Estudo revela que praticar actos de generosidade traz felicidade

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Reprodução/Flickr/Goutler Rodrigues.

Em experimento, voluntários relataram seu próprio nível de felicidade após cada ato de generosidade.

Se pressupormos que o comportamento humano é motivado principalmente pelo interesse pessoal, parece ilógico sacrificar voluntariamente os recursos pelos outros.

Na tentativa de resolver esse paradoxo, alguns especialistas formularam a teoria de que doar ou presentear satisfaz o desejo de elevar a posição do indivíduo em um grupo. Outros sugeriram que o ato promove a cooperação tribal e a coesão – um elemento-chave na sobrevivência dos mamíferos. Outra explicação é que doamos apenas porque esperamos receber algo em troca. Um estudo publicado recentemente sugere que a resposta pode ser muito mais simples: doar nos deixa feliz.

Os cientistas realizaram um experimento em um laboratório em Zurique, na Suíça, com 50 pessoas que relataram seus próprios níveis de felicidade após atos de generosidade. Consistentemente, eles indicaram que doar era uma experiência de bem-estar.

Imagem do cérebro

Ao mesmo tempo, os exames de ressonância magnética revelaram que uma área do cérebro ligada à generosidade desencadeou uma resposta em outra parte relacionada à felicidade. “Nosso estudo fornece evidências comportamentais e neurais que apoiam a ligação entre generosidade e felicidade”, escreveu a equipe na revista científica “Nature Communications”.

Os pesquisadores informaram aos participantes que cada um deles teria à disposição um valor de 25 francos suíços (US$ 26) por semana durante quatro semanas.

Metade dos participantes foram convidados a se comprometer a gastar o dinheiro com outras pessoas, enquanto o resto poderia planejar como gastariam o dinheiro com eles próprios. Nenhum dinheiro foi realmente recebido ou gasto por nenhum dos dois grupos.

Depois de se comprometerem com os gastos, os participantes responderam às perguntas enquanto seus cérebros estavam sendo examinados. As perguntas evocaram cenários que opunham os próprios interesses dos participantes contra os interesses dos beneficiários da sua generosidade experimental. Os pesquisadores examinaram a atividade em três áreas do cérebro – uma ligada ao altruísmo e ao comportamento social, uma segunda à felicidade e uma terceira área envolvida na tomada de decisões.

A equipe descobriu que o grupo que se comprometeu a doar o dinheiro relatou estar mais feliz do que os que iam gastar a quantia com eles próprios.

As descobertas têm implicações para a educação, política, economia e saúde pública, segundo os pesquisadores. “A generosidade e a felicidade melhoram o bem-estar individual e podem facilitar o sucesso social”, escreveram.

 

Fonte: Publicado por France Presse, via Pavablog.

O difícil trabalho dos psicólogos do INEM

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Depois do pior incêndio de que há memória em Portugal, voltou a falar-se do que é preciso fazer: enterrar os mortos, cuidar dos vivos, ajudar a reconstruir as paredes, o corpo, a alma. Quem são os psicólogos de que tanto se falou e como prestam socorro às vítimas de stress agudo? O INEM tem uma das poucas equipas de psicologia de emergência no mundo que faz isto todos os dias.

A tragédia entrou-nos pelos olhos dentro. E com ela, o aparato de pessoas a dar resposta a uma das maiores catástrofes das últimas décadas em Portugal: bombeiros, militares, polícia, proteção civil, médicos, enfermeiros, técnicos de emergência pré-hospitalar, pilotos, assistentes sociais, investigadores, políticos, peritos forenses. Mas também uma equipa que, não por acaso, poucos viram e de pouco se fala (exceção às declarações, no início da semana, do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho): os psicólogos de emergência do INEM.

O Centro de Apoio Psicológico e de Intervenção em Crise (CAPIC) apoia vítimas de eventos traumáticos e os próprios elementos da instituição que são confrontados com situações mais exigentes. Para entender a essência do trabalho que desenvolvem, é preciso pensar que, naquele fatídico sábado, as pessoas que estavam na zona de Pedrógão Grande passaram a manhã a fazer coisas prosaicas – varrer a casa, a regar a horta, a rir com a vizinha, a combinar com os filhos um almoço na semana seguinte. Horas depois, muitas delas não tinham casa, não tinham horta, não tinham vizinha, não tinham filha e não haveriam de fazer na próxima semana nada daquilo que tinham planeado naquela manhã. Estavam vivos, mas a vida como a conheciam tinha sido consumida pelas chamas.

