Reconhecer o erro faz bem

 

Estudos demonstram que o arrependimento não é só uma sensação ruim, mas também um processo necessário para o amadurecimento da capacidade de tomar decisões

Do ponto de vista evolutivo, o arrependimento por ter tomado uma decisão errada está associado à preservação da espécie. Embora seja desagradável, esse sentimento tem enorme importância, já que deveríamos tirar dele lições e, assim, correr menos riscos de sofrer decepções quando novamente precisarmos fazer escolhas no futuro. Os mais habilidosos para tomar decisões contariam com uma espécie de “superioridade”, teriam maiores chances de viver mais, de forma saudável, e, consequentemente, transmitir seus genes.

Hoje, numerosos estudos mostram que pessoas com lesão no lobo orbitofrontal apresentam grande dificuldade para tomar decisões que as beneficiem e, por isso, tendem a perder o emprego, são incapazes de manter relações pessoais estáveis e fazem repetidamente investimentos financeiros desastrosos. Porém, essa anomalia não resulta de falta de conhecimento, criatividade ou inteligência.

O neurocientista António Damásio, professor de psicologia e neurologia da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles, acredita que o problema está relacionado a um déficit emocional. Esses pacientes seriam incapazes de produzir “marcadores somáticos”, isto é, reações emocionais manifestadas quando antecipamos uma decisão, as quais nos previnem dos resultados prováveis da escolha que nos preparamos para fazer (por exemplo, o desconforto que sentimos diante da ideia de repreender severamente um amigo).

Estudos desenvolvidos pela neuropsicóloga Angela Sirigu, em parceria com os neuroeconomistas Giorgio Coricelli e Nathalie Camille, então do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), sugerem que o arrependimento constitui um marcador somático controlado primeiramente pelo córtex orbitofrontal – daí lesões nessa região acarretarem consequências tão específicas.

Essa área teria se tornado muito importante por conduzir todas as situações de escolha, produzindo os “arrependimentos antecipados” − daí a sensação desconfortável, uma espécie de “efeito colateral” de nossa capacidade de fazer escolhas. Inversamente, as pessoas incapazes de se arrepender tomam decisões que com frequência lhes trazem dificuldades.

 

Fonte: Mente Cérebro.

Rui Costa: “As neurociências ensinaram-me a fazer menos julgamentos sobre os outros”

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Rui Costa, que dirige um grupo de investigação no centro de neurociências da Fundação Champalimaud, fala em entrevista ao DN do seu trabalho, de algumas das suas descobertas e desse órgão complexo e maravilhoso que é o cérebro humano

Na Guarda, onde nasceu e cresceu, e na aldeia dos pais, lá perto, Rui Costa aprendeu a amar a natureza. Na televisão, David Attenbouroug falava-lhe doutros mistérios e ele acabou por ir para veterinária, para poder estudar o comportamento animal. Daí às neurociências foi um passo. Já fez várias descobertas, algumas das quais poderão conduzir a novas terapias para doenças como a de Parkinson, ou os distúrbios da compulsão. Dirige um grupo de investigação na Fundação Champalimaud. É lá, no seu gabinete fronteiro ao Tejo, que nos encontramos, numa manhã cheia de sol.

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As pessoas mais inteligentes precisam de mais tempo sozinhas

© Ilya Naymushin / Reuters

E lidam melhor com o reboliço dos grandes centros urbanos, onde a maioria da população é mais infeliz do que nos meios rurais. As conclusões são um estudo de dois psicólogos evolucionistas que relacionam a inteligência com as experiências sociais e a densidade populacional

 A socialização, a partilha e a amizade – três das características que mais nos definem enquanto seres sociais. Mas se parte da nossa felicidade vem da socialização, a ciência veio provar que esta ideia não se aplica em casos de pessoas muito inteligentes.

Dois psicólogos evolucionistas – Norman P. Li, da Singapore Management University, e Satoshi Kanazawa, da London School of Economics and Political Science – chegaram a estes dados depois de estudarem os casos de 15 mil jovens adultos (entre os 18 e os 28 anos).

A proposta do estudo baseia-se na chamada “teoria da felicidade da savana”, que tem em consideração não apenas os contextos atuais, mas também as consequências ancestrais no que toca à satisfação dos indivíduos perante a vida – o que procura explicar é a forma como essas consequências ancestrais interagem com a inteligência.

Os investigadores escolheram dois fatores para relacionar com o nível de satisfação, em testes empíricos: densidade populacional e frequência da socialização com amigos. Quanto à densidade populacional, chegaram à conclusão que tende a ser duas vezes mais um fator de insatisfação para os indivíduos de QI mais baixo do que para os de QI mais elevado. Mas o dado talvez mais interessante do estudo está no fator socialização, que parece ser uma fonte muito menor de satisfação para as pessoas de QI mais elevado. Estar com os amigos pode mesmo tornar estas pessoas mais infelizes, segundo as conclusões apresentadas.

