As pessoas mais inteligentes precisam de mais tempo sozinhas

© Ilya Naymushin / Reuters

E lidam melhor com o reboliço dos grandes centros urbanos, onde a maioria da população é mais infeliz do que nos meios rurais. As conclusões são um estudo de dois psicólogos evolucionistas que relacionam a inteligência com as experiências sociais e a densidade populacional

 A socialização, a partilha e a amizade – três das características que mais nos definem enquanto seres sociais. Mas se parte da nossa felicidade vem da socialização, a ciência veio provar que esta ideia não se aplica em casos de pessoas muito inteligentes.

Dois psicólogos evolucionistas – Norman P. Li, da Singapore Management University, e Satoshi Kanazawa, da London School of Economics and Political Science – chegaram a estes dados depois de estudarem os casos de 15 mil jovens adultos (entre os 18 e os 28 anos).

A proposta do estudo baseia-se na chamada “teoria da felicidade da savana”, que tem em consideração não apenas os contextos atuais, mas também as consequências ancestrais no que toca à satisfação dos indivíduos perante a vida – o que procura explicar é a forma como essas consequências ancestrais interagem com a inteligência.

Os investigadores escolheram dois fatores para relacionar com o nível de satisfação, em testes empíricos: densidade populacional e frequência da socialização com amigos. Quanto à densidade populacional, chegaram à conclusão que tende a ser duas vezes mais um fator de insatisfação para os indivíduos de QI mais baixo do que para os de QI mais elevado. Mas o dado talvez mais interessante do estudo está no fator socialização, que parece ser uma fonte muito menor de satisfação para as pessoas de QI mais elevado. Estar com os amigos pode mesmo tornar estas pessoas mais infelizes, segundo as conclusões apresentadas.

A explicação mais simples apontada para justificar estes resultados tem por base o facto de as pessoas mais inteligentes terem frequentemente aspirações mais elevadas e preferirem usar mais o seu tempo para trabalhar nos seus objetivos do que para socializar.

Além disso, para os nossos antepassados, segundo explicam os autores, “era fundamental manter amigos e aliados de longa data para sobreviver”, na lógica de grupo. Foi, aliás, assim que nasceu a nossa condição de seres sociais, como reflexo das alianças antigas que mantínhamos em pequenos grupos fechados de relações fortes.

Ou seja, também aqui importa considerar a evolução da espécie. Dantes não tínhamos iPhones nem comida processada e é bem provável que haja, sugerem os autores, um desalinhamento entre as funções para as quais os nossos corpos foram desenvolvidos e o mundo em que a maioria de nós vive agora. Daí que os cérebros mais inteligentes e evoluídos se adaptem com mais facilidade às novas realidades e às constantes mudanças do mundo moderno.

No que respeita ao fator densidade populacional, os autores do estudo referem: “Os residentes das zonas rurais são mais felizes do que os residentes dos subúrbios, que, por sua vez, são mais felizes do que os habitantes das pequenas cidades centrais. E estes são mais felizes do que os residentes em grandes cidades centrais”. Mas os muito inteligentes fogem a estas “regras”.

A densidade populacional explica-se como fator de insatisfação de forma relativamente simples e óbvia. São várias as respostas sociológicas para este problema e passam sobretudo pelo stresse associado à grande aglomeração de pessoas: filas, trânsito, poluição ambiental e sonora, sensação de falta de tempo constante ou sensação de pequenez no meio da multidão.

Para justificarem o facto de as pessoas mais inteligentes sofrerem menos com estas vivências, os investigadores já voltam a sugerir uma explicação mais complexa e de teor evolucionista, assente na ideia de que a vida mudou muito desde o início da espécie. Dantes a vida era partilhada com pouca gente – “viviam e caçavam em grupos de cerca de 150 pessoas”, escrevem os autores. E é possível que os cérebros de QI mais elevado sejam mais evoluídos e, por isso, se adaptem melhor à realidade de hoje, mesmo nos grandes centros urbanos. Sentindo-se menos sufocados e mais tranquilos com o crescimento e a densidade populacional em seu redor.

 

Fonte: Visão.

Por que é que há canções que se colam à nossa cabeça durante um dia inteiro?

Uma equipa de cientistas procurou a resposta e diz que são geralmente canções com andamento rápido, uma forma melódica vulgar, mas intervalos e repetições incomuns. A campeã actual destas “canções pegajosas” é Lady Gaga.

