Soldados americanos: viciados em antidepressivos

É uma arma cada vez mais utilizada pelos militares dos Estados Unidos. Milhares não conseguem combater sem ela. Os antidepressivos tornaram-se numa prática tão comum no Exército que muitos não conseguem abdicar deles quando regressam a casa.

De acordo com a revista ‘Time’, os antidepressivos são um fenómeno crescente e o Pentágono, discretamente, aprovou o seu uso. Pela primeira vez na História um número considerável de tropas americanas está a tomar doses diárias de antidepressivos e de comprimidos para dormir para resistir às prolongadas missões no Iraque e no Afeganistão.

O sargento Christopher LeJeune, de 34 anos, relata a experiência vivida em Bagdad, de onde regressou ao seu país em 2004. “Nunca sabemos onde estão os inimigos. Quando fazemos buscas na casa de alguém pensamos que são terroristas, mas ao entrarmos vemos sapatos minúsculos e brinquedos no chão. Coisas deste género começaram a afectar-me mais do que julgava”, recorda o militar, cujo desânimo era crescente. Foi-lhe diagnosticada depressão e o médico o enviou para a guerra armado com uma caixa de Zoloft e outra do ansiolítico Clonazepam.

“Não é fácil para um soldado admitir os seus problemas mas quando admite a única solução apresentada é o medicamento”, diz. “Sentia-me como se estivesse sempre drogado”, acrescenta. Até que um ano depois parou a medicação. “Comecei a tentar combater sozinho os meus demónios”, explica.

O número de militares dos Estados Unidos que sofre de doenças mentais é crescente e o stress manifesta-se em problemas como ansiedade, irritabilidade, dificuldade em dormir, apatia e pessimismo. Em casos extremos a situação evolui para crises de pânico, fúria, tremores e paralisia temporária.

No último Outono, cerca de vinte mil militares no Afeganistão e Iraque tomavam antidepressivos. O pior neste consumo indiscriminado são os efeitos secundários, como por exemplo o aumento do risco de suicídio no grupo etário dos 18-24 anos, o mais numeroso no Exército americano. Além disso, enfraquecem a memória e a capacidade de discernimento. Quando os militares regressam a casa os problemas acompanham-nos, contribuindo para a destruição de casamentos, para transtornos psiquiátricos e até, no extremo, para suicídios.

Baixas: Desde o início da guerra no Iraque (Março de 2003) morreram 4091 norte-americanos no Iraque e 513 no Afeganistão. O Reino Unido teve 176 baixas no Iraque e cem no Afeganistão.

5-6 horas por noite dormem os soldados norte-americanos no Iraque, aquém das 7-8 horas consideradas necessárias para se recuperar.

300 000 militares norte-americanos que serviram no Afeganistão e Iraque sofrem de depressão ou de stress pós-traumático.

Problemas mentais: Após três missões em combate cerca de 30% dos soldados norte-americanos sofre de sérios problemas mentais, segundo alertou num congresso em Março passado o coronel Charles Hoge, psiquiatra.

Fonte: Paulo Madeira com agências, no CM.

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