Os nossos miúdos sabem demais?

 

Saber todas as marcas de automóveis com quatro anos, saber ler aos três anos ou saber os elementos da tabela periódica aos dois anos. Saber muito demasiado cedo pode ser mau?

Aos dois anos e meio, o João já sabe dizer os nomes dos elementos da Tabela Periódica. Já sabe que o Mg corresponde ao Magnésio e que o S corresponde ao Enxofre. A Matilde conta apenas três anos de vida e já sabe ler. Os dois não se conhecem, mas têm algo em comum: adquiriram uma competência mais cedo do que era suposto.

Os pais rejubilam com os feitos dos meninos. Descobrem pequenos génios que já debitam matéria de grandes. Mas será este conhecimento precoce desejável? Pode ser mau saber demais? A experiência do pediatra Mário Cordeiro responde de imediato.”As etapas de aprendizagem têm de ser respeitadas. A descodificação dos símbolos e a aquisição do conhecimento vai-se fazendo a pouco e pouco, por vezes mais numas áreas do que noutras, mas não deve ser ‘metida a martelo’”.

“Ligamos muito ao facto de uma criança saber ler ou contar, mas não nos inquieta se sabe que o verde é para passar e o encarnado para parar”
Mário Cordeiro, pediatra

Atirar informação não significa ser sábio, sentencia o membro da Sociedade Portuguesa de Pediatria e da British Association for Community Child Health. “Uma coisa é informação, outra é conhecimento, e outra – a mais importante e funcional – é a sabedoria. Esta só se adquire com a experiência e com o tempo“. Até lá, “podemos ensinar tudo porque fica tudo registado”.

“Se dissermos ao nosso filho de 2 anos que esta árvore tem musgo deste lado porque é virada a norte e não apanha sol e o musgo não gosta de sol, isso ficará gravado e, quem sabe, anos mais tarde, poderá ser útil”, explica Mário Cordeiro.

Qual é a fronteira entre saber muito e ser sobredotado?

“Uma criança sobredotada é excelente em tudo”. Mito. Uma criança sobredotada tem um desenvolvimento muito acima do normal numa determinada área relativamente à idade que tem. Ou seja, um dos traços que caracteriza estas crianças é o desequilíbrio no desenvolvimento. Um exemplo: são crianças que são capazes de ler e escrever muito cedo mas, do ponto de vista emocional, estão pouco desenvolvidas. Esta é a explicação de Rosa Gouveia, pediatra e membro da Sociedade de Pediatria do Neurodesenvolvimento.

Aos 2/3 anos, a construção dos afetos é muito importante. Deem lugar à paixão, brincar com o bebé, franzir a testa, abrir os olhos e abrir a boca. Devemos dar tempo a esta partilha, dar oportunidade à brincadeira de casa e da escola.
João Gomes Pedro, pediatra

O pediatra Gomes Pedro, que já celebrou 50 anos de carreira, diz que é “raro” existirem sobredotados. Mário Cordeiro não acredita sequer no conceito — acredita, sim, em talentos. “Ter talentos múltiplos é excelente, mas sem os outros três “ts” – trabalho, tempo e técnica -, ter um talento não servirá de muito. Há de facto crianças com dotes em algumas áreas, mas a inteligência racional, na qual se exibem, nem sempre vai a par da inteligência emocional”.

“Acho curioso que, numa altura em que se diz que não há crianças “menos dotadas” ou “atrasadas mentais”, se queiram colocar nos píncaros os que têm talentos”, comenta Mário Cordeiro.

O ideal é seguir o percurso habitual da aprendizagem. Até porque, quando não é assim, o mais pode ser mau. “Há crianças que sabem as marcas dos carros todos. Há crianças que sabem os nomes de todas as pontes e viadutos do país. Se tiverem um interesse restrito para uma determinada área do conhecimento, isso pode estar integrado numa patologia do Neurodesenvolvimento, como uma perturbação do espectro do autismo“, explica Rosa Gouveia. Uma das características desta patologia do desenvolvimento é a criança ter um interesse muito restrito e não se interessar por mais nada.

Antes dos alarmes, a pediatra salienta que “é preciso avaliar o desenvolvimento global da criança”, até porque “o conceito de normalidade é muito lato”, diz. É preciso perceber se esse “saber demais” tem algum significado patológico.

Educação, Escolas, Ensino, exames

Imaginemos uma criança de seis anos que entra para o primeiro ano da escola primária. E imaginemos agora que essa criança já sabe ler desde os quatro anos – competência que só deveria aprender na escola primária. Quando estiver na aula e a professora estiver a ensinar a ler, pode sentir-se desmotivada e desinteressada.

“Pode perturbar a aula, pode ter problemas comportamentais e escolares”, aponta Rosa Gouveia. Afinal, ela está a ouvir uma matéria que já conhece. Está na aula a fazer o quê, então? É esta a pergunta que a criança fará a si própria. “Cabe ao professor perceber isso e dar-lhe tarefas diferentes para não se aborrecer. Pode dar-lhe pequenas responsabilidades, como ajudar os colegas”.

“Se uma criança de 5 anos só quer ler enciclopédias, não tem interesses em comum com os seus pares. Isso pode levar ao isolamento social da criança”
Rosa Gouveia, membro da Sociedade de Pediatria do Neurodesenvolvimento

Mário Cordeiro simplifica a situação. “O mesmo acontecerá com uma criança filha de pais ingleses, por exemplo. Quando chega a disciplina de Inglês terá de aprender o significado de ‘yellow’ e ‘green’, que sabe desde que nasceu. E depois? Cabe aos professores dar alternativas e mostrar que, se sabe muito inglês, porventura sabe menos História“, por exemplo. Gestão — é esta a palavra-chave.

“Alguns dos problemas das crianças com dotes especiais são criados pelos adultos e não por elas ou pelas outras, desde que não se sintam ‘formidáveis’, sobredotadas, e que não caiam na arrogância ou na soberba”, refere Mário Cordeiro.