Lady Gaga tem três canções na lista elaborada pelos investigadores REUTERS/TORU HANAI

Estamos descansados a pensar na vida, ou descansados da vida no chuveiro, e a cabeça é invadida pelo som de uma canção, aquela canção, a da melodia que não nos largará até que o dia acabe. Acontece a todos e da ocorrência não vem mal ao mundo, mas que irrita, irrita. Kelly Jakubowski, investigadora principal do Departamento de Música da Universidade de Durham, Inglaterra, não nos salvará das canções que nos invadem o cérebro sem convite durante dias a fio, mas a sua equipa explica quais as características musicais que conduzem a que tal aconteça. E revela que, em tempos recentes, Lady Gaga pode bem ser coroada a rainha do fenómeno.

A informação para o estudo foi recolhida entre 2010 e 2013 a partir de um grupo de estudo de três mil pessoas, que foram questionadas sobre os seus mais frequentes otovermes, para usar o adequadíssimo neologismo cunhado por Miguel Esteves Cardoso nas páginas do então jornal Blitz, hoje revista, há cerca de uma década. Em seguida, essas canções foram comparadas com outras que, não tendo sido nomeadas, se equivaliam em popularidade e em proximidade temporal quanto à presença nas tabelas de vendas inglesas (o estudo circunscreveu-se a público inglês e alemão e aos estilos musicais mais ouvidos no Ocidente, o rock, pop, hip hop e R&B).

“Estas canções musicalmente pegajosas têm um andamento rápido, reunido a uma forma melódica vulgar e a intervalos e repetições incomuns, como podemos ouvir no riff de abertura de Smoke on the water, dos Deep Purple, ou no refrão de Bad romance, de Lady Gaga”, afirma a autora do estudo publicado agora na revista Psychology of Aesthetics, Creativity and the Arts, em declarações citadas em comunicado da Associação Americana de Psicologia. Tais padrões encontram-se, por exemplo, nas canções de embalar, o que, dizem os autores, as torna mais fáceis de memorizar pelas crianças.

Moves like Jagger, dos Maroon 5, um dos otovermes mais referidos, tem uma melodia que evolui de forma semelhante a Twinkle, twinkle little star, o tema infantil britânico usado no estudo como exemplo. Em ambas se regista uma subida de tom na primeira frase, seguida de uma descida na segunda. Se reunirmos a essa característica os intervalos e repetições incomuns acima referidos, como as que se ouvem em My Sharona, o clássico dos The Knack, ou em In the mood, o standard de Glenn Miller, temos um otoverme completo, preparadíssimo para a acção nas nossas mentes indefesas.

Entre as canções mais nomeadas no estudo como otovermes, há um nome que se destaca. Lady Gaga é a única presença repetida, com Bad romance, Alejandro e Poker face incluídas na lista. Fazem-lhe companhia contemporâneos como Gotye (Somebody I used to know), Maroon 5 (Moves like Jagger) e Katy Perry (California gurls). Surgem depois um clássico do rock FM da década de 1980, os Journey de Can’t stop believing, uma canção cujo título parece indiciar desde logo a sua natureza “otovérmica” (Can’t get you out of my head, de Kylie Minogue) e a aparentemente eterna Bohemian Rapshody dos Queen.

O ano passado, um outro estudo, também britânico, mas elaborado na Universidade de St. Andrews, não se propôs descobrir o que tornava uma canção um otoverme, mas identificar os maiores otovermes de sempre da música anglo-saxónica. Lady Gaga não tinha lugar na lista, mas os Queen surgiam em destaque, com We will rock you no topo da lista e com We are the champions e Bohemian rapshody em terceiro e sexto lugar, respectivamente.

 

Fonte: Público.

Espanha: pais rejeitam TPC dos filhos

JORGE AMARAL/GLOBAL IMAGENS

 

 

Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos incentiva famílias a deixar que as crianças não façam os trabalhos de casa em novembro

Os pais de crianças que frequentam a escola pública em Espanha iniciaram esta semana uma greve de um mês aos trabalhos de casa passados aos seus filhos, uma iniciativa que é inédita no país vizinho.

A Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos (Ceapa), que representa cerca de 12 mil associações, instou as famílias das várias comunidades autonómicas espanholas a recusarem-se a fazer os deveres durante os fins de semana de novembro, noticiou hoje o jornal El Mundo.

