Nem todas as crianças são extrovertidas

Criança quietinha é criança doente. Certo? Errado! Essa máxima que sua avó passou para a sua mãe, e você provavelmente já incorporou, pode fazer sentido, mas nem sempre é verdadeira. O mais comum, claro, são as crianças arteiras, que deixam qualquer um de cabelo em pé. Por isso, quando elas não fazem bagunça ou não interagem com os amiguinhos, a gente se preocupa.

Se esse é o caso do seu filho, a boa notícia é que é normal, sim, criança mais quietinha e que não se envolve em várias atividades. “Tudo depende da personalidade, que pode ser introvertida e introspectiva. Afinal, são  aceitáveis adultos mais quietos, qual o problema das crianças também serem?”, aponta  a psicóloga e psicopedagoga Nívea Maria de Carvalho Fabrício, mãe de Sidney e Vanessa.

Mas atenção: isso não quer dizer que ele não brinque, pelo fato do seu filho ser quieto. Todas as crianças brincam. A diferença é que as mais tímidas preferem brincar sozinhas, ou com um ou dois amigos. De fato, Nívea aponta que crianças mais introvertidas tendem a usar mais a imaginação e a criatividade, justamente por não saírem por aí correndo e gritando. Pode apostar que lá no cantinho deles, estão vivendo altas aventuras.

Essa timidez costuma ser detectada apenas no ambiente escolar. Isso porque, antes disso, elas têm pouco contato com outras crianças, geralmente irmãos e primos, relação onde é mais fácil a interação. Depois que elas entram na escola, local em que passam a maior parte do dia, tendem a ficar um pouco isoladas, ou se unirem com apenas um coleguinha.

Camila, filha da advogada Maria de Lourdes, sempre adorou festas e reuniões de família e vivia pra lá e pra cá com as primas. Porém, quando entrou no primeiro ano na escola, não se soltou como os pais esperavam. “Nas reuniões, ficava aflita quando os professores diziam que ela não se integrava ao grupo. Com o tempo, o colégio foi se adaptando a Cacá. Hoje eu aceito que ela é tímida, e acho isso lindo.”

Cabe aos professores e coordenadores observarem esse comportamento, manter os pais informados e trabalhar para que as crianças quietas não sejam engolidas pelas extrovertidas ou tenham o seu desempenho prejudicado.

Tímida x apática

Embora seja absolutamente normal uma criança ser quieta (sim, conforme-se!), você deve reparar em alguns aspectos para ter certeza de que isso não é consequência de uma doença.

“Uma criança apenas quieta participa de uma ou outra brincadeira, apesar de nunca estar na liderança da bagunça, e parece confortável na situação. Já uma criança apática nunca participa. Ela pode até ter vontade, mas não consegue, pois não tem energia”, diz o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, pai de Yuri, Bruna e Giovana.

Nesse caso, é preciso levá-la ao pediatra e explicar a situação. É provável que haja deficiência de algum nutriente, e, por isso, a criança esteja com anemia. Outras doenças mais graves como hipotireoidismo também causam apatia. Além disso, alguns problemas psicológicos também podem contribuir com essa falta de energia, como a depressão e a baixa auto-estima. Fique de olho.

Se o seu filho sempre foi agitado e bagunceiro e repentinamente passou a permanecer mais quieto, não deixe de verificar com o médico se está acontecendo alguma coisa.

Estimular x respeitar

Uma criança quieta pode precisar de um empurrãozinho na hora das atividades, tanto em casa quanto na escola. É importante também que novos amiguinhos, alunos e situações sejam apresentados para que ela se sinta confortável.

“Eu sempre recomendo que se respeite a personalidade da criança. Vamos envolvê-la no que ela precisa ser envolvida e se houver dificuldades de socialização”, ensina Nívea.

O importante é avaliar se o seu filho se sente bem sendo quietinho e participando pouco. Se a resposta é sim, desencana! Quem disse que todo mundo tem que ser extrovertido?

 

Fonte: Revista Pais & Filhos.

 

Desenhos animados: os distúrbios psicológicos em ficção

Nós amamos desenhos animados, especialmente aqueles personagens patetas que se comportam como loucos. Se nós pararmos para pensar, certas características de muitos dos nossos mais queridos personagens animados podem indicar transtornos mentais sérios.

Vamos dar uma olhada em alguns dos nossos amados personagens de desenhos animados que têm distúrbios psicológicos.

10. Calvin

1374

Calvin é um menino de seis anos da famosa história em quadrinhos Calvin e Hobbes, com um tigre de pelúcia chamado Hobbes. Calvin acredita que Hobbes ganha vida quando ninguém está por perto, ajudando a combater os inimigos, desenvolver projetos científicos e refletir sobre filosofias de vida.

Isso parece tão normal já que muitas crianças têm amigos imaginários. Entretanto, toda essa imaginação de Calvin pode ser algo mais profundo: Calvin pode estar sofrendo de esquizofrenia . Ele alucina constantemente sobre grandes aventuras com seu tigre. Sua obcessão pelo seu mundo imaginário pode evidenciar o distúrbio mental do personagem.

9. Charlie Brown

1385-600x450

Peanuts manteve-se uma história em quadrinhos popular, e acabou se tornando um show, com Charlie Brown, um menino aparentemente otimista que muitas vezes é superado com os pensamentos de suas próprias deficiências.

