“Há crianças de 7 anos em coma alcoólico”, diz Ministra da Saúde

“Não é raro” chegarem aos hospitais, nesta altura do ano, crianças com sete, oito ou nove anos em coma alcoólico, devido aos festejos de final do ano escolar. A afirmação é da ministra da Saúde, Ana Jorge, que falava, ontem, à margem do Fórum Nacional sobre o Álcool, que decorreu em Coimbra. O comentário da ministra tem por base “a sua experiência de 30 anos de pediatra hospitalar”, revela ao DN fonte do Ministério. A responsável pela pasta da Saúde fez também questão de recordar que o álcool causa “lesões cerebrais gravíssimas e irreversíveis” e pode estar na origem “do insucesso escolar e de perturbações do desenvolvimento da criança”, bem como no feto, nos casos de consumo pelas mulheres grávidas.

Ana Jorge foi chefe do serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Contactado pelo DN, o presidente do conselho de administração deste hospital, Álvaro Carvalho, confessa: “tenho algumas dúvidas que sejam assim tantos casos”. “Em rigor não tenho nenhuma informação concreta deste tipo de casos”, acrescenta o responsável.

Já o pediatra e director da unidade de Pediatria do Hospital Santa Maria, em Lisboa, Gomes Pedro, adianta ao DN que não tem conhecimento de crianças tão novas em coma alcoólico, atendidas no seu serviço. “O que há são miúdos mais velhos de 12,13 ou 14 anos que agora nas férias de Verão ficam até mais tarde com os amigos na praia e acabam por ficar alcoolizados”, explica. Acrescenta que “por vezes até têm que ficar dois dias internados, em observação”. As crianças acabam por recorrer ao álcool porque este “é um desinibidor”, justifica Gomes Pedro. Por isso, “quando, muitos deles, saem à noite, tentam antes alguma desinibição, que encontram nas bebidas alcoólicas”, esclarece.

Embora não tenha memória de crianças em coma alcoólico aos sete anos, Gomes Pedro alerta para a “antecipação progressiva do primeiro contacto com o álcool”. Algo que se tem vindo a registar em Portugal, por volta dos 12, 13, refere o pediatra.

Beber é ser português

Para a ministra da Saúde, citada pela Lusa, o consumo frequente e excessivo de bebidas alcoólicas traduz “uma realidade que está ligada ao ser português”. Um problema que não atinge só homens adultos, mas também mulheres e crianças, alertou Ana Jorge, durante o Fórum Nacional sobre o Álcool.

Na sua opinião, “o consumo de álcool é também extensivo às mulheres, mas de uma forma mais surda”. No tratamento dos doentes alcoólicos, o médico de família é fundamental na primeira abordagem, considerou a ministra. A ministra recordou também que o consumo excessivo de álcool “está na origem de muitos acidentes rodoviários e casos de violência interpessoal, como a violência doméstica”.

Fonte: DN.

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