da vida.
O especialista em tendências da comunicação veio a Portugal a convite da Jervis Pereira e da MTW – Media Training Worldwide Portugal para participar em conferências sobre o registo cada vez mais assíduo do digital na vida das pessoas, principalmente dos jovens, substituindo o contacto presencial pela comunicação através dos ecrans.

Os jovens adultos, com menos de 30 anos, são “nativos digitais” e adeptos da utilização de instrumentos digitais, não só como forma de estar em contacto com os amigos, mas também como um mecanismo para “produzir alterações sociais”, disse à agência Lusa o especialista.
“The Future is Y – Engaging the Millennial Generation” é o tema das intervenções de Fletcher, que defende que “os jovens adultos vão tirar o maior proveito da experiência digital se disciplinarem o seu uso e, de vez em quando, tornarem livres de ‘gadgets’ algumas áreas da suas vidas”.
Fletcher exemplifica com um estudo onde se sugere que os estudantes que usam regularmente a rede digital podem atingir níveis escolares mais baixos do que aqueles que não o fazem. Os psicólogos referem-se a uma “presença ausente” relacionada com a ideia de muita gente na mesma sala, mas sem contacto entre si, porque estão ocupados no ciberespaço.
“A experiência digital não nega a necessidade de contacto físico, antes realça esta necessidade”, salienta Mal Fletcher, que aconselha os pais a criarem em casa zonas livres de aparelhos digitais para evitar que as crianças se tornem “desastradas” na interação social, uma capacidade que inclui a leitura e compreensão da linguagem corporal e que exige prática.

Questionado sobre a possibilidade da “sobrecarga” de opções digitais – no trabalho, em casa, na vida social e nas relações entre as pessoas – tornar-se doentia, Mal Fletcher diz que qualquer comportamento humano, se levado a extremos, pode ser, “se não uma doença, uma fraqueza habitual”.
E acrescenta mesmo que pode levar à crescente incapacidade de concentração, dificuldade em interpretar a linguagem corporal das pessoas ou mesmo à inaptidão para gerir as finanças pessoais.

Num dos seus artigos, o especialista afirma que aquilo que é atualmente encarado como sinal de demência pode vir a tornar-se no estado normal da mente em 2022, com a população a evidenciar um declínio das funções mental e social.
As tecnologias “vêm e vão, como sempre aconteceu ao longo da história, mas os seres humanos mantêm-se essencialmente os mesmos. Aprendemos coisas novas e adaptamo-nos ao ambiente de vários modos, mas as questões fundamentais que colocamos sobre a vida, o seu significado, não mudaram muito através dos tempos”, explicou à agência Lusa, em resposta a questões enviadas por escrito.

Atualmente, a diferença é que a tecnologia permite juntar a parte fisiológica e a mecânica e já parece estar a entrar não só no trabalho e no lar, mas também no corpo humano, através de chips.
Mal Fletcher lidera o ‘Think Tank 2020Plus’, sedeado em Londres, e investiga as tendências sociais há mais de duas décadas.

Fonte: DN.

Estudo: família tem mais impacto nos jovens que os amigos


A sensação de bem-estar e auto-estima dos jovens depende mais das relações familiares do que das ligações entre colegas, que só ocupam o lugar da família quando esta se ausenta, de acordo com um estudo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).

Esta análise, que foi apresentada no instituto durante a conferência «A construção do autoconceito e da autoestima na adolescência» tem por base 900 alunos dos 7º, 9º e 11º anos.

«Há uma convicção, mais ou menos generalizada, de que durante a adolescência o grupo de pares acaba por substituir um pouco a família. Mas o que estes dados acabam por mostrar é que isso não é exatamente assim. No que toca ao sentimento de bem-estar, a família continua a ter um papel mais importante do que o grupo», contou à agência Lusa o coordenador do estudo, Francisco Peixoto.

O facto de sentirem que a «família os aceita tal como são, que os apoia quando precisam, nomeadamente em termos afetivos, e que simultaneamente lhes dá autonomia para poderem crescer e desenvolver-se, faz com que sintam que são pessoas que têm valor», sublinhou o professor do ISPA.

Francisco Peixoto sublinha que o facto de a família dar «um contributo maior para a auto-estima que a relação com os colegas» não significa que o grupo de amigos não é importante. Os amigos são importantes, mas, em muitos casos, não conseguem substituir a família. «Contrariamente, aquilo que se faz passar, de que o grupo acaba por preencher o espaço da família, isso não é completamente verdade. Depende das circunstâncias», disse o investigador.

