Uma pancada na cabeça pode criar um génio


O fotógrafo Eadweard Muybridge – autor da célebre sequência fotográfica com os complexos movimentos de um cavalo a galope – é um dos raríssimos casos de genialidade adquirida.
O comportamento obsessivo, excêntrico e errático do fotógrafo britânico Eadweard Muybridge era atribuído a um acidente de viação e investigadores acreditam que foi uma lesão cerebral permanente que lhe despertou a genialidade artística.

A tese é referida num artigo da “The Atlantic” que dá conta de estudos efectuados neste campo.

O caso de Muybridge é enquadrado pelos psiquiatras como de genialidade adquirida, alguém cujo talento extraordinário não é inato, nem desenvolvido através de aprendizagem.

O psiquiatra Darold Treffer, da Wiscosin Medical School, tem estudado ao longo dos últimos 40 anos a síndrome da genialidade. Descobriu que se a genialidade é algo de muito raro, a genialidade adquirida é ainda muito mais. Da lista que elaborou com 330 génios, dos mais diversos pontos do mundo, 300 já terão nascido génios, apenas 30 adquiriram os seus talentos extraordinários.

Recrutamento de tecidos corticais

Há o caso de Orlando Serrell, que levou com um taco de baseball na cabeça aos 10 anos, e que veio a descobrir que memorizara as condições meteorológicas de todos dias após esse incidente. O de Derek Amato, que recuperou os sentidos após ter batido com a cabeça no fundo de uma piscina, e tornou-se num grande pianista, aos 40 anos, sem qualquer tipo de formação musical.

E ainda o de Alonzo Clemens, cujas capacidades verbais e cognitivas pararam de se desenvolver aos três anos, devido a uma lesão cerebral, mas que consegue criar esculturas extremamente pormenorizadas de animais, em escassos minutos.

Bruce Miller, professor de neurologia da Universidade da Califórnia, descobriu em 2003 que alguns dos seus pacientes, com uma doença cerebral degenerativa – a demência frontotemporal -, desenvolviam incríveis capacidades artísticas, à medida que o seu estado se agravava.

“O que acontece é que existe uma lesão”, explicou Treffert à “The Atlantic”, ” ocorre o recrutamento de tecidos corticais ainda intactos.

Dá-se uma redefinição da rede (que transporta os sinais cerebrais) através dos tecidos intactos, ocorrendo então uma libertação do potencial latente dessa área do cérebro”. Ou seja, essas pessoas passam a utilizar uma área do cérebro que para a generalidade dos seres humanos se mantém inactiva ao longo de toda a vida.

Fonte: Expresso online.

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