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Reconhecer o erro faz bem

 

Estudos demonstram que o arrependimento não é só uma sensação ruim, mas também um processo necessário para o amadurecimento da capacidade de tomar decisões

Do ponto de vista evolutivo, o arrependimento por ter tomado uma decisão errada está associado à preservação da espécie. Embora seja desagradável, esse sentimento tem enorme importância, já que deveríamos tirar dele lições e, assim, correr menos riscos de sofrer decepções quando novamente precisarmos fazer escolhas no futuro. Os mais habilidosos para tomar decisões contariam com uma espécie de “superioridade”, teriam maiores chances de viver mais, de forma saudável, e, consequentemente, transmitir seus genes.

Hoje, numerosos estudos mostram que pessoas com lesão no lobo orbitofrontal apresentam grande dificuldade para tomar decisões que as beneficiem e, por isso, tendem a perder o emprego, são incapazes de manter relações pessoais estáveis e fazem repetidamente investimentos financeiros desastrosos. Porém, essa anomalia não resulta de falta de conhecimento, criatividade ou inteligência.

O neurocientista António Damásio, professor de psicologia e neurologia da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles, acredita que o problema está relacionado a um déficit emocional. Esses pacientes seriam incapazes de produzir “marcadores somáticos”, isto é, reações emocionais manifestadas quando antecipamos uma decisão, as quais nos previnem dos resultados prováveis da escolha que nos preparamos para fazer (por exemplo, o desconforto que sentimos diante da ideia de repreender severamente um amigo).

Estudos desenvolvidos pela neuropsicóloga Angela Sirigu, em parceria com os neuroeconomistas Giorgio Coricelli e Nathalie Camille, então do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), sugerem que o arrependimento constitui um marcador somático controlado primeiramente pelo córtex orbitofrontal – daí lesões nessa região acarretarem consequências tão específicas.

Essa área teria se tornado muito importante por conduzir todas as situações de escolha, produzindo os “arrependimentos antecipados” − daí a sensação desconfortável, uma espécie de “efeito colateral” de nossa capacidade de fazer escolhas. Inversamente, as pessoas incapazes de se arrepender tomam decisões que com frequência lhes trazem dificuldades.

 

Fonte: Mente Cérebro.

A Internet faz com que as pessoas se sintam mais inteligentes do que realmente são…

 

 

Ilusão on-line: a Internet faz com que as pessoas se sintam mais inteligentes do que realmente são

Há um par de décadas abriu-se ao mundo uma inédita arca de “pré-conhecimento”, isto é, de informação. De repente uma infinita enciclopédia atualizada em tempo real ficou disponível, e com esta explosão de informação o nível popular de sapiência cresceu de forma literalmente espetacular -não só pela dimensão senão por que também remete a uma espécie de ilusão.

Dispor de tal quantidade de dados nos empodera, um fenômeno que implica um duplo fio. Por um lado estimula a sede de conhecimento e faz de muitos de nós potenciais navegadores informativos, mas por outro gera a ilusão de que sabemos mais do que em realidade sabemos. O que acontece é que quando alguém busca informação ocorre um fenômeno no qual ele acha que seu conhecimento se funde com a informação disponível na fonte onde busca.

Recentemente foi publicado um estudo realizado pela Universidade de Yale que demonstra o anterior. Em uma série de nove experimentos os pesquisadores comprovaram que aquelas pessoas que dispunham de informação proveniente da internet, consideravam saber mais que aquelas que recebiam a informação de outros lugares, inclusive de livros técnicos.

Matthew Fisher, que encabeçou o estudo, afirmou:

– “Este efeito demonstrou ser bastante robusto, e replicou-se todas as vezes. As pessoas que buscam informação tendem a combinar ou confundir seu próprio conhecimento com aquele que têm disponível”.

Por exemplo, em um dos experimentos uma parte dos voluntários buscou na rede a resposta à pergunta “Que é um zíper?“, e o grupo de controle recebeu diretamente a resposta sem tê-la procurado. Posteriormente, quando perguntaram a ambos os grupos o que entendiam do conceito, aqueles que obtiveram a resposta buscando on-line demonstravam muito maior confiança que aqueles que receberam exatamente a mesma informação, mas sem a internet no meio. Isto ocorreu inclusive nos casos em que alguns do último grupo nem sequer tinham achado uma resposta precisa à pergunta.

