Morrem duas vezes mais homens do que mulheres em idade activa na Europa

Um relatório sobre saúde masculina divulgado ontem pela Comissão Europeia não dá boas notícias aos homens europeus. Eles, entre os 18 e os 60 anos, estão a morrer mais do que elas no mesmo grupo etário.

As explicações para estas mortes prematuras podem estar na escolha de um estilo de vida menos saudável e na adopção de mais comportamentos de risco (como fumar e beber), entre outros factores económicos e sociais, mas o resultado é que anualmente, nos 27 países da União Europeia (UE), morrem 630 mil homens e 300 mil mulheres em idade activa. O documento sublinha que 50 por cento destas mortes são evitáveis.

Segundo o documento, elaborado pelo European Men”s Health Forum (EMHF) e que em Portugal foi coordenado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Lisboa, apesar do aumento da esperança de vida, as baixas taxas de natalidade fazem prever um cenário com uma drástica redução de homens em idade activa. As estimativas para 2060 apontam para menos 24 milhões de homens entre os 15 e os 64 anos e mais 32 milhões com mais de 65 anos. Os homens estão a morrer mais do que as mulheres e, alerta o relatório, isso não está necessariamente relacionado com factores biológicos, mas antes com estilos de vida prejudiciais e outros factores que os colocam nesta situação de desvantagem.

O relatório confirma ainda uma mudança no padrão do cancro masculino, com uma redução de casos de cancro do pulmão e um aumento do cancro da próstata. Há ainda uma referência especial ao cancro dos testículos, que, apesar de ser tratável, permanece como principal causa de morte por cancro nos homens com idades entre os 20 e os 35 anos.

Os homens portugueses merecem algumas referências particulares no estudo, ainda que seja de notar que não são apresentados dados relativos a Portugal no capítulo dedicado à saúde mental, onde se alerta para um subdiagnóstico de depressões e outros problemas. Os portugueses são referidos, por exemplo, quando se fala do número de admissões hospitalares, apresentando as mais baixas taxas nos casos que estão especificamente relacionados com doenças do sistema circulatório e ainda com ferimentos, envenenamentos e causas externas.

Portugal é também mencionado no capítulo referente à medicina preventiva. Aqui, os portugueses são exemplo de um país onde os homens estão atentos aos níveis de colesterol e tensão arterial, com cerca de 70 por cento dos inquiridos a admitirem ter medido a sua tensão no ano anterior e 56 por cento a referir que testou o colesterol. A nível geral, nota-se que os homens fazem menos exames de saúde como prevenção do que as mulheres.

Mas há mais: um dos gráficos apresentados trata a esperança de vida para homens com 50 anos e com severas limitações de actividade e mostra Portugal com valores superiores aos 27 Estados-membros da UE nos homens e nas mulheres.

Portugal também é citado quando se explora as várias causas de morte nos homens. Entre doenças infecciosas, cancro ou doenças respiratórias, entre muitos outros problemas de saúde, os homens portugueses são os que morrem mais na Europa com “sintomas, sinais e resultados clínicos e laboratoriais anormais, não especificados”, registando 12 por cento das mortes neste item. Por fim, Portugal sobressai também no campo das mortes por acidente vascular cerebral, onde apresenta as mais altas taxas da Europa Ocidental, e no declínio de casos de VIH na população masculina.

Fonte: Público.

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