Ondas cerebrais: interface cérebro-computador

Cérebro

 

Investigadores da Universidade de Coimbra criaram interface para tetraplégicos ou doentes com paralisia executarem tarefas e comunicarem.

Stephen Hawking tinha 21 anos quando descobriu ter uma doença rara degenerativa que paralisa os músculos do corpo, mas não atinge as funções cerebrais – esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Para comunicar, ao fim de alguns anos, o físico britânico, considerado “dos mais brilhantes da história” pela comunidade científica internacional, começou a usar um sintetizador de voz. E, apesar das limitações, escreveu inúmeras obras científicas, participou em séries televisivas, filmes e gravação de músicas.

Hoje com 70 anos, o físico condecorado mais de uma dezena de vezes já utiliza um sistema computorizado para comunicar e está a colaborar com cientistas norte-americanos no desenvolvimento de um dispositivo chamado iBrain, que capta as ondas cerebrais e permite a comunicação via computador.

A tecnologia é inovadora e também já chegou a Portugal. O investigador Gabriel Pires, do Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra criou uma interface cérebro-computador para pessoas com limitações motoras graves, nomeadamente doentes com ELA, pessoas tetraplégicas e com paralisia cerebral. Ao permitir uma comunicação suportada em ondas cerebrais e estímulos visuais, o sistema desenvolvido pelo investigador abre a possibilidade de restaurar a comunicação, aumentar a mobilidade e o grau de independência dos doentes.

“É uma ferramenta de assistência muito poderosa, que, quando entrar no mercado, terá um forte impacto social, pois permitirá às pessoas com deficiências motoras muito graves obter maior autonomia”, explica ao i Gabriel Pires.

Segundo o investigador da Universidade de Coimbra, com a interface cérebro-computador os doentes poderão executar tarefas quotidianas, como conversar no Skype, conduzir uma cadeira de rodas, ligar luzes, accionar alarmes via telefone ou ligar a televisão.

O sistema é composto por um conjunto de algoritmos de processamento de sinal e aprendizagem automática que, após a recolha de sinais cerebrais pelo método não invasivo de electroencefalografia (EEG), descodifica os padrões cerebrais e selecciona letras de forma sequencial, permitindo escrever frases. São algoritmos “que se ajustam aos padrões neuronais das pessoas, conseguindo perceber se o utilizador, no momento, quer ou não executar uma dada tarefa. Com um simples fechar de olhos, o utilizador desliga a interface e repete o mesmo gesto para voltar a ligar.

De acordo com o cientista do Instituto de Sistemas e Robótica, “é no computador que reside a inteligência do sistema, onde é feita toda a tradução dos sinais cerebrais”. No entanto, os algoritmos não conseguem ler mentes, nem descodificar pensamentos: “A interface precisa de estímulos visuais.”
“Por exemplo, se uma pessoa tiver um dispositivo de escrita, quando está a escrever as letras estão a piscar de forma aleatória para que seja evocado um sinal muito específico. Ou seja, é necessário que a pessoa tenha a percepção de que determinada letra tem de aparecer acesa”, esclarece.

Resultados Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, a interface foi validada clinicamente num grupo de portadores de ELA, testada no Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, em utentes do Centro de Paralisia Cerebral de Coimbra, com resultados “muito positivos”.
“No total, o grupo era composto por 14 pessoas e correu tudo muito bem. Houve um paciente que não conseguia controlar nenhuma parte do corpo e escrevia no computador sem qualquer problema através da interface”, conta Gabriel Pires.

A ELA é uma doença neurodegenerativa pouco comum, no entanto, é a terceira doença rara mais frequente seguida do Alzheimer e de Parkinson. Para Paula Brito e Costa, presidente da Associação Raríssimas (Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras), esta inovação é “um passo muito importante” para a melhoria de qualidade de vida dos doentes que sofrem de ELA. “Sendo uma doença degenerativa, os doentes começam por perder competências e a comunicação é das primeiras a serem afectadas. Como não têm força muscular para optarem por uma comunicação alternativa, esta é realmente a única ajuda que lhes resta”, afirma ao i.
Paula Brito e Costa está convencida de que esta ferramenta é um novo caminho para quem sofre de doenças degenerativas: “As pessoas com ELA mantêm até ao final da vida a sua capacidade intelectual. Não podendo de modo nenhum comunicar, acabam por se sentir completamente isolados do mundo”, diz a dirigente da associação, acrescentando que quando estas tecnologias entram na vida de um doente será sempre para mudar radicalmente o seu quotidiano e realizar projectos de vida: “Conheço algumas pessoas que através destes tipo de inovações até conseguem escrever livros e pintar”, diz.

 

Fonte: Ionline.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s