A explicação mais simples apontada para justificar estes resultados tem por base o facto de as pessoas mais inteligentes terem frequentemente aspirações mais elevadas e preferirem usar mais o seu tempo para trabalhar nos seus objetivos do que para socializar.

Além disso, para os nossos antepassados, segundo explicam os autores, “era fundamental manter amigos e aliados de longa data para sobreviver”, na lógica de grupo. Foi, aliás, assim que nasceu a nossa condição de seres sociais, como reflexo das alianças antigas que mantínhamos em pequenos grupos fechados de relações fortes.

Ou seja, também aqui importa considerar a evolução da espécie. Dantes não tínhamos iPhones nem comida processada e é bem provável que haja, sugerem os autores, um desalinhamento entre as funções para as quais os nossos corpos foram desenvolvidos e o mundo em que a maioria de nós vive agora. Daí que os cérebros mais inteligentes e evoluídos se adaptem com mais facilidade às novas realidades e às constantes mudanças do mundo moderno.

No que respeita ao fator densidade populacional, os autores do estudo referem: “Os residentes das zonas rurais são mais felizes do que os residentes dos subúrbios, que, por sua vez, são mais felizes do que os habitantes das pequenas cidades centrais. E estes são mais felizes do que os residentes em grandes cidades centrais”. Mas os muito inteligentes fogem a estas “regras”.

A densidade populacional explica-se como fator de insatisfação de forma relativamente simples e óbvia. São várias as respostas sociológicas para este problema e passam sobretudo pelo stresse associado à grande aglomeração de pessoas: filas, trânsito, poluição ambiental e sonora, sensação de falta de tempo constante ou sensação de pequenez no meio da multidão.

Para justificarem o facto de as pessoas mais inteligentes sofrerem menos com estas vivências, os investigadores já voltam a sugerir uma explicação mais complexa e de teor evolucionista, assente na ideia de que a vida mudou muito desde o início da espécie. Dantes a vida era partilhada com pouca gente – “viviam e caçavam em grupos de cerca de 150 pessoas”, escrevem os autores. E é possível que os cérebros de QI mais elevado sejam mais evoluídos e, por isso, se adaptem melhor à realidade de hoje, mesmo nos grandes centros urbanos. Sentindo-se menos sufocados e mais tranquilos com o crescimento e a densidade populacional em seu redor.

 

Fonte: Visão.

Ler ficção prolonga a vida?

 

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Uma investigação concluiu que quem lê obras de ficção vive mais anos

Há livros que salvam vidas. Em momentos em que somos forçados a estar circunscritos a uma cama, por motivo de acidente ou doença, um livro permite esquecer durante umas horas as dores ou a prisão involuntária. Graças à evasão que uma obra de ficção permite, consegue-se viajar temporariamente para fora do mundo real.

Paulo M. Morais sabe bem o que isso é. O escritor passou recentemente por um cancro, e cada um dos oito tratamentos teve direito a um livro de combate. “Vivi oito ciclos de quimioterapia sempre com um livro nas mãos. Qual o efeito das leituras? Sentir-me permanentemente acompanhado, durante os quase seis meses de quimioterapia, pelos nomes das capas, pelas personagens das páginas, pelas pessoas que me tinham passado os livros. A leitura foi uma distração; um auxílio para espaçar a respiração, aceitar o momento, aprofundar a serenidade. Cada página lida ajudou-me a controlar a ansiedade, a dúvida, o desconforto. Cada página lida incentivou-me a questionar, refletir, relembrar, escrever. Na sala de tratamentos, nunca encontrei mais ninguém com um livro entre as mãos. A maior parte das pessoas entretinha-se com tablets, telemóveis, companhias humanas. Algumas folheavam revistas e jornais; outras olhavam para o vazio. Quando terminei o tratamento, concluí que não podia ter vivido o meu cancro sem ler nem escrever.”

Agora, um estudo científico comprova as vantagens físicas da leitura. Uma investigação levada a cabo pela Universidade de Yale, com 3635 participantes, concluiu que os leitores de livros de ficção (jornais e revistas não tinham o mesmo efeito), viviam em média mais dois anos que os restantes.

Embora não saiba explicar o motivo de tal relação, Rebecca Levy, autora do estudo, afirmou que quem relatava ler livros nem que fosse meia hora por dia tinha maiores probabilidades de sobrevivência do que as que não liam.

