Exaustão faz dos médicos a classe com mais suicídios

Ordem assustada com aumento da síndrome de exaustão. A classe profissional que nos trata da saúde é também aquela com maior taxa de divórcio, problemas de depressão e suicídio

A Ordem dos Médicos está preocupada com o aumento de casos da síndrome de burnout, ou de exaustão, entre a classe e vai lançar um estudo nacional para conhecer a verdadeira dimensão do problema. Apesar da falta de dados, sabe-se que “as taxas de divórcio, depressão e suicídio são maiores entre médicos” do que em qualquer outra profissão, diz Carlos Arroz, do Sindicato Independente dos Médicos. A psiquiatra Antónia Frasquilho explica que os suicídios representam 38% das mortes prematuras em clínicos e que é impossível dissociar esses números da exaustão (ver texto ao lado).

Nídia Zózimo, que dirige o grupo de trabalho que a Ordem criou para tratar este problema, acrescenta que os psicólogos do grupo ficaram espantados com a percentagem de médicos que se automedicam – com calmantes e antidepressivos – ou mesmo com problemas de consumo de álcool e drogas. Nas acções de sensibilização que promoveram ao longo do último ano descobriram, no terreno, “uma realidade pior do que estavam à espera”, diz o psicólogo David Barreira. “Houve médicos que falaram da sua experiência, alguns que disseram que se iam reformar por não aguentarem mais”, acrescenta Nídia Zózimo.

Aliás, a médica acredita que este é “um dos factores que levam muitos médicos a pedir reforma antecipada ou a exoneração”. Opinião secundada por Carlos Arroz: “Deixam de conseguir suportar as condições de trabalho e a pressão constante, porque a responsabilidade dos médicos não é partilhada”, lembra. O sindicalista diz ainda que “o aumento de processos por má prática e erros e de conflitos no trabalho que se tem notado no gabinete jurídico do sindicato” é também um reflexo da exaustão. Ou seja, é uma ameaça ao bem-estar da classe, mas também para a qualidade dos serviços de saúde.

Na origem do síndrome de burnout, que “queima” a saúde mental dos profissionais, estão as altas cargas de trabalho, com bancos de 24 horas, o aumento de responsabilidades, sobretudo quanto têm pouco controlo sobre as decisões tomadas, a falta de apoio dos colegas e da organização e falta de recursos, explica Antónia Frasquilho, que estuda o fenómeno.

No entanto, ainda há poucos trabalhos em Portugal sobre este tema e os que há debruçam-se sobre um número pequeno de profissionais, até porque fazer mais custa muito dinheiro, explica Nídia Zózimo. Um inquérito a 263 anestesistas mostrou que mais de metade sofriam de exaustão emocional, 45% não se sentiam realizados e 90% sofriam de despersonalização – os três sintomas de burnout. A Ordem vai agora avançar para um estudo nacional, iniciativa que será revelada hoje num simpósio realizado em Lisboa.

Fonte: Patrícia Jesus, DN.

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