“Quanto mais estímulos, melhor”. Grande parte dos pais concordaria com esta frase para que o seu filho se desenvolva, saiba e aprenda muito. Mas não é este o conselho de Rosa Gouveia. “A criança deve interessar-se por coisas diferentes”. Se a criança se interessa pela leitura numa idade muito precoce, então cabe aos pais “não estimular demais e tentar que a criança não se fixe nessa aptidão, mas que tenha outras ocupações”, como brincar na rua. E a estratégia que os pais seguem tem de ser seguida também pelos educadores e professores. Aqui, a coordenação é importante. “O desenvolvimento da criança tem a ver com a vida familiar e com a vida no serviço de educação. Tem de haver um sentido entre o que se passa em casa e na escola”, adverte o especialista Gomes Pedro.

A aprendizagem de competências cedo estará, em parte, relacionada com o mundo digital em que as crianças crescem. Internet, redes sociais, tablets e outros dispositivos são elementos diários na vida delas. Resultado? “A criança entra demasiado naquilo que vê os irmãos mais velhos fazer, o pai fazer, a avó fazer, que é este não parar de clicarpara ter mais um estímulo visual ou auditivo, refere Gomes Pedro, pediatra e anterior diretor da Clínica Universitária de Pediatria e do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria (Lisboa).

“Esta aprendizagem digital não é pecado nem defeito mas, por falta de tempo hoje, começa a fazer falta outro tipo de brincadeiras como contar histórias – uma partilha de descoberta entre pais e criança, amigos e criança”.
João Gomes Pedro, pediatra

Mas este “fenómeno” pode não ser só próprio da geração mais recente. Mário Cordeiro confessa-se “culpado”: começou a ler aos quatro anos. O seu filho mais velho começou também a ler aos quatro anos e tem um neto com três anos que já sabe ler. Mas o pediatra não vê nada de genial nestes factos. Na altura, a única vantagem que encontrou foi “ter acesso à informação escrita mais cedo, o que deu algumas vantagens com os pares nos primeiros anos. Mas tudo isso se desvanece quando as outras crianças adquirem essas competências. Outras crianças terão aprendido a tocar piano ou violino nessas idades, coisa que eu não fiz”, justifica.

Parece uma frase feita, mas todos os especialistas insistem em reforçá-la: não há duas crianças iguais. É difícil definir em que idade é suposto executar determinada tarefa. Cada criança tem o seu ritmo, mas aqui está um guia geral traçado pelos especialistas com algumas balizas de conhecimento e desenvolvimento:

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É importante estabelecer os principais vínculos. Aos nove meses, por exemplo, um bebé diz adeus e atira beijinhos porque é pressionado e incentivado pelos pais ou pelos avós. Estesjogos intra-familiares são importantes porque despertam a atenção do bebé.

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Aos 12 meses, o bebé localiza sons virando a cabeça, diz «ma -ma» e «pa -pa» e pode também fazer outros sons. Quando alguém se esconde atrás de uma fralda ou de uma porta, a criança ri-se com a brincadeira. Aqui podem começar aqui as tentativas do bebé para se pôr em pé — pode dar já uns passos agarrados aos móveis e sofás, por exemplo. Aos 18 meses, é tempo de o bebé tentar tirar os sapatos sozinho, tentar comer sozinho e andar sem apoio. A partir dos dois anos (24 meses), é importante alargar o estabelecimento de vínculos afetivos a outros membros da família.

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Aos 3 anos ainda é idade de brincar, jogar e relacionar-se com os outros pares da vida. A criança já deve conseguir subir e descer escadas alternando os pés nos degraus, dar um pontapé numa bola, correr com facilidade e pedalar num triciclo. Já deve saber pegar num lápis corretamente e desenhar linhas verticais, horizontais e circulares; deve perceber conceitos físicos como “sobre”, “dentro” e “debaixo” e saber o seu nome, idade e sexo. As pessoas que não a conhecem devem conseguir entender a maior parte do seu discurso.

idade-4anosAos quatro anos pode começar a ser estimulada a consciência fonológica – saber identificar sons. Os sons de algumas letras, principalmente algumas vogais, podem ser introduzidos na pré-primária, tal como a aprendizagem de rimas e de cantigas. Por exemplo: a palavra “gato” tem quatro fonemas – a criança pode começar a aprender a descodificar esses quatro sons, para depois convertê-los em letras quando chegar à escola primária. Aqui, a criança deve saber as cores principais, entender o conceito de contar e saber alguns números.

idade-5anosAos cinco/seis anos começa um desenvolvimento cognitivo enorme. Antes de entrar para o primeiro ano da escola primária, não é esperado que a criança saiba ler mas é esperado que saiba relacionar alguns números com quantidade. Deve saber desenhar, por exemplo, algumas letras, um triângulo e outras formas geométricas

As crianças são pressionadas para saberem muito?

Os dois pediatras ouvidos pelo Observador respondem em uníssono: sim. João Gomes Pedro fala em dois responsáveis: os serviços de educação e os pais. “Querem que os meninos conheçam as letras ou que saibam a tabuada muito cedo”, aponta o pediatra.

Mário Cordeiro vai mas longe. “Ligamos muito ao facto de uma criança saber ler ou contar, ou seja, descodificar os símbolos alfa-numéricos, mas não nos inquieta saber se sabe que o verde é para passar e o encarnado para parar, que também representam símbolos. Se defendo, por um lado, que se ensine e transmita informação e conhecimento sobre tudo, desde cedo, o “carregar no play” deve ser feito na idade em que a criança assim o entenda… sem stress”, assinala o autor de “O Grande Livro do Bebé” e de “Educar com Amor”.

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Aqui, a receita do sucesso parece estar em dosear e, sobretudo, saber ouvir. João Gomes Pedro, um dos maiores especialistas em desenvolvimento infantil, deixa claro. “Aprender não é defeito”. Mas, e esta é a parte mais importante, “é preciso equacionar a aprendizagem numa das dimensões mais decisivas da vida — a adaptação”.

A conclusão do pediatra Mário Cordeiro vem quase em jeito de apelo. “Deixemos as crianças serem naturais e normais (…) e não andemos sempre a ver, quais cavalos de corrida, quem vai à frente, quem sabe mais e quem é o melhor posicionado para presidente da República. Ainda faltarão umas décadas para tal. Até lá, deixem-nas ser, simplesmente, crianças”.

