Telemóvel: nova forma de adição

Estar numa sala de aulas não é razão para a maioria dos jovens deixar de utilizar o telemóvel. Um estudo do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) conclui que seis em cada dez alunos mantém o telemóvelligadona escola. Até porque a maioria (57%) afirma que se sente “muito ansioso quando não pode ter” o aparelho e 74% diz que o telemóvel “só lhe é útil se estiver constantemente ligado”.

De acordo com os autores do “E-generation: os usos de media pelas crianças e jovens em Portugal”, são muito poucos os que não têm telemóvel (a maioria recebeu um aos 11 anos). E menos ainda os que imaginam as suas vidas sem este meio de fazer chamadas e trocar mensagens com os amigos. Em média, fazem 3,6 telefonemas por dia e enviam 26 mensagens, refere a investigação, baseada num inquérito a 1353 crianças e jovens até aos 18 anos. Mas há quem chegue às 80 chamadas diárias e às 99 SMS.

O uso de telefone é tão comum que 21% admite nunca desligar nem retirar o som do aparelho em velórios e funerais, em missas (23%) ou em consultas e tratamentos médicos (29%).

“Não é aceitável e evidencia quase o comportamento aditivo”, comenta Fernando Gomes da Confederação das Associações de Pais (Confap). Afirmando não “ficar surpreendido” com estes resultados, o representante dos pais sublinha a necessidade de uma educação para o uso destes aparelhos. “Muitas escolas têm nos seus regulamentos proibições de uso, mas que não são respeitadas pelos alunos”, lembra, acrescentando, no entanto, “que esta proibição deve ser respeitada por todos”, incluindo os professores.

Além das chamadas e mensagens, “mais de metade tem câmara digital incorporada”. Em média, as crianças e jovens tiram seis fotografias por semana. Destas, 1,3 são enviadas para outras pessoas, com os valores máximos a chegarem às 15 imagens trocadas.

Factura chega aos 200 euros por mês

Dezanove euros é o custo médio que os jovens dizem ter com o telemóvel por mês, mas os valores variam dos cinco aos 200 euros para os mais gastadores. É entre os 16 e os 18 anos que a factura é mais pesada, com a média a subir para perto de 30 euros. Os amigos são os principais destinatários das SMS (77%) e só 17,6% as envia habitualmente para a família. Uma grande percentagem (45%) admite que só algumas das comunicações que faz são efectivamente necessárias e apenas 14% refere que todas as mensagens e telefonemas realizados são mesmo precisos. Quase metade troca mensagens para namorar, 32% já aceitou um encontro amoroso por esta via e 21% usa-as para seduzir alguém. Mas 80% admite que com telemóvel é mais fácil ser controlado pelos pais.

O caso da Carolina Michaelis

Foi o caso que colocou o País a discutir a violência nas escolas. Na Carolina Michaelis, no Porto, uma aluna agrediu uma professora para recuperar um telemóvel enquanto os colegas assistiam e um deles filmava. O vídeo na internet foi visto e revisto, alimentou páginas de jornais, levou o Presidente da República a afirmar-se “chocado” e a chamar o procurador-geral da República a Belém. A primeira medida da escola foi confiscar todos os telemóveis, mas o caso ficou encerrado quando a aluna foi sancionada com a transferência para outra instituição, o mesmo acontecendo com o colega que filmou.

RADIOGRAFIA

84% Quase todos os alunos, dos 9 aos 18 anos, tem telemóvel.

11 anos é quando recebem, em média, o primeiro telemóvel.

4 chamadas são feitas por dia, em média.

26 mensagens são enviadas diariamente, mas há quem chegue às 99.

28,6% diz que a vida ficaria pior sem telemóvel.

Fonte: Correio da Manhã.

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