Avanços no mistério dos bebés sonhadores

A actividade dos cérebros imaturos parece surgir numa fase mais primitiva da gestação do que se pensava até agora. Dito de outra maneira, os fetos podem sonhar num momento mais inicial do seu desenvolvimento. E o sono não surge de repente a partir de um cérebro inactivo, mas os padrões formam-se gradualmente ao longo da gestação do feto.

O mistério dos primeiros sonhos dos fetos tem fascinado a neurociência e a psicologia. Este é um universo sobre o qual se sabe pouco, pois é impossível fazer medições directas em seres humanos. Mas parte do enigma pode ter sido esclarecida graças a um estudo de uma equipa da Universidade de Jena, na Alemanha, que descobriu ciclos na actividade de cérebros imaturos. E os padrões surgem mais cedo do que se pensava.

Sabia-se que fetos com 32 semanas têm comportamento muito semelhante ao de bebés acabados de nascer. Ao oitavo mês de gestação, o feto dormita 95% do tempo e uma parte deste tempo é passado no chamado sono-REM (rapid eye movement, movimento rápido do olho), associado aos sonhos. Isto, de acordo com um ciclo de 20 a 40 minutos entre cada fase de sono- -REM. A dúvida dos cientistas dizia respeito sobretudo a cérebros com menos tempo de vida, os mais imaturos. Estão inactivos ou a dormir? Em que altura surgiam os sonhos?

A investigação alemã abre novas avenidas na compreensão do desenvolvimento do cérebro, permitindo responder a estas perguntas. O estudo, liderado pela matemática Karin Schwab e publicado na revista Chaos, permitiu perceber que os cérebros imaturos podem entrar num estado semelhante ao que produz sonhos. Também se percebeu que há ciclos numa fase prematura da gestação, embora a ritmo que de forma gradual se aproxima do ciclo do período final.

Os cientistas estudaram cérebros imaturos de ovelhas, um animal que pode trazer dois ou três fetos semelhantes em tamanho e peso aos humanos. A observação foi directa. A gestação nas ovelhas é de 150 dias e foi possível constatar que a actividade eléctrica existe aos 106 dias (muito antes do que se imaginava). Os padrões detectados permitiram fazer uma extrapolação que deu ciclos entre cinco e dez minutos, alterados ao longo do tempo.

Segundo Schwab, “o sono não surge de repente de um cérebro em repouso. O sono e as alterações do estado de sono resultam de um processo regulado”. O estudo está em fase embrionária e a ciência encontra-se bem longe de esclarecer uma pergunta crucial: qual é a função destes ciclos?

Fonte: DN, 15/4/09.

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