A Internet faz com que as pessoas se sintam mais inteligentes do que realmente são…

 

 

Ilusão on-line: a Internet faz com que as pessoas se sintam mais inteligentes do que realmente são

Há um par de décadas abriu-se ao mundo uma inédita arca de “pré-conhecimento”, isto é, de informação. De repente uma infinita enciclopédia atualizada em tempo real ficou disponível, e com esta explosão de informação o nível popular de sapiência cresceu de forma literalmente espetacular -não só pela dimensão senão por que também remete a uma espécie de ilusão.

Dispor de tal quantidade de dados nos empodera, um fenômeno que implica um duplo fio. Por um lado estimula a sede de conhecimento e faz de muitos de nós potenciais navegadores informativos, mas por outro gera a ilusão de que sabemos mais do que em realidade sabemos. O que acontece é que quando alguém busca informação ocorre um fenômeno no qual ele acha que seu conhecimento se funde com a informação disponível na fonte onde busca.

Recentemente foi publicado um estudo realizado pela Universidade de Yale que demonstra o anterior. Em uma série de nove experimentos os pesquisadores comprovaram que aquelas pessoas que dispunham de informação proveniente da internet, consideravam saber mais que aquelas que recebiam a informação de outros lugares, inclusive de livros técnicos.

Matthew Fisher, que encabeçou o estudo, afirmou:

– “Este efeito demonstrou ser bastante robusto, e replicou-se todas as vezes. As pessoas que buscam informação tendem a combinar ou confundir seu próprio conhecimento com aquele que têm disponível”.

Por exemplo, em um dos experimentos uma parte dos voluntários buscou na rede a resposta à pergunta “Que é um zíper?“, e o grupo de controle recebeu diretamente a resposta sem tê-la procurado. Posteriormente, quando perguntaram a ambos os grupos o que entendiam do conceito, aqueles que obtiveram a resposta buscando on-line demonstravam muito maior confiança que aqueles que receberam exatamente a mesma informação, mas sem a internet no meio. Isto ocorreu inclusive nos casos em que alguns do último grupo nem sequer tinham achado uma resposta precisa à pergunta.

Este fenômeno se torna inoportuno e enfadonho dentro da área técnica e acadêmica. Eu trabalho com cálculos elétricos e eletrônicos há muitos anos e de vez em quando tenho que escutar “profissionais” desqualificados dizendo que “Você não entende nada, eu vi isso na internet e não tem nada a ver com que você está dizendo“.

Ademais, há casos em que esses “iluminados” querem revogar leis estabelecidas da física, quando não sabem nem o que significa Lei de Newton, Ohm, Mendel, Termodinâmica, etc. Você tenta explicar que suas postulações são impossíveis e o “luzidio” recorre a estapafúrdias citações que misturam esoterismo com física quântica (exatamente por isso, às vezes, Planck é chamado de “pai dos burros”).

– “Os efeitos cognitivos de “estar em estado de busca” na internet podem ser tão poderosos que as pessoas se sentem mais inteligentes ainda quando suas buscas on-line não revelam nada”, adverte o psicólogo e linguista Frank Keil, que ademais confessa que quando ficou sem internet durante alguns dias por causa de um furacão, teve a sensação de estar se tornando cada vez mais estúpido.

Fonte: Negócio Digital.

…e promove a “desigualdade cognitiva”

Internet: inteligentes mais inteligentes e tontos mais tontos

Em um fenômeno que poderia equiparar-se à desigualdade econômica propiciada pela globalização, e que talvez surpreenda alguns ou confirme o que muitos outros já suspeitavam, Kevin Drum sugere que, umas das possíveis transformações que a Internet está operando nas mentes humanas, as pessoas sapientes se tornam mais inteligentes e os tontos em mais burros, ampliando mais ainda a brecha da desigualdade cognitiva.

Isto tomando como referência pelo menos uma prática mais que freqüente quando se navega na Rede: a ação de buscar.

– “Um site pode fornecer uma resposta sumamente precisa, mas espetacularmente equivocada”, escreve o especialista, que acredita que a Internet contribui para ampliar o que chama de “desigualdade cognitiva”, um fosso cada vez maior que separa os inteligentes dos menos preparados, sobretudo em um aspecto muito particular: a capacidade de formular perguntas corretas para obter a resposta necessária.

Moral da história: Se não souber como usar ou não tem capacidade de realizar as perguntas corretas, terminará com a cabeça cheia de informação sem pé e nem cabeça. Mas se souber o que procura e como fazê-lo, terá um compêndio infinito de informação relevante.

Os resultados de suas buscas sempre retornam o que procura ou acaba se perdendo em assuntos irrelevantes às necessidades?

 

Fonte: DSinfo, via Metamorfose Digital. 

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