Este fenômeno se torna inoportuno e enfadonho dentro da área técnica e acadêmica. Eu trabalho com cálculos elétricos e eletrônicos há muitos anos e de vez em quando tenho que escutar “profissionais” desqualificados dizendo que “Você não entende nada, eu vi isso na internet e não tem nada a ver com que você está dizendo“.

Ademais, há casos em que esses “iluminados” querem revogar leis estabelecidas da física, quando não sabem nem o que significa Lei de Newton, Ohm, Mendel, Termodinâmica, etc. Você tenta explicar que suas postulações são impossíveis e o “luzidio” recorre a estapafúrdias citações que misturam esoterismo com física quântica (exatamente por isso, às vezes, Planck é chamado de “pai dos burros”).

– “Os efeitos cognitivos de “estar em estado de busca” na internet podem ser tão poderosos que as pessoas se sentem mais inteligentes ainda quando suas buscas on-line não revelam nada”, adverte o psicólogo e linguista Frank Keil, que ademais confessa que quando ficou sem internet durante alguns dias por causa de um furacão, teve a sensação de estar se tornando cada vez mais estúpido.

Fonte: Negócio Digital.

…e promove a “desigualdade cognitiva”

Internet: inteligentes mais inteligentes e tontos mais tontos

Em um fenômeno que poderia equiparar-se à desigualdade econômica propiciada pela globalização, e que talvez surpreenda alguns ou confirme o que muitos outros já suspeitavam, Kevin Drum sugere que, umas das possíveis transformações que a Internet está operando nas mentes humanas, as pessoas sapientes se tornam mais inteligentes e os tontos em mais burros, ampliando mais ainda a brecha da desigualdade cognitiva.

Isto tomando como referência pelo menos uma prática mais que freqüente quando se navega na Rede: a ação de buscar.

– “Um site pode fornecer uma resposta sumamente precisa, mas espetacularmente equivocada”, escreve o especialista, que acredita que a Internet contribui para ampliar o que chama de “desigualdade cognitiva”, um fosso cada vez maior que separa os inteligentes dos menos preparados, sobretudo em um aspecto muito particular: a capacidade de formular perguntas corretas para obter a resposta necessária.

Moral da história: Se não souber como usar ou não tem capacidade de realizar as perguntas corretas, terminará com a cabeça cheia de informação sem pé e nem cabeça. Mas se souber o que procura e como fazê-lo, terá um compêndio infinito de informação relevante.

Os resultados de suas buscas sempre retornam o que procura ou acaba se perdendo em assuntos irrelevantes às necessidades?

 

Fonte: DSinfo, via Metamorfose Digital. 

Rui Costa: “As neurociências ensinaram-me a fazer menos julgamentos sobre os outros”

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Rui Costa, que dirige um grupo de investigação no centro de neurociências da Fundação Champalimaud, fala em entrevista ao DN do seu trabalho, de algumas das suas descobertas e desse órgão complexo e maravilhoso que é o cérebro humano

Na Guarda, onde nasceu e cresceu, e na aldeia dos pais, lá perto, Rui Costa aprendeu a amar a natureza. Na televisão, David Attenbouroug falava-lhe doutros mistérios e ele acabou por ir para veterinária, para poder estudar o comportamento animal. Daí às neurociências foi um passo. Já fez várias descobertas, algumas das quais poderão conduzir a novas terapias para doenças como a de Parkinson, ou os distúrbios da compulsão. Dirige um grupo de investigação na Fundação Champalimaud. É lá, no seu gabinete fronteiro ao Tejo, que nos encontramos, numa manhã cheia de sol.

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As pessoas mais inteligentes precisam de mais tempo sozinhas

© Ilya Naymushin / Reuters

E lidam melhor com o reboliço dos grandes centros urbanos, onde a maioria da população é mais infeliz do que nos meios rurais. As conclusões são um estudo de dois psicólogos evolucionistas que relacionam a inteligência com as experiências sociais e a densidade populacional

 A socialização, a partilha e a amizade – três das características que mais nos definem enquanto seres sociais. Mas se parte da nossa felicidade vem da socialização, a ciência veio provar que esta ideia não se aplica em casos de pessoas muito inteligentes.

Dois psicólogos evolucionistas – Norman P. Li, da Singapore Management University, e Satoshi Kanazawa, da London School of Economics and Political Science – chegaram a estes dados depois de estudarem os casos de 15 mil jovens adultos (entre os 18 e os 28 anos).

A proposta do estudo baseia-se na chamada “teoria da felicidade da savana”, que tem em consideração não apenas os contextos atuais, mas também as consequências ancestrais no que toca à satisfação dos indivíduos perante a vida – o que procura explicar é a forma como essas consequências ancestrais interagem com a inteligência.