Grafismo: Andreia Costa

Fonte: Catarina Marques Rodrigues, Observador.

Bulling na escola mais grave do que maus tratos na infância

Estudo publicado na revista Lancet dá conta de que ser vítima de bullying na adolescência pode deixar marcas mais duradouras do que os maus-tratos na infância, mas quem os sofreu está também mais vulnerável a ser maltratado por outros alunos.


Em Portugal 34% dos adolescentes dizem ter sido alvo de perseguição na escola.
Ansiedade, depressão, autolesão, tendências suicidas. Aos 18 anos, estes sintomas são mais frequentes entre os jovens que foram vítimas de bullyingna escola do que naqueles que sofreram maus-tratos na infância infligidos por adultos, conclui um estudo publicado recentemente na revista britânica The Lancet Psychiatry. Bullying é a violência exercida na escola entre pares (alunos), de forma sistemática e com a intenção de provocar danos.

Dados de 106 países compilados pela UNICEF, em 2013, dão conta de que um em três adolescentes, entre os 13 e os 15 anos, são vítimas de bullying. Em Portugal 34% disseram que foram provocados na escola pelo menos uma vez por semana nos últimos dois meses que antecederam um inquérito de 2014 desenvolvido no âmbito do projecto A Saúde dos Adolescentes Portugueses.

O estudo publicado na Lancet, da autoria de professores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e de investigadores Centro Médico de Duke, nos EUA, dá conta de que o risco de problemas mentais a longo prazo mais do que duplica (passa de 17% para 36%) quando são comparados jovens que “só” foram vítimas de maus-tratos na infância e aqueles que “apenas” foram alvo de bullying à entrada da adolescência. Aos 18 anos, os que apresentam sintomas de ansiedade passa, de um grupo para o outro, de 8,3% para 25,%; os que têm problemas de depressão aumenta de 9,5 para 11,3 e nos casos mais graves, como comportamentos auto-lesivos e pensamentos suicidas, sobe de 8,5% para 13%.

“Ao contrário de estudos anteriores, os nossos resultados mostram que a existência de problemas de saúde mental não se deve, só por si, a maus-tratos na infância, mas que se revelam quando as crianças foram vítimas debullying”, frisam os autores. Mas constataram também que cerca de 40% das crianças que sofreram maus-tratos infligidos por adultos foram mais tarde alvo de bullying na escola, o que os leva a outra conclusão: “A experiência de outras formas de vitimização pode criar propensão para se ser perseguido” na escola por outros alunos.

Este é um dos aspectos do estudo publicado na Lancet que a investigadora Sónia Seixas destaca. “É como uma bola de neve. Os maus-tratos danificam o jovem e aumentam a propensão para que seja vitimizado na relação com os seus pares, Aí sim, faz sentido que o efeito seja exponencial e que esta experiência tenha mais consequências na saúde mental de jovens adultos do que os maus-tratos na infância”, refere a subdirectora da Escola Superior de Educação de Santarém e co-autora do livro Como apagar o bullying da escola.

A investigadora lembra, a propósito, que a perseguição e agressões registadas na escola se dão “numa altura em que a relação entre pares é fundamental para a construção da identidade e quando esta é comprometida as consequências para a saúde podem ser maiores do que a experiência vivida na infância”, mas sublinha que estes são aspectos que não devem ser abordados de uma forma “compartimentada”.

Quanto à situação actual em Portugal considera que se assiste a uma tendência de “estabilidade” no caso do bullying presencial. “As escolas estão abertas a discutir o problema, o que antes não acontecia, e têm promovido muitas acções de sensibilização. E quando falamos com os jovens sobre estes comportamentos eles tornam-se mais cientes das consequências dos seus actos”, refere. É a “boa” notícia. A “má” é que, acrescenta, existe outra forma de perseguição que está em crescendo, o chamado cyberbullying, exercido através das redes sociais, “cujas consequências são semelhantes ou até mais gravosas” do quem quando a perseguição é feita frente a frente.

O estudo publicado na Lancet foi feito com base em duas amostras: a britânica ALSPAC (Avon Longitudinal Study of Parents and Children in the UK) constituída por 4026 crianças até aos 13 anos 13 anos: a outra amostra reúne 1420 crianças dos Estados Unidos com idades entre os 9 e os 16 anos (GSM- Great Smoky Moutains Study in USA).

 

Fonte: Clara Viana, Público.

Como enlouquecer as crianças: estímulo a mais, concentração a menos

 

Photo Credit: Morguefile

Photo Credit: Morguefile.

 

Vivemos tempos frenéticos. A cada década que passa o modo de vida de dez anos atrás parece ficar mais distante: dez anos viraram trinta, e logo teremos a sensação de ter se passado cinquenta anos a cada cinco. E o mundo infantil foi atingido em cheio por essas mudanças: já não se educa (ou brinca, alimenta, veste, entretém, cuida, consola, protege, ampara e satisfaz) crianças como antigamente:

  • O iPad, por exemplo, já é companheiro imprescindível nas refeições de milhares de crianças;
  • Em muitas casas a(s) TV(s) fica(m) ligada(s) o tempo todo na programação infantil – naqueles canais cujo volume aumenta consideravelmente durante os comerciais – mesmo quando elas estão comendo com o iPad  à mesa;
  • Muitas e muitas crianças têm atividades extra curriculares pelo menos três vezes por semana, algumas somam mais de 50 horas semanais de atividades, entre escola, cursos, esportes e reforços escolares.
  • Existe em quase todas as casas uma profusão de brinquedos, aparelhos, recursos e pessoas disponíveis o tempo todo para garantir que a criança “aprenda coisas” e não “morra de tédio”;
  • As pré escolas têm o mesmo método de ensino dos cursos pré vestibulares. 

