Hiperactividade atinge cerca de 250 mil adultos

Pode surgir na infância e perdura na adolescência e fase adulta. Caracteriza-se por uma grande inquietação, dificuldade de concentração e, na fase adulta, pela dificuldade ou até mesmo incapacidade de satisfação. A perturbação de hiperactividade com défice de atenção tem, contudo, tratamento.

Especialista diz que a desordem tem tratamento

Humberto, hoje com 50 anos, ainda se lembra de ser um rapazinho de seis anos e de não conseguir estar mais de uma hora dentro de casa. A irrequietude era tal que o pai teve de instalar um sistema para que a porta da rua não se fechasse e ele pudesse entrar e sair vezes sem fim. Sem saber, a sua necessidade de acção permanente, alternando o foco de atenção – que se mantém ainda agora -, seria hoje diagnosticada pelos médicos como perturbação de hiperactividade com défice de atenção (PHDA).

Estima-se que esta desordem atinja entre oito e 12% das crianças a nível mundial. O que poucos sabem é que “a perturbação permanece na adolescência e na idade adulta em cerca de metade das situações em que existe diagnóstico na infância”, disse ao DN o psiquiatra Carlos Filipe, que dirige o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIM) e que tem seguido o fenómeno, sendo procurado por “centenas” de adultos. As estimativas mais prudentes avançam que a PHDA afecta até 2,5% da população adulta portuguesa (cerca de 250 mil pessoas), o que é “uma prevalência muito considerável”, da mesma ordem de grandeza da diagnosticada para a esquizofrenia, observa aquele clínico. Há outras estimativas internacionais que avançam mesmo para cerca de 5,0% dos indivíduos.

Não é, por isso, de estranhar que Humberto (nome fictício) tenha experimentado inconstância no período da adolescência, passando por dois cursos diferentes antes se decidir pela sua opção final. Embora tenha conseguido concluir os estudos com sucesso e mantenha actualmente uma boa performance profissional, as suas relações pessoais e afectivas são marcadas por grande instabilidade, sendo a inquietação , a ansiedade e a irritabilidade sinais fortes do seu quotidiano, marcado por várias mudanças de casa e até de país de residência.

O psiquiatra Carlos Filipe reconhece no caso de Humberto alguns dos sinais do PHDA nos adultos, como sejam, a inquietação derivada da incapacidade de obter satisfação com actividades calmas e sedentárias. Esta limitação pode, segundo os estudos científicos, estar associada a deficiências no funcionamento da dopamina, um neurotransmissor. “Os adultos com PHDA apresentam com frequência uma baixa tolerância a frustração, têm acessos de mau génio com variações súbitas de humor e frequentes e uma baixa auto-estima”, explica Carlos Filipe. Por outro lado, “iniciam numerosos projectos entusiasticamente, mas acabam muito poucos. Procuram constantemente a novidade e aborrecem-se facilmente, pelo que lhes pode ser difícil manterem relações afectivas ou empregos estáveis”.

Apesar das limitações provocadas por esta desordem, “a boa notícia é que este problema tem tratamento”, refere Carlos Filipe. “E os resultados são rápidos e extraordinariamente significativos.”

Fonte: Carla Aguiar no DN.

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