Quase 10% dos adultos sem sexo no último ano

Estudo sociológico traça retrato dos comportamentos sexuais dos portugueses no século XXI e revela mais diversidade.

Quase 10% dos adultos portugueses não tiveram relações sexuais no último ano. O número é mais elevado entre as mulheres, com 14,4% a dizerem que não tiveram actividade sexual nos 12 meses antes do inquérito, contra apenas 5% dos homens. A maior parte (47,6%), no entanto, escolheu a resposta “algumas vezes” por semana. Por outro lado, 7,4% dos entrevistados disseram – e os questionários eram anónimos – ter sexo todos ou quase todos os dias.

Destes, a percentagem é muito menor nos homens e mulheres casadas do que nos que vivem juntos: 18% contra 8% neles e 15,2% contra 5,5% nelas. Uma interpretação possível é o facto de as pessoas que vivem em união de facto serem mais jovens e sem filhos, avançam os autores. Ainda assim, os casados têm mais sexo do que os solteiros sem relacionamentos, ou seja, sem parceiro regular.

Os dado são do livro Sexualidades em Portugal, lançado ontem, e baseado em 3507 entrevistas a residentes em Portugal continental, com idades entre os 18 e os 65 anos. O inquérito “Comportamentos Sexuais e a infecção VIH/sida em Portugal”, que deu origem ao livro, foi feito em 2007 e 2008 a pedido da Coordenação Nacional para a Infecção do VIH/Sida, e coordenado por Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira.

No estudo, mais de um terço dos portugueses dizem ter tido apenas um único parceiro. E também aqui a diferença entre homens e mulheres é grande: no primeiro caso, a percentagem é de 16,1%; no segundo, mais de metade (52,0%). Uma proporção que se repete quando se pergunta quem tem mais do que um parceiro actualmente: apenas 7,2% das mulheres contra 23,6% dos homens.

O estudo mostra também que aumentou a “diversificação” da actividade sexual – as perguntas contemplavam várias práticas: o sexo oral (fellatio e cunnilingus), sexo anal e o sexo sem penetração, no qual inclui a masturbação com parceiro.

O sexo sem penetração é praticado por 69,5% dos inquiridos – além da relação sexual vaginal -, seguido de muito perto pelo sexo oral. Só 37,2% experimentam sexo anal. Estes números mostram que, enquanto as experiências sem penetração e “orais estão bastante generalizadas, quer nos homens quer nas mulheres”, o sexo anal é uma prática “bastante mais circunscrita, ainda que surja referido por mais de um terço dos inquiridos”, refere Pedro Moura Ferreira. Por outro lado, 21,7% rejeitam a experimentação sexual.

Sobre o início da actividade sexual, o estudo adianta que entre a geração mais velha e a mais nova, uma diferença de três décadas, a idade média dos homens recuou menos de um ano – dos 17,3 para 16,5 anos. O que “contrasta fortemente com a feminina”, cuja média para iniciar a vida sexual desceu quatro anos, de 21,2 para 17,2.

Fonte: Patrícia Jesus, DN.

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