Os investigadores escolheram dois fatores para relacionar com o nível de satisfação, em testes empíricos: densidade populacional e frequência da socialização com amigos. Quanto à densidade populacional, chegaram à conclusão que tende a ser duas vezes mais um fator de insatisfação para os indivíduos de QI mais baixo do que para os de QI mais elevado. Mas o dado talvez mais interessante do estudo está no fator socialização, que parece ser uma fonte muito menor de satisfação para as pessoas de QI mais elevado. Estar com os amigos pode mesmo tornar estas pessoas mais infelizes, segundo as conclusões apresentadas.

A explicação mais simples apontada para justificar estes resultados tem por base o facto de as pessoas mais inteligentes terem frequentemente aspirações mais elevadas e preferirem usar mais o seu tempo para trabalhar nos seus objetivos do que para socializar.

Além disso, para os nossos antepassados, segundo explicam os autores, “era fundamental manter amigos e aliados de longa data para sobreviver”, na lógica de grupo. Foi, aliás, assim que nasceu a nossa condição de seres sociais, como reflexo das alianças antigas que mantínhamos em pequenos grupos fechados de relações fortes.

Ou seja, também aqui importa considerar a evolução da espécie. Dantes não tínhamos iPhones nem comida processada e é bem provável que haja, sugerem os autores, um desalinhamento entre as funções para as quais os nossos corpos foram desenvolvidos e o mundo em que a maioria de nós vive agora. Daí que os cérebros mais inteligentes e evoluídos se adaptem com mais facilidade às novas realidades e às constantes mudanças do mundo moderno.

No que respeita ao fator densidade populacional, os autores do estudo referem: “Os residentes das zonas rurais são mais felizes do que os residentes dos subúrbios, que, por sua vez, são mais felizes do que os habitantes das pequenas cidades centrais. E estes são mais felizes do que os residentes em grandes cidades centrais”. Mas os muito inteligentes fogem a estas “regras”.

A densidade populacional explica-se como fator de insatisfação de forma relativamente simples e óbvia. São várias as respostas sociológicas para este problema e passam sobretudo pelo stresse associado à grande aglomeração de pessoas: filas, trânsito, poluição ambiental e sonora, sensação de falta de tempo constante ou sensação de pequenez no meio da multidão.

Para justificarem o facto de as pessoas mais inteligentes sofrerem menos com estas vivências, os investigadores já voltam a sugerir uma explicação mais complexa e de teor evolucionista, assente na ideia de que a vida mudou muito desde o início da espécie. Dantes a vida era partilhada com pouca gente – “viviam e caçavam em grupos de cerca de 150 pessoas”, escrevem os autores. E é possível que os cérebros de QI mais elevado sejam mais evoluídos e, por isso, se adaptem melhor à realidade de hoje, mesmo nos grandes centros urbanos. Sentindo-se menos sufocados e mais tranquilos com o crescimento e a densidade populacional em seu redor.

 

Fonte: Visão.

Por que é que há canções que se colam à nossa cabeça durante um dia inteiro?

Uma equipa de cientistas procurou a resposta e diz que são geralmente canções com andamento rápido, uma forma melódica vulgar, mas intervalos e repetições incomuns. A campeã actual destas “canções pegajosas” é Lady Gaga.

Lady Gaga tem três canções na lista elaborada pelos investigadores REUTERS/TORU HANAI

Estamos descansados a pensar na vida, ou descansados da vida no chuveiro, e a cabeça é invadida pelo som de uma canção, aquela canção, a da melodia que não nos largará até que o dia acabe. Acontece a todos e da ocorrência não vem mal ao mundo, mas que irrita, irrita. Kelly Jakubowski, investigadora principal do Departamento de Música da Universidade de Durham, Inglaterra, não nos salvará das canções que nos invadem o cérebro sem convite durante dias a fio, mas a sua equipa explica quais as características musicais que conduzem a que tal aconteça. E revela que, em tempos recentes, Lady Gaga pode bem ser coroada a rainha do fenómeno.

A informação para o estudo foi recolhida entre 2010 e 2013 a partir de um grupo de estudo de três mil pessoas, que foram questionadas sobre os seus mais frequentes otovermes, para usar o adequadíssimo neologismo cunhado por Miguel Esteves Cardoso nas páginas do então jornal Blitz, hoje revista, há cerca de uma década. Em seguida, essas canções foram comparadas com outras que, não tendo sido nomeadas, se equivaliam em popularidade e em proximidade temporal quanto à presença nas tabelas de vendas inglesas (o estudo circunscreveu-se a público inglês e alemão e aos estilos musicais mais ouvidos no Ocidente, o rock, pop, hip hop e R&B).