“Sessões” do garoto amável e carinhoso com Lucy mostram seu medo de ser rejeitado. Tudo somado, é seguro dizer que Charlie tem a condição psicológica de Transtorno de Personalidade Esquiva.

8. Batman / Bruce Wayne

3174

Batman, o personagem principal da série de quadrinhos de mesmo nome pela DC Comics, tem um alter ego, Bruce Wayne, e mostra tendências de Transtorno da Personalidade Esquizóide, ou mesmo Transtorno da Personalidade Schizotypal. Ele é famoso por sua incapacidade de manter relacionamentos de longo prazo.

É provável que ele sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, por ter testemunhado a morte de seus pais, e, possivelmente, faz com que ele seja depressivo. Com a sua verdadeira identidade escondida, ele dobra as leis e assume riscos, mostrando tendências anti-sociais.

7. Hulk / Bruce Banner

4163

Hulk é um um super-herói extremamente popular criada pela Marvel Comics. Ele é o monstro interior do cientista chamado Bruce Banner. Embora seja um monstro querido por todos, é óbvio que ele sofre de distúrbios psicológicos.

A primeira, e mais óbvio problema que ele tem é seus problemas de raiva, ou seja, o transtorno explosivo intermitente. O outro problema que ele tem é o chamado distúrbio de personalidade múltipla ou transtorno de personalidade dissociativa . Na verdade, antes do ‘Professor’ Hulk surgir, ele tinha as três personalidades distintas.

6. Ariel

5148

A Pequena Sereia, Ariel, é uma das princesas da Disney mais cativantes , com amor eterno, grandes sonhos e beleza inocente. Mas quando se olha para além do enredo simples, você vai encontrar coisas questionáveis. Vamos manter de lado seu comportamento extremo de mudar-se para estar com um ser de outra espécie, só porque ele é de boa aparência, e dar uma olhada em seu hábito mais inofensivo do entesouramento.

Sim, Ariel, com sua caverna cheia de itens que ela é tão apegada, prova que ela tem, obviamente, Disposofobia (Acumulação Compulsiva).

5. Minions

6132

Sabemos que as pequenas criaturas amarelas chamadas Minions são excepcionalmente bonitinhos, e você iria mantê-los como animais de estimação se você pudesse ter um deles. E nós também.

Quem não gosta de suas palhaçadas engraçadas, sempre jogando conversa fora e ficar curioso sobre tudo ao seu redor? Eles se distraem facilmente e brilham os olhos por tudo o que é estranho para eles. Eles estão interessados ​​em se divertir. Eles são brincalhões, e não conseguem controlar seus impulsos. Ao todo, eles mostram e mantêm o verdadeiro espírito de atenção e hiperatividade .

4. Dora Marquez

7

Os sete anos de idade, Dora, a personagem de um programa infantil educacional é mostrada como aventureira e alegre, com uma propensão para viajar. Ela vai em viagens que são muito arriscadas para alguém da sua idade, e se perde no caminho. Para lidar com o estresse, ela se esquece sobre estes.

Ela também tem a tendência de imaginar amigos, e ela também alucina com quase todos os objetos, os imaginando com faces, os personificando em sua mente. Ela tem fuga dissociativa , o que faz com que ela vá em viagens e esqueça tudo sobre elas, e também apresenta esquizofrenia paranóide que a faz ouvir vozes e ter alucinações.

3. Chuckie Finster

894

A criança de óculos e cabelos vermelhos, Chuckie, com seus marcantes dentes de coelho, roupas largas e sardas, têm medo de quase tudo. Isso é um grande problema? Bem, Chuck nos deixa preocupados porque ele tem sua própria zona de conforto, e ele fica muito nervoso quando ele é levado muito longe do seu elemento. Ele apresenta sintomas de Transtorno de Ansiedade Generalizada.

2. Dexter

9

O pequeno menino-gênio, Dexter, do Laboratório de Dexter, têm o seu próprio laboratório secreto e uma irmã irritante, Dee Dee. E se nós dissemos-lhe que ele tem algum tipo de distúrbio psicológico? Dexter mostra os sintomas clássicos da síndrome de Asperger. Ele luta contra interações sociais, e admite que ele é impopular.

Ele tem uma gama limitada de interesses, com comportamentos repetitivos, e seu sotaque estranho poderia ser a representação de suas dificuldades de comunicação.

1. Pernalonga

04-620x360

Pernalonga, o líder e mais famoso dos Looney Tunes é um personagem muito popular dos desenhos animados, com suas palhaçadas engraçadas e disfarces loucos. Mas ele também mostra sinais de mudanças de humor e comportamentos impulsivos, levando à implicação de que ele pode ter Transtorno de Personalidade Borderline.

Ele é muito vingativo, e é extraordinário como calmamente ele realiza atos de crueldade e violência. Todas essas características são manifestações de suas tendências anti-sociais. Muitos dos outros personagens Looney Tunes, também, têm transtornos mentais .

Além destes desenhos animados, existem vários outros personagens que, no diagnóstico adequado, revelariam seus distúrbios psicológicos. Glen Quagmire de Family Guy, por exemplo, tem a condição de hipersexualidade, enquanto Homer Simpson de Os Simpsons sofre de Transtorno Explosivo Intermitente.

 

Fonte:  Fatos Desconhecidos, via Pavablog.