Os argumentos da Ceapa é que os trabalhos de casa “invadem o tempo das famílias” e “violam o direito ao recreio, à brincadeira e a participar nas atividades artísticas e culturais”, tal como vem descrito no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança.

A confederação distribuiu pelos pais três cartas que estes devem entregar nas escolas: na primeira pede-se ao diretor da escola que ordene aos professores da criança que não lhe passem trabalhos de casa em Novembro, a segunda é o mesmo pedido, mas feito diretamente ao tutor da criança.

A terceira é uma carta dirigida ao professor a explicar-lhe que o aluno não fez os trabalhos devido ao “direito constitucional que as famílias têm de tomar as decisões que considerem oportunas no âmbito familiar, que tem caráter privado, e que a escola não pode invadir”.

“Em virtude dos direitos que me assistem, dei prioridade às atividades familiares, como não podia deixar de ser, e, portanto, os trabalhos de casa não foram feitos”, acrescenta a carta que, segundo a Ceapa, os pais que aderiram à greve poderão entregar às escolas como forma de livre-trânsito.

O presidente da Ceapa, José Luis Pazos, declarou ao El Mundo que os pais querem “recuperar o tempo familiar dos fins-de-semana”.

“Também queremos que o modelo mude e que se dê um salto qualitativo no sistema educativo. Escolas de outros países funcionam sem trabalhos de casa, sem livros de texto e sem exames e obtêm resultados magníficos”, realçou.

Os estudos científicos demonstram que fazer mais trabalhos de casa não melhora, necessariamente, o rendimento escolar.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) alerta, por outro lado, que os trabalhos de casa “reforçam a disparidade socio-económica entre os estudantes” e “aumentam o intervalo entre os ricos e os pobres”.

A Espanha é um dos países em que os professores mais passam trabalhos de casa, ocupando aos alunos uma média de 6,5 horas por semana, faca à média de 4,9 horas.

Fonte: DN.

O cérebro adapta-se à desonestidade e a mentira cresce

Resultado de imagem para mentira

 

Mentir várias vezes em benefício próprio vai diminuindo a reacção do nosso cérebro à desonestidade. E, assim, mente-se cada vez mais.

A detecção da mentira, da sua escalada e da resposta do cérebro à desonestidade foi feita usando um frasco cheio de moedas em experiências com um grupo de 80 pessoas. Os resultados, publicados esta semana na revista Nature Neuroscience, mostram que as pequenas transgressões podem levar a mentiras cada vez maiores e que o cérebro “se habitua” a mentir. Sobretudo, se a desonestidade for em benefício próprio. É a primeira prova empírica sobre a previsível escalada gradual da mentira num trabalho que mostra também o que acontece no nosso cérebro durante este processo.

Um estudo realizado por investigadores da University College de Londres apresenta fortes argumentos para uma percepção que muitas pessoas terão sobre a mentira. É que às vezes parece que as pessoas se habituam a mentir. E de uma pequena aldrabice resvalam para mentiras cada vez maiores, com facilidade. Os cientistas comprovam esta hipótese com uma simples experiência que envolveu um frasco cheio de centavos de libra (o equivalente aos cêntimos) em vários cenários. Esta investigação, refere o comunicado da universidade, “fornece a primeira prova empírica de que as mentiras para proveito próprio vão escalando gradualmente e revela como é que isto acontece nos nossos cérebros”.

 A equipa colocou 80 participantes, com idades entre os 18 e os 65 anos, à prova durante uma série de exercícios em que comunicavam com outra pessoa à distância, por computador. O objectivo do jogo era adivinhar a quantidade de moedas dentro de um frasco exibido numa fotografia. Experimentaram vários cenários, entre os quais, não mentir e tentar que o parceiro do jogo acertasse na quantia, mentir para o outro tivesse lucro sem o seu prejuízo, mentir para que o outro tivesse lucro mas com prejuízo para si ou mentir apenas para seu proveito, prejudicando ou não o outro.

Os resultados mostraram que quando o participante no jogo podia tirar algum proveito da situação, ele não só era desonesto como mentia cada vez mais. E enquanto a desonestidade escala, a reacção no cérebro cai. Um grupo mais restrito de 25 participantes na experiência fez uma ressonância magnética, procurando-se a resposta da região da amígdala (associada às emoções) ao comportamento demonstrado.