“Estas canções musicalmente pegajosas têm um andamento rápido, reunido a uma forma melódica vulgar e a intervalos e repetições incomuns, como podemos ouvir no riff de abertura de Smoke on the water, dos Deep Purple, ou no refrão de Bad romance, de Lady Gaga”, afirma a autora do estudo publicado agora na revista Psychology of Aesthetics, Creativity and the Arts, em declarações citadas em comunicado da Associação Americana de Psicologia. Tais padrões encontram-se, por exemplo, nas canções de embalar, o que, dizem os autores, as torna mais fáceis de memorizar pelas crianças.

Moves like Jagger, dos Maroon 5, um dos otovermes mais referidos, tem uma melodia que evolui de forma semelhante a Twinkle, twinkle little star, o tema infantil britânico usado no estudo como exemplo. Em ambas se regista uma subida de tom na primeira frase, seguida de uma descida na segunda. Se reunirmos a essa característica os intervalos e repetições incomuns acima referidos, como as que se ouvem em My Sharona, o clássico dos The Knack, ou em In the mood, o standard de Glenn Miller, temos um otoverme completo, preparadíssimo para a acção nas nossas mentes indefesas.

Entre as canções mais nomeadas no estudo como otovermes, há um nome que se destaca. Lady Gaga é a única presença repetida, com Bad romance, Alejandro e Poker face incluídas na lista. Fazem-lhe companhia contemporâneos como Gotye (Somebody I used to know), Maroon 5 (Moves like Jagger) e Katy Perry (California gurls). Surgem depois um clássico do rock FM da década de 1980, os Journey de Can’t stop believing, uma canção cujo título parece indiciar desde logo a sua natureza “otovérmica” (Can’t get you out of my head, de Kylie Minogue) e a aparentemente eterna Bohemian Rapshody dos Queen.

O ano passado, um outro estudo, também britânico, mas elaborado na Universidade de St. Andrews, não se propôs descobrir o que tornava uma canção um otoverme, mas identificar os maiores otovermes de sempre da música anglo-saxónica. Lady Gaga não tinha lugar na lista, mas os Queen surgiam em destaque, com We will rock you no topo da lista e com We are the champions e Bohemian rapshody em terceiro e sexto lugar, respectivamente.

 

Fonte: Público.

Espanha: pais rejeitam TPC dos filhos

JORGE AMARAL/GLOBAL IMAGENS

 

 

Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos incentiva famílias a deixar que as crianças não façam os trabalhos de casa em novembro

Os pais de crianças que frequentam a escola pública em Espanha iniciaram esta semana uma greve de um mês aos trabalhos de casa passados aos seus filhos, uma iniciativa que é inédita no país vizinho.

A Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos (Ceapa), que representa cerca de 12 mil associações, instou as famílias das várias comunidades autonómicas espanholas a recusarem-se a fazer os deveres durante os fins de semana de novembro, noticiou hoje o jornal El Mundo.

Os argumentos da Ceapa é que os trabalhos de casa “invadem o tempo das famílias” e “violam o direito ao recreio, à brincadeira e a participar nas atividades artísticas e culturais”, tal como vem descrito no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança.

A confederação distribuiu pelos pais três cartas que estes devem entregar nas escolas: na primeira pede-se ao diretor da escola que ordene aos professores da criança que não lhe passem trabalhos de casa em Novembro, a segunda é o mesmo pedido, mas feito diretamente ao tutor da criança.

A terceira é uma carta dirigida ao professor a explicar-lhe que o aluno não fez os trabalhos devido ao “direito constitucional que as famílias têm de tomar as decisões que considerem oportunas no âmbito familiar, que tem caráter privado, e que a escola não pode invadir”.

“Em virtude dos direitos que me assistem, dei prioridade às atividades familiares, como não podia deixar de ser, e, portanto, os trabalhos de casa não foram feitos”, acrescenta a carta que, segundo a Ceapa, os pais que aderiram à greve poderão entregar às escolas como forma de livre-trânsito.

O presidente da Ceapa, José Luis Pazos, declarou ao El Mundo que os pais querem “recuperar o tempo familiar dos fins-de-semana”.

