Mais de milhão e meio de adultos portugueses sofrem de perturbações

No Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinala a 10 de Outubro, a Ordem dos Psicólogos Portugueses pretende alertar para a realidade portuguesa, de forma a oferecer mais saúde aos portugueses, reduzindo custos ao estado, avança comunicado de imprensa.

Em Portugal existem aproximadamente 1,557,054 pessoas que sofrem de doença mental (16,07% da população adulta entre os 18 e os 65 anos). E, destes, 528.122 (5,09% dos portugueses) sofrem de uma perturbação afectiva incluindo a depressão, 981.766 (9,46%) sofrem de perturbações da ansiedade e 54.166 (0,52%) são vítimas de perturbações psicóticas.

Portugal é o país da Europa com maior prevalência de doenças mentais na população – quase metade (43%) já teve uma perturbação mental. No entanto, apenas 1,7% procura ajuda nos serviços públicos de saúde mental. De acordo com um Estudo Nacional sobre Saúde Mental, realizado em 2010, Portugal é o país da Europa com maior prevalência de doenças mentais na população.

Em 2009, 1 em cada 5 portugueses terá sofrido de uma doença psiquiátrica (23% da população) e quase metade (43%) já teve uma perturbação mental.

Em 2011, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Suicídologia, a taxa de suicídio por 100 mil habitantes foi de 9,6 (15,5 para os homens e 4,1 para as mulheres). De acordo com o INE, em 2010, os anos potenciais de vida perdidos devidos ao suicídio, correspondiam a 15 160 e as mortes por suicídio foram mais elevadas do que as mortes provocadas por acidentes rodoviários.

Neste quadro, urge reduzir custos com a intervenção psicológica, pois a despesa total com a saúde mental significa menos do que 3,5% do orçamento geral para a saúde e corresponde a 0,3% do PIB, embora possa custar ao Estado Português quatro vezes mais.

Com base no que acontece em outros países, pode estimar-se que os problemas de saúde mental em Portugal resultem em custos substanciais – e a expectativa é a de que continuem a aumentar.

 

Fonte: Rcm Farma.

O mundo académico não é muito diferente do restante mundo…

Falso artigo científico aceite para publicação por mais de 150 revistas de acesso livre.

Uma autêntica golpada, concebida por um jornalista da Universidade de Harvard, põe a nu um submundo de publicações científicas online que não fazem nenhum controlo da qualidade científica dos artigos que publicam.


Ao contrário das revistas em papel, pagas pelas assinaturas, as revistas online de acesso livre são financiadas pelos autores dos artigos WIKIMEDIA COMMONS/VMENKOV

A operação foi meticulosamente planeada e a sua execução durou um ano. Os resultados, revelados esta sexta-feira pela revista Science, falam por si: em troca de pagamento por parte dos autores, dezenas de revistas científicas de acesso livre mostraram-se dispostas a publicar um artigo com falhas metodológicas graves e óbvias, cujo autor concluia, saltando directamente do tubo de ensaio para a clínica, ter descoberto um promissor novo medicamento contra o cancro.

O autor da cilada, John Bohannon, jornalista de ciência da Universidade de Harvard (EUA), enviou a sua “descoberta”, assinada por um cientista fictício que trabalhava numa universidade fictícia, para os editores de 304 revistasonline de acesso livre especializadas em investigação médica e áreas afins. Dessas, 98 recusaram o artigo – mas 157 aceitaram-no.

Recorde-se que, ao contrário das revistas com assinaturas pagas (como aScience ou a Nature), as revistas de acesso livre (a mais conhecida das quais é a PLoS ONE) são financiadas através do pagamento de uma dada quantia pelo cientistas cujos artigos são aceites para publicação.

Mais resultados: das 255 revistas que enviaram uma resposta de recusa ou de aceitação, 60% fizeram-no sem dar qualquer sinal de que os resultados tivessem sido submetidos a uma avaliação científica pelos pares – a norma, em termos de controlo de qualidade, em qualquer revista científica digna desse nome. E das 106 revistas que realizaram de facto alguma avaliação, 70% acabaram por aceitar o artigo para publicação.

“Qualquer revisor com conhecimentos de química acima do ensino secundário e a capacidade de perceber um gráfico elementar deveria ter detectado imediatamente as falhas do artigo”, escreve Bohannon na Science. “A qualidade das experiências é tão má que os resultados não fazem qualquer sentido.”