Investigadores usaram esta imagem de um frasco com moedas nas experiências DR

A equipa britânica percebeu que a amígdala respondia de forma clara quando as pessoas mentiam pela primeira vez para proveito próprio. Com a repetição, a resposta no cérebro diminuía. “O cérebro adapta-se à desonestidade. Há uma adaptação emocional. Tal como acontece com os neurónios do bolbo olfactivo e nos habituamos ao cheiro de um perfume quando entramos num sítio”, explicou Tali Sharot, uma das autoras do artigo, em conferência de imprensa organizada pela Nature.

Os investigadores perceberam também que a par da adaptação emocional também a “magnitude das mentiras” aumentava. E mais: a equipa conseguiu uma forma de cálculo que relacionava a magnitude da mentira à redução da actividade da amígdala e percebeu que uma diminuição significativa na actividade cerebral significa que viria aí uma mentira maior ainda. “Quando mentimos para nosso proveito, a nossa amígdala produz um sentimento negativo que limita o ponto até onde estamos preparados para mentir. Porém, essa resposta esbate-se quando continuamos a mentir e, quanto mais desce, maiores se tornam as mentiras”, explica Tali Sharot.

Mas, e se não beneficiarmos com a mentira? “Temos duas situações neste estudo que avaliaram isso”, responde ao PÚBLICO Neil Garrett, outro dos autores do artigo. “Uma em que mentir é prejudicial para o próprio participante mas beneficia o parceiro. Outra em que a desonestidade não tem qualquer efeito no participante, mas beneficia o parceiro. No primeiro caso, não detectamos desonestidade nem a escalada da mentira. No segundo caso, vemos que são desonestos mas a desonestidade não aumenta”, acrescenta. Assim, não basta mentir muitas vezes para mentir cada vez mais. Para que este efeito se concretize, é preciso também que se ganhe alguma coisa com isso.

Estamos perante um efeito “bola de neve”, dizem os investigadores, que usam a expressão “terrenos escorregadios” (em inglês, slippery slope). E, presumem os cientistas, o mesmo princípio também poderá aplicar-se outras situações como comportamentos de risco ou violentos.

No estudo não foram notadas diferenças entre as faixas etárias ou entre homens e mulheres, mas os investigadores admitem que encontraram “muitas diferenças individuais”. Percebe-se, diz Neil Garrett, que nas mesmas situações “alguns mentem muito e as mentiras aumentam muito e outros fazem-no menos”. Agora, falta perceber melhor por que é que isso é assim.

 

Fonte: Público.

Três mitos sexistas que a ciência põe em causa

 

 


Reuters

Muitas das características que achamos que distinguem o sexo feminino do masculino não passam de ideias desvirtuadas. Não, as mulheres não são mais intuitivas por natureza

O fosso entre sexos continua a ser evidente, mas as mulheres ocupam hoje, por todo o mundo, alguns dos cargos mais relevantes – Presidente da Coreia do Sul, de Taiwan, rimeira- ministra do Reino Unido, do Bangladesh, da Namíbia ou de Myanmar, figura máxima do Banco da Índia ou do FMI e tantas outras.

Esta progressiva ascensão feminina a cargos de relevo ajuda a alimentar generalizações por vezes abusivas e pouco claras a nível científico. Exemplo: uma mulher líder é melhor porque é emocionalmente mais inteligente, mais resistente às obrigações da competitividade e tradicionalmente mais intuitiva.

Não podemos negar, e a ciência é a primeira a comprová-lo, que os cérebros da mulher e do homem são diferentes e têm respostas distintas. Diferem quimicamente, a nível estrutural e funcional. Processam a memória emocional de forma diferente e têm diferentes modos de responder a situações de stresse, por exemplo.

É importante perceber, portanto, o que é neurociência e o que não passa de senso comum.

Mito 1: As mulheres são melhores no multi-tasking (realizar várias tarefas ao mesmo tempo)

Esta teoria tem por base o facto de, na mulher, o cérebro ter mais facilidade em fazer a conexão entre os dois hemisférios, porque os dois lados do córtex cerebral estão mais densamente ligados. No caso do homem, são mais fortes as conexões da frente para trás em cada hemisfério. Mas isso não significa que elas conseguem fazer mais coisas ao mesmo tempo porque todos somos pouco eficientes quando mudamos constantemente de tarefa.