Tudo está sendo feito para que, no final, possamos ocupar, aproveitar, espremer, sugar, potencializar, otimizar e, finalmente, capitalizar todo o tempo disponível para impor às nossas crianças uma preparação praticamente militar, visando seu “sucesso”. O ar nas casas onde essa preocupação é latente chega a ser denso, tamanha a pressão que as crianças sofrem por desenvolver uma boa competitividade.

Porém, o excesso de estímulos sonoros, visuais, físicos e informativos impedem que a criança organize seus pensamentos e atitudes, de verdade: fica tudo muito confuso e nebuloso, e as próprias informações se misturam fazendo com que a criança mal saiba descrever o que acabou de ouvir, ver ou fazer.

Além disso, aptidões que devem ser estimuladas estão sendo deixadas de lado:

  • crianças não sabem conversar
  • não olham nos olhos de seus interlocutores
  • não conseguem focar em uma brincadeira ou atividade de cada vez (na verdade a maioria sequer sabe brincar sem a orientação de um adulto!)
  • não conseguem ler um livro, por menor que seja.
  • não aceitam regras
  • não sabem o que é autoridade.
  • pior e principalmente: não sabem esperar.

Todas essas qualidades são fundamentais na construção de um ser humano íntegro, independente e pleno, e devem ser aprendidas em casa, em suas rotinas.

Precisamos pausar. Parar e olhar em volta. Colocar a mão na consciência, tirá-la um pouco da carteira, do telefone e do volante: estamos enlouquecendo nossas crianças, e as estamos impedindo de entender e saber lidar com seus tempos, seus desejos, suas qualidades e talentos. Estamos roubando o tempo precioso que nossos filhos tanto precisam para processar a quantidade enorme de informações e estímulos que nós e o mundo estamos lhes dando.

Calma, gente. Muita calma. Não corramos para cima da criança com um iPad na mão a cada vez que ela reclama ou achamos que ela está sofrendo de “tédio”. Não obriguemos a babá a ter um repertório mágico, que nem mesmo palhaços profissionais têm, para manter a criança entretida o tempo todo. O “tédio” nada mais é que a oportunidade de estarmos em contato conosco, de estimular o pensamento, a fantasia e a concentração.

Um lindo texto da cientista que virou mãe que postei na minha página recentemente fala disso com até mais propriedade que eu, embora ela creia que o mundo tá sofrendo de adultismo enquanto eu acredito fundamentalmente que sofremos de infantolatria. Mesmo discordante, sugiro a leitura, essa moça pensa a fundo antes de sair postando. E sugiro também que leiamos todos, pais ou não, “O Ócio Criativo” de Domenico di Masi, para que entendamos a importância do uso consciente do nosso tempo.

E já que resvalamos o assunto para a leitura: nossas crianças não leem mais. Muitos livros infantis estão disponíveis para tablets e iPads, cuja resposta é imediata ao menor estímulo e descaracteriza a principal função do livro: parar para ler, para fazer a mente respirar, aprender a juntar uma palavra com outra, paulatinamente formando frases e sentenças, e, finalmente, concluir um raciocínio ou uma estória.

Cerquem suas crianças de livros e leiam com elas, por amor. Deixem que se esparramem em almofadas e façam sua imaginação voar. O clima da casa também agradece.

 

Fonte: Pais que educam.

Nem todas as crianças são extrovertidas

Criança quietinha é criança doente. Certo? Errado! Essa máxima que sua avó passou para a sua mãe, e você provavelmente já incorporou, pode fazer sentido, mas nem sempre é verdadeira. O mais comum, claro, são as crianças arteiras, que deixam qualquer um de cabelo em pé. Por isso, quando elas não fazem bagunça ou não interagem com os amiguinhos, a gente se preocupa.

Se esse é o caso do seu filho, a boa notícia é que é normal, sim, criança mais quietinha e que não se envolve em várias atividades. “Tudo depende da personalidade, que pode ser introvertida e introspectiva. Afinal, são  aceitáveis adultos mais quietos, qual o problema das crianças também serem?”, aponta  a psicóloga e psicopedagoga Nívea Maria de Carvalho Fabrício, mãe de Sidney e Vanessa.

Mas atenção: isso não quer dizer que ele não brinque, pelo fato do seu filho ser quieto. Todas as crianças brincam. A diferença é que as mais tímidas preferem brincar sozinhas, ou com um ou dois amigos. De fato, Nívea aponta que crianças mais introvertidas tendem a usar mais a imaginação e a criatividade, justamente por não saírem por aí correndo e gritando. Pode apostar que lá no cantinho deles, estão vivendo altas aventuras.

Essa timidez costuma ser detectada apenas no ambiente escolar. Isso porque, antes disso, elas têm pouco contato com outras crianças, geralmente irmãos e primos, relação onde é mais fácil a interação. Depois que elas entram na escola, local em que passam a maior parte do dia, tendem a ficar um pouco isoladas, ou se unirem com apenas um coleguinha.

Camila, filha da advogada Maria de Lourdes, sempre adorou festas e reuniões de família e vivia pra lá e pra cá com as primas. Porém, quando entrou no primeiro ano na escola, não se soltou como os pais esperavam. “Nas reuniões, ficava aflita quando os professores diziam que ela não se integrava ao grupo. Com o tempo, o colégio foi se adaptando a Cacá. Hoje eu aceito que ela é tímida, e acho isso lindo.”

Cabe aos professores e coordenadores observarem esse comportamento, manter os pais informados e trabalhar para que as crianças quietas não sejam engolidas pelas extrovertidas ou tenham o seu desempenho prejudicado.

Tímida x apática

Embora seja absolutamente normal uma criança ser quieta (sim, conforme-se!), você deve reparar em alguns aspectos para ter certeza de que isso não é consequência de uma doença.

“Uma criança apenas quieta participa de uma ou outra brincadeira, apesar de nunca estar na liderança da bagunça, e parece confortável na situação. Já uma criança apática nunca participa. Ela pode até ter vontade, mas não consegue, pois não tem energia”, diz o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, pai de Yuri, Bruna e Giovana.

Nesse caso, é preciso levá-la ao pediatra e explicar a situação. É provável que haja deficiência de algum nutriente, e, por isso, a criança esteja com anemia. Outras doenças mais graves como hipotireoidismo também causam apatia. Além disso, alguns problemas psicológicos também podem contribuir com essa falta de energia, como a depressão e a baixa auto-estima. Fique de olho.

