Suicídio e depressão é quatro vezes mais provável em crianças abusadas

O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça (SPPPJ), Fernando Almeida, afirmou que a probabilidade de depressão grave ou suicídio é quatro vezes maior em crianças abusadas sexualmente. Fernando Almeida proferia uma conferência sobre “Agressividade: Entre a neurobiologia e a cultura”, na abertura do 1º Congresso Internacional da SPPPJ.
O especialista citou diversos estudos do comportamento de ratos, macacos e seres humanos que demonstram que as perturbações anti-sociais da personalidade têm um elevado grau de associação com agressões violentas na infância e com a separação ou falta de afecto da mãe.
Fernando Almeida deu como outro exemplo o aumento dos índices de agressividade e suicídio nos homens expulsos com desonra de uma corporação militar. “O próprio meio induz alterações, cicatrizes neurológicas, que, quanto mais precoces, mais gravemente afectam os indivíduos”, afirmou.

O professor do Instituto Superior da Maia (Ismai) salientou que “a agressividade atinge todos os níveis sócio-culturais”, mas a probabilidade de uma pessoa ter comportamentos agressivos é maior nos meios economicamente mais desfavorecidos. “O mimo excessivo também é tóxico”, sublinhou, destacando a responsabilidade que pais e educadores têm de incutir nas crianças e jovens “o respeito pelo outro”.

Fernando Almeida classificou a agressão como “a doença do encontro”, realçando a importância que a evolução científica, nomeadamente na área da neurobiologia, tem na prevenção e tratamento de comportamentos excessivamente agressivos. O especialista salientou que os avanços da ciência permitem concluir que “o meio altera a microestrutura do cérebro” e que as duas partes deste (hemisférios direito e esquerdo) desempenham funções diferentes.

Fernando Almeida comparou o cérebro ao Parlamento português, afirmando que o lado direito é “mais conservador” e o esquerdo “mais aberto ao risco e à mudança”. Na opinião do professor universitário, é possível que novos medicamentos venham “atenuar” alguns comportamentos agressivos do ser humano, mas nunca eliminá-los. “É improvável, e não é equacionável, que algum dia tenhamos um produto que controle o comportamento do homem”, afirmou, notando que o comportamento humano e a cultura estão a evoluir ao mesmo tempo que a ciência progride.

Fonte: Ciência Hoje.

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