Suicídio: 25% das pessoas que puseram termo à vida tinha mais de 60 anos

Um quarto das pessoas que se suicidaram em 2010 em Portugal tinham mais de 60 anos e na base da decisão estiveram, sobretudo, doença física, solidão e condições socioeconómicas, disse hoje à Lusa a presidente da Associação Portuguesa de Gerontopsiquiatria.

“Na realidade os idosos não precisam de estar muito deprimidos para se suicidar. Basicamente, o que é importante nos idosos são as doenças físicas, as condições socioeconómicas e de bem-estar geral e uma outra coisa muito importante que tem a ver com a inexistência de um rede social de contactos, nomeadamente o fator solidão”, explicou Lia Fernandes.

Dados oficiais revelam que em Portugal cerca de 1.500 pessoas põem fim à própria vida anualmente, das quais um quarto tem mais de 60 anos. Os grandes centros são os mais atingidos sendo Lisboa um dos distritos mais afetados. Lia Fernandes referiu que “400 mil idosos vivem completamente sozinhos e a necessitar de apoio, não tanto institucional, mas domiciliário”. “Dêem boas condições de vida aos idosos e a sua satisfação de vida aumenta”, frisou.

De acordo com dados disponibilizados pela organização do congresso, estima-se que existam atualmente em Portugal 1,5 milhões de idosos e destes cerca de mil tem mais de 100 anos. Em 2060, calcula-se que 32 por cento da população portuguesa terá mais de 65 anos.

As demências e as doenças psiquiátricas associadas ao envelhecimento, bem como o aumento exponencial do suicídio entre os idosos, são alguns dos temas que estarão em análise no congresso.

A presidente da Associação Portuguesa de Gerontopsiquiatria e organizadora do encontro admitiu que, em Portugal, “a maior parte dos idosos demenciados e com patologia psiquiátrica está sem tratamento”. Para Lia Fernandes, é fundamental estabelecer um diagnóstico precoce destas situações e perspetivar intervenções terapêuticas adequadas que levem a uma melhoria na qualidade de vida destes doentes e das suas famílias.

A presidente da APG alertou ainda para a necessidade de uma maior aposta nos cuidados assistenciais aos idosos, em particular na área da Saúde Mental.

“Não temos infraestruturas nem cuidados médicos especializados e muito menos profissionais de saúde com formação específica em número suficiente. Faltam médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais
de saúde”, sustentou a psiquiatra.

Fonte: Lusa. 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s