Causas do suicídio variam consoante as culturas

As depressões decorrentes dos problemas causados pela crise podem ser uma explicação para o suicídio

As depressões decorrentes dos problemas causados pela crise podem ser uma explicação para o suicídio (Reuters)

 

 

 

 Transformado num problema de saúde pública em muitos países, as causas do suicídio variam consoante as culturas e a sua prevenção passa por uma estratégia que limite o acesso às formas de o cometer: as armas nos EUA e os pesticidas na Ásia.

 

As notificações de mortes por suicídio aumentam em Portugal, segundo os dados oficiais mais recentes. O maior número de depressões em consequência da crise económica e social pode ser uma das explicações, segundo o secretário de Estado Adjunto e da Saúde Fernando Leal da Costa que, no passado mês de Abril, apontou o suicídio já como “um problema de saúde pública”.

Portugal junta-se assim aos países do mundo de baixos e médios rendimentos onde ocorrem 84% do total de 900 mil suicídios registados todos os anos, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os mais recentes dados da Pordata, a base de dados sobre Portugal Contemporâneo, indicam que, em 2010, se suicidaram 1098 pessoas, mais 84 do que no ano anterior. Leal da Costa defendeu, então, medidas prioritárias para combater o problema cujo aumento justificou com o abandono social e as condições mais difíceis de sobrevivência que estão a afectar a população devido à crise.

Diferenças entre países

Estudos sobre o suicídio publicados na revista médica britânica The Lancet concluem que há cada vez mais provas de que existem grandes diferenças entre países e regiões e importa compreender essas diferenças para promover políticas de prevenção. “Melhorar a prevenção do suicídio exigirá uma melhor compreensão dos motivos e das formas como as pessoas decidem acabar com a vida” em diferentes partes do mundo, consideram os autores dos artigos publicados na Lancet.

Esta conclusão resulta dos “inesperados dados” de investigações realizadas na Índia e na China que indicam que “alguns dos factores de risco de suicídio que até agora eram assumidos como universais, variam profundamente de uma cultura para outra”. Na China e na Índia os suicídios são a segunda causa de mortalidade (49%) entre os jovens adultos dos 15 e os 29 anos, quase ultrapassando as mortes relacionadas com a gravidez e o parto que vitimam as mulheres.

O primeiro estudo representativo sobre o suicídio realizado nesses países “confirma o que se suspeitou durante décadas, que o suicídio é um grande problema de saúde” nesses países e que “não recebeu a atenção que merece”, consideram Michael Phillips e Hui G. Cheng, da Faculdade de Medicina da Universidade Jiao Tong de Shanghai, na China, num dos artigos.

Essas investigações revelam outro dado até agora desconhecido: um rosto mais feminino do problema. Apesar de os homens cometerem mais este acto, o número de mulheres está a aumentar. A análise realizada pela London School of Hygiene & Tropical Medicine, no Reino Unido, indica que, por cada suicídio feminino ocorrem 1,67 masculinos. O novo cálculo é o resultado do observado nestes países asiáticos – o ratio é de 1 para 1 na China e de 1 para 1,5 na Índia – onde as mulheres jovens das zonas rurais formam um grupo de risco especial.

A primeira surpresa e diferença relativamente aos países ricos foi o local da “residência”, já que no “primeiro mundo” os suicídios são mais habituais nas cidades e nos países em vias de desenvolvimento o suicídio acontece nos meios rurais. A segunda, foi descobrir que estar separada, divorciada ou viúva não são factores determinantes para que as mulheres desses países se suicidem.

Os estudos realizados na China coincidem com estes resultados e referem outra diferença fundamental relativamente ao ocidente: a doença mental é muito menos frequente entre os que cometem suicídio e os que tentam.

No que respeita à prevenção do suicídio, uma das estratégias mais facilmente aplicáveis em qualquer lugar do mundo é a limitação do acesso aos meios mais utilizados para o cometer, como por exemplo, restringir as armas de fogo nos EUA ou dificultar a aquisição de pesticidas na Ásia que são a causa de metade dos suicídios, uma tese defendida pelos investigadores Keith Hawton, Alexandra Pitman e colaboradores.

 

 

Fonte: Público.

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