Mulheres nervosas entre os mais perigosos ao volante

A maioria dos portugueses conduz de forma agressiva, mas está “mais conscienciosa”, revela um investigador da Universidade Lusófona, que aponta os homens, as mulheres “emocionalmente instáveis” e os jovens como os mais perigosos nas estradas.

Na véspera do Dia Mundial da Cortesia ao Volante, o investigador da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, José Brites, conta à Lusa que a maioria dos portugueses “ainda conduz de forma agressiva”.

Baseado num estudo que avaliou 480 condutores (210 que nunca tinham sofrido um acidente e outros 270 que tinham tido pelo menos uma má experiência), o professor descobriu que os homens têm mais acidentes e cometem mais infrações ao código da estrada. Um fenómeno que José Brites explica com o impacto do “papel da socialização”, que “encoraja os homens para o perigo e para comportamentos de riscos”.

Resultado: nas estradas, “eles conduzem pior do que elas”. Além de andarem mais depressa, fazem mais sinais de luzes, passam mais vermelhos e desrespeitam mais vezes a sinalética.

No entanto, as condutoras também podem representar perigos. “A instabilidade emocional leva a que algumas mulheres tenham um comportamento agressivo nas estradas quando, por exemplo, têm problemas com o companheiro ou se chateiam com os filhos”, esclarece o docente.

Mas o grupo mais problemático continua a ser o dos jovens, que são quem tem mais acidentes rodoviários em Portugal. “Os condutores da faixa etária dos 18 aos 24 anos são os que relatam mais comportamentos agressivos ao volante”, conta o investigador, justificando esta atitude com o facto de os jovens procurarem novas sensações, gostarem da aventura e do prazer, expondo-se por isso a mais fatores de risco.

Durante o estudo realizado em 2010, os investigadores descobriram um outro grupo com comportamentos “muito agressivos e semelhantes aos dos jovens”: o dos condutores entre os 39 e os 45 anos, com “cargos profissionais de alguma responsabilidade” que acabavam por libertar na estrada o stress acumulado ao longo do dia de trabalho, revela José Brites.

Apesar do estudo mostrar uma relação direta entre problemas laborais e condução mais agressiva, o investigador não acredita que a atual situação económica provoque um agravamento do comportamento dos condutores.

É que o consecutivo aumento do preço dos combustíveis obriga a que a maioria dos condutores conduza mais devagar, para poupar dinheiro.
Além disso, “hoje há menos carros na estrada. Muitas pessoas estão a trocar o automóvel pelos transportes públicos. Isto associado a uma redução da velocidade deverá traduzir-se numa redução da sinistralidade”, defende.

No entanto, estas teorias só deverão ser comprovadas no próximo ano, quando a equipa de investigadores da Universidade Lusofona terminar um novo estudo sobre sinistralidade e comportamento nas estradas.

Por enquanto, o investigador sublinha apenas que em Portugal a taxa de mortalidade tem vindo a diminuir nos últimos anos mas “ainda é muito elevada”.

Fonte: DN.

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