Restrição ao tabaco dá ganhos em saúde

A proibição do fumo em espaços públicos ou de trabalho está a traduzir-se no decréscimo da afluência de doentes a emergências hospitalares em países que adoptaram a medida, diz um relatório da Organização Mundial de Saúde.

A OMS apelou, ontem, a que todos os países levem à prática medidas proibitivas do fumo activo e passivo. Esse apelo fundamenta-se num relatório de peritos que afirmam haver provas irrefutáveis de ganhos em saúde nas sociedades em que tais medidas foram adoptadas há mais tempo. Tais ganhos expressam-se, por exemplo, pela diminuição de atendimentos de emergência hospitalar devido a problemas cardíacos. No apelo que lança à comunidade internacional, a OMS refere que a melhoria dos níveis de saúde é notória ao fim de algum tempo e que as restrições não prejudicaram actividades económicas como os restaurantes e os bares.

O Reino Unido, que entra agora no segundo ano de restrições ao tabagismo, já há alguns dados indicativos de que 400 mil pessoas deixaram de fumar. O estudo feito a um grupo de mil pacientes com problemas do foro respiratório mostrou terem sido reduzidos em 56% os ataques de falta de ar; 39% desses doentes garantiram que o facto de terem deixado de ser fumadores passivos os afastou das idas ao hospital. No País de Gales, onde as restrições começaram há mais de de dois anos, terão diminuído em 13% os casos de ataque cardíaco nos três meses de outono do ano passado.

Em Portugal, de acordo com o presidente da Confederação Portuguesa para a Prevenção do Tabagismo, não são ainda conhecidos dados, até porque se está apenas a seis meses do início das restrições. Luís Rebelo defende que devia haver grupos de pessoas a ser monitorizados e que representassem patologias como a cardíaca e a respiratória. Tais grupos seriam também comparados com outros, constituídos por pessoas saudáveis. O acompanhamento requeria a monitorização, como a feitura de análises ao sangue e a avaliação da capacidade respiratória.

Luís Rebelo garante que “mesmo sem estudo, não tem dúvidas como médico de família, de que a saúde dos portugueses está melhor” desde o começo de Janeiro. Em ex-fumadores, afirma, podem sempre verificar-se os ganhos a curto, médio e longo prazo. Adianta ainda ter conhecimento da experiência italiana que, já com mais algum tempo de proibição de fumo em espaços públicos fechados, foi notório o decréscimo dos enfartes. Para Luís Rebelo, a realidade portuguesa, que por enquanto não está retratada em números, seguirá um princípio já provado em estudos sociológicos: tal como fumar se aprende em grupo, também é em grupo que se deixa de fumar. “É contagioso”, assegura.

Fonte: Eduarda Ferreira em JN.

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