Gratidão contribui para um coração mais saudável

Gratidão contribui para um coração mais saudável

Reconhecer e dar graças pelos aspetos mais positivos da vida pode fazer bem ao coração e melhorar a saúde física e mental. A conclusão é de um novo estudo norte-americano, que revela que a gratidão é determinante não apenas para o bem-estar espiritual, mas para o bem-estar global.
Investigações anteriores tinham já demonstrado que os indivíduos que se consideram mais ligados à espiritualidade apresentam um maior bem-estar global, incluindo ao nível físico. Uma equipa da Universidade da Califórnia, nos EUA, decidiu, portanto, examinar o papel da espiritualidade e da gratidão em vários “marcadores” da saúde dos pacientes.
Os especialistas, coordenados por Paul J. Mills, professor de medicina familiar naquela universidade, analisaram 186 homens e mulheres diagnosticados com insuficiência cardíaca assintomática, isto é, que desenvolveram uma doença cardiovascular estrutural em sequência, por exemplo, de um ataque cardíaco, mas não apresentam sintomas como o cansaço ou a falta de ar.
De acordo com Mills, esta fase da progressão da patologia cardíaca é particularmente importante a nível terapêutico, porque ajuda a travar a sua progressão e a melhorar a qualidade de vida dos indivíduos, evitando que a condição se deteriore até ao “estágio” seguinte, que está associado a um risco de morte cinco vezes superior.
Com recurso a testes psicológicos padrão, os investigadores avaliaram os níveis de gratidão e bem-estar espiritual dos pacientes, a par de eventuais sintomas de depressão, da qualidade do sono, do cansaço, da confiança de cada um nas próprias capacidades e de marcadores de inflamações no organismo.

Pessoas mais gratas são mais bem-dispostas

A equipa, cujo estudo foi publicado na revista científica Spirituality in Clinical Practice, concluiu que aqueles que reportavam maior gratidão em relação às pequenas coisas boas da vida tinham melhor humor, dormiam melhor, eram mais eficazes na resolução de problemas e tinham menos probabilidades de desenvolver inflamações, que tendem a agravar a insuficiência cardíaca.
“Descobrimos que as pessoas mais gratas são mais bem-dispostas, têm um sono de maior qualidade, cansam-se menos e são menos suscetíveis a inflamações ligadas à saúde cardiovascular”, afirma Mills, em comunicado, explicando que a gratidão – que envolve apreciar o lado mais positivo da vida – foi mais responsável por estes benefícios do que a espiritualidade em si.
Para aprofundar esta descoberta, os investigadores pediram, também, a alguns dos pacientes que escrevessem três das coisas pelas quais estavam mais gratos ao longo de vários dias durante oito semanas. No decurso do processo, ambos os grupos continuaram a receber os cuidados clínicos habituais.
“Os pacientes que mantiveram estes ‘diários da gratidão’ durante oito semanas mostraram uma redução nos níveis de vários biomarcadores inflamatórios, bem como uma maior variação do ritmo cardíaco enquanto escreviam, um fator associado a um risco cardiovascular mais reduzido”, realça Mills.
Segundo o investigador, o estudo é a prova de que “um coração mais grato é mais saudável e que fazer um ‘diário de gratidão’ é uma boa forma de fortalecer a saúde cardíaca”.
Article: “The Role of Gratitude in Spiritual Well-Being in Asymptomatic Heart Failure Patients,” by Paul J. Mills, PhD, and Deepak Chopra, MD, University of California, San Diego, and Chopra Center for Wellbeing, Carlsbad, California; Laura Redwine, PhD, Kathleen Wilson, MS, Meredith A. Pung, PhD, Kelly Chin, BS, Barry H. Greenberg, MD, Ottar Lunde, MD, Alan Maisel, MD, and Ajit Raisinghani, MD, University of California, San Diego; and Alex Wood, PhD, University of Stirling. Spirituality in Clinical Practice, published online April 6, 2015.
Fonte: Boas Notícias, com base em notícia da American Psichological Association.

Cientistas de Singapura descobrem nova forma de tratamento para demência

Cientistas de Singapura descobrem nova forma de tratamento para demência
Fotografia © D.R.

Novo tratamento passa por estimular o crescimento das células cerebrais, melhorando a memória a curto e longo prazo.

Cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU) de Singapura anunciaram hoje ter descoberto uma nova forma de tratar a demência que consiste no envio de impulsos elétricos para zonas do cérebro para aumentar o crescimento de novas células cerebrais.

O novo tratamento, conhecido como estímulo cerebral profundo, é um procedimento terapêutico já utilizado em algumas partes do mundo para várias situações neurológicas como tremores ou distonia.

Os cientistas da NTU indicaram ter descoberto que esse estímulo pode também ser usado para aumentar o crescimento de células cerebrais, mitigando os efeitos nocivos das condições relacionadas com a demência e melhorar a memória a curto e longo prazo.

A investigação mostra que as novas células, ou neurónio, podem ser formadas através do estímulo da parte frontal do cérebro, que está envolvida na retenção da memória, através do recurso a impulsos elétricos.

“O aumento de células cerebrais reduz a ansiedade e a depressão e promove a aprendizagem, impulsionando, em termos globais, a formação e retenção de memória”, indicou a universidade em comunicado citado pela agência noticiosa Xinhua.

Segundo a universidade, cujos cientistas testaram os impulsos em ratos, os resultados da investigação abrem novas oportunidades para o desenvolvimento de soluções inovadoras ao nível do tratamento de pacientes que sofrem de perda de memória no devido a condições relacionadas com a demência, como as doenças de Alzheimer e mesmo de Parkinson.