Em 2013 foi realizado um estudo que procurou responder a estas dúvidas, com homens e mulheres a realizar tarefas ao mesmo tempo. Numa primeira fase, o estudo colocou dois grupos (120 homens e 120 mulheres) em frente a um computador com um paradigma de mudança de tarefas. E, num segundo momento, 47 homens e 47 mulheres realizaram diferentes tarefas em papel.

Conclusões: na primeira experência, homens e mulheres foram mais lentos quando confrontados com duas tarefas rapidamente intervaladas entre si do que com as mesmas mas realizadas em separado. Mas eles “perderam”.

Nesta primeira fase do teste, os homens reduziram a qualidade do seu desempenho em 77% e as mulheres em 66% ao realizarem tarefas em simultâneo e não em separado, uma de cada vez.

Na segunda experiência, homens e mulheres foram similarmente capazes de desenvolver pesquisas por restaurantes num mapa, de resolver problemas de aritmética simples e responder a questões de cultura geral num telemóvel.

As mulheres destacaram-se, no entanto, quando lhes foi pedido que sugerissem estratégias para encontrar uma chave perdida.

Em ambas as experiências os homens foram mais lentos a cumprir as tarefas pedidas mas a diferença entre os géneros não foi significativa. O próprio estudo assume que não é suficiente para justificar que, a nível neurológico, as mulheres superam os homens no multi-tasking.

As interrupções constantes e a pressão para fazer tudo ao mesmo tempo aumenta exponencialmente o nível de stresse e os riscos de segurança – a conduzir, a pilotar ou em cirurgias, por exemplo.

De uma coisa a ciência tem a certeza absoluta: é sempre preferível, a homens e mulheres, que nos foquemos em tarefas de forma total e sequencial – uma de cada vez.

Mito 2: As mulheres são menos competitivas e, por isso, melhores no trabalho de equipa

Este é um mito cuja credibilidade beneficia dos efeitos das hormonas presentes em maior quantidade nas mulheres, como o estrogénio e a ocitocina (hormona do amor), por oposição à testosterona que têm em menor quantidade. No entanto, o tipo e a quantidade hormonal varia de cérebro para cérebro, não apenas com base no género.

A Escola de Economia de Estocolmo levou a cabo um estudo a nível nacional que procurou replicar esta ideia de perceber se os homens são tendencialmente mais competitivos do que as mulheres. Quiseram perceber se as diferenças entre géneros eram reais ou enviesadas pelas normas culturais.

Os resultados foram um grito incrível de igualdade: crianças, rapazes e raparigas, dos 7 aos 10 anos, a competir em atividades diferentes revelaram exatamente o mesmo nível de competitividade. É importante, claro, ver estes resultados à luz do país em que foram apurados, a Suécia – o segundo país com maiores valores de igualdade de género do mundo. O relatório do estudo teve como título “Rapazes e raparigas competem de igual forma”.

Aquilo que os neurocientistas dizem é que nascemos iguais em termos de competitividade e vontade de vencer, mas depois acabamos moldados pelo ambiente cultural em que nascemos – um resultado socialmente estereotipado e não biologicamente adquirido.

Na realidade, os cérebros à nascença praticamente não diferem e até características como a confiança, que poderia pensar-se que é quase “natural”, requerem uma apropriação do contexto em que vivemos. Este é um trabalho na área da epigenética, a ciência que estuda a forma como as realidades exteriores aos indivíduos podem pesar no seu material genético.

Mito 3: As mulheres têm mais inteligência emocional e mais intuição

Há, de facto, uma diferença clara no cérebro masculino e feminino: o córtex orbifrontal e o Sistema Límbico Profundo. Este é o sistema que está envolvido no processamento e expressão das emoções e que coloca, por vezes, as mulheres como mais suscetíveis a problemas emocionais como a depressão. Esta característica faz com que também se costume associar o cérebro feminino à capacidade de articular emoções e de perceber intuitivamente os outros.

Mas, uma vez mais, tomar o género como única variável para medir este tipo de característica resulta uma avaliação bastante pobre. Aquilo que são pequenas distinções biológicas influenciam determinadas tendências ou predisposições naturais que facilmente mudam à luz dos contextos em que ocorrem e da educação de cada um de nós. Porque as capacidade sociais como a empatia são totalmente adquiridas em sociedade, como comprova um estudo realizado na Universidade de Liège, na Bélgica, e que se centra nas questões da plasticidade emocional. Foi criado como tentativa de reunir soluções para aumentar a inteligência emocional de alguns executivos seniores, de forma tornarem-se mais competitivos nos seus locais de trabalho. Ou seja, ser sensível às emoções do outro e intuitivo é algo que se pode aprender e treinar.