Os resultados não surpreendem a editora do grupo Leya, Maria do Rosário Pedreira. Afinal, “a leitura é uma forma excelente de pôr o cérebro a trabalhar, especialmente se for ativa e participante — como acontece na literatura —, o que nos obriga a um esforço de atenção e concentração, implica constante visualização e imaginação, e torna-nos capazes de apreciar critica e esteticamente a estrutura, a linguagem, o estilo do autor”. Maria do Rosário compreende perfeitamente a ajuda que os livros prestam. “Nunca tive nenhuma doença especialmente grave ou duradoura, mas, em momentos em que tendia para a depressão (mortes de pessoas próximas, males de amor…), senti sempre que a leitura era uma salvação, porque me permitia mergulhar num mundo que não era o meu e alhear-me do que me estava a minar por dentro.

Lembro-me de que, numa noite em que estava especialmente triste, há muitos anos, comecei a ler ‘Porto Sudão’, de Olivier Rolin, e me fui deitar já quase de madrugada, muito mais ‘leve’ e bem-disposta, cheia de vontade de acordar no dia seguinte para ler o resto.”

 

Fonte: Katya Delimbeuf, Expresso.

As 97 novas regiões do cérebro e um mapa extraordinário

Novo mapa do cérebro humano | MATTHEW F. GLASSER, DAVID C. VAN ESSEN/REUTERS

Numa proeza científica, um grupo de investigadores da Universidade de Washington, em Saint Louis, nos Estados Unidos, atualizou o mapa centenário do cérebro humano, adicionando 97 novas regiões às 83 anteriormente conhecidas. As 180 zonas cerebrais identificadas são relevantes no controlo da linguagem, perceção, consciência, pensamento, atenção e sensação.

De acordo com o The Guardian, espera-se agora que este mapa, o mais completo do córtex humano alguma vez apresentado, substitua o de Brodmann (realizado há mais de 100 anos) no trabalho diário das mais diversas áreas científicas.

O esquema divulgado pelos investigadores na revista Nature foi construído a partir da combinação de múltiplas ressonâncias magnéticas a 210 jovens adultos, que participaram no Human Connectome Project, um programa dedicado à compreensão da conectividade neuronal.

Na revista, Matthew Glasser e os outros cientistas envolvidos no projeto explicam como combinaram ressonâncias à estrutura cerebral, às funções e à conectividade para criar o novo mapa. Alguns pacientes foram testados enquanto descansavam, outros enquanto faziam exercícios de matemática ou ouviam histórias para que se assegurasse o maior alcance possível da pesquisa.

O esquema, que ficará disponível a custo zero, deverá auxiliar o trabalho científico na áreas dedicadas ao mapeamento do córtex humano. A neurocirurgia deverá também beneficiar desta conquista (já que os cirurgiões poderão identificar com maior facilidade as zonas que estão a operar.) A longo prazo, o mapa possibilitará a investigação de um vasto manancial de perturbações, como a demência e a esquizofrenia.

O mapa dos investigadores da Unidade de Washington deverá ainda ser preferido aos anteriores, já que anteriormente apenas um dos aspetos do cérebro era tido em conta: ora o aspeto da superfície quando observada ao microscópio ora o desempenho das diversas zonas quando estimuladas.

O mapa de Brodmann, o primeiro a esquematizar o cérebro humana, identificara há mais de 100 anos, apenas 50 regiões distintas na superfície enrugada do córtex humano.

Fonte: DN.

Como o cérebro cria o zero a partir do nada


KACPER PEMPEL/REUTERS

Ao contrário dos números 1, 2, 3…, que contam objectos, “0” simboliza o vazio – e a sua invenção foi um dos maiores avanços intelectuais da humanidade. Os processos neuronais envolvidos nesta façanha cognitiva começam agora a ser desvendados.

O número zero, que representa o nada, a inexistência de algo, é fundamental para tudo o que fazemos, das contas do dia-a-dia à construção de naves espaciais, da matemática à física à engenharia e aos mais sofisticados algoritmos informáticos. Porém, a sua invenção é relativamente recente e demorámos séculos a perceber a sua real importância e a conseguir utilizá-lo como o número de pleno direito que é.

Como é que o nosso cérebro faz para transformar o nada, o vazio, nesse ubíquo número que todos conhecemos e que é representado, no nosso sistema numérico, pelo símbolo “0”? Uma equipa da Universidade de Tübingen, na Alemanha, acaba de dar um passo significativo na identificação das bases neuronais deste processo cognitivo.

Andreas Nieder e os seus colegas realizaram um estudo com dois macacos Rhesus que fornece, pela primeira vez, indicações concretas sobre “como e onde o cérebro traduz activamente a ausência de estímulos contáveis numa categoria numérica”, explica aquela universidade num comunicado. Os seus resultados foram publicados na revista Current Biology.

Mas será que os macacos Rhesus sabem contar? Sim, com treino – e se o número de objectos a contar não for demasiado grande. Acontece que as capacidades numéricas básicas não são exclusivas da espécie humana: sabe-se há várias décadas que muitas espécies animais possuem um “sentido de número” (ou seja, uma ideia aproximada da quantidade de objectos num dado conjunto, ou “numerosidade”). Experiências com ratos, por exemplo, mostraram que estes animais podem ser ensinados a distinguir entre a ocorrência de dois eventos e a de quatro.