Fonte: DN.

 

Treinar o cérebro para vencer maus hábitos

Identificar o problema, decidir a melhor forma de o eliminar, treinar, treinar, treinar e festejar os resultados. Só precisa de exercitar o cérebro para fazer o melhor por si.

O cérebro pode ser treinado. Matt Cardy/Getty Images.

Assim como podemos escolher ir ao ginásio ou fazer exercícios físicos em casa, também podemos treinar o cérebro para melhorar determinadas tarefas ou desempenhos no nosso dia-a-dia. Exercitamos o cérebro sempre que aprendemos a tocar um instrumento ou uma nova língua, quando resolvemos um puzzle ou um exercício matemático, quando recordamos histórias passadas ou até quando escrevemos à mão.

Esta segunda-feira o jornal espanhol ABC apresentou algumas das propostas do livro “Neurocoaching”, de Silvia Escribano Cuerva, Guglielmo Foffani e Fernando de Castro Soubriet. Fazer coisas novas parece ser a chave. Cada vez que desafiamos o nosso cérebro para uma nova tarefa, um novo percurso ou uma atividade feita de uma forma diferente, podemos estar a estimular novas áreas do cérebro. Porém, convém recordar que se o cérebro realiza determinadas tarefas de forma automática, é para libertar a atenção para outras tarefas que necessitam de maior foco.

Os autores associam as atividades automáticas e os hábitos de comportamento que geram um benefício ao desenvolvimento e enraizamento dos maus hábitos. Esses hábitos podem influenciar o nosso bem-estar físico e psicológico e é a motivação de cada um que ajudará a vencê-los. Mude as rotinas, substitua os maus hábitos, mas acima de tudo mergulhe no interior e perceba o que o perturba e aquilo que pretende mudar.

Descubra o que precisa de fazer para se sentir bem, mude os hábitos, repita os novos hábitos e festeje as novas conquistas. Acima de tudo não se imponha prazos, cada pessoa e cada mau hábito tem um tempo de “cura” próprio.

 

Fonte: Observador.

Sexo, mulheres e testosterona: uma relação complexa

O beijo, de Gustav Klimt, óleo e folha de ouro sobre tela, 1907-1908 DR

 

 

A testosterona parece desempenhar um papel importante nas relações amorosas de ambos os sexos. Mas nas mulheres, essa “equação” não é tão simples como nos homens. Cientista português pensa que isso acontece por razões psicológicas.

 

A testosterona é por excelência a hormona do sexo, da virilidade e do desejo masculinos. E nas mulheres? Será que esta hormona, que elas também produzem – embora em quantidades muito inferiores aos homens –, nomeadamente ao nível dos ovários, também tem efeitos sobre a libido feminina?

A acção da testosterona no cérebro humano é tornar as pessoas mais atentas aos sinais sexuais – visuais, auditivos –, e mais geralmente, estimular a imaginação sexual. Por outro lado, uma das coisas que os especialistas têm vindo a perceber nas duas últimas décadas é que “as pessoas em relações monogâmicas estáveis [ou que cuidam dos filhos] têm níveis mais baixos de testosterona do que as pessoas sem – ou com múltiplos – relacionamentos sexuais”, disse ao Público Rui Costa, psicólogo experimental do ISPA – Instituto Universitário, em Lisboa.

Esta relação testosterona/relacionamento tem sido sobretudo testada nos homens – e ao que tudo indica, verifica-se no sexo masculino. Mas em paralelo, um número mais limitado de estudos em mulheres tem igualmente vindo a sugerir que existe uma relação semelhante no sexo feminino.

Daí a pensar que quanto maior o nível de testosterona no sangue das mulheres, maior a apetência por sexo, vai um passo. “A busca pelo ‘Viagra feminino’ despertou o interesse em estudar a relação entre a testosterona e o desejo sexual nas mulheres”, explica-nos Rui Costa, que trabalha precisamente nesta área fronteira da psicologia e da fisiologia. “E muito recentemente, a testosterona passou a ser muito procurada para tratar problemas de desejo sexual nas mulheres.”

Resultados equívocos

Só que, nas mulheres, essa relação testosterona-libido é bastante menos linear do que nos homens: “Nas mulheres, os resultados são equívocos”, acrescenta Rui Costa. Há mulheres em que a testosterona aumenta o desejo sexual e outras que não reagem ao tratamento. De onde vem essa discrepância? Rui Costa procura respostas.

Numa primeira fase, este cientista quis confirmar, desta vez em mulheres portuguesas, outros estudos já feitos na Noruega, nas Filipinas, nos EUA ou no Canadá. “Fui investigar se as mulheres que estão numa relação estável têm menos testosterona do que as mulheres sozinhas.” Com a sua equipa, acaba de publicar, numa recente edição da revista Personality and Individual Differences, o primeiro estudo deste tipo realizado em Portugal.

O trabalho envolveu 73 mulheres jovens (com 18 a 35 anos de idade). Metade dessas mulheres eram estudantes universitárias e metade empregadas de supermercado, “colegas da minha mestranda” e co-autora Mónica Correia, que lá trabalhava em part-time, salienta Rui Costa. Os níveis de testosterona das participantes foram medidos através de amostras de saliva. E globalmente, os resultados confirmam o que já se pensava: níveis mais elevados de testosterona surgem associados a níveis inferiores de envolvimento romântico exclusivo – e portanto, em princípio, a uma maior disponibilidade sexual.