Outro dado interessante explica a facilidade que os homens têm na noção espacial. É um trabalho de 2011, que estuda, através de um puzzle, a diferença entre cerca de 1300 indígenas de duas tribos indianas: os Karbi. que são uma sociedade patriarcal, e os Khasi, que são matriarcais. Resultado: entre os Khasi não há qualquer diferença de género e no caso dos Karbi os homens destacaram-se claramente. Este estudo vem dar força à ideia de que esta característica é também mais social do que biológica.

Não sendo determinísticas, o certo é que as explicações científicas não suportam as explicações simplistas destes três estereótipos de género.

Aqui fica a lista das mulheres mais poderosas do mundo, segundo a revista Forbes:

Angela Merkel – Chanceler da Alemanha

Hillary Clinton – Candidata democrata à presidência dos Estados Unidos

Janet Yellen – Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos

Melinda Gates – Vice-presidente da Fundação Bill e Melinda Gates (EUA)

Mary Barra – Diretora Executiva (CEO) da General Motors (EUA)

Christine Lagarde – Diretora do FMI (França)

Sheryl Sandberg – Diretora de operações (COO) do Facebook (EUA)

Susan Wojcicki – Diretora Executiva (CEO) do YouTube (EUA)

Meg Whitman – Directora Executiva (CEO) da HP (EUA)

Ana Patricia Botin – Diretora do Banco Santander (Espanha)

 

Fonte: Visão.

Qualquer dia mato-me

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 Fotografia Sara Matos/Global Imagens

 

Agosto já acabou, mas os dias continuam longos e luminosos. O que pode ser terrível, para quem leva uma tristeza interior difícil de suportar. O Alentejo Litoral é a região com a mais alta taxa de suicídio do país, e Odemira é o coração do fenómeno – que se acentua a partir da primavera e no verão. A morte torna-se uma solução para a vida, especialmente entre os mais velhos, em reta final de solidão e de carências afetivas e materiais. Na semana do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio (10 de setembro), uma reportagem no mais extenso e pouco povoado concelho do país.

«Matou-se o meu pai. Matou-se a minha mãe. Matou-se um irmão meu. Matou-se um irmão da minha mãe. Matou-se um tio do meu pai.» Desatento à cronologia, Eduardo, 63 anos, desfia o catálogo de desaparecimentos familiares. Assinala o fado genealógico ao ritmo de batidas na mesa da cozinha, diferente da da sua infância – aqui tem luz de rede e água canalizada, «luxos» que muitos nesta zona, nas áreas mais isoladas, não têm. Isolamento é palavra-chave para explicar um fenómeno que historicamente tem a maior expressão no Alentejo, em particular no Alentejo Litoral, de que Odemira, o mais extenso e parcamente povoado concelho do país, é o expoente: o suicídio, sobretudo na população mais idosa.

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Ler ficção prolonga a vida?

 


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Uma investigação concluiu que quem lê obras de ficção vive mais anos

Há livros que salvam vidas. Em momentos em que somos forçados a estar circunscritos a uma cama, por motivo de acidente ou doença, um livro permite esquecer durante umas horas as dores ou a prisão involuntária. Graças à evasão que uma obra de ficção permite, consegue-se viajar temporariamente para fora do mundo real.

Paulo M. Morais sabe bem o que isso é. O escritor passou recentemente por um cancro, e cada um dos oito tratamentos teve direito a um livro de combate. “Vivi oito ciclos de quimioterapia sempre com um livro nas mãos. Qual o efeito das leituras? Sentir-me permanentemente acompanhado, durante os quase seis meses de quimioterapia, pelos nomes das capas, pelas personagens das páginas, pelas pessoas que me tinham passado os livros. A leitura foi uma distração; um auxílio para espaçar a respiração, aceitar o momento, aprofundar a serenidade. Cada página lida ajudou-me a controlar a ansiedade, a dúvida, o desconforto. Cada página lida incentivou-me a questionar, refletir, relembrar, escrever. Na sala de tratamentos, nunca encontrei mais ninguém com um livro entre as mãos. A maior parte das pessoas entretinha-se com tablets, telemóveis, companhias humanas. Algumas folheavam revistas e jornais; outras olhavam para o vazio. Quando terminei o tratamento, concluí que não podia ter vivido o meu cancro sem ler nem escrever.”

