Três mitos sexistas que a ciência põe em causa

 

 


Reuters

Muitas das características que achamos que distinguem o sexo feminino do masculino não passam de ideias desvirtuadas. Não, as mulheres não são mais intuitivas por natureza

O fosso entre sexos continua a ser evidente, mas as mulheres ocupam hoje, por todo o mundo, alguns dos cargos mais relevantes – Presidente da Coreia do Sul, de Taiwan, rimeira- ministra do Reino Unido, do Bangladesh, da Namíbia ou de Myanmar, figura máxima do Banco da Índia ou do FMI e tantas outras.

Esta progressiva ascensão feminina a cargos de relevo ajuda a alimentar generalizações por vezes abusivas e pouco claras a nível científico. Exemplo: uma mulher líder é melhor porque é emocionalmente mais inteligente, mais resistente às obrigações da competitividade e tradicionalmente mais intuitiva.

Não podemos negar, e a ciência é a primeira a comprová-lo, que os cérebros da mulher e do homem são diferentes e têm respostas distintas. Diferem quimicamente, a nível estrutural e funcional. Processam a memória emocional de forma diferente e têm diferentes modos de responder a situações de stresse, por exemplo.

É importante perceber, portanto, o que é neurociência e o que não passa de senso comum.

Mito 1: As mulheres são melhores no multi-tasking (realizar várias tarefas ao mesmo tempo)

Esta teoria tem por base o facto de, na mulher, o cérebro ter mais facilidade em fazer a conexão entre os dois hemisférios, porque os dois lados do córtex cerebral estão mais densamente ligados. No caso do homem, são mais fortes as conexões da frente para trás em cada hemisfério. Mas isso não significa que elas conseguem fazer mais coisas ao mesmo tempo porque todos somos pouco eficientes quando mudamos constantemente de tarefa.

Em 2013 foi realizado um estudo que procurou responder a estas dúvidas, com homens e mulheres a realizar tarefas ao mesmo tempo. Numa primeira fase, o estudo colocou dois grupos (120 homens e 120 mulheres) em frente a um computador com um paradigma de mudança de tarefas. E, num segundo momento, 47 homens e 47 mulheres realizaram diferentes tarefas em papel.

Conclusões: na primeira experência, homens e mulheres foram mais lentos quando confrontados com duas tarefas rapidamente intervaladas entre si do que com as mesmas mas realizadas em separado. Mas eles “perderam”.

Nesta primeira fase do teste, os homens reduziram a qualidade do seu desempenho em 77% e as mulheres em 66% ao realizarem tarefas em simultâneo e não em separado, uma de cada vez.

Na segunda experiência, homens e mulheres foram similarmente capazes de desenvolver pesquisas por restaurantes num mapa, de resolver problemas de aritmética simples e responder a questões de cultura geral num telemóvel.

As mulheres destacaram-se, no entanto, quando lhes foi pedido que sugerissem estratégias para encontrar uma chave perdida.

Em ambas as experiências os homens foram mais lentos a cumprir as tarefas pedidas mas a diferença entre os géneros não foi significativa. O próprio estudo assume que não é suficiente para justificar que, a nível neurológico, as mulheres superam os homens no multi-tasking.

As interrupções constantes e a pressão para fazer tudo ao mesmo tempo aumenta exponencialmente o nível de stresse e os riscos de segurança – a conduzir, a pilotar ou em cirurgias, por exemplo.

De uma coisa a ciência tem a certeza absoluta: é sempre preferível, a homens e mulheres, que nos foquemos em tarefas de forma total e sequencial – uma de cada vez.

Mito 2: As mulheres são menos competitivas e, por isso, melhores no trabalho de equipa

Este é um mito cuja credibilidade beneficia dos efeitos das hormonas presentes em maior quantidade nas mulheres, como o estrogénio e a ocitocina (hormona do amor), por oposição à testosterona que têm em menor quantidade. No entanto, o tipo e a quantidade hormonal varia de cérebro para cérebro, não apenas com base no género.