«Os pares acabam por ocupar o espaço, quando a família deixa esse espaço vazio. Se a família cuidar dos filhos que tem continuará a ter esse papel importante, de o jovem se sentir bem com ele próprio», alertou. Sobre as características «ideais» da família, Francisco Peixoto sublinha que «não há um manual de boas práticas» lembrando apenas que na base deve estar a «aceitação» dos filhos tal como eles são.

«A questão fundamental é a da aceitação. A ideia de que os pais forçam os filhos a ser aquilo que eles quereriam ter sido, isso não contribui obviamente para uma boa prática familiar, porque o que vai acontecer é que o adolescente é rejeitado pela família, porque a família quereria ter outro que não aquele que está ali à frente», referiu.

Fonte: TVI24.

Jogos on-line podem atrapalhar relação conjugal

Só ‘mais meia horinha’ pode sim fazer a diferença. Segundo uma pesquisa da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, jogos online, como World of Warcraft ou Call of Duty, são grandes fontes de tensão e descontentamento no casamento. Nada menos que 75% dos parceiros – principalmente as mulheres – de jogadores virtuais gostariam que eles passassem menos tempo salvando o mundo e se dedicassem mais às atividades conjugais.

“É senso comum que muitos casais enfrentam problemas em torno dos games, principalmente quando os maridos são viciados na jogatina. O impacto é claro”, afirma Neil Lundberg, professor responsável pela pesquisa. “Descobrimos que o problema não é quantas horas a pessoa passa jogando, mas sim como esse período impacta a relação entre o casal”, completa ele.
O jogo, afirma a pesquisa, pode tomar o tempo das conversas e atividades feitas em conjunto, momentos que aproximam o casal. Com isso, um dos cônjuges se sente abandonado.

Clube do Bolinha — E, quase sempre, é a mulher que fica de fora da festa. Os pesquisadores entrevistaram 349 casais em que ao menos um dos indivíduos é um jogador contumaz. Em 84% dos casais, esse é o homem. E no caso de casais que jogam juntos, em 73% dos casos o homem joga durante períodos maiores.

Chamar a esposa para a brincadeira, aliás, é a saída encontrada pelo estudo para resolver o problema na maioria dos casos. O jogo online tem um efeito positivo na vida de 76% dos casais que compartilham o joystick. Os jogadores, afirmam os pesquisadores, gostam de interagir com seus avatares — sua persona virtual — no universo online.

“Nem todos os videogames são ruins”, afirma Michelle Ahlstrom, uma das autoras. “Alguns são divertidos e podem fortalecer a relação com o companheiro. É preciso considerar o conteúdo do jogo, quanto tempo ele exige, como ele afeta o  trabalho, o  sono e, sobretudo, a relação matrimonial”, aconselha  Ahlstrom.

Fonte: Veja on-line, via Pavablog, com foto de Jupiterimages.

Os racistas são menos inteligentes?

 

As ideias preconceituosas ajudam a tornar o «mundo confuso» mais simples.

Serão os racistas e os conservadores mais burros? A resposta à pergunta provocativa parece ser um qualificado sim. Segundo um estudo recente da Universidade de Brock, Ontário, Canadá, as pessoas que têm menos Q.I (quociente de inteligência) na infância têm mais probabilidades de desenvolver convicções preconceituosas e políticas sociais conservadoras quando forem adultas, revela o The Huffington Post.

O estudo publicado na Psychological Science é da autoria do professor de psicologia Gordon Hodson, que defende que a investigação prova um ciclo vicioso: as pessoas de baixa inteligência gravitam socialmente em torno de ideologias conservadoras, que provocam stress e resistência à mudança, e, como tal, preconceito, disse à Live Science.

A razão que leva as pessoas menos inteligentes a sentirem-se atraídas para ideias conservadoras parece estar no facto dessas ideologias permitirem mais «estrutura e ordem», o que torna mais fácil compreender um mundo complicado. Estas ideologias conservadores permitem tornar o mundo mais simples.

«Infelizmente, muitas destas ideias podem contribuir para o preconceito», disse.

 

Fonte: TVI24.

Há cérebros que podem ser mais vulneráveis ao vício

 

A experiência com substâncias que causam vícios como o álcool e as drogas é diferente para cada pessoa. É preciso uma primeira vez para haver uma segunda. Mas há quem use várias vezes sem se deixar dominar pelo vício e há outros que vêem a sua vida destruída. Estas duas versões podem conviver na mesma família. Por isso, uma equipa de investigadores foi perceber as diferenças no comportamento e no cérebro em irmãos em que um era viciado numa substância e outro não, para tentarem compreender se as características cerebrais de pessoas viciadas já estavam lá antes do vício ou apareciam depois, ou seja, se há uma vulnerabilidade natural. Descobriram que ambos os irmãos tinham regiões no cérebro com características associadas ao vício, o que indica que pode haver uma vulnerabilidade herdada. O estudo foi publicado na Science.

