Um terço dos idosos toma medicamentos errados

A tese de uma investigadora da Faculdade de Farmácia de Lisboa conclui que 37% dos doentes mais velhos consomem remédios inapropriados, o que aumenta o risco de reacções adversas. A autora propõe mais formação para os alunos de Medicina e Farmácia

Cerca de 37% dos idosos estão a tomar medicação que não é adequada e que pode “aumentar o risco de reacções adversas”, revelou ao DN Maria Augusta Soares, professora na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, que fez um estudo sobre o consumo de medicamentos nos mais velhos.

Segundo a especialista, há remédios prescritos pelos médicos que não são os melhores para o idoso. Mas, refere a autora do estudo, há também casos “de remédios que os doentes tomam apesar do médico ter dito para parar, acabando por ser tomados em duplicado”.

A investigadora inquiriu 600 doentes de 15 farmácias, no âmbito da sua tese de doutoramento. E identificou muitos casos de inadequação. Um dos erros que tem consequências mais graves é exactamente a duplicação de produtos. “Verificámos que 15% dos idosos tomavam mais do que uma dose do mesmo medicamento ou de produtos quase iguais”, alertou.

A duplicação acontece sobretudo com calmantes e anti-inflamatórios. “Há um uso excessivo de calmantes (benzodiazepinas) nestas idades. E os remédios estão associados a uma subida de quedas e de fracturas”, numa faixa em que há muitos casos de osteoporose.

É sobretudo acima dos 65 anos que as quedas podem implicar complicações graves, “como fracturas do colo do fémur, tromboses”, refere a perita, avisando: ” Há até casos de morte.” Na investigação, a professora detectou que havia doentes a tomar dois fármacos iguais e outros a consumir três calmantes diferentes.

Maria Augusta Soares explica que alguns dos medicamentos receitados aos idosos podem ser “prejudiciais, como os que provocam alterações cognitivas”. Daí que considere importante dar aos a alunos de Medicina e Farmácia formação nesta área, uma vez que é quase nula: “Vou propor a criação de uma cadeira na faculdade”.

A elevada quantidade de erros na prescrição aos idosos relaciona-se com o facto de estes doentes terem diversas doenças ao mesmo tempo. Neste estudo, verificou-se, por exemplo, que os idosos tinham, em média, 4,4 doenças e tomavam 5,3 remédios.

Outro dos factores que leva a que os idosos tenham reacções adversas é o mau funcionamento do rim e do fígado, o que muitas vezes não se tem em conta. “O medicamento tem um trajecto e depois tem de ser eliminado pelo rim, que perde capacidades nestas idades. Por isso, a substância acumulam-se. O mesmo acontece no fígado, que degrada o fármaco”.

Fonte: DN.

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