Ódio de Hitler aos judeus cresceu com derrotas no exterior

Ódio de Hitler aos judeus cresceu com derrotas no exterior
Fotografia © DN

Reveses militares levaram Hitler a concentrar-se sobre o “inimigo interior”, indica um estudo de 1942 da autoria de psicólogos britânicos.

Um estudo psicológico dos discursos de Hitler levado a cabo pelos serviços de escuta da BBC, em 1942, chamou a atenção para a sua “paranóia” face aos judeus no momento que coincidiu com a concretização da Solução Final, decidida na conferência de Wansee, em janeiro daquele ano.

A conferência de Wansee, localidade balnear nos arredores de Berlim, é considerada o ato fundador do extermínio sistemático dos judeus na Alemanha e nos restantes países ou territórios ocupados pelo regime nazi.

O serviço de escuta da BBC estava encarregue de seguir as emissões de rádio na Europa ocupada e na Alemanha, delas elaborando um relatório semanal. Neste serviço funcionava uma unidade composta por psicólogos que tentavam determinar o seu estado de espírito e as suas preocupações pelo tom e tema dos seus discursos.

O estudo agora entregue à Universidade de Cambridge deteta “tendências mórbidas” em Hitler e uma crescente obsessão com o “veneno judaico”. O documento estará brevemente disponível para consulta dos historiadores, indicou a instituição em comunicado.

“No momento em que o estudo foi elaborado, os ventos da guerra começavam a mudar na Alemanha”, considera o historiador Scott Anthony. “O documento revela que os serviços secretos pressentiram o que se passava (…), face a derrotas na frente de batalha exterior, Hitler concentra-se sobre o que considera ser o inimigo interior, os judeus”.

O ano de 1942 fica marcado pelo início da batalha de Estalinegrado, que se inicia no verão deste ano e culmina na derrota alemã em fevereiro de 1942. O fracasso alemão em chegar a Moscovo e o impasse em Estalinegrado, com a sorte das armas virar-se, lenta mas irreversivelmente, contra os alemães constituem as primeiras derrotas significativas do III Reich. Os avanços e recuos do Afrika Korps no Norte de África entre finais de 1941 e o ano de 1942 são reveses importantes, mas sem a dimensão de que se revestem as derrotas na campanha da Rússia, até pela diferença de dimensão do esforço de guerra nazi em ambas as frentes.

Os autores do documento, como antecipando aquilo que estava em marcha na Alemanha, escrevem que para Hitler “os judeus são a encarnação do mal, enquanto ele encarna o espírito divino. Ele é o deus pelo qual uma vitória sacrificial sobre o mal pode ser alcançada”.

Para o historiador Scott Anthony, “atendendo àquilo que hoje sabemos sobre a Solução Final, este documento é pungente”.

Fonte: DN.

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