Maioria dos alunos do superior faz automedicação

A maioria dos estudantes universitários recorre à automedicação para alcançar um bom rendimento face ao esforço intelectual que lhes é exigido e ao desgaste da sua activa vida nocturna, concluiu um estudo agora divulgado.

Realizada em Fevereiro do ano passado, a pesquisa abrangeu 1.004 estudantes universitários, com uma idade média de 19 anos, das áreas das ciências da saúde, mas também de gestão, administração e línguas.

Segundo Marina Brás Oliveira, uma das autoras do estudo realizado pela Escola Superior de Saúde de Viseu, a automedicação foi identificada na maioria (52,4%) dos inquiridos, o que é “uma elevada prevalência” desta prática, que consiste na toma de fármacos sem orientação clínica.

A automedicação é mais frequente nas mulheres (53%), nos residentes em áreas rurais (57%) e nos estudantes mais velhos (58% na faixa etária entre os 25 e 29 anos), de acordo com o estudo.

Quanto à área de estudo, verifica-se que são os estudantes de enfermagem que apresentam maior incidência (64%) de consumo de fármacos por iniciativa própria.

Relativamente ao tipo de medicamentos, os mais consumidos foram os analgésicos (31%), hormonais, incluindo a pílula contraceptiva, quando tomada sem orientação médica (15%) e anti-inflamatórios contra as doenças reumáticas (14%).

A maioria dos inquiridos (56%) garantiu que tinha conhecimento teórico suficiente para tomar estes medicamentos, enquanto 21% seguiu o conselho de um familiar ou amigo e 15% orientou-se pelo farmacêutico.

As conclusões surpreenderam os autores, principalmente porque a população estudada era “jovem e à partida saudável”.

Mas são as razões invocadas que mais preocupam os autores do estudo. “Quer dizer que alguma coisa se passa”, considera Marina Brás Oliveira, apontando como causas para estes elevados consumos o “estilo de vida, stress ou o esforço intelectual a que estes estudantes estão sujeitos, mas também pela sua vida nocturna que é bastante activa”, afirmou.

Os estudantes estão a recorrer à terapêutica para “terem o rendimento de que necessitam”, segundo Marina Brás Oliveira, que critica “a facilidade com que as pessoas hoje em dia se podem automedicar”, porque, “tal como todos os medicamentos”, os analgésicos – os mais consumidos pelos inquiridos – “têm contra-indicações”.

“Se hoje não me estou a sentir bem, tomo um analgésico e fico melhor, amanhã, perante o primeiro sintoma de alguma falência, cansaço ou dor, recorro imediatamente ao analgésico, porque já sei que terei um resultado favorável”, disse, defendendo “campanhas de informação” junto dos estudantes.

Fonte: JN.

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