“Ratos, pombos, papagaios, golfinhos e, claro, primatas, conseguem discriminar padrões visuais ou sequências auditivas com base apenas em propriedades numéricas (…) e também possuem capacidades elementares de adição e subtracção”, explicava, já em 1997, no então recém-criado think tankonline Edge, o hoje reputado neurocientista Stanislas Dehaenne, professor do Collège de France, em Paris.

Contudo, isto não se compara à nossa capacidade mental de manipular símbolos numéricos: “São precisos anos de treino para incutir os símbolos numéricos aos chimpanzés (…). A manipulação simbólica exacta de números é uma capacidade exclusivamente humana”, acrescentava Dehaenne.

Uma longa saga

A história do zero merece ser contada. É uma história atribulada que dá a volta ao mundo, numa longa viagem de séculos, protagonizada por brilhantes matemáticos de vários continentes.

Mas, antes disso, há uma pergunta que há muito vem sendo colocada: os números, incluindo o zero, foram “descobertos” – porque já existiam na natureza – ou “inventados” por nós? A maioria dos especialistas concorda hoje em dizer que os números foram descobertos, que não são uma pura criação da mente humana.

E quando é que o zero foi descoberto? Aí, a resposta pode parecer paradoxal: foi sem dúvida descoberto há muitos séculos, mas a sua natureza profunda só muito mais tarde seria plenamente compreendida e “domada” pela mente humana.

A primeira manifestação do zero de que há registo surgiu há uns 4000 a 5000 anos na Suméria, sob forma de um par de marcas cuneiformes, afirmava em 2009, na revista Scientific American, o matemático Robert Kaplan, autor do livro The Nothing That Is: A Natural History of Zero.

Pelo seu lado, Charles Seife, autor do livro Zero: The Biography of a Dangerous Idea, não acredita nesta datação tão antiga. “Houve pelo menos duas descobertas, ou invenções, do zero”, explicava no mesmo artigo. “A que chegou até nós veio do Crescente Fértil [que incluía Suméria e Babilónia]” e apareceu entre 400 e 300 a.C. na Babilónia.

A seguir, o zero terá passado da Babilónia para a Índia e para os países árabes do Norte de África antes de atravessar o Mediterrâneo e entrar na Europa. Entretanto, também se espalhara para o Médio Oriente e o Extremo Oriente. Quanto à segunda descoberta do zero – e nisso todos concordam –, foi obra dos Maias, na América Central, aconteceu de forma totalmente independente do resto do mundo e nunca chegou a sair do continente americano.

No início, o zero (nas suas diversas formas) era um símbolo utilizado, nos sistemas numéricos como o babilónico – onde o valor de cada dígito num número depende da sua posição (equivalente às nossas unidades, dezenas, centenas… –, para assinalar que, numa dada posição, não havia qualquer dígito, só um espaço vazio. Este uso do número zero é crucial, uma vez que permite resolver incómodas ambiguidades que, no nosso sistema numérico, se traduziriam, por exemplo, na impossibilidade de distinguir 216 e 2016.

Contudo, o número zero não era ainda totalmente incontornável na ciência e tecnologia da época: os antigos gregos conheciam-no mas quase não o utilizavam, mas isso não os impediu de inventar a geometria; e o sistema numérico romano não tinha zero (o que dificultava em particular a divisão), mas isso não impediu a construção de grandes obras de engenharia.

Número de pleno direito

Seja com for, foi na Índia, há menos de 1500 anos, que o zero começou a tornar-se um número de pleno direito. “Foi nessa altura – e mesmo assim, não totalmente – que o zero adquiriu a cidadania plena na república dos números”, salienta Kaplan, no referido artigo da revista norte-americana.

“Aquilo que podemos afirmar com certeza é que, por volta do século VII d.C., o zero já era utilizado na Índia com o duplo significado actual, enquanto número e enquanto valor posicional”, diz ao PÚBLICO Jorge Buescu, matemático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. “A primeira ocorrência registada de zero que nos chegou é numa placa exterior num templo indiano em Gwalior, na Índia, que data de 876 d.C.”, acrescenta. “É quase arrepiante ver, numa inscrição indecifrável, surgir os algarismos que ainda hoje utilizamos – em particular o ‘0’ com a utilização moderna.”

Mas a questão é que o zero é um número tão especial e tão contra-intuitivo que, apesar de existir como número e como valor posicional, ninguém sabia fazer contas – adições, subtracções e ainda menos multiplicações e divisões – que envolvessem o zero. Sabia-se que 1+1=2. Mas e 1+0?