Diga-se antes de mais que, embora uma relação deste tipo possa existir em ambos os sexos, a causa e o efeito parecem inverter-se dos homens para as mulheres. Assim, nas mulheres, será a relação monogâmica a induzir uma redução da testosterona em circulação no organismo – ao passo que os homens “têm de ter um nível baixo de testosterona à partida [dentro da normalidade, claro] para entrarem mais facilmente numa relação monogâmica”, explica Rui Costa. “Tem havido alguma investigação que sugere que, no caso das mulheres, a relação sentimental é mais a causa e o nível baixo de testosterona o efeito”, acrescenta.  “Tenciono aprofundar esta questão.” Voltando ao estudo agora publicado, a equipa portuguesa quis ir mais longe do que os estudos anteriores, ao incluir uma variável adicional nesta “equação” – uma variável de ordem psicológica e não fisiológica como o nível de testosterona.

Mais precisamente, os cientistas quiseram saber se, em presença de um de dois traços da personalidade (extroversão e procura de sensações) que tornam as pessoas mais atentas aos estímulos sexuais, os níveis de testosterona nas mulheres deixariam de ser, por assim dizer, um indicador da sua situação sentimental. “A extroversão e a procura de sensações são dois traços da personalidade que, estatisticamente, tornam uma pessoa mais propensa ao sexo casual – e a procura de sensações tem sido por vezes associada à infidelidade”, diz Rui Costa. “E a minha hipótese de partida era que, nas mulheres mais extrovertidas [ou mais propensas a procurar sensações], não haveria diferenças de níveis de testosterona conforme elas tivessem ou não um parceiro estável. Decidi ir ver se esta relação [testosterona/relacionamento] era moderada pela propensão ao sexo casual” das mulheres.

Para isso, a equipa pediu às participantes para preencher questionários especificamente destinados a avaliar esses dois traços da personalidade. Resultado: nas mulheres que apresentavam esses traços de forma mais pronunciada, os níveis de testosterona já não eram um indicador da situação relacional.

Reconhecer as emoções

Rui Costa já passou para a fase seguinte do seu trabalho: determinar o que faz com que certas mulheres com perturbações do desejo sexual respondam positivamente à testosterona e outras não. “Estou agora a investigar quais são os traços da personalidade que explicam a correlação observada entre os níveis de testosterona e a libido”, explicou-nos ainda. Como se trata, segundo ele, de traços associados a “uma boa capacidade de reconhecer as suas próprias emoções”, o investigador está a estudar precisamente um traço que surte o efeito oposto – ou seja, que conduz a uma incapacidade de reconhecer essas emoções.

Em termos médicos, este tipo de perturbações é conhecido por “alexitimia”. Ora, mesmo sem atingirem níveis patológicos, salienta Rui Costa, muitas pessoas apresentam níveis de maior ou menor alexitimia. E as pessoas alexitímicas costumam ter um desejo sexual muito baixo. É por isso que, argumenta o cientista, perturbações como a alexitimia poderão explicar o défice de desejo sexual observado em parte das mulheres, independentemente dos seus níveis de testosterona. “É muito plausível que nas pessoas muito alexitímicas não exista uma correlação entre os níveis de testosterona e a libido”, frisa o investigador.

Esta série de experiências, também com voluntárias jovens, tem consistido na medição dos níveis de testosterona antes e depois da apresentação às participantes de dois tipos de “estímulos” que suscitam pensamentos de ordem sexual: um questionário online e excertos de filmes românticos. No questionário, é-lhes pedido para descreverem uma fantasia sexual em torno de um parceiro imaginário. “Estou interessado no estudo dos problemas sexuais na população jovem”, refere ainda Rui Costa. “Estudos psicológicos indicam que 10 a 20 % dos jovens sofrem de falta de desejo sexual.” Ora, pouca atenção é dada a esta população, quando precisamente os jovens “têm mais vergonha de consultar um médico do que as pessoas mais velhas”, frisa.

Este trabalho ainda está em curso, mas Rui Costa diz-nos que os resultados que obteve até aqui já lhe permitem concluir que, efectivamente, “a alexitimia explica a discordância observada [nas mulheres] entre os níveis de testosterona e a libido”. E acrescenta: “Constatei que nas participantes mais alexitímicas essa discordância é maior do que nas menos alexitímicas. E confirmei que pode haver dois tipos de situações: testosterona alta e libido baixa e testosterona baixa e libido alta.”

Rui Costa, que pensa que no cerne do problema está essa dificuldade em sentir as emoções, também estuda, para além da alexitimia, outras situações em que essa dificuldade se manifesta, como por exemplo quando existem mecanismos de defesa psicológicos que bloqueiam os pensamentos desagradáveis e, ao mesmo tempo, a capacidade de sentir as próprias emoções.