A equipa de Karen Ersche, da Universidade de Cambridge, analisou regiões do cérebro que já se sabia estarem associadas ao vício, por terem alterações a nível de conectividade das redes de neurónios em pessoas que consomem drogas. “Os indivíduos com risco de se tornarem dependentes de drogas têm um défice de auto-controlo, o que pode reflectir uma capacidade diminuída de recrutar as redes [cerebrais] pré-frontais para regular o comportamento”, escrevem os autores no artigo.

Mas a questão era perceber se estas alterações são uma reacção ao consumo frequente de drogas, que tendem a modificar estas regiões e a reforçar o comportamento aditivo, ou se, por outro lado, as alterações no cérebro já estavam lá antes do início do consumo de drogas, e são portanto uma vulnerabilidade.

Para isso, a equipa reuniu 50 pares de irmãos em que um era viciado nalgum tipo de substância e outro não, que foram comparados com mais 50 pessoas saudáveis que não eram da família dos pares de irmãos.

A primeira experiência foi um teste para medir a impulsividade e apetência aos vícios das 150 pessoas. O teste chamado stop-signal test é simples, cada pessoa tem um ecrã onde aparece uma seta virada para esquerda ou para a direita e tem que carregar num botão da esquerda ou da direita consoante o sentido da seta. O catch é que quando se ouve uma buzina, não se pode tocar no botão.

O jogo requer que os indivíduos parem imediatamente o impulso habitual de carregar no botão sempre que ouvem a buzina. Isto mede a compulsão, impulsividade e os maus resultados estão associados a tendências para os vícios. As regiões neuronais activadas durante este teste estão bem estudadas e também estão associadas à dependência de drogas.

“Observámos dificuldades na regulação do comportamento [durante o teste] tanto nos indivíduos dependentes de drogas como nos seus irmãos biológicos que não têm um histórico de abuso crónico de drogas”, explicaram os autores no artigo. Mais, os padrões de resposta eram muito parecidos entre irmãos do mesmo par e diferentes entre pares de irmãos. Os grupo controlo de 50 pessoas não apresentaram estas dificuldades.

De seguida, os cientistas foram analisar o cérebro para olhar para a integridade das redes neuronais. E perceberam que ambos os irmãos tinham o mesmo tipo de pior integridade em certas regiões do órgão, associadas à capacidade de auto-controlo, do que no grupo controlo.

“Sabe-se há muito que nem toda a gente que toma drogas é viciado, e que as pessoas que estão em risco de ficarem dependentes de drogas têm, tipicamente, um défice de auto-controlo”, disse Ersche, citada pela Reuters. “As nossas descobertas dão um indício da causa do risco de as pessoas se tornarem viciadas em droga aumentar em pessoas com uma história [de dependência] na família: partes do seu cérebro, responsáveis pela capacidade de auto-controlo, trabalham de uma forma menos eficiente.”

O próximo passo da equipa é perceber porque é que, ainda assim, existem diferenças no comportamento dos irmãos. Em que um, apesar de ter as mesmas características neurológicas, e o mesmo ambiente familiar, não se torna viciado. A resposta também poderá estar escondida no cérebro.

 

Fonte: Público.

Pais “pressionam” filhos únicos para não serem padres

 

A diminuição do número de padres na Europa tem como principal causa a pressão exercida pelos pais sobre os filhos únicos para que mantenham a continuidade da família, conclui um estudo de um investigador da Universidade do Minho.

Paulo Reis Mourão avaliou a evolução das vocações religiosas nos países europeus nos últimos 50 anos, um estudo pioneiro publicado na “Review of Religious Research”, dos Estados Unidos da América.

Para aquele investigador, o fator que mais pesa na diminuição do número de padres “é as famílias com menos filhos, que são cada vez mais, tenderem a pressioná-los para optarem por uma carreira laica, de forma a manterem a continuidade da família”.

O estudo conclui que, a par do crescimento económico sentido na maioria dos países, houve uma quebra no rácio de sacerdotes por população católica.

Nos países mais católicos (Portugal, Itália, Espanha, Irlanda) confirmou-se que as oscilações se deveram a mudanças na estrutura familiar (poucos filhos, poucos casamentos e muitos divórcio), nas ondas migratórias e no crescimento da urbanização.

O investigador destaca ainda o chamado “arrefecimento do fervor religioso”, embora sublinhe que desde 1990 o número de vocações estabilizou, ficando ainda abaixo dos valores de 1960/70 mas sendo “mais conscientes”.