“Também queremos que o modelo mude e que se dê um salto qualitativo no sistema educativo. Escolas de outros países funcionam sem trabalhos de casa, sem livros de texto e sem exames e obtêm resultados magníficos”, realçou.

Os estudos científicos demonstram que fazer mais trabalhos de casa não melhora, necessariamente, o rendimento escolar.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) alerta, por outro lado, que os trabalhos de casa “reforçam a disparidade socio-económica entre os estudantes” e “aumentam o intervalo entre os ricos e os pobres”.

A Espanha é um dos países em que os professores mais passam trabalhos de casa, ocupando aos alunos uma média de 6,5 horas por semana, faca à média de 4,9 horas.

Fonte: DN.

O cérebro adapta-se à desonestidade e a mentira cresce

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Mentir várias vezes em benefício próprio vai diminuindo a reacção do nosso cérebro à desonestidade. E, assim, mente-se cada vez mais.

A detecção da mentira, da sua escalada e da resposta do cérebro à desonestidade foi feita usando um frasco cheio de moedas em experiências com um grupo de 80 pessoas. Os resultados, publicados esta semana na revista Nature Neuroscience, mostram que as pequenas transgressões podem levar a mentiras cada vez maiores e que o cérebro “se habitua” a mentir. Sobretudo, se a desonestidade for em benefício próprio. É a primeira prova empírica sobre a previsível escalada gradual da mentira num trabalho que mostra também o que acontece no nosso cérebro durante este processo.

Um estudo realizado por investigadores da University College de Londres apresenta fortes argumentos para uma percepção que muitas pessoas terão sobre a mentira. É que às vezes parece que as pessoas se habituam a mentir. E de uma pequena aldrabice resvalam para mentiras cada vez maiores, com facilidade. Os cientistas comprovam esta hipótese com uma simples experiência que envolveu um frasco cheio de centavos de libra (o equivalente aos cêntimos) em vários cenários. Esta investigação, refere o comunicado da universidade, “fornece a primeira prova empírica de que as mentiras para proveito próprio vão escalando gradualmente e revela como é que isto acontece nos nossos cérebros”.

 A equipa colocou 80 participantes, com idades entre os 18 e os 65 anos, à prova durante uma série de exercícios em que comunicavam com outra pessoa à distância, por computador. O objectivo do jogo era adivinhar a quantidade de moedas dentro de um frasco exibido numa fotografia. Experimentaram vários cenários, entre os quais, não mentir e tentar que o parceiro do jogo acertasse na quantia, mentir para o outro tivesse lucro sem o seu prejuízo, mentir para que o outro tivesse lucro mas com prejuízo para si ou mentir apenas para seu proveito, prejudicando ou não o outro.

Os resultados mostraram que quando o participante no jogo podia tirar algum proveito da situação, ele não só era desonesto como mentia cada vez mais. E enquanto a desonestidade escala, a reacção no cérebro cai. Um grupo mais restrito de 25 participantes na experiência fez uma ressonância magnética, procurando-se a resposta da região da amígdala (associada às emoções) ao comportamento demonstrado.

Investigadores usaram esta imagem de um frasco com moedas nas experiências DR

A equipa britânica percebeu que a amígdala respondia de forma clara quando as pessoas mentiam pela primeira vez para proveito próprio. Com a repetição, a resposta no cérebro diminuía. “O cérebro adapta-se à desonestidade. Há uma adaptação emocional. Tal como acontece com os neurónios do bolbo olfactivo e nos habituamos ao cheiro de um perfume quando entramos num sítio”, explicou Tali Sharot, uma das autoras do artigo, em conferência de imprensa organizada pela Nature.

Os investigadores perceberam também que a par da adaptação emocional também a “magnitude das mentiras” aumentava. E mais: a equipa conseguiu uma forma de cálculo que relacionava a magnitude da mentira à redução da actividade da amígdala e percebeu que uma diminuição significativa na actividade cerebral significa que viria aí uma mentira maior ainda. “Quando mentimos para nosso proveito, a nossa amígdala produz um sentimento negativo que limita o ponto até onde estamos preparados para mentir. Porém, essa resposta esbate-se quando continuamos a mentir e, quanto mais desce, maiores se tornam as mentiras”, explica Tali Sharot.

