Psicopatas tendem a usar colegas para subir na carreira profissional

Um psicopata não criminoso tem, ao contrário dos que cometem acções punidas pela justiça, características que lhe permitem “uma rápida escalada de poder em algumas profissões”, disse ao DN Catarina Iria, membro do Centro de Psicopedagogia da Universidade de Coimbra. “Prejudica os outros e utiliza-os em seu benefício para subir na empresa, eliminar a concorrência ou manter–se no poder por formas moralmente censuráveis, ainda que nunca chegue a cometer actos ilícitos”, explicou esta especialista forense.

A cientista, que hoje lança o livro Psicopatas Criminosos e Não Criminosos: Uma Abordagem Neuropsicológica, em co-autoria com Fernando Barbosa, investigador do Laboratório de Psicofisiologia da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, considera, no entanto, que entre estes dois tipos de indivíduos há traços comuns de personalidade. Entre eles, a “deficiente capacidade empática, pobreza de afectos, egocentrismo, impulsividade e tendência para um comportamento anti-social”.

“A tendência para um comportamento anti-social pode ser distinto do comportamento criminal, uma vez que o primeiro abrange desde a simples mentira até crimes graves punidos pelo processo penal”, explicou Catarina Iria. A grande diferença, disse, ” consiste no facto de os psicopatas criminosos terem sido sinalizados”, ou seja, “descobertos pelo sistema judicial, e os psicopatas não criminosos nunca o terem sido”. Contudo, frisou, “também nós não podemos garantir se, neste último caso, os psicopatas não criminosos não cometeram crimes ou simplesmente nunca foram descobertos, por conseguirem ludibriar a polícia”.

“Felizmente, começam a surgir mais estudos sobre esta população de psicopatas ditos “bem sucedidos” e, no futuro, continuaremos a buscar um maior conhecimento acerca destas pessoas”, afirmou. Aliás, os autores deste livro esperam que ele “auxilie na desmitificação de algumas ideias acerca dos psicopatas, nomeadamente as que consideram que todos estes indivíduos são inevitavelmente criminosos, quando a maioria deles nunca chega a sê-lo, com ou sem disfunções neuropsicológicas”.

O livro que hoje será apresentado ma Universidade de Coimbra é dirigido sobretudo a profissionais forenses e, dado que nele se faz uma síntese dos critérios classificativos da psicopatia, assim como uma revisão do conhecimento científico sobre a psicobiologia desta perturbação, pode também ser utilizado como manual para estudantes da área criminal.

Fonte: DN.

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