Álcool e tabaco mataram 16 mil pessoas num ano

O tabaco matou três vezes mais portugueses do que o álcool, em 2005, e teve uma factura na saúde 2,6 vezes superior. Os dados revelados ontem alertam para a necessidade de dar mais visibilidade à epidemia do fumo, apesar de os dois vícios se reforçarem mutuamente.

Despesa em 2005 ascendeu a 700 milhões de euros

O tabaco e o álcool provocaram 16059 mortes a portugueses em 2005, de acordo com dados de um estudo apresentado ontem pelo economista Miguel Gouveia. Isto significa que 15% das mortes registadas nesse ano foram associadas a estas duas causas. A investigação permitiu ainda concluir que o consumo do tabaco foi triplamente mais fatal para os portugueses do que o álcool. Um indicador de que o tabagismo deve ser uma prioridade para o sistema de saúde nacional.

Miguel Gouveia, investigador da Universidade Católica, demonstrou com dados objectivos que o consumo de cigarros foi responsável por 11,7% dos 108 mil óbitos registados em 2005 (dados do INE), neste caso, 12615. A estes juntam-se os causados pelo consumo abusivo de álcool, 4054 ao todo.

Os cigarros são ainda responsáveis pela perda de 73 675 anos de vida (DALY), por morte prematura, mais do dobro dos relacionados com as bebidas alcoólicas. As incapacidades mensuradas no estudo não se relacionaram apenas com a morte. Na verdade, os estragos podem ser medidos pelo número de anos de vida perdidos por incapacidade, “perdas de saúde devido a doença não fatal”, segundo Miguel Gouveia. O tabaco gerou 146 mil anos de vida perdidos contra 43 mil relativos ao álcool.

A pneumologista Margarida Borges lembra que a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma das grandes razões para o facto de o peso do tabaco ser aqui 8,7 vezes superior ao das bebidas alcoólicas. “É uma doença que ainda não se valoriza, mas que não é totalmente reversível mesmo quando se deixa de fumar. Com o tempo, a pessoa vai tendo mais dificuldade em respirar”, o que é altamente incapacitante até para desempenhar as tarefas mais simples do dia-a-dia. Somando os anos perdidos por incapacidade ou por morte, o tabagismo tem um valor 3,5 vezes superior ao do álcool: 145 mil DALY contra 41 mil. Apenas um quarto desta “carga” é associada às mulheres.

Carga de 700 milhões de euros

Já no ano passado, por altura da apresentação do estudo apenas relativo ao tabaco, se conheceu a dimensão e o peso económico assustador que a epidemia do tabaco tem no País. Os custos do tratamento ascendem a 490 milhões de euros, incluindo as despesas de internamento hospitalar, medicamentos, exames ou consultas, entre outros gastos.

Ontem, o grupo de investigadores somou a esta despesa uma factura de 189 milhões de euros associados, desta vez, ao consumo abusivo do álcool. São 700 milhões de euros gastos pelo Serviço Nacional de Saúde em doentes com complicações associadas a doenças atribuíveis ao tabaco. O valor sobe a 2,7 mil milhões de euros, se se englobar outras doenças associadas ao tabaco e ao álcool, mas não apenas derivadas do consumo em si.

Miguel Gouveia sublinha que é necessário lembrar que “não há nenhum nível moderado de consumo de tabaco que seja benéfico”, ao contrário do álcool. Perante o peso do tabaco em relação ao álcool, recorda que “os problemas ligados ao álcool tiveram mais visibilidade, além de que há mais instituições a combater os males do álcool”. Dar visibilidade aos problemas do tabaco é urgente.

Fonte: Diana Mendes no DN.

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