A vida sexual no Antigo Egipto

Espanhol estudou a vida amorosa e sexual dos egípcios e diz que não era diferente da nossa

“Amava-se no Antigo Egipto como se ama hoje, é a mesma coisa.” Mas chegar a esta conclusão implicou muita investigação e também muitas “interpretações pessoais”, a partir do pouquíssimo material disponível. O resultado da pesquisa exaustiva está agora em livro, da autoria do egiptólogo espanhol José Miguel Parra Ortiz, que acaba de ser traduzido para português pela editora a Esfera dos Livros. A Vida Amorosa no Antigo Egipto, lançado em Espanha em 2001, fala de sexo e de erotismo, de amor, de casamento e também de orgias e perversões, de violações, de homossexualidade e muito mais.

Mas a investigação foi complicada. “Há muito poucas representações gráficas de cenas sexuais no Antigo Egipto e os textos que falam das relações sexuais nunca as descrevem. Dizem que alguém passou uma hora com alguém e já está. Não há relatos eróticos nem relatos pornográficos”, adianta o egiptólogo espanhol.

No entanto, a vida sexual é uma parte muito importante de todas as civilizações. Sabe-se muito sobre essa vivência, por exemplo, na civilização romana, ou na grega, que não se furtaram a descrevê-la com abundância de pormenores. Mas os egípcios não eram muito dados a representá-la e a falar dela em termos explícitos. “Porquê? Não sabemos”, admite o investigador. O certo é que essa “é uma das particularidades da cultura egípcia antiga”.

E será que havia muitas diferenças em relação à forma como as sociedades modernas vivem o sexo?

Parra Ortiz acredita que não. “Eram pessoas como nós, a biologia é a mesma”, diz, explicando que “o motivo poderia ser o pudor, ou apenas o facto de aquela ser uma sociedade em que apenas dez por cento da população, a classe alta, sabiam ler e escrever”.

Apesar desse pudor – pelo menos aparente -, chegaram até hoje alguns ostracos (fragmentos de cerâmica ou de pedra destinados à escrita) com representações e desenhos sexuais explícitos. Mas, curiosamente, não eram “arte oficial”, como explica Parra Ortiz. “Sabemos que resultaram de momentos de ócio, ou seja, os escribas que os produziram não estavam a trabalhar nas suas tarefas oficiais quando os fizeram, estavam a divertir-se.” Foi, portanto, a partir das representações nesses ostracos, incluídas nas ilustrações de A Vida Amorosa do Antigo Egipto, e de alguns outros (poucos) materiais disponíveis – como o Papiro Erótico de Turim, que foi publicado em 1973 e inclui 12 desenhos de actos sexuais, alguns objectos fálicos encontrados em monumentos fúnebres, ou os poemas amorosos do Reino Novo – que o egiptólogo espanhol se lançou ao seu estudo, depois de ler os dois livros que já existiam sobre o assunto. Um da década de 80, da egiptóloga dinamarquesa I. Manniche, e outro publicado em 1995 pelo português Luís Manuel Araújo, sob o título O Erotismo no Antigo Egipto, que “é sobretudo um estudo filológico”, como o descreve Parra Ortiz.

Iniciado em 1998, o seu trabalho ficou concluído dois anos depois. Mas o autor continuou a investigar o tema, em especial em relação à questão das perversões sexuais, que a versão portuguesa do livro já inclui. “Que perversões eram essas? Bem, tudo o que possa ocorrer-nos: zoofilia, sadismo, masoquismo e por aí fora”, diz Ortiz.

Não se pense, no entanto, que este é um livro erótico. “Não é”, garante o autor. “Este é um livro científico sério, mas escrito de forma divertida e destinado ao grande público. Por isso incluo dois tipos de notas, umas para quem não sabe nada sobre o Antigo Egipto e outras para quem quer aprofundar mais a questão”, conclui.

Fonte: DN.

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