Mas, e se não beneficiarmos com a mentira? “Temos duas situações neste estudo que avaliaram isso”, responde ao PÚBLICO Neil Garrett, outro dos autores do artigo. “Uma em que mentir é prejudicial para o próprio participante mas beneficia o parceiro. Outra em que a desonestidade não tem qualquer efeito no participante, mas beneficia o parceiro. No primeiro caso, não detectamos desonestidade nem a escalada da mentira. No segundo caso, vemos que são desonestos mas a desonestidade não aumenta”, acrescenta. Assim, não basta mentir muitas vezes para mentir cada vez mais. Para que este efeito se concretize, é preciso também que se ganhe alguma coisa com isso.

Estamos perante um efeito “bola de neve”, dizem os investigadores, que usam a expressão “terrenos escorregadios” (em inglês, slippery slope). E, presumem os cientistas, o mesmo princípio também poderá aplicar-se outras situações como comportamentos de risco ou violentos.

No estudo não foram notadas diferenças entre as faixas etárias ou entre homens e mulheres, mas os investigadores admitem que encontraram “muitas diferenças individuais”. Percebe-se, diz Neil Garrett, que nas mesmas situações “alguns mentem muito e as mentiras aumentam muito e outros fazem-no menos”. Agora, falta perceber melhor por que é que isso é assim.

 

Fonte: Público.

Três mitos sexistas que a ciência põe em causa

 

 

Reuters

Muitas das características que achamos que distinguem o sexo feminino do masculino não passam de ideias desvirtuadas. Não, as mulheres não são mais intuitivas por natureza

O fosso entre sexos continua a ser evidente, mas as mulheres ocupam hoje, por todo o mundo, alguns dos cargos mais relevantes – Presidente da Coreia do Sul, de Taiwan, rimeira- ministra do Reino Unido, do Bangladesh, da Namíbia ou de Myanmar, figura máxima do Banco da Índia ou do FMI e tantas outras.

Esta progressiva ascensão feminina a cargos de relevo ajuda a alimentar generalizações por vezes abusivas e pouco claras a nível científico. Exemplo: uma mulher líder é melhor porque é emocionalmente mais inteligente, mais resistente às obrigações da competitividade e tradicionalmente mais intuitiva.

Não podemos negar, e a ciência é a primeira a comprová-lo, que os cérebros da mulher e do homem são diferentes e têm respostas distintas. Diferem quimicamente, a nível estrutural e funcional. Processam a memória emocional de forma diferente e têm diferentes modos de responder a situações de stresse, por exemplo.

É importante perceber, portanto, o que é neurociência e o que não passa de senso comum.

Mito 1: As mulheres são melhores no multi-tasking (realizar várias tarefas ao mesmo tempo)

Esta teoria tem por base o facto de, na mulher, o cérebro ter mais facilidade em fazer a conexão entre os dois hemisférios, porque os dois lados do córtex cerebral estão mais densamente ligados. No caso do homem, são mais fortes as conexões da frente para trás em cada hemisfério. Mas isso não significa que elas conseguem fazer mais coisas ao mesmo tempo porque todos somos pouco eficientes quando mudamos constantemente de tarefa.

Em 2013 foi realizado um estudo que procurou responder a estas dúvidas, com homens e mulheres a realizar tarefas ao mesmo tempo. Numa primeira fase, o estudo colocou dois grupos (120 homens e 120 mulheres) em frente a um computador com um paradigma de mudança de tarefas. E, num segundo momento, 47 homens e 47 mulheres realizaram diferentes tarefas em papel.

Conclusões: na primeira experência, homens e mulheres foram mais lentos quando confrontados com duas tarefas rapidamente intervaladas entre si do que com as mesmas mas realizadas em separado. Mas eles “perderam”.

Nesta primeira fase do teste, os homens reduziram a qualidade do seu desempenho em 77% e as mulheres em 66% ao realizarem tarefas em simultâneo e não em separado, uma de cada vez.

Na segunda experiência, homens e mulheres foram similarmente capazes de desenvolver pesquisas por restaurantes num mapa, de resolver problemas de aritmética simples e responder a questões de cultura geral num telemóvel.

As mulheres destacaram-se, no entanto, quando lhes foi pedido que sugerissem estratégias para encontrar uma chave perdida.

Em ambas as experiências os homens foram mais lentos a cumprir as tarefas pedidas mas a diferença entre os géneros não foi significativa. O próprio estudo assume que não é suficiente para justificar que, a nível neurológico, as mulheres superam os homens no multi-tasking.

As interrupções constantes e a pressão para fazer tudo ao mesmo tempo aumenta exponencialmente o nível de stresse e os riscos de segurança – a conduzir, a pilotar ou em cirurgias, por exemplo.