Agora, um estudo científico comprova as vantagens físicas da leitura. Uma investigação levada a cabo pela Universidade de Yale, com 3635 participantes, concluiu que os leitores de livros de ficção (jornais e revistas não tinham o mesmo efeito), viviam em média mais dois anos que os restantes.

Embora não saiba explicar o motivo de tal relação, Rebecca Levy, autora do estudo, afirmou que quem relatava ler livros nem que fosse meia hora por dia tinha maiores probabilidades de sobrevivência do que as que não liam.

Os resultados não surpreendem a editora do grupo Leya, Maria do Rosário Pedreira. Afinal, “a leitura é uma forma excelente de pôr o cérebro a trabalhar, especialmente se for ativa e participante — como acontece na literatura —, o que nos obriga a um esforço de atenção e concentração, implica constante visualização e imaginação, e torna-nos capazes de apreciar critica e esteticamente a estrutura, a linguagem, o estilo do autor”. Maria do Rosário compreende perfeitamente a ajuda que os livros prestam. “Nunca tive nenhuma doença especialmente grave ou duradoura, mas, em momentos em que tendia para a depressão (mortes de pessoas próximas, males de amor…), senti sempre que a leitura era uma salvação, porque me permitia mergulhar num mundo que não era o meu e alhear-me do que me estava a minar por dentro.

Lembro-me de que, numa noite em que estava especialmente triste, há muitos anos, comecei a ler ‘Porto Sudão’, de Olivier Rolin, e me fui deitar já quase de madrugada, muito mais ‘leve’ e bem-disposta, cheia de vontade de acordar no dia seguinte para ler o resto.”

 

Fonte: Katya Delimbeuf, Expresso.

Divórcios aumentam depois das férias

iStockphoto/ lofilolo

 

Um novo estudo, focado na realidade norte-americana, revelou que os pedidos de divórcio tendem a seguir o calendário anual de férias da família. E sim, há mais separações em agosto

O divórcio não tira férias. Pelo contrário, ganha maior dimensão após os dias de descanso. Esta é a conclusão de um novo estudo associado à Universidade de Washington, que descobriu que os pedidos de divórcio tendem a seguir o calendário anual das férias em família — ou seja, são menores em novembro e em dezembro, e aumentam em março, depois das férias de inverno e do dia dos namorados; há uma diminuição significativa em abril e um novo aumento em agosto, sendo que julho é o mês preferencial para se ir de férias, escreve a Bloomberg.

Os autores do estudo — Julie Brines e Brian Serafini, ambos sociólogos da Universidade de Washington, em Seattle — analisaram 14 anos de dados sobre divórcios no estado de Washington antes, durante e após o período de recessão, de modo a mostrar que as tendências sazonais não eram influenciadas pelo estado da economia. Mostrou-se ainda que pais de crianças dependentes são mais prováveis de seguir estas tendências e que casais sem filhos também protagonizam um aumento de pedidos de separação em março e agosto.

Os autores afirmam que é provável que os casais adiem o divórcio em “períodos sociais mais sensíveis do calendário”. Argumentam também que as férias deixam as pessoas mais otimistas em relação ao futuro e esperançosas de que as relações possam ser reparadas. O problema é que, ao passarem mais tempo juntas, a infelicidade acaba por ser maior do que antes de as férias começarem.

Estes rituais e transições podem ser indutores de stress e, por isso, podem intensificar a insatisfação ou a discórdia”, escrevem Brines e Serafini.

A ideia não é completamente nova, até porque um outro estudo realizado no Reino Unido com a participação de 2.000 adultos (mais de 1.000 eram pais) — e noticiado pelo Huffington Post em agosto de 2013 — concluiu que um quinto dos pais considera o divórcio ou a separação depois de os filhos regressarem às aulas, ou seja, colocam a relação amorosa em causa durante a pausa de verão.