Nem todas as revistas que aceitaram o falso artigo podiam ser vistas como publicações de vão de escada ou de duvidosa honestidade: entre elas, houve publicações ligadas a gigantes da edição científica como a Elsevier de Amesterdão ou a Sage de Nova Iorque. Bohannon refere em particular o caso da Journal of International Medical Research, da Sage, cujo director é professor de psicofarmacologia no King’s College de Londres – e que, sem exigir qualquer alteração do artigo, lhe enviou uma carta de aceitação e uma factura de 3100 dólares. Pelo contrário, a PLoS ONE esteve à altura do desafio: rejeitou o artigo em duas semanas com base na sua falta de qualidade científica.

“Os resultados desta golpada revelam os contornos de um Oeste selvagem emergente nas publicações académicas”, salienta Bohannon. Embora perto de um terço das revistas “apanhadas” por esta operação secreta tenha sede na Índia (64 aceitações e 15 rejeições), os EUA vêm logo a seguir no palmarés, com 29 aceitações e 26 recusas. “Mas mesmo quando as editoras e as contas bancárias têm sede em países em desenvolvimento, a empresa que em última análise recebe os lucros pode estar nos EUA ou na Europa”, faz notar Bohannon.

“Toda a gente concorda em dizer que o acesso livre é uma coisa boa. A questão é como concretizá-lo”, frisa um dos cientistas que acompanhou todo o processo, citado por Bohannon.
Fonte: Público.

A adolescência agora vai até aos 25 anos?

Diretriz propõe extensão do período para que a maturidade emocional e o desenvolvimento hormonal esperem desenvolvimento total do córtex pré-frontal.

Infantilização: mais anos dependentes dos pais (foto: Julia Freeman-Woolpert / StockPhoto)

Infantilização: mais anos dependentes dos pais (foto: Julia Freeman-Woolpert / StockPhoto)

 

 

LONDRES – Uma nova orientação para psicólogos americanos prega que a adolescência agora vai até os 25 anos, e não apenas até os 18 anos como estava previsto.

– A ideia de que de repente, aos 18 anos, a pessoa já é adulta não é bem verdade – disse à BBC a psicóloga infantil Laverne Antrobus, que trabalha na Clínica Tavistock, em Londres. – Minha experiência com jovens é de que eles ainda precisam de muito apoio e ajuda além dessa idade.

A mudança serve para ajudar a garantir que quando os jovens atingem a idade de 18 anos não caiam nas lacunas no sistema de saúde e educação – nem criança, nem adulto – e acompanha os acontecimentos em nossa compreensão de maturidade emocional, desenvolvimento hormonal e atividade cerebral.

Há três estágios da adolescência: dos 12 aos 14, dos 15 aos 17 e dos 18 em diante. A neurociência tem mostrado que o desenvolvimento cognitivo de uma pessoa jovem continua em um estágio mais tardio e que, sua maturidade emocional, a autoimagem e o julgamento são afetados até que o córtex pré-frontal seja totalmente desenvolvido.

O professor de sociologia Frank Furedi, da Universidade de Kent, defende que já há um grande número de jovens infantilizados e que a medida só vai fazer com que homens e mulheres fiquem ainda mais tempo na casa dos pais.

– Frequentemente se apontam as razões econômicas para este fenômeno, mas não é bem por causa disso – diz . – Houve uma perda da aspiração por independência. Quando eu fui para a universidade, se fosse visto com meus pais decretaria minha morte social. Agora parece que esta é a regra.

Furedi acredita que esta cultura da infantilização intensificou o sentimento de dependência passiva, que pode levar a dificuldades na condução dos relacionamentos maduros. E não acredita que o mundo virou um lugar mais difícil para se viver.

– Acho que o mundo não ficou mais cruel, nós seguramos nossas crianças por muito tempo. Com 11, 12, 13 anos não deixamos que saiam sozinhos. Com 14, 15, os isolamos da experiência da vida real. Tratamos os estudantes universitários da mesma maneira que tratamos alunos da escola, então eu acho que é esse tipo de efeito cumulativo de infantilização que é responsável por isso.

 

Fonte: Globo, via Pavablog.

Cantar em conjunto faz bem ao coração

Choir at St Peter's Basilica

 

Choir singers not only harmonise their voices, they also synchronise their heartbeats, a study suggests.

Researchers in Sweden monitored the heart rates of singers as they performed a variety of choral works.

They found that as the members sang in unison, their pulses began to speed up and slow down at the same rate.

Writing in the journal Frontiers in Psychology, the scientists believe the synchrony occurs because the singers coordinate their breathing.

Dr Bjorn Vickhoff, from the Sahlgrenska Academy at Gothenburg University in Sweden, said: “The pulse goes down when you exhale and when you inhale it goes up.

“So when you are singing, you are singing on the air when you are exhaling so the heart rate would go down. And between the phrases you have to inhale and the pulse will go up.