Estes resultados poderão ter implicações importantes em termos do tratamento da falta de desejo sexual, diz-nos ainda Rui Costa. “Se for possível explicar por que há pessoas com um nível de libido baixo apesar de terem níveis de testosterona normais – e que a causa reside na dificuldade em sentirem as suas próprias emoções –, o problema da falta de libido poderá então ser abordado através da psicologia.” Acontece que, ultimamente, o tratamento dos problemas do desejo sexual nas mulheres tem sido muito baseado na medicação, diz Rui Costa. Mas a confirmar-se a sua teoria, o investigador acha que os clínicos poderão então avaliar a personalidade das pacientes, antes de lhes prescreverem testosterona, para determinar se uma abordagem não puramente médica, mas psicológica, não seria mais eficaz. “Há estudos que mostram que, nas mulheres, a meditação de tipomindfulness, que treina a pessoa a sentir as suas emoções sem fazer juízos de valor, tem tido resultados positivos, aumentando o desejo sexual”, conclui.

Fonte: Público.

Novo tratamento do Alzheimer restaura totalmente a função da memória

 

 

Pesquisadores australianos criaram uma tecnologia de ultra-som não-invasiva que limpa o cérebro das placas amilóides neurotóxicos responsáveis ​​pela perda de memória e pelo declínio da função cognitiva em pacientes com Alzheimer.

 Se uma pessoa tem a doença de Alzheimer, isso é geralmente o resultado de uma acumulação de dois tipos de lesões – placas amilóides e emaranhados neurofibrilares. As placas amilóides ficam entre os neurônios e criam aglomerados densos de moléculas de beta-amilóide.
Os emaranhados neurofibrilares são encontrados no interior dos neurónios do cérebro, e são causados por proteínas Tau defeituosas que se aglomeram numa massa espessa e insolúvel. Isso faz com que pequenos filamentos chamados microtúbulos fiquem torcidos, perturbando o transporte de materiais essenciais, como nutrientes e organelas.
Como não temos qualquer tipo de vacina ou medida preventiva para a doença de Alzheimer – uma doença que afeta 50 milhões de pessoas em todo o mundo – tem havido uma corrida para descobrir a melhor forma de tratá-la, começando com a forma de limpar as proteínas beta-amilóide e Tau defeituosas do cérebro dos pacientes.
Agora, uma equipa do Instituto do Cérebro de Queensland, da Universidade de Queensland, desenvolveu uma solução bastante promissora. Publicando na Science Translational Medicine, a equipa descreve a técnica como a utilização de um determinado tipo de ultra-som chamado de ultra-som de foco terapêutico, que envia feixes feixes de ondas sonoras para o tecido cerebral de forma não invasiva.
Por oscilarem de forma super-rápida, estas ondas sonoras são capazes de abrir suavemente a barreira hemato-encefálica, que é uma camada que protege o cérebro contra bactérias, e estimular as células microgliais do cérebro a moverem-se. As células da microglila são basicamente resíduos de remoção de células, sendo capazes de limpar os aglomerados de beta-amilóide tóxicos.
Os pesquisadores relataram um restauro total das memórias em 75 por cento dos ratos que serviram de cobaias para os testes, havendo zero danos ao tecido cerebral circundante. Eles descobriram que os ratos tratados apresentavam melhor desempenho em três tarefas de memória – um labirinto, um teste para levá-los a reconhecer novos objectos e um para levá-los a relembrar lugares que deviam evitar.
Fonte: R7, via CienciaOnline

Sonhar acordado faz bem ao cérebro

Sonhar acordado faz bem ao cérebro

O hábito de sonhar acordado serve, afinal, para mais do que afastar o tédio e imaginar cenários fantásticos. De acordo com um novo estudo internacional, deixar a mente divagar pode trazer vantagens cognitivas, contribuindo mesmo para tornar o cérebro mais eficiente.
Investigadores da Universidade de Bar-Ilan, em Israel, conseguiram demonstrar que estímulos elétricos externos de baixa voltagem alteram o modo como pensamos, medindo, com precisão, a frequência com que o cérebro nos leva a sonhar acordados ou a ter pensamentos espontâneos.
No âmbito do trabalho publicado, este mês, na revista científica Proceedings of National Academy of Sciences, a equipa descobriu que, além de oferecer um “escape mental” durante a realização de tarefas aborrecidas, o ato de sonhar acordado tem um “efeito positivo e simultâneo” no desempenho do cérebro.
Para chegar a estas conclusões, os cientistas submeteram um grupo de voluntários a um procedimento de estimulação transcraniana por corrente direta (“tDCS”, na sigla inglês), uma técnica “não invasiva e indolor” que estimula partes específicas do cérebro.
Durante o procedimento foi pedido aos participantes que seguissem e respondessem a números que apareciam num ecrã de computador e, periodicamente, que relatassem – numa escala de um a quatro – a frequência com que experienciavam pensamentos espontâneos não associados à tarefa durante a sua realização.
“Concentrámos a estimulação elétrica na área dos lobos frontais porque esta região do cérebro já tem sido associada à divagação da mente e porque é, também, um ponto central da rede cerebral de execução de tarefas que nos permite organizarmo-nos e prepararmo-nos para o futuro”, explica, em comunicado, o investigador Moshe Bar, um dos autores do estudo.
Além de não prejudicar o desempenho dos indivíduos na realização de uma determinada tarefa, a experiência provou que sonhar acordado contribui mesmo para uma maior eficácia.

Segundo Bar, este “resultado surpreendente” pode estar relacionado com o facto de convergirem, numa única região do cérebro, os mecanismos de execução de uma função e o pensamento livre.

“Este envolvimento duplo do cérebro parece estar relacionado com a criatividade e o humor e contribui para a capacidade de uma pessoa se manter concentrada na tarefa que tem em mãos mesmo que a mente divague”, finaliza o investigador.