“Foram os matemáticos indianos quem estabeleceu as propriedades algébricas do zero”, explica-nos Jorge Buescu. “Pode parecer-nos natural hoje; mas foi seguramente muito estranho olhar pela primeira vez para um número pelo qual era impossível dividir.” E no século IX, “um dos maiores matemáticos árabes, Al-Kwharizmi, escreveu um tratado sobre a ‘arte hindu de efectuar cálculos’”, frisa ainda o matemático português – estendendo assim o uso do zero da aritmética para a resolução de equações (o ramo da matemática a que hoje chamamos álgebra). Os árabes chamaram-no “sifr”, palavra que daria origem a “zero” e “cifra”.

O zero entraria no Ocidente pela Itália, no século XIII, importado pelo matemático Fibonacci, também conhecido como Leonardo de Pisa, que o trouxe – bem como todo o sistema numérico árabe (na realidade indiano) – das suas viagens ao Norte de África. Mas só no século XVII é que o seu uso começou a generalizar-se na Europa.

Contas de macacos

Voltando ao trabalho agora realizado em Tübingen, os neurocientistas treinaram dois macacos Rhesus a avaliar a “numerosidade” de conjuntos de pontos que surgiam num ecrã de computador. Ensinaram-nos a diferenciar visualmente um conjunto vazio (ou seja, com zero elementos), um conjunto com um elemento e conjuntos com dois, três e quatro elementos.

Ao mesmo tempo que os macacos executavam esta tarefa visual de discriminação numérica, os cientistas registaram a actividade neuronal em duas áreas do cérebro dos animais, situadas no lobo parietal e no lobo frontal do córtex. A segunda área recebe informação da primeira e os cientistas já sabiam, com base em estudos anteriores, que as duas regiões em causa (designadas VIP e PFC) desempenham um papel fulcral no processamento das quantidades.

Os autores constataram então que as duas regiões cerebrais em causa tinham comportamentos totalmente diferentes. “Os neurónios no lobo parietal representavam os conjuntos vazios mais como uma categoria visual – e portanto não abstracta –, diferente da numerosidade”, disse ao PÚBLICO Andreas Nieder, o líder do estudo. “Pelo contrário, [a actividade] dos neurónios no lobo frontal apresentava duas características distintivas das representações quantitativas: posicionava os conjuntos vazios em relação às outras numerosidades (…) e era independente das propriedades dos estímulos visuais.”

“Os nossos resultados”, explica ainda Nieder, “sugerem que há um processamento hierárquico dos conjuntos vazios de uma região para a outra, ao longo do qual os conjuntos vazios se desligam dos sinais visuais e são integrados num contínuo de numerosidade”. Tudo se passa, por assim dizer, como se os neurónios da segunda área cerebral dos macacos passassem a colocar o “zero” no início de uma “linha de números” mental abstracta.

“Estes animais possuem a capacidade de conceber conjuntos vazios como sendo uma categoria quantitativa”, salienta Nieder. “E visto que o cérebro evoluiu para processar estímulos sensoriais, o facto de ser capaz de conceptualizar os conjuntos vazios constitui um feito extraordinário”, acrescenta.

E conclui: “O nosso estudo fornece o primeiro sinal do processo que o cérebro utiliza para formular conceitos [numéricos] sem relação com a experiência, para além do que é percepcionado – o que é indispensável para construir uma teoria complexa dos números. E este processo poderá constituir a raiz neurobiológica da capacidade humana de descobrir (ou inventar) o zero e transformá-lo num verdadeiro número.”

Evolução cultural

Não é por acaso que o zero tal como o concebemos hoje demorou tanto tempo a ser realmente compreendido pela mente humana. É que, para lá chegar, tivemos por exemplo de aceitar (como já mencionado por Jorge Buescu) que não era possível dividir por zero. De facto, a matemática do zero só ficou completa no século XVII, com a invenção, por Isaac Newton e Gottfried Leibniz, do chamado cálculo infinitesimal, um ramo da matemática essencial à física.

Uma outra prova da dificuldade conceitual associada à nossa noção actual de zero é que as crianças demoram anos a perceber do que se trata. “As crianças têm, primeiro, de perceber que o zero representa uma quantidade vazia – capacidade, essa, que desenvolvem durante o quarto ano de vida”, diz-nos Nieder. “E é por volta dos seis anos que, finalmente, percebem a relação entre o zero e os outros números pequenos – e que o zero é o mais pequeno de todos os números inteiros.

“A compreensão do zero requer um alto nível de abstracção, uma vez que, enquanto número, o zero transcende a experiência empírica”, explica ainda Nieder. “E é interessante constatar que os vários usos do zero ao longo da história reflectem estados mentais (níveis de abstracção) diferentes, que podem ser identificados na cultura humana ao longo do tempo.”