Paulo Reis Mourão admite que este estudo pode contribuir para uma reflexão interna do Vaticano, de forma a aumentar o número de vocações sacerdotais.

“É preciso um papel mais ativo e uma maior consciencialização e dinâmica paroquial para se inverter esta tendência. A questão das vocações é essencial na Igreja Católica e o seu desenvolvimento é influenciado pelas dimensões socioeconómicas”, sublinhou.

Fonte: Lusa, via DN.

Ciência mais próxima de ler os pensamentos

Ser capaz de ler os pensamentos de alguém é uma ideia que faz oscilar entre a curiosidade e o medo. Um grupo de cientistas norte-americanos deu mais um passo neste sentido e conseguiu identificar as palavras em que algumas pessoas estavam a pensar. O objectivo era ajudar os doentes impedidos de comunicar a expressar-se.

O estudo (ver PDF, em inglês), desenvolvido pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, acaba de ser publicado na revista científica PLoS Biology e explica que os investigadores conseguiram reconstruir algumas palavras em que os participantes estavam a pensar, a partir das ondas cerebrais emitidas.

A equipa conseguiu decifrar a actividade eléctrica de uma zona do cérebro associada à audição humana e à linguagem que se chama circunvolução temporal superior (STG, na sigla em inglês). Ao analisarem os padrões de actividade da STG os investigadores conseguiram reconstruir algumas das palavras que os participantes estavam a ouvir numa conversa normal.

“Esta investigação baseia-se nos sons que uma pessoa ouve realmente”, esclareceu o autor principal, Brian N. Pasley, investigador da Universidade de Berkeley. Pasley clarificou que o objectivo principal do estudo foi explorar como funciona o cérebro humano, sobretudo em termos de codificação da fala, para determinar que aspectos da linguagem são mais importantes para a compreensão. “Em algum momento, o cérebro tem de extrair a informação auditiva e mapeá-la numa palavra, já que podemos entender a linguagem e as palavras, independentemente de como soam”, acrescentou.

Segundo o investigador, “existem provas de que a percepção e a imaginação podem ser muito semelhantes no cérebro”, pelo que se o doente entende a relação entre o som e o que chega ao cérebro é, pois, possível “sintetizar o som real em que a pessoa está a pensar ou simplesmente escrever as palavras com algum tipo de dispositivo que sirva de interface”.

As palavras foram reconstruídas com a ajuda de um modelo computorizado baseado em algoritmos e deram continuação a um estudo publicado no ano passado, no qual os participantes que tinham eléctrodos colocados directamente no cérebro foram capazes de mover o cursor do rato num computador pensando apenas em sons de vogais. Para a investigação agora publicada o grupo recorreu a ressonâncias magnéticas funcionais, um exame médico capaz de mostrar o fluxo sanguíneo no cérebro e centrou-se na STG pela sua grande importância tanto na recepção como na elaboração de linguagem.

A equipa monitorizou as ondas da actividade cerebral de 15 doentes submetidos a cirurgias para a epilepsia ou para remoção de tumores, ao mesmo tempo que passava uma gravação áudio com vários intervenientes a dizerem frases ou simples palavras. Com a ajuda de um modelo computorizado a equipa conseguiu perceber que zonas do cérebro eram activadas em cada momento e com que intensidade. De seguida foram ditas várias palavras aos doentes que tinham de escolher algumas em que deveriam pensar e os investigadores foram capazes de descobrir quais. E foram ainda mais longe: conseguiram mesmo reconstruir algumas palavras, transformando as ondas cerebrais em som.

“Este estudo é muito importante para os doentes que têm danos nos mecanismos da fala na sequência de um acidente cerebrovascular” ou de outras doenças, exemplificou, por seu lado, Robert Knight, outro dos autores do estudo e professor de Psicologia e Neurociências na mesma universidade. Knight salientou, também, que este trabalho traz desenvolvimentos tanto ao nível do conhecimento de como funciona o cérebro como eventuais futuros benefícios para pessoas com perturbações no discurso.

Os autores acreditam que, no futuro, este tipo de técnica pode ser disseminada nos hospitais para facilitar a comunicação com doentes cujas capacidades de comunicação estão limitadas. No entanto, alertam que a investigação ainda está numa fase muito prematura e que são necessários muitos mais estudos e melhorias até se chegar a uma técnica que possa ser implementada na realidade.

Fonte: Público.

Crianças criadas com afecto têm hipocampo maior

Matéria da EFE publicada na Folha Online

Via Pavablog.