As investigações referidas focam-se em realidades além-fronteiras, no entanto, em Portugal o número de divórcios por cada 100 casamentos era de 70,4% em 2013 (1,1% em 1960). A pensar no fim de uma união, com ou sem filhos à mistura, a jornalista e autora do livro “Divórcio Feliz”, Elizabete Agostinho, chegou a explicar ao Observador o que fazer para que a separação entre um casal aconteça com menos drama e menos problemas:

  • não tomar decisões de cabeça quente;
  • alimentar a lei da reciprocidade;
  • ter cuidado com o que se diz nesta altura;
  • deixar os filhos longe do epicentro do divórcio;
  • reaprender a viver sozinho/a e a gostar de si o mais depressa possível.

 

Fonte: Observador.

“Millenials” têm menos sexo que gerações anteriores

Um artigo científico afirma que a geração dos “Millenials””(nascida entre 1980 e 2000) tem menos atividade sexual que as anteriores. Será? E se sim, porquê?

Há pelo menos duas gerações, a atividade favorita dos adolescentes e jovens adultos era… ter sexo. Nada de novo. Mas um estudo conduzido por investigadores da Universidade da Florida Atlantic, nos EUA, publicado no “Archives of Sexual Behavior”, afirma que a atual geração, designada “Millenials” (e nascida entre 1980 e 2000), tem menos sexo do que as gerações anteriores – 15% menos, para sermos precisos. 15% dos jovens entre os 20 e os 24 anos afirmaram não terem parceiro sexual desde os 18. Comparativamente, para os nascidos na década de 60, esse valor situava-se nos 6%.

Mas se a aceitação do sexo antes do casamento é banal entre os Millenials (58% não lhe veem qualquer mal), isso não se traduz em maior frequência de atividade sexual. A antropóloga Helen Fisher explica este facto surpreendente com dois argumentos. O primeiro é a ambição. O facto desta ser uma geração ambiciosa relativamente à carreira leva a que os jovens se foquem nela, em detrimento do sexo e do amor. O segundo fator é serem muito mais cautelosos antes de se envolverem numa relação amorosa. Primeiro porque querem melhorar o seu valor intrínseco como potencial parceiro (“mate value”) – e isso está relacionado com o grau de educação adquirida, o salário auferido e o seu “valor social”.

Além disso, os “Millenials” olham para o sexo casual e para os “friends with benefits” (“amigos com benefícios”) com desconfiança, pois acreditam que ter sexo com alguém os torna mais suscetíveis de se afeiçoarem. Defendem que conduz a relacionamentos, até por causa da oxitocina libertada no momento do orgasmo, que pode trazer consigo sentimentos de ligação.

Também relativamente ao sexo virtual e ao crescimento dos sites de encontros online, isso não se traduz num aumento do sexo real. Fisher, que é também conselheira-chefe do site Match.com, explica que o principal problema é o “overload cognitivo” – ou seja, “o facto de o cérebro não conseguir lidar com tantas opções”. Vai mais longe: “Quantas mais pessoas se conhece, menos provável é que se venha efetivamente a sair com algum deles…”, defende.

Emn suma: os “Millenials” são mais cuidadosos, mais prudentes, mais esquisitos – e mais ambiciosos. E como a grande maioria é filha de pais solteiros ou divorciados, querem evitar que o mesmo lhes aconteça. O sexo, sabem-no, está à disposição. O que significa que eles lá irão, quando decidirem – se não estiverem a fazer nada mais importante.

 

Fonte: Expresso.

Mão que cuida, mão que bate?

 

Quem alguma vez não recebeu uma palmada? E quem não a deu ou quis dar? Uma simples prospeção pelas respostas possíveis mostra que, sobre a palmada, existe uma enciclopédia de vários volumes ainda por escrever. Em muitos deles entraria certamente o rol interminável de argumentos que os pais esgrimem para justificar o seu uso. Noutros, as não menos relevantes razões que defendem o seu banimento total. Noutros ainda, as diferentes etapas de uma história tão velha quanto o mundo — a da criança birrenta que não faz tenções de parar ou a do adolescente desafiador que concentra nisso toda a sua energia e a dos pais confrontados com a tarefa ingrata de os limitar e corrigir. Se a história da palmada se confunde com a da disciplina, e se durante anos ambas foram consideradas elementos inseparáveis do ato corretivo, a investigação feita nas últimas décadas veio provar que a sua união é não só abusiva como contraproducente. Numa palavra, que o recurso ao castigo físico em pouco contribui para a disciplina, acentuando o tipo de comportamento que supõe travar.

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