Para Stanislas Dehaenne, foram aliás a cultura e a educação – e não a evolução – que, ao longo da nossa história, permitiram que o cérebro humano atingisse os níveis de abstracção que lhe conhecemos e que se cristalizaram, em particular, na matemática moderna.

“Essencialmente, herdámos da evolução apenas um sentido rudimentar de número, que partilhamos com outros animais e que até os bebés possuem aos poucos meses de vida”, explicava Dehaenne (autor do livro The Number Sense) numa entrevista em 2009 à Scientific American. “É aproximativo e não simbólico (…), mas deu-nos no entanto o conceito de número e nós a seguir aprendemos a estendê-lo com símbolos culturais (como os dígitos) e fazer aritmética de maneira muito mais precisa.”

 

Fonte: Público.

Estimular centro de prazer do cérebro aumenta imunidade

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Estimular artificialmente o centro de prazer do cérebro aumenta a imunidade em ratos, o que pode ajudar a explicar o poder dos placebos, de acordo com um estudo publicado na revista britânica “Nature Medicine” nesta segunda-feira (4).

“Nossas descobertas indicam que a ativação de áreas do cérebro associadas a expectativas positivas pode afetar a forma como o corpo lida com as doenças”, disse a autora sênior Asya Rolls, professora assistente na faculdade de Medicina do Instituto Technion-Israel de Tecnologia.

As conclusões, publicadas na revista britânica, “podem um dia levar ao desenvolvimento de novas drogas que utilizem o potencial de cura do cérebro”, disse Rolls.

Os cientistas já sabiam que o sistema de recompensa do cérebro humano, que controla o prazer, pode ser ativado com um placebo se a pessoa que o tomar acreditar que se trata de um medicamento verdadeiro. “Mas não estava claro se isto poderia interferir no bem-estar físico”, disse Rolls.

Rolls e colegas incubaram células do sistema imunológico de ratos expostos à bactéria mortal E. coli depois de terem seus centros de recompensa estimulados. Essas células do sistema imunológico eram pelo menos duas vezes mais eficazes para matar as bactérias do que as células normais, de acordo com os cientistas.

Em um segundo teste, os cientistas vacinaram diferentes camundongos com essas mesmas células do sistema imunológico. Trinta dias depois, o novo grupo de ratos também tinha duas vezes mais capacidade de combater a infecção.

COMIDA E SEXO

A parte do cérebro estimulada foi a chamada área tegmental ventral, onde está o sistema de recompensa. Essa área é ativada, por exemplo, quando um rato, ou um ser humano, sabe que uma refeição saborosa ou um encontro sexual estão próximos.

A partir daí, a mensagem é encaminhada através do sistema nervoso simpático, que é responsável por dar respostas em situações de crise, até desencadear uma resposta imune de combate às bactérias, revela o estudo.

Os pesquisadores observaram, ainda, uma relação entre tal associação e a evolução. “A alimentação e o sexo expõem um indivíduo a bactérias”, disse Rolls. “Isso lhe daria uma vantagem evolutiva se, quando o sistema de recompensa é ativado, a imunidade também aumentar”, completou.

O próximo passo será realizar experimentos com ratos para encontrar moléculas –potenciais drogas– que possam reproduzir essa relação de causa e efeito.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

Portugueses identificam via cerebral que permite criarmos rotinas

 


LUÍS EFIGÉNIO/NFACTOS

 

Experiência contraria dogma da neurobiologia sobre aprendizagem e poderá ajudar a compreender características comportamentais de doenças neurológicas como a Parkinson.

Abrir uma porta é um processo universal: há uma maçaneta que se roda, depois puxa-se a porta e passa-se para uma nova divisão. A prática de abrir portas é tanta que em geral é possível fazer esta sequência de acções com uma caneca na mão, a falar ao telemóvel ou a pensar num assunto qualquer. Não gastamos um segundo do nosso tempo consciente a tomar decisões sobre como pôr a mão na maçaneta, como rodá-la, etc. É aquilo a que se chama um hábito, uma rotina.

Algures na complexa rede neuronal do nosso cérebro, esta aprendizagem está pronta a ser usada. Agora, uma equipa de cientistas portugueses liderada por Rui Costa defende ter descoberto a via de neurónios que permite desenvolver estas acções habituais, trabalho que foi publicado esta segunda-feira na revista científica Current Biology.

O resultado da experiência “foi contra um dogma”, diz ao PÚBLICO Rui Costa, do Centro Champalimaud, em Lisboa, onde os investigadores testaram as importantes “via directa” e “via indirecta” neuronais.

Estas duas vias neuronais situam-se nos gânglios da base do cérebro e são importantes para as acções. As designações “directa” e “indirecta” não estão relacionadas com a sua função mas devem-se à anatomia. Enquanto na via directa os neurónios seguem um trajecto simples, projectando-se directamente na saída dos gânglios da base, na via indirecta os neurónios percorrem vários núcleos cerebrais.