Se o seu filho sempre foi agitado e bagunceiro e repentinamente passou a permanecer mais quieto, não deixe de verificar com o médico se está acontecendo alguma coisa.

Estimular x respeitar

Uma criança quieta pode precisar de um empurrãozinho na hora das atividades, tanto em casa quanto na escola. É importante também que novos amiguinhos, alunos e situações sejam apresentados para que ela se sinta confortável.

“Eu sempre recomendo que se respeite a personalidade da criança. Vamos envolvê-la no que ela precisa ser envolvida e se houver dificuldades de socialização”, ensina Nívea.

O importante é avaliar se o seu filho se sente bem sendo quietinho e participando pouco. Se a resposta é sim, desencana! Quem disse que todo mundo tem que ser extrovertido?

 

Fonte: Revista Pais & Filhos.

 

Desenhos animados: os distúrbios psicológicos em ficção

Nós amamos desenhos animados, especialmente aqueles personagens patetas que se comportam como loucos. Se nós pararmos para pensar, certas características de muitos dos nossos mais queridos personagens animados podem indicar transtornos mentais sérios.

Vamos dar uma olhada em alguns dos nossos amados personagens de desenhos animados que têm distúrbios psicológicos.

10. Calvin

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Calvin é um menino de seis anos da famosa história em quadrinhos Calvin e Hobbes, com um tigre de pelúcia chamado Hobbes. Calvin acredita que Hobbes ganha vida quando ninguém está por perto, ajudando a combater os inimigos, desenvolver projetos científicos e refletir sobre filosofias de vida.

Isso parece tão normal já que muitas crianças têm amigos imaginários. Entretanto, toda essa imaginação de Calvin pode ser algo mais profundo: Calvin pode estar sofrendo de esquizofrenia . Ele alucina constantemente sobre grandes aventuras com seu tigre. Sua obcessão pelo seu mundo imaginário pode evidenciar o distúrbio mental do personagem.

9. Charlie Brown

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Peanuts manteve-se uma história em quadrinhos popular, e acabou se tornando um show, com Charlie Brown, um menino aparentemente otimista que muitas vezes é superado com os pensamentos de suas próprias deficiências.

“Sessões” do garoto amável e carinhoso com Lucy mostram seu medo de ser rejeitado. Tudo somado, é seguro dizer que Charlie tem a condição psicológica de Transtorno de Personalidade Esquiva.

8. Batman / Bruce Wayne

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Batman, o personagem principal da série de quadrinhos de mesmo nome pela DC Comics, tem um alter ego, Bruce Wayne, e mostra tendências de Transtorno da Personalidade Esquizóide, ou mesmo Transtorno da Personalidade Schizotypal. Ele é famoso por sua incapacidade de manter relacionamentos de longo prazo.

É provável que ele sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, por ter testemunhado a morte de seus pais, e, possivelmente, faz com que ele seja depressivo. Com a sua verdadeira identidade escondida, ele dobra as leis e assume riscos, mostrando tendências anti-sociais.

7. Hulk / Bruce Banner

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Hulk é um um super-herói extremamente popular criada pela Marvel Comics. Ele é o monstro interior do cientista chamado Bruce Banner. Embora seja um monstro querido por todos, é óbvio que ele sofre de distúrbios psicológicos.

A primeira, e mais óbvio problema que ele tem é seus problemas de raiva, ou seja, o transtorno explosivo intermitente. O outro problema que ele tem é o chamado distúrbio de personalidade múltipla ou transtorno de personalidade dissociativa . Na verdade, antes do ‘Professor’ Hulk surgir, ele tinha as três personalidades distintas.

6. Ariel

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A Pequena Sereia, Ariel, é uma das princesas da Disney mais cativantes , com amor eterno, grandes sonhos e beleza inocente. Mas quando se olha para além do enredo simples, você vai encontrar coisas questionáveis. Vamos manter de lado seu comportamento extremo de mudar-se para estar com um ser de outra espécie, só porque ele é de boa aparência, e dar uma olhada em seu hábito mais inofensivo do entesouramento.

Sim, Ariel, com sua caverna cheia de itens que ela é tão apegada, prova que ela tem, obviamente, Disposofobia (Acumulação Compulsiva).

5. Minions

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Sabemos que as pequenas criaturas amarelas chamadas Minions são excepcionalmente bonitinhos, e você iria mantê-los como animais de estimação se você pudesse ter um deles. E nós também.

Quem não gosta de suas palhaçadas engraçadas, sempre jogando conversa fora e ficar curioso sobre tudo ao seu redor? Eles se distraem facilmente e brilham os olhos por tudo o que é estranho para eles. Eles estão interessados ​​em se divertir. Eles são brincalhões, e não conseguem controlar seus impulsos. Ao todo, eles mostram e mantêm o verdadeiro espírito de atenção e hiperatividade .

4. Dora Marquez

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Os sete anos de idade, Dora, a personagem de um programa infantil educacional é mostrada como aventureira e alegre, com uma propensão para viajar. Ela vai em viagens que são muito arriscadas para alguém da sua idade, e se perde no caminho. Para lidar com o estresse, ela se esquece sobre estes.

Ela também tem a tendência de imaginar amigos, e ela também alucina com quase todos os objetos, os imaginando com faces, os personificando em sua mente. Ela tem fuga dissociativa , o que faz com que ela vá em viagens e esqueça tudo sobre elas, e também apresenta esquizofrenia paranóide que a faz ouvir vozes e ter alucinações.

3. Chuckie Finster

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A criança de óculos e cabelos vermelhos, Chuckie, com seus marcantes dentes de coelho, roupas largas e sardas, têm medo de quase tudo. Isso é um grande problema? Bem, Chuck nos deixa preocupados porque ele tem sua própria zona de conforto, e ele fica muito nervoso quando ele é levado muito longe do seu elemento. Ele apresenta sintomas de Transtorno de Ansiedade Generalizada.

