A cura química é um mito

Os dados confirmam a suspeita: andamos todos mais «pedrados» do que devíamos, consumindo mais ansiolíticos, antidepressivos e hipnóticos do que nunca. Suspeitava-se que a crise económica levasse a um aumento do uso destas substâncias, mas os números superam, pela negativa, as expectativas. Se lhes juntaramos os números do consumo de álcool e cannabis, então concluímos, com facilidade, que, de facto, andamos a querer dourar a realidade, pelo menos a nossa realidade interna.

O fenómeno não é só nacional, embora as nossas tradições de auto-medicação, e uma maior dificuldade de acesso a consultas levem a prepetuar no tempo tratamentos que tinham um prazo definido.

Mas afinal o que é que andamos a consumir? Joanna Moncrieff, do departamento de Ciências de Saúde Mental do University College of London, escreveu um artigo sobre «O mito da cura química», que vale a pena ler (www.bbc.co.uk).

De uma forma muito clara, alerta para o facto de a maioria destes consumidores estarem convencidos de que estão a tomar um medicamento que os vai curar, corrigindo uma disfunção do seu cérebro, falando-se normalmente num défice de seretonina. E pensam assim, porque é isso que muitos médicos lhes dizem, e o que lêem na comunicação social. Ora, diz a especialista, ainda ninguém conseguiu provar nem essa «falha» orgânica ou química, nem tão-pouco que estas substâncias curem seja o que for.

Porque, explica, o que se passa é que estas drogas são psicoativas, ou seja, induzem um estado alterado na pessoa que as toma. Esteja deprimida, ou feliz, terão sobre quem as ingere praticamente o mesmo efeito. Uns «arrefecem» os pensamentos e as emoções, e podem. por isso mesmo, diminuir os sintomas de um psicótico, outros têm um efeito euforizante, o que ajuda quem se sente em baixo, ou um efeito calmante, sossegando a ansiedade.

«Se disséssemos às pessoas que não fazemos ideia do que lhes vai na cabeça, mas que há drogas que podem ajudar a suprimir os seus pensamentos e emoções, julgo que haveria muitas que talvez escolhessem evitar tomar essas substâncias, se possível», defende Moncrieff.

Fonte: Isabel Stilwell, Destak.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s