“O que se pensava é que a via directa dizia ‘faz isto porque isto é bom’. E a via indirecta dizia ‘não faças isto porque é mau”, explica Rui Costa. Ou seja, pensava-se que as duas vias tinham funções antagónicas, enquanto a primeira dava um reforço positivo, a segunda desestimulava a acção.

Mas quando os cientistas estimularam de forma independente as duas vias neuronais em murganhos, o resultado surpreendeu-os.

Para a experiência, os cientistas recorreram a uma técnica recente: a optogenética. A equipa usou dois grupos de murganhos transgénicos, ambos com um gene que comanda a produção de uma proteína sensível à luz. Mas no primeiro grupo, esta proteína só funcionava nos neurónios da via directa. No segundo grupo, a proteína só estava activa nos neurónios da via indirecta.

Quando os neurónios da via com a proteína recebiam um estímulo de luz, a via neuronal activava-se. Assim, o método permite activar os neurónios e testar o comportamento que as vias provocam quando são activadas.

Foi este princípio que a equipa de Rui Costa testou num dispositivo laboratorial com uma caixa com duas alavancas. Cada murganho transgénico dos dois grupos tinha várias sessões de meia hora dentro da caixa, onde podia pisar à vontade nas duas alavancas. Porém, havia uma diferença. Uma das alavancas não fazia nada. Mas a outra, através de um dispositivo, ligava uma luz no cérebro do murganho, activando a via neuronal (directa ou indirecta) com a proteína sensível à luz.

Com este dispositivo, os cientistas fizeram algumas perguntas. No caso do grupo dos murganhos em que a luz activava a via directa, a equipa testou se os roedores passavam a pisar mais a alavanca que accionava a luz em detrimento da outra que não dava estímulos. Um resultado destes confirmaria a noção de que a via directa reforça as acções.

No caso do outro grupo de roedores, os investigadores esperavam que a alavanca, ao ligar a luz e accionar a via indirecta, iria fazer com que os murganhos rapidamente desistissem de pisar essa alavanca, tal como seria de esperar se a via indirecta inibisse as acções.

Tudo correu dentro da expectativa com os murganhos em que a luz estimulava a via directa: em apenas cinco sessões de meia hora os roedores passaram a pisar mais de 100 vezes a alavanca que activava a luz, ignorando completamente a outra alavanca. Comprovou-se assim que a activação da via directa reforça a acção.

E depois há a generalização

Mas no caso dos roedores em que a luz estimulava a via indirecta de neurónios, a experiência foi uma surpresa. Os murganhos não abandonaram a alavanca que accionava a luz. Em vez disso, de sessão para sessão, estes roedores foram pisando cada vez mais a alavanca que accionava a luz como a outra alavanca.

Ao fim de 30 sessões, estes murganhos pisavam cada uma das alavancas cerca de dez vezes. Um valor superior ao de um terceiro grupo de murganhos que serviu de grupo controlo, em que as duas alavancas não accionavam nenhuma via neuronal no cérebro. Este terceiro grupo pisava as alavancas menos de cinco vezes por cada sessão.

Segundo Rui Costa, o comportamento do segundo grupo de murganhos não traduz uma inibição, mostra antes aquilo que parece ser uma aprendizagem gradual importante para se ganhar hábitos. “Muito cedo na aprendizagem a via directa é mais rápida (…) e está a ganhar. Mais tarde, depois de muito treino, pensamos que a via indirecta ganha a competição”, diz, o que é uma vantagem. “Os hábitos estão lá para estarmos libertos deste peso cognitivo.”

Mas como se explica que estes roedores pisem as duas alavancas e não apenas aquela que acciona a luz? “Chama-se a isso a generalização”, explica, dando o exemplo de se aprender a abrir uma porta. “Todas as portas são semelhantes. Podemos generalizar uma coisa que já aprendemos.” No caso dos murganhos, se uma alavanca é boa para pisar, então, por rotina, todas as alavancas são boas para pisar.

O próximo passo, segundo Rui Costa, é tentar compreender se estas vias estão envolvidas em doenças neurológicas como o autismo, onde há repetição de gestos, ou a Parkinson, em que os movimentos ficam descontrolados.

 

Fonte: Nicolau Ferreira, Público.

Cientistas portugueses descodificaram mais um mecanismo para a comunicação entre neurónios

Uma equipa de investigadores que inclui portugueses percebeu que o mecanismo que ajuda a eliminar proteínas defeituosas das células também pode regular a comunicação dos neurónios.

Uma equipa de investigadores, que inclui cientistas portugueses,demonstrou pela primeira vez uma nova função para a proteína ubiquitina. Pensava-se que a ubiquitina só interferia na destruição das proteínas dentro das células, mas afinal também tem um papel no desenvolvimento dos pontos de comunicação entre os neurónios (as sinapses), explicaram os cientistas num artigo publicado na revista The Journal of Cell Biology.