“If this is so then heart rate would follow the structure of the song or the phrases, and this is what we measured and this is what we confirmed.”

 

Sing from the heart

The scientists studied 15 choir members as they performed different types of songs.

They found that the more structured the work, the more the singers’ heart rates increased or decreased together.

Slow chants, for example, produced the most synchrony.

The researchers also found that choral singing had the overall effect of slowing the heart rate.

This, they said, was another effect of the controlled breathing.

Dr Vickhoff explained: “When you exhale you activate the vagus nerve, we think, that goes from the brain stem to the heart. And when that is activated the heart beats slower.”

The researchers now want to investigate whether singing could have an impact on our health.

“There have been studies on yoga breathing, which is very close to this, and also on guided breathing and they have seen long-terms effects on blood pressure… and they have seen that you can bring down your blood pressure.

“We speculate that it is possible singing could also be beneficial.”

 

Fonte: BBC News.

Professor de Stanford defende casamento arranjado

 

Procurar o amor de sua vida é um grande erro. A solução mais eficiente é pedir a ajuda da família para encontrar um bom casamento, afirma professor indiano Baba Shiv (ilustração: Bruno Oliveira Santos)

Ilustração: Bruno Oliveira Santos.

 

Procurar o amor de sua vida é um grande erro. A solução mais eficiente é pedir a ajuda da família para encontrar um bom casamento, afirma professor indiano Baba Shiv.

 

O amor é cego, diz o ditado popular. Encontrar alguém, apaixonar-se e casar, a opção mais natural para a maioria das pessoas, é uma equação arriscada. Como evitar o arrependimento? Pense nos princípios do casamento arranjado, defende o professor indiano Baba Shiv, 52, guru do marketing na universidade Stanford, na Califórnia, uma das mais importantes dos EUA.

O professor é especialista em neuroeconomia, campo de pesquisa que une os estudos de neurociências, economia e psicologia para identificar o papel das emoções nas decisões que tomamos.

Ele acredita que qualquer escolha que fazemos em que conhecemos as opções uma depois da outra tende a trazer mais insatisfação do que aquelas nas quais você tem as opções todas na mesa ao mesmo tempo. Ou seja, é mais complicado escolher um marido tendo um namorado por vez do que namorando vários candidatos ao mesmo tempo.

O professor Shiv não ensina isso na faculdade, mas percebeu, um pouco pela prática, um pouco por seus estudos, que o casamento arranjado, à indiana, pode ser uma boa solução. Não defende a prática por respeito à tradição de seu país, mas sim por acreditar que a fórmula traz menos chances de erro.

Ele mesmo, apesar de ter nascido em uma família tida como liberal na Índia, optou por um casamento arranjado. Aos 27 anos, depois de tentar por conta própria arrumar uma namorada, sem sucesso, pediu ajuda à mãe para encontrar pretendentes.

“As famílias selecionam três ou quatro candidatos dentro de critérios estipulados pelo filho, como idade, classe social e passatempos”, diz. “E são os filhos que decidem se aceitam os pretendentes ou não. O processo dura cerca de um mês”, explica à Serafina em seu escritório, em Stanford, sede de um dos cursos de MBA mais famosos do mundo.

Os encontros não duram mais de 20 minutos. Ele, por exemplo, rejeitou sua primeira candidata simplesmente porque não foi com a cara dela. Mas se encantou com a segunda e foi correspondido. Reva é sua mulher há quase 25 anos. Mudaram-se para os Estados Unidos na década de 1990, para que ele continuasse os estudos, tiveram um casal de filhos e se dizem muito felizes.

Sem nunca ter ficado ou namorado, passado pela primeira briga ou pela primeira viagem, como isso pode dar certo? Como abrir mão da possibilidade de dar de cara com um grande amor?

O maior problema da escolha amorosa como a conhecemos, diz o professor, é exatamente o fato de que há apenas um candidato por vez –a “escolha sequencial ou por amor”, como ele chama–, o que levanta a suspeita de que talvez o próximo seja mais interessante.

“Na escolha por amor, tendemos a acreditar que pode haver coisa melhor no futuro”, diz. “Aí, cada pequeno problema que surge na relação gera uma insatisfação enorme, e você começa a duvidar da opção que fez.”

O casamento arranjado pode ter vários problemas, mas esse não é um deles. “A decisão simultânea, na qual há vários candidatos e um é escolhido, traz menos dúvidas,” afirma. “Você, que optou por uma entre três mulheres, e não por uma entre todas as mulheres do mundo, sabe o que deixou para trás. Então a aceita e vai em frente.”

Apesar da defesa do professor, o casamento arranjado está caindo em desuso na Índia. Cada vez mais, as novas gerações indianas adotam costumes ocidentais. Elas ainda pedem ajuda aos pais para achar candidatos, mas preferem namorar antes de casar.