De uma coisa a ciência tem a certeza absoluta: é sempre preferível, a homens e mulheres, que nos foquemos em tarefas de forma total e sequencial – uma de cada vez.

Mito 2: As mulheres são menos competitivas e, por isso, melhores no trabalho de equipa

Este é um mito cuja credibilidade beneficia dos efeitos das hormonas presentes em maior quantidade nas mulheres, como o estrogénio e a ocitocina (hormona do amor), por oposição à testosterona que têm em menor quantidade. No entanto, o tipo e a quantidade hormonal varia de cérebro para cérebro, não apenas com base no género.

A Escola de Economia de Estocolmo levou a cabo um estudo a nível nacional que procurou replicar esta ideia de perceber se os homens são tendencialmente mais competitivos do que as mulheres. Quiseram perceber se as diferenças entre géneros eram reais ou enviesadas pelas normas culturais.

Os resultados foram um grito incrível de igualdade: crianças, rapazes e raparigas, dos 7 aos 10 anos, a competir em atividades diferentes revelaram exatamente o mesmo nível de competitividade. É importante, claro, ver estes resultados à luz do país em que foram apurados, a Suécia – o segundo país com maiores valores de igualdade de género do mundo. O relatório do estudo teve como título “Rapazes e raparigas competem de igual forma”.

Aquilo que os neurocientistas dizem é que nascemos iguais em termos de competitividade e vontade de vencer, mas depois acabamos moldados pelo ambiente cultural em que nascemos – um resultado socialmente estereotipado e não biologicamente adquirido.

Na realidade, os cérebros à nascença praticamente não diferem e até características como a confiança, que poderia pensar-se que é quase “natural”, requerem uma apropriação do contexto em que vivemos. Este é um trabalho na área da epigenética, a ciência que estuda a forma como as realidades exteriores aos indivíduos podem pesar no seu material genético.

Mito 3: As mulheres têm mais inteligência emocional e mais intuição

Há, de facto, uma diferença clara no cérebro masculino e feminino: o córtex orbifrontal e o Sistema Límbico Profundo. Este é o sistema que está envolvido no processamento e expressão das emoções e que coloca, por vezes, as mulheres como mais suscetíveis a problemas emocionais como a depressão. Esta característica faz com que também se costume associar o cérebro feminino à capacidade de articular emoções e de perceber intuitivamente os outros.

Mas, uma vez mais, tomar o género como única variável para medir este tipo de característica resulta uma avaliação bastante pobre. Aquilo que são pequenas distinções biológicas influenciam determinadas tendências ou predisposições naturais que facilmente mudam à luz dos contextos em que ocorrem e da educação de cada um de nós. Porque as capacidade sociais como a empatia são totalmente adquiridas em sociedade, como comprova um estudo realizado na Universidade de Liège, na Bélgica, e que se centra nas questões da plasticidade emocional. Foi criado como tentativa de reunir soluções para aumentar a inteligência emocional de alguns executivos seniores, de forma tornarem-se mais competitivos nos seus locais de trabalho. Ou seja, ser sensível às emoções do outro e intuitivo é algo que se pode aprender e treinar.

Outro dado interessante explica a facilidade que os homens têm na noção espacial. É um trabalho de 2011, que estuda, através de um puzzle, a diferença entre cerca de 1300 indígenas de duas tribos indianas: os Karbi. que são uma sociedade patriarcal, e os Khasi, que são matriarcais. Resultado: entre os Khasi não há qualquer diferença de género e no caso dos Karbi os homens destacaram-se claramente. Este estudo vem dar força à ideia de que esta característica é também mais social do que biológica.

Não sendo determinísticas, o certo é que as explicações científicas não suportam as explicações simplistas destes três estereótipos de género.

Aqui fica a lista das mulheres mais poderosas do mundo, segundo a revista Forbes:

Angela Merkel – Chanceler da Alemanha

Hillary Clinton – Candidata democrata à presidência dos Estados Unidos

Janet Yellen – Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos

Melinda Gates – Vice-presidente da Fundação Bill e Melinda Gates (EUA)

Mary Barra – Diretora Executiva (CEO) da General Motors (EUA)

Christine Lagarde – Diretora do FMI (França)

Sheryl Sandberg – Diretora de operações (COO) do Facebook (EUA)

Susan Wojcicki – Diretora Executiva (CEO) do YouTube (EUA)

Meg Whitman – Directora Executiva (CEO) da HP (EUA)

Ana Patricia Botin – Diretora do Banco Santander (Espanha)

 

Fonte: Visão.