Os doentes com autismo ou síndrome de Angelman apresentam normalmente uma formação incorreta de sinapses e os doentes com epilepsia apresentam demasiadas sinapses de um determinado tipo, explicou ao Observador Ramiro Almeida, investigador no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra. Embora o objetivo desta equipa não seja a compreensão e tratamento destas doenças, os resultados apresentados e outros que deles decorram no futuro ajudarão a compreender melhor os mecanismos de formação de sinapses e a passagem de informação no sistema nervoso.

“Decidimos arriscar uma abordagem pouco convencional e investigar o processo pelo qual a maquinaria de destruição das células contribui para o desenvolvimento do sistema nervoso”, disse Ramiro Almeida em comunicado de imprensa. Mas vamos lá simplificar.

A principal função da ubiquitina, uma proteína que existe no interior das células, é marcar as proteínas que têm defeito ou as mais antigas. Depois, estas proteínas marcadas são reconhecidas pelos proteossomas e “desmembradas”. Assim, estes dois componentes — ubiquitina e proteossoma — atuam em conjunto para controlar as proteínas no interior das células. Este é um processo cuja descoberta foi premiada com o Nobel da Química de 2004, entregue a Aaron Ciechanover, Avram Hershko e Irwin Rose.

Representação da ubiquitina.

Desconfiando que o sistema ubiquitina-proteossoma podia ter outra função que não a convencional, a equipa de Ramiro Almeida resolveu estudar a sua função nos neurónios, mais especificamente nos axónios. Os axónios são o prolongamento dos neurónios por onde passa a informação que será transmitida às outras células. As sinapses são a região de contacto entre dois neurónios, normalmente entre os axónios e as dendrites (prolongamentos dos neurónios que funcionam como “antenas”).

Os investigadores verificaram que, bloqueando o sistema ubiquitina-proteossoma nos axónios, aumentavam o número de sinapses nos neurónios. Assim este sistema parece contribuir ativamente para a regulação das sinapses, responsáveis pela comunicação entre neurónios.

O objetivo da equipa de cientistas é perceber melhor como se formam as sinapses, uma “peça fundamental do sistema nervoso em termos de comunicação”, disse Ramiro Almeida ao Observador. Desta forma também será possível perceber melhor o funcionamento do cérebro e os primeiros estádios do desenvolvimento. O próximo passo é descobrir que proteínas, marcadas pela ubiquitina, inibem a produção de sinapses.

 

Fonte: Observador.

Cérebro humano pode armazenar 4,7 mil milhões de livros

Afinal a capacidade de armazenamento do cérebro é dez vezes maior do que se esperava, conclui estudo publicado no eLife

Cientistas do Salk Institute, da Califórnia, descobriram que a parte do cérebro humano que é reservada à memória tem muito mais capacidade do que se pensava, podendo armazenar qualquer coisa como 4,7 mil milhões de livros ou 670 milhões de páginas de internet.

Caso o cérebro fosse usado na sua máxima capacidade, o que não acontece, poderia acomodar um petabyte de informação, ou seja, cerca de um milhão de gigas. Este cálculo tem por base a medição das sinapses, que são as ligações cerebrais que estão associadas ao armazenamento de memórias. Em média, cada uma consegue armazenar 4,7 bits de informação.

A equipa de Terry Sejnowski, professor de neurobiologia computacional, investigou as ligações fundamentais do cérebro, as sinapses, no hipocampo, a região da memória. E descobriu que afinal há mais dimensões para as sinapses, que são determinantes para o armazenamento. Por outro lado, os tamanhos podem ir mudando consoante a atividade dos neurónios.

“Descobrimos que há dez vezes mais dimensões de sinapses do que se pensava”, diz Tom Bartol, um dos cientistas desta equipa. Neste caso, foram identificados 26, que correspondem ais tais 4,7 bits de informação, em vez de um ou dois, como se pensava.

“Esta é uma ordem de magnitude maior do que alguma vez alguém imaginou”, disse Sejnowski.

Outras conclusões relevantes desta investigação prendem-se com a eficiência do cérebro. O de um adulto gera apenas 20 watts de potência contínua, tanto como uma lâmpada de pouca potência. Esta descoberta, lê-se no comunicado relativo ao estudo, “poderá ajudar os cientistas computacionais a criar computadores mais eficientes, capazes de análises e aprendizagens sofisticadas como linguagem, reconhecimento de objetos e tradução.”

O estudo teve por base uma reconstrução de um fragmento de hipocampo elaborado para reproduzir as características exatas de cada sinapse no cérebro de um rato, acreditando a equipa que não seriam muito distintas das do relativas ao ser humano.

Fonte: DN.