2. Dexter

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O pequeno menino-gênio, Dexter, do Laboratório de Dexter, têm o seu próprio laboratório secreto e uma irmã irritante, Dee Dee. E se nós dissemos-lhe que ele tem algum tipo de distúrbio psicológico? Dexter mostra os sintomas clássicos da síndrome de Asperger. Ele luta contra interações sociais, e admite que ele é impopular.

Ele tem uma gama limitada de interesses, com comportamentos repetitivos, e seu sotaque estranho poderia ser a representação de suas dificuldades de comunicação.

1. Pernalonga

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Pernalonga, o líder e mais famoso dos Looney Tunes é um personagem muito popular dos desenhos animados, com suas palhaçadas engraçadas e disfarces loucos. Mas ele também mostra sinais de mudanças de humor e comportamentos impulsivos, levando à implicação de que ele pode ter Transtorno de Personalidade Borderline.

Ele é muito vingativo, e é extraordinário como calmamente ele realiza atos de crueldade e violência. Todas essas características são manifestações de suas tendências anti-sociais. Muitos dos outros personagens Looney Tunes, também, têm transtornos mentais .

Além destes desenhos animados, existem vários outros personagens que, no diagnóstico adequado, revelariam seus distúrbios psicológicos. Glen Quagmire de Family Guy, por exemplo, tem a condição de hipersexualidade, enquanto Homer Simpson de Os Simpsons sofre de Transtorno Explosivo Intermitente.

 

Fonte:  Fatos Desconhecidos, via Pavablog.

Gratidão contribui para um coração mais saudável

Gratidão contribui para um coração mais saudável

Reconhecer e dar graças pelos aspetos mais positivos da vida pode fazer bem ao coração e melhorar a saúde física e mental. A conclusão é de um novo estudo norte-americano, que revela que a gratidão é determinante não apenas para o bem-estar espiritual, mas para o bem-estar global.
Investigações anteriores tinham já demonstrado que os indivíduos que se consideram mais ligados à espiritualidade apresentam um maior bem-estar global, incluindo ao nível físico. Uma equipa da Universidade da Califórnia, nos EUA, decidiu, portanto, examinar o papel da espiritualidade e da gratidão em vários “marcadores” da saúde dos pacientes.
Os especialistas, coordenados por Paul J. Mills, professor de medicina familiar naquela universidade, analisaram 186 homens e mulheres diagnosticados com insuficiência cardíaca assintomática, isto é, que desenvolveram uma doença cardiovascular estrutural em sequência, por exemplo, de um ataque cardíaco, mas não apresentam sintomas como o cansaço ou a falta de ar.
De acordo com Mills, esta fase da progressão da patologia cardíaca é particularmente importante a nível terapêutico, porque ajuda a travar a sua progressão e a melhorar a qualidade de vida dos indivíduos, evitando que a condição se deteriore até ao “estágio” seguinte, que está associado a um risco de morte cinco vezes superior.
Com recurso a testes psicológicos padrão, os investigadores avaliaram os níveis de gratidão e bem-estar espiritual dos pacientes, a par de eventuais sintomas de depressão, da qualidade do sono, do cansaço, da confiança de cada um nas próprias capacidades e de marcadores de inflamações no organismo.

Pessoas mais gratas são mais bem-dispostas

A equipa, cujo estudo foi publicado na revista científica Spirituality in Clinical Practice, concluiu que aqueles que reportavam maior gratidão em relação às pequenas coisas boas da vida tinham melhor humor, dormiam melhor, eram mais eficazes na resolução de problemas e tinham menos probabilidades de desenvolver inflamações, que tendem a agravar a insuficiência cardíaca.
“Descobrimos que as pessoas mais gratas são mais bem-dispostas, têm um sono de maior qualidade, cansam-se menos e são menos suscetíveis a inflamações ligadas à saúde cardiovascular”, afirma Mills, em comunicado, explicando que a gratidão – que envolve apreciar o lado mais positivo da vida – foi mais responsável por estes benefícios do que a espiritualidade em si.
Para aprofundar esta descoberta, os investigadores pediram, também, a alguns dos pacientes que escrevessem três das coisas pelas quais estavam mais gratos ao longo de vários dias durante oito semanas. No decurso do processo, ambos os grupos continuaram a receber os cuidados clínicos habituais.
“Os pacientes que mantiveram estes ‘diários da gratidão’ durante oito semanas mostraram uma redução nos níveis de vários biomarcadores inflamatórios, bem como uma maior variação do ritmo cardíaco enquanto escreviam, um fator associado a um risco cardiovascular mais reduzido”, realça Mills.
Segundo o investigador, o estudo é a prova de que “um coração mais grato é mais saudável e que fazer um ‘diário de gratidão’ é uma boa forma de fortalecer a saúde cardíaca”.
Article: “The Role of Gratitude in Spiritual Well-Being in Asymptomatic Heart Failure Patients,” by Paul J. Mills, PhD, and Deepak Chopra, MD, University of California, San Diego, and Chopra Center for Wellbeing, Carlsbad, California; Laura Redwine, PhD, Kathleen Wilson, MS, Meredith A. Pung, PhD, Kelly Chin, BS, Barry H. Greenberg, MD, Ottar Lunde, MD, Alan Maisel, MD, and Ajit Raisinghani, MD, University of California, San Diego; and Alex Wood, PhD, University of Stirling. Spirituality in Clinical Practice, published online April 6, 2015.
Fonte: Boas Notícias, com base em notícia da American Psichological Association.

Cientistas de Singapura descobrem nova forma de tratamento para demência

Cientistas de Singapura descobrem nova forma de tratamento para demência
Fotografia © D.R.

Novo tratamento passa por estimular o crescimento das células cerebrais, melhorando a memória a curto e longo prazo.

Cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU) de Singapura anunciaram hoje ter descoberto uma nova forma de tratar a demência que consiste no envio de impulsos elétricos para zonas do cérebro para aumentar o crescimento de novas células cerebrais.

O novo tratamento, conhecido como estímulo cerebral profundo, é um procedimento terapêutico já utilizado em algumas partes do mundo para várias situações neurológicas como tremores ou distonia.