A Escola de Economia de Estocolmo levou a cabo um estudo a nível nacional que procurou replicar esta ideia de perceber se os homens são tendencialmente mais competitivos do que as mulheres. Quiseram perceber se as diferenças entre géneros eram reais ou enviesadas pelas normas culturais.

Os resultados foram um grito incrível de igualdade: crianças, rapazes e raparigas, dos 7 aos 10 anos, a competir em atividades diferentes revelaram exatamente o mesmo nível de competitividade. É importante, claro, ver estes resultados à luz do país em que foram apurados, a Suécia – o segundo país com maiores valores de igualdade de género do mundo. O relatório do estudo teve como título “Rapazes e raparigas competem de igual forma”.

Aquilo que os neurocientistas dizem é que nascemos iguais em termos de competitividade e vontade de vencer, mas depois acabamos moldados pelo ambiente cultural em que nascemos – um resultado socialmente estereotipado e não biologicamente adquirido.

Na realidade, os cérebros à nascença praticamente não diferem e até características como a confiança, que poderia pensar-se que é quase “natural”, requerem uma apropriação do contexto em que vivemos. Este é um trabalho na área da epigenética, a ciência que estuda a forma como as realidades exteriores aos indivíduos podem pesar no seu material genético.

Mito 3: As mulheres têm mais inteligência emocional e mais intuição

Há, de facto, uma diferença clara no cérebro masculino e feminino: o córtex orbifrontal e o Sistema Límbico Profundo. Este é o sistema que está envolvido no processamento e expressão das emoções e que coloca, por vezes, as mulheres como mais suscetíveis a problemas emocionais como a depressão. Esta característica faz com que também se costume associar o cérebro feminino à capacidade de articular emoções e de perceber intuitivamente os outros.

Mas, uma vez mais, tomar o género como única variável para medir este tipo de característica resulta uma avaliação bastante pobre. Aquilo que são pequenas distinções biológicas influenciam determinadas tendências ou predisposições naturais que facilmente mudam à luz dos contextos em que ocorrem e da educação de cada um de nós. Porque as capacidade sociais como a empatia são totalmente adquiridas em sociedade, como comprova um estudo realizado na Universidade de Liège, na Bélgica, e que se centra nas questões da plasticidade emocional. Foi criado como tentativa de reunir soluções para aumentar a inteligência emocional de alguns executivos seniores, de forma tornarem-se mais competitivos nos seus locais de trabalho. Ou seja, ser sensível às emoções do outro e intuitivo é algo que se pode aprender e treinar.

Outro dado interessante explica a facilidade que os homens têm na noção espacial. É um trabalho de 2011, que estuda, através de um puzzle, a diferença entre cerca de 1300 indígenas de duas tribos indianas: os Karbi. que são uma sociedade patriarcal, e os Khasi, que são matriarcais. Resultado: entre os Khasi não há qualquer diferença de género e no caso dos Karbi os homens destacaram-se claramente. Este estudo vem dar força à ideia de que esta característica é também mais social do que biológica.

Não sendo determinísticas, o certo é que as explicações científicas não suportam as explicações simplistas destes três estereótipos de género.

Aqui fica a lista das mulheres mais poderosas do mundo, segundo a revista Forbes:

Angela Merkel – Chanceler da Alemanha

Hillary Clinton – Candidata democrata à presidência dos Estados Unidos

Janet Yellen – Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos

Melinda Gates – Vice-presidente da Fundação Bill e Melinda Gates (EUA)

Mary Barra – Diretora Executiva (CEO) da General Motors (EUA)

Christine Lagarde – Diretora do FMI (França)

Sheryl Sandberg – Diretora de operações (COO) do Facebook (EUA)

Susan Wojcicki – Diretora Executiva (CEO) do YouTube (EUA)

Meg Whitman – Directora Executiva (CEO) da HP (EUA)

Ana Patricia Botin – Diretora do Banco Santander (Espanha)

 

Fonte: Visão.

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