As crianças criadas com afeto têm o hipocampo –área do cérebro encarregada da memória– quase 10% maior que as demais, revela um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”).

A pesquisa, realizada por psiquiatras e neurocientistas da Universidade Washington de Saint Louis, “sugere um claro vínculo entre a criação e o tamanho do hipocampo”, explica a professora de psiquiatria infantil Joan L. Luby, uma das autoras.

Para o estudo, os especialistas analisaram imagens cerebrais de crianças com idades entre 7 e 10 anos que, quando tinham entre 3 e 6 anos, foram observados em interação com algum de seus pais, quase sempre com a mãe.

Foram analisadas imagens do cérebro de 92 dessas crianças, algumas mentalmente saudáveis e outras com sintomas de depressão. As crianças saudáveis e criadas com afeto tinham o hipocampo quase 10% maior que as demais. “Ter um hipocampo quase 10% maior é uma evidência concreta do poderoso efeito da criação”, ressalta Luby.

A professora defende que os pais criem os filhos com amor e cuidado, pois, segundo ela, isso “claramente tem um impacto muito grande no desenvolvimento posterior”.

Durante anos, muitas pesquisas enfatizaram a importância da criação, mas quase sempre focadas em fatores psicossociais e no rendimento escolar. O trabalho publicado nesta segunda-feira, no entanto, “é o primeiro que realmente mostra uma mudança anatômica no cérebro”, destaca Luby.

Embora em 95% dos casos estudados as mães biológicas tenham participado do estudo, os pesquisadores indicam que o efeito no cérebro é o mesmo se o responsável pelos cuidados da criança é o pai, os pais adotivos ou os avós.

Foto: SXC.

Militares que estiveram em missão ficam mais deprimidos

Os militares da GNR que estiveram em missões de paz ou cenários de guerra são mais ansiosos e sofrem mais depressões do que os elementos que nunca estiveram em missão, segundo uma tese sobre personalidade e agressividade.

O investigador da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, José Cardoso, decidiu analisar os traços de personalidade e os níveis de agressividade dos militares e para isso entrevistou 535 elementos do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS).

O autor diz que entre os militares predominam dois tipos de personalidade: os que são “ligeiramente antissociais e narcisistas” e os que apresentam variantes dos tipos obsessivo-compulsivo ou personalidade dependente. Normalmente, os primeiros tendem a preferir cenários de guerra e os segundos missões de paz, de acordo com o autor.

Um em cada quatro entrevistados para este trabalho já tinha realizado missões internacionais:7,9% tinha estado em teatros de guerra e 17% em missões de paz.

José Cardoso concluiu que a participação em missões altera a personalidade dos militares, que passam a estar menos abertos a novas experiências e apresentam níveis mais baixos de “confiança, retidão, altruísmo, complacência, modéstia e sensibilidade”.

Depois de vivenciar situações traumáticas, estes militares passam a apresentar níveis mais baixos de “extroversão”, ou seja, de acolhimento caloroso, assertividade e emoções positivas.

Depois de uma missão tornam-se mais ansiosos, hostis, vulneráveis e com níveis mais elevados de depressão mas, por outro lado, são habitualmente militares menos agressivos.

Durante as missões de alto risco, os GIPS vivem “em constante interação com o fator surpresa”, sem saber “qual vai ser a sua missão nem quando vai”. O dia-a-dia dos militares “é uma incógnita da extremos” e o resultado é que os militares vivem num ambiente de constante insegurança e “preocupação com o que irá acontecer a seguir”.

Pelas características do seu trabalho, os GIPS têm tendência a vivenciar tristeza (por estar longos períodos longe dos familiares e amigos) e medo (“que o helicóptero caia durante uma missão”, exemplifica o autor da tese).

Para chegar a estas conclusões o investigador comparou os militares que tinham pelo menos um ano de serviço com os que nunca tinham participaram em missões de proteção e socorro (119 militares que tinham acabado o curso de intervenção e proteção e socorro e por isso não tinham ainda qualquer contacto com a vida operacional).

A idade média dos militares entrevistados era de 28 anos, sendo o mais novo de 20 e o mais velho de 49.

O estudo comparou ainda a personalidade tendo em conta as funções que desempenhavam e chegou à conclusão que “os militares que desempenham funções de comandante de secção operacional apresentam valores mais elevados no domínio de extroversão”.

“Os profissionais que atuam em catástrofes podem enfrentar situação adversas, onde o cenário é de destruição, amargura e morte. Por vezes, a crueldade das atrocidades provocadas pelos seres humanos ultrapassa tudo o que é considerado num mundo justo, com sentido, previsível e seguro”.

Fonte: DN.