Os cientistas da NTU indicaram ter descoberto que esse estímulo pode também ser usado para aumentar o crescimento de células cerebrais, mitigando os efeitos nocivos das condições relacionadas com a demência e melhorar a memória a curto e longo prazo.

A investigação mostra que as novas células, ou neurónio, podem ser formadas através do estímulo da parte frontal do cérebro, que está envolvida na retenção da memória, através do recurso a impulsos elétricos.

“O aumento de células cerebrais reduz a ansiedade e a depressão e promove a aprendizagem, impulsionando, em termos globais, a formação e retenção de memória”, indicou a universidade em comunicado citado pela agência noticiosa Xinhua.

Segundo a universidade, cujos cientistas testaram os impulsos em ratos, os resultados da investigação abrem novas oportunidades para o desenvolvimento de soluções inovadoras ao nível do tratamento de pacientes que sofrem de perda de memória no devido a condições relacionadas com a demência, como as doenças de Alzheimer e mesmo de Parkinson.

Fonte: DN.

 

Treinar o cérebro para vencer maus hábitos

Identificar o problema, decidir a melhor forma de o eliminar, treinar, treinar, treinar e festejar os resultados. Só precisa de exercitar o cérebro para fazer o melhor por si.

O cérebro pode ser treinado. Matt Cardy/Getty Images.

Assim como podemos escolher ir ao ginásio ou fazer exercícios físicos em casa, também podemos treinar o cérebro para melhorar determinadas tarefas ou desempenhos no nosso dia-a-dia. Exercitamos o cérebro sempre que aprendemos a tocar um instrumento ou uma nova língua, quando resolvemos um puzzle ou um exercício matemático, quando recordamos histórias passadas ou até quando escrevemos à mão.

Esta segunda-feira o jornal espanhol ABC apresentou algumas das propostas do livro “Neurocoaching”, de Silvia Escribano Cuerva, Guglielmo Foffani e Fernando de Castro Soubriet. Fazer coisas novas parece ser a chave. Cada vez que desafiamos o nosso cérebro para uma nova tarefa, um novo percurso ou uma atividade feita de uma forma diferente, podemos estar a estimular novas áreas do cérebro. Porém, convém recordar que se o cérebro realiza determinadas tarefas de forma automática, é para libertar a atenção para outras tarefas que necessitam de maior foco.

Os autores associam as atividades automáticas e os hábitos de comportamento que geram um benefício ao desenvolvimento e enraizamento dos maus hábitos. Esses hábitos podem influenciar o nosso bem-estar físico e psicológico e é a motivação de cada um que ajudará a vencê-los. Mude as rotinas, substitua os maus hábitos, mas acima de tudo mergulhe no interior e perceba o que o perturba e aquilo que pretende mudar.

Descubra o que precisa de fazer para se sentir bem, mude os hábitos, repita os novos hábitos e festeje as novas conquistas. Acima de tudo não se imponha prazos, cada pessoa e cada mau hábito tem um tempo de “cura” próprio.

 

Fonte: Observador.

Sexo, mulheres e testosterona: uma relação complexa

O beijo, de Gustav Klimt, óleo e folha de ouro sobre tela, 1907-1908 DR

 

 

A testosterona parece desempenhar um papel importante nas relações amorosas de ambos os sexos. Mas nas mulheres, essa “equação” não é tão simples como nos homens. Cientista português pensa que isso acontece por razões psicológicas.

 

A testosterona é por excelência a hormona do sexo, da virilidade e do desejo masculinos. E nas mulheres? Será que esta hormona, que elas também produzem – embora em quantidades muito inferiores aos homens –, nomeadamente ao nível dos ovários, também tem efeitos sobre a libido feminina?

A acção da testosterona no cérebro humano é tornar as pessoas mais atentas aos sinais sexuais – visuais, auditivos –, e mais geralmente, estimular a imaginação sexual. Por outro lado, uma das coisas que os especialistas têm vindo a perceber nas duas últimas décadas é que “as pessoas em relações monogâmicas estáveis [ou que cuidam dos filhos] têm níveis mais baixos de testosterona do que as pessoas sem – ou com múltiplos – relacionamentos sexuais”, disse ao Público Rui Costa, psicólogo experimental do ISPA – Instituto Universitário, em Lisboa.

Esta relação testosterona/relacionamento tem sido sobretudo testada nos homens – e ao que tudo indica, verifica-se no sexo masculino. Mas em paralelo, um número mais limitado de estudos em mulheres tem igualmente vindo a sugerir que existe uma relação semelhante no sexo feminino.

Daí a pensar que quanto maior o nível de testosterona no sangue das mulheres, maior a apetência por sexo, vai um passo. “A busca pelo ‘Viagra feminino’ despertou o interesse em estudar a relação entre a testosterona e o desejo sexual nas mulheres”, explica-nos Rui Costa, que trabalha precisamente nesta área fronteira da psicologia e da fisiologia. “E muito recentemente, a testosterona passou a ser muito procurada para tratar problemas de desejo sexual nas mulheres.”

Resultados equívocos

Só que, nas mulheres, essa relação testosterona-libido é bastante menos linear do que nos homens: “Nas mulheres, os resultados são equívocos”, acrescenta Rui Costa. Há mulheres em que a testosterona aumenta o desejo sexual e outras que não reagem ao tratamento. De onde vem essa discrepância? Rui Costa procura respostas.

Numa primeira fase, este cientista quis confirmar, desta vez em mulheres portuguesas, outros estudos já feitos na Noruega, nas Filipinas, nos EUA ou no Canadá. “Fui investigar se as mulheres que estão numa relação estável têm menos testosterona do que as mulheres sozinhas.” Com a sua equipa, acaba de publicar, numa recente edição da revista Personality and Individual Differences, o primeiro estudo deste tipo realizado em Portugal.