Clique AQUI para aceder ao estudo (em inglês).

 

ADEB: a doença bipolar não é o fim da vida

A doença bipolar não é o fim de uma vida. Na Associação de Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB) aprende-se a viver com um problema de saúde que ainda é estigmatizado pela sociedade. Os próprios familiares podem receber apoio psicológico, se necessário, e formação para poderem ser a mão amiga nos momentos mais difíceis.


Delfim Oliveira, o presidente da ADEB, tinha 40 anos quando foi diagnosticado com doença bipolar. “O meu estado de saúde físico e psíquico era deplorável e um amigo ajudou-me. Fui internado, por vontade própria, no Hospital Júlio de Matos. Foram seis meses de estado de mania, estive 15 dias internado, um ano em ambulatório e mais um em convalescença.” O diagnóstico foi rápido, “felizmente”, mas garante que “lhe desabou o teto do mundo na cabeça”.

Não aceitou a doença, mas reconheceu que teria de tomar medicação para o resto da vida e que “tinha de aprender a viver com esta nova realidade”, refere. Já lá vão 25 anos e o presidente da ADEB só voltou a ter duas recidivas no início – o que é habitual – e de hipomania. Uma das razões está na maneira como enfrenta o problema. “A minha vida deu uma reviravolta e percebi que só com medicação e apoio conseguiria – como aconteceu – aprender a viver com doença bipolar.”

Conseguiu de tal maneira que, além de ter recuperado muito do que (quase) perdera, consegue ainda hoje estar à frente da associação que mais tem lutado para dar a conhecer a doença unipolar e bipolar e pôr um fim no estigma que existe em torno de tudo o que seja doença mental.

A ADEB existe desde 1991 e tem dado apoio a muitos doentes e familiares/cuidadores, “além de contribuir para veicular a informação dos vários profissionais de saúde, quer sejam psiquiatras e psicólogos ou médicos de Medicina Geral e Familiar”.

A doença bipolar: viver num (des) equilíbrio de emoções

Estima-se que afete cerca de 1 a 1,5% da população e nem sempre é fácil chegar-se ao diagnóstico. “A dificuldade em se obter informação não ajuda a reconhecer os sinais da doença, o que dificuldade o aceitar da mesma de modo a que se possam procurar as respostas adequadas para o tratamento necessário”, explica Sérgio Paixão, psicólogo clínico da ADEB.

E continua: “Acompanhamos pessoas que só souberam do seu estado clínico já muito tarde, porque costumavam ir ao médico apenas quando estavam em depressão. Sendo assim, o médico de família receitava-lhes, como é recomendado, medicamentos para esse problema. Quando estavam em hipomania, achavam que estavam bem e não iam ao médico. Logo, nestes casos, é muito difícil fazer o diagnóstico correto.”

Esta é uma das dificuldades que mais se enfrenta quando se fala de doença bipolar. Os pacientes não conseguem perceber o que sentem e não procuram ajuda numa fase precoce. Mas um diagnóstico tardio também se pode dever à negação da própria pessoa em reconhecer a doença, como refere Sérgio Paixão. Felizmente que a situação está a melhorar, há mais informação e mais pedidos de ajuda.

“Os médicos de família são muito importantes neste processo, ao referenciar o doente numa fase inicial e fazendo o devido encaminhamento”, reconhece. Não é fácil receber a notícia de que se tem uma doença mental crónica que ainda é muito estigmatizada na sociedade. “A reação mais habitual é de negação”, afirma Sérgio Paixão. O psicólogo considera que os familiares também podem ser muito afetados com o diagnóstico. “Muitos não sabem como lidar com a situação e, no caso dos pais, é o pensar que os sonhos que tinham para os filhos estão todos a cair.”

A ADEB tem prestado, ao longo dos seus 25 anos, um apoio que começa, muitas vezes, no serviço SOS apoio telefónico ADEB e, sempre que se justifique, é aconselhado um encaminhamento para o Serviço de Reabilitação Psicossocial. Nesta valência, o acompanhamento individual, realizado por um dos psicólogos clínicos, consiste no desenvolvimento de sessões para aquisição de novas competências para lidar com a gravidade da doença unipolar ou bipolar, de modo a promover o autocuidado e reintegração da pessoa na vida ativa, com ganhos de saúde e mais qualidade de vida.

De realçar também os grupos de autoajuda, que são uma das mais-valias nestas situações e uma das valências da ADEB, como forma de as pessoas partilharem entre si experiências e de se ajudarem umas às outras, segundo Delfim Oliveira. Além disso, a associação tem sempre a “porta aberta” para se pedir apoio psicológico.

A importância dos familiares numa doença de difícil diagnóstico

“É muito importante ter o apoio de quem está próximo. Nas crises é mais fácil alguém dar-nos a mão para nos podermos levantar”, refere Delfim Oliveira.

Sérgio Paixão concorda: “Na fase de depressão a pessoa sente-se muito mal e até tem noção de que não está bem, mas nas fases de mania (euforia) sente-se demasiado bem e não procura ajuda. É preciso que esteja alguém ao seu lado e o faça por ela.”

“Ambos os episódios podem trazer um sofrimento muito grande. Na euforia há uma enorme tendência para se ter comportamentos desadequados, que podem pôr em risco a estabilidade pessoal a vários níveis.” Esses momentos acabam por ser «demolidores», “porque, depois, ao surgir normalmente a depressão, ao necessitarem de ajuda, já nem sempre a têm, pelos conflitos relacionais que surgiram no episódio anterior e que levaram ao afastamento de quem estava mais próximo”, esclarece o psicólogo.

