Consumo de medicamentos para défice de atenção mais que triplicou em quatro anos

O consumo de medicamentos para as perturbações do défice de atenção mais do que triplicou em quatro anos em Portugal, onde no ano passado foram vendidas em média mais de 280 embalagens por dia, segundo dados oficiais.

De acordo com Miguel Palha, haverá em Portugal entre 100 mil e 120 mil crianças e jovens com hiperactividade com défice de atenção.

Observando os dados do Infarmed, este médico considera que estarão a ser tratados apenas um quinto dos casos existentes no país.

A característica básica da perturbação da hiperactividade com défice de atenção é um padrão persistente de falta de atenção e de impulsividade ou irrequietude, que geralmente melhora, embora por vezes de forma incompleta, na idade adulta.

Habitualmente, o primeiro diagnóstico da perturbação é feito durante os primeiros anos de escolaridade, quando a adaptação à escola começa a ficar comprometida.

Aliás, Miguel Palha explicou que só se actua, na prática, com medicação em três casos: quando há dificuldade de aprendizagem, quando se verifica uma perturbação da dinâmica da sala de aula ou nos casos em que a dinâmica familiar fica comprometida.

«Se uma criança não consegue aprender a ler e se apresenta muito distraída ou irrequieta, proponho um período experimental de terapêutica farmacológica, porque, caso contrário, terá o seu futuro hipotecado», exemplificou o especialista em entrevista à Lusa, relembrando que os médicos prescrevem, essencialmente, fármacos para o défice de atenção e não para a hiperactividade.

Até porque as perturbações de défice de atenção podem surgir associadas a vários tipos de patologia do foro médico (hipotiroidismo, por exemplo), do desenvolvimento (perturbação de hiperactividade com défice de atenção, entre outras) e do foro da psiquiatria, como a depressão ou a ansiedade.

«Uma criança pode ser irrequieta e não ter qualquer perturbação do desenvolvimento, pelo que a decisão da medicação é casuística e clínica. É decidido caso a caso», acrescentou.

Miguel Palha não tem dúvidas de que a medicação é a componente terapêutica com maior eficácia no que concerne à intervenção em casos de hiperactividade com défice de atenção: «a intervenção comportamental é meramente adjuvante».

Em crianças e adolescentes com estas perturbações existe um maior risco de ocorrerem problemas de abuso ou dependência de drogas, porque se vive num círculo vicioso de insucesso, problemas pessoais, familiares, escolares e sociais.

«Quando eficazmente tratados, com medicação, o número de casos de abusos de substâncias e de comportamentos anti-sociais destes jovens diminui», realça Miguel Palha.

O metilfenidato tem como principais efeitos secundários a redução do apetite e a insónia e, raramente, dores de cabeça, que desaparecem nas primeiras semanas de terapêutica.
Quanto à reacção dos pais face à medicação, a experiência de Miguel Palha revela que é muito variável: «muitos pais têm receio de dar medicamentos aos filhos, enquanto outros estão tão desesperados e à beira de um ataque de nervos que aceitam muito bem».

Fonte: SOL.

2 thoughts on “Consumo de medicamentos para défice de atenção mais que triplicou em quatro anos

  1. Laura Sofia Moniz

    Sou a Sofia tenho 22 anos e em criança foi – me diognisticado a hiperatividade e tomava retalina mas deixei de tomar desde os meus 15 anos e gostava de saber se na façe adulta uma pessoa com esta deficiencia deve continuar a tomar.

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