O trabalho envolveu 73 mulheres jovens (com 18 a 35 anos de idade). Metade dessas mulheres eram estudantes universitárias e metade empregadas de supermercado, “colegas da minha mestranda” e co-autora Mónica Correia, que lá trabalhava em part-time, salienta Rui Costa. Os níveis de testosterona das participantes foram medidos através de amostras de saliva. E globalmente, os resultados confirmam o que já se pensava: níveis mais elevados de testosterona surgem associados a níveis inferiores de envolvimento romântico exclusivo – e portanto, em princípio, a uma maior disponibilidade sexual.

Diga-se antes de mais que, embora uma relação deste tipo possa existir em ambos os sexos, a causa e o efeito parecem inverter-se dos homens para as mulheres. Assim, nas mulheres, será a relação monogâmica a induzir uma redução da testosterona em circulação no organismo – ao passo que os homens “têm de ter um nível baixo de testosterona à partida [dentro da normalidade, claro] para entrarem mais facilmente numa relação monogâmica”, explica Rui Costa. “Tem havido alguma investigação que sugere que, no caso das mulheres, a relação sentimental é mais a causa e o nível baixo de testosterona o efeito”, acrescenta.  “Tenciono aprofundar esta questão.” Voltando ao estudo agora publicado, a equipa portuguesa quis ir mais longe do que os estudos anteriores, ao incluir uma variável adicional nesta “equação” – uma variável de ordem psicológica e não fisiológica como o nível de testosterona.

Mais precisamente, os cientistas quiseram saber se, em presença de um de dois traços da personalidade (extroversão e procura de sensações) que tornam as pessoas mais atentas aos estímulos sexuais, os níveis de testosterona nas mulheres deixariam de ser, por assim dizer, um indicador da sua situação sentimental. “A extroversão e a procura de sensações são dois traços da personalidade que, estatisticamente, tornam uma pessoa mais propensa ao sexo casual – e a procura de sensações tem sido por vezes associada à infidelidade”, diz Rui Costa. “E a minha hipótese de partida era que, nas mulheres mais extrovertidas [ou mais propensas a procurar sensações], não haveria diferenças de níveis de testosterona conforme elas tivessem ou não um parceiro estável. Decidi ir ver se esta relação [testosterona/relacionamento] era moderada pela propensão ao sexo casual” das mulheres.

Para isso, a equipa pediu às participantes para preencher questionários especificamente destinados a avaliar esses dois traços da personalidade. Resultado: nas mulheres que apresentavam esses traços de forma mais pronunciada, os níveis de testosterona já não eram um indicador da situação relacional.

Reconhecer as emoções

Rui Costa já passou para a fase seguinte do seu trabalho: determinar o que faz com que certas mulheres com perturbações do desejo sexual respondam positivamente à testosterona e outras não. “Estou agora a investigar quais são os traços da personalidade que explicam a correlação observada entre os níveis de testosterona e a libido”, explicou-nos ainda. Como se trata, segundo ele, de traços associados a “uma boa capacidade de reconhecer as suas próprias emoções”, o investigador está a estudar precisamente um traço que surte o efeito oposto – ou seja, que conduz a uma incapacidade de reconhecer essas emoções.

Em termos médicos, este tipo de perturbações é conhecido por “alexitimia”. Ora, mesmo sem atingirem níveis patológicos, salienta Rui Costa, muitas pessoas apresentam níveis de maior ou menor alexitimia. E as pessoas alexitímicas costumam ter um desejo sexual muito baixo. É por isso que, argumenta o cientista, perturbações como a alexitimia poderão explicar o défice de desejo sexual observado em parte das mulheres, independentemente dos seus níveis de testosterona. “É muito plausível que nas pessoas muito alexitímicas não exista uma correlação entre os níveis de testosterona e a libido”, frisa o investigador.

Esta série de experiências, também com voluntárias jovens, tem consistido na medição dos níveis de testosterona antes e depois da apresentação às participantes de dois tipos de “estímulos” que suscitam pensamentos de ordem sexual: um questionário online e excertos de filmes românticos. No questionário, é-lhes pedido para descreverem uma fantasia sexual em torno de um parceiro imaginário. “Estou interessado no estudo dos problemas sexuais na população jovem”, refere ainda Rui Costa. “Estudos psicológicos indicam que 10 a 20 % dos jovens sofrem de falta de desejo sexual.” Ora, pouca atenção é dada a esta população, quando precisamente os jovens “têm mais vergonha de consultar um médico do que as pessoas mais velhas”, frisa.

Este trabalho ainda está em curso, mas Rui Costa diz-nos que os resultados que obteve até aqui já lhe permitem concluir que, efectivamente, “a alexitimia explica a discordância observada [nas mulheres] entre os níveis de testosterona e a libido”. E acrescenta: “Constatei que nas participantes mais alexitímicas essa discordância é maior do que nas menos alexitímicas. E confirmei que pode haver dois tipos de situações: testosterona alta e libido baixa e testosterona baixa e libido alta.”

Rui Costa, que pensa que no cerne do problema está essa dificuldade em sentir as emoções, também estuda, para além da alexitimia, outras situações em que essa dificuldade se manifesta, como por exemplo quando existem mecanismos de defesa psicológicos que bloqueiam os pensamentos desagradáveis e, ao mesmo tempo, a capacidade de sentir as próprias emoções.

Estes resultados poderão ter implicações importantes em termos do tratamento da falta de desejo sexual, diz-nos ainda Rui Costa. “Se for possível explicar por que há pessoas com um nível de libido baixo apesar de terem níveis de testosterona normais – e que a causa reside na dificuldade em sentirem as suas próprias emoções –, o problema da falta de libido poderá então ser abordado através da psicologia.” Acontece que, ultimamente, o tratamento dos problemas do desejo sexual nas mulheres tem sido muito baseado na medicação, diz Rui Costa. Mas a confirmar-se a sua teoria, o investigador acha que os clínicos poderão então avaliar a personalidade das pacientes, antes de lhes prescreverem testosterona, para determinar se uma abordagem não puramente médica, mas psicológica, não seria mais eficaz. “Há estudos que mostram que, nas mulheres, a meditação de tipomindfulness, que treina a pessoa a sentir as suas emoções sem fazer juízos de valor, tem tido resultados positivos, aumentando o desejo sexual”, conclui.

Fonte: Público.