Na infância e na adolescência, é ainda mais difícil obter um diagnóstico. “Geralmente, costuma-se ter mais cuidado com o diagnóstico final, mas por vezes é inevitável não se dizer que é perturbação bipolar”, refere Sérgio Paixão.

Precisamente a pensar nesta realidade, a ADEB aposta também bastante na ajuda aos familiares. “Acompanhamo-los, dando apoio psicológico se for necessário e dando formação para saberem lidar com as diferentes fases da doença e para prevenirem possíveis complicações.” De facto, há quem entre em depressão ou venha a sofrer de distúrbios de ansiedade, “principalmente pelas consequências que a doença provoca nas relações familiares”.

Outro obstáculo é a formação. “Dos quatro mil associados da ADEB, apenas 10% são familiares. Na saúde mental, é fundamental ter o apoio dos familiares e estes, por sua vez, necessitam saber lidar com a doença”, frisa Delfim Oliveira. Apesar dos apoios da associação, “tendem a ficar na retaguarda e depois desconhecem o que fazer e surgem comentários depreciativos, como, por exemplo, durante as recidivas”. Comentários que não ajudam em nada nos momentos mais graves e que revelam incompreensão por parte de quem está mais próximo”.

É importante também aprender a diferença entre o que é característico da doença e o que faz parte da personalidade da pessoa, “para se evitar comportamentos e atitudes que não ajudam e, por outro, para a própria pessoa com a doença não a utilizar para desculpar certos atos”, aponta o psicólogo. Sem formação, “dificilmente se consegue evitar estas situações e a família tem de ter consciência da necessidade de se (in) formar.”

O estigma ainda fala mais alto 

Passaram 25 anos desde que Delfim Oliveira descobriu que sofria de doença bipolar. As mudanças têm-se feito sentir. “Existe uma maior evolução nos tratamentos e a patologia já é mais conhecida da população, assim como dos vários profissionais de saúde.” Contudo, “ainda há muito a fazer”. Existem muitas pessoas que, apesar de serem excelentes profissionais, receiam falar da doença no seu local de trabalho, nem que seja para levar um papel de justificação de que foram a uma consulta na associação. Uma atitude compreensível para o presidente da ADEB, tendo em conta que as entidades profissionais e os colegas de profissão ainda veem com maus olhos a bipolaridade.

“Há também quem dê apoio, mas a maioria discrimina”, garante. Neste campo da (in) formação ainda há muito a fazer, de acordo com Delfim Oliveira. Sérgio Paixão pensa o mesmo: ”É preciso dar mais informação e os profissionais de saúde, as associações e todos os parceiros envolvidos na saúde mental devem falar da doença bipolar e desmistificar a ideia de que são pessoas que estão sempre incapacitadas para terem uma vida social e profissional e que são perigosas, criando grandes problemas.”

E acrescenta: “Hoje, conquistou-se a possibilidade de se ter uma atitude preventiva, evitando cada vez mais as recidivas graves, o que proporciona mais qualidade de vida. Esta conquista é possível para cada um na medida da adesão ao tratamento e cuidados a ter no dia-a-dia.”

Delfim Oliveira relembra que “há muitos doentes bipolares empregados e que são excelentes profissionais. Basta terem acompanhamento e aprenderem a viver com este problema de saúde”.

Várias valências que melhoram o bem-estar e a qualidade de vida

A ADEB aposta em várias vertentes, “porque a reabilitação é um todo, composto de várias etapas”, como refere o presidente da ADEB. Nesse sentido, existem sete valências: reabilitação psicossocial, promoção de ações de educação médica e especializada, apoio à célula familiar, apoio e reorientação aos utentes desempregados, apoio ao adolescente, fórum sócio ocupacional e apoio domiciliário.

No caso dos fóruns socioprofissionais, existem várias atividades de grupo, como yoga, música, pintura, fotografia e poesia. “Temos compilado antologias poéticas e também textos em prosa. É a forma de melhorar a autoestima das pessoas, de elas próprias darem a conhecer a sua veia artística e de desabafarem”, salienta o responsável da ADEB.

Um futuro incerto … com falta de verbas

A crise tem afetado a ADEB, como tem acontecido com a maioria das associações. “Antes de mais, a maioria dos associados não paga as quotas, o que nos impede de ser financeiramente independentes”, sublinha Delfim Oliveira. A alternativa tem sido pedir apoios, nomeadamente aos laboratórios. “Estão estabelecidos protocolos, mas, na prática, não são cumpridos desde 2013. O dinheiro não aparece e ninguém dá uma explicação.”

Apesar das dificuldades, o responsável acredita que o mais importante é que “se continua com portas abertas à população”. Espera é que esta realidade se prolongue por muito mais tempo e “que a falta de verbas não venha a pôr em causa esta ajuda tão importante para doentes e familiares”.

Uma mão amiga que é fundamental que continue a existir, pois, “faz toda a diferença na recuperação e na prevenção de recidivas, pelo menos das mais graves“. E Delfim Oliveira é o exemplo de como este apoio é a pedra angular que ajuda na caminhada da vida e que ensina a viver com a bipolaridade, sem se deixar que a doença impeça a felicidade.

Fonte: site ADEB.