Comer menos e melhor é mais importante que fazer mais exercício

o ritmo metabólico dos membros da tribo não era diferente da dos cidadãos do mundo moderno (Adem Altan/AFP)

 

 

 

 Investigadores usaram uma tribo de caçadores da Tanzânia para perceber a obesidade e concluiram que “a grande razão pela qual os ocidentais estão a ficar gordos é porque comem demasiado – não tanto porque se exercitam de menos”.

Não é novidade que há cada vez mais pessoas obesas. Estima-se que em 2015 uma em cada dez pessoas do mundo seja obesa e que um terço da população mundial tenha excesso de peso, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Porém, até agora, os cientistas ainda não tinham conseguido perceber exactamente se isso se devia mais à falta de exercício ou às grandes quantidades de comida ingerida, sendo certo que o padrão actual combina estes dois erros: vida sedentária e grandes porções de comida contendo gorduras saturadas e muito açúcar.

Precisamente para tentar perceber qual destes dois erros é actualmente mais responsável pelos níveis de obesidade existentes no mundo, cientistas dos EUA, Reino Unido e Tanzânia decidiram ir estudar uma tribo que mantivesse os níveis de actividade física dos humanos da era pré-industrial, altura a partir da qual as máquinas começaram a fazer o trabalho quase todo por nós.

Este estudo – publicado na revista científica PLoS ONE – foi realizado junto da tribo Hadza, que vive no norte e centro da Tanzânia, mais concretamente junto de 30 homens e mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 75 anos. Precisamente porque estas pessoas continuam a levar a cabo as suas tarefas de caça e recolecção de alimentos com instrumentos e ferramentas rudimentares, foi medida a actividade física despendida por estes humanos no seu dia-a-dia. Surpreendentemente, os investigadores concluíram que apesar de os níveis de actividade física dos seres humanos desta tribo serem mais elevados, quando se fez a comparação com os humanos ocidentais – tendo em conta as diferenças de altura e peso – ficou claro que o ritmo metabólico dos membros da tribo não era diferente da dos cidadãos do mundo moderno.

Herman Pontzer, do departamento de antropologia do Hunter College, em Nova Iorque, e que coordenou o estudo, afirmou – citado pela BBC – que toda a gente partiu da assunção que os membros da tribo gastariam centenas de calorias a mais que os adultos que vivem na Europa e nos EUA, mas que afinal os gastos de energia não são assim tão diferentes. E, por isso, a responsabilidade pela epidemia de obesidade deverá antes ser assacada à quantidade e qualidade da comida que ingerimos e não tanto à falta de exercício.

“Para mim isto revela que a grande razão pela qual os ocidentais estão a ficar gordos é porque comem demasiado – não tanto porque se exercitam de menos”, afirmou Herman Pontzer, citado pela BBC.

“Ser activo é muito importante para a saúde, mas isso apenas não nos mantém magros – precisamos de comer menos para que isso aconteça”, acrescentou.

 

Fonte: Público.

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