Mas Baba adverte: com o passar do tempo, os casamentos arranjados tendem a funcionar melhor. “Todos os relacionamentos têm altos e baixos. Mas, no casamento arranjado, a família trabalha pelo sucesso da união, porque foi envolvida desde o começo.”

Segundo o professor indiano, o tempo traz outras complicações ao matrimônio: “Chegam os filhos, as pessoas envelhecem, têm problemas no trabalho. Aí, os atributos que fizeram a pessoa tomar a decisão de se casar com aquele parceiro, como compatibilidade sexual e companheirismo, podem ser afetados”.

Para não cair nas mesmas armadilhas que os casais ocidentais, que têm índices de divórcios muito mais altos que os indianos, Baba Shiv tem sugestões.

A ideia é combinar a tradição indiana com o casamento ocidental. “Precisamos criar critérios para a seleção do parceiro, assim podemos aumentar a segurança da nossa decisão e, consequentemente, a satisfação do casamento.”

É O QUE TEMOS

O truque, segundo ele, é não procurar uma pessoa ideal, mas uma pessoa possível. E a melhor base para a comparação são os ex-namorados ou namoradas (já que será complicado convencer os outros de que você precisa namorar várias pessoas ao mesmo tempo).

O que você classifica como defeitos e qualidades dos seus ex são as mesmas coisas que deve evitar ou procurar.

O professor alerta: “Nas sociedades ocidentais, tudo é muito focado no indivíduo. Até o sucesso de um casamento é uma decisão individual”.

Envolver a sogra na briga com sua mulher ou seu marido, acredita o indiano, pode ser a melhor solução.

 

Fonte: Adriana Garcia Martínez, na Serafina, via Pavablog.

Austeridade causou dez mil suicídios e um milhão de casos de depressão na Europa e América do Norte

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Dois professores universitários fizeram uma investigação e concluíram que a austeridade pode causar suicídio, depressão e aumento de doenças infeciosas.

A austeridade está a ter um efeito devastador sobre a saúde na Europa e na América do Norte, é esta a conclusão de dois investigadores que será publicada no livro “O corpo da economia: porque mata a austeridade”, de acordo com a “Euronews”.

David Stuckler, professor da Universidade de Oxford, e Sanjay Basu, da Universidade de Stanford, concluíram que os cortes orçamentais podem provocar suicídio, depressão e doenças infecciosas devido à redução do acesso a medicamentos e cuidados de saúde.

As conclusões deste estudo fazem parte do livro “O corpo da economia: porque mata a austeridade”, no qual os investigadores defendem que a austeridade causou dez mil suicídios e um milhão de casos de depressão na Europa e América do Norte.

Os professores dão o exemplo da Grécia, onde os cortes na prevenção do HIV levaram ao aumento de 200% da taxa de infetados. Nos EUA, mais de cinco milhões de americanos perderam o acesso aos cuidados de saúde durante a última recessão. Na Grã-Bretanha, cerca de dez mil famílias foram morar para a rua devido aos cortes do Governo.

 

Fonte: Expresso.

Cientistas detectaram sinais de consciência em bebés de cinco meses

 

Quando é que começamos a tornar-nos conscientes do mundo que nos rodeia? Segundo os mais recentes resultados, isso poderá acontecér muito mais cedo do que se pensava.

 


Um dos bebés de cinco meses que participaram no estudo com a mãe CORTESIA DE SID KOUIDER

Pela primeira vez, foi possível detectar, no cérebro de bebés com apenas cinco meses de vida, um tipo de actividade cerebral que assinala que a sua consciência visual está a emergir. Os resultados são publicados esta sexta-feira na revista Science.

Sabe-se que, nos adultos, a apresentação de uma imagem, mesmo por brevíssimos instantes, dá origem a um padrão de activação neuronal característico, explica a Science no seu site. A activação começa no córtex visual e, passados uns 300 milissegundos, a mensagem chega ao córtex pré-frontal, a região do cérebro onde residem as nossas mais sofisticadas funções cognitivas – e em particular o pensamento.

Sid Kouider e colegas da Ecole Normale Supérieure, em Paris, decidiram testar, através da técnica de electroencefalografia, se a segunda fase deste padrão de ondas cerebrais se verificava também nos bebés muito novos. O estudo envolveu 80 crianças de cinco, 12 e 15 meses de idade, cuja actividade cerebral foi medida graças a um “gorro” de electrodos, enquanto visionavam séries de imagens dentro das quais estava “escondida” a de uma face humana.

Confirmaram assim que os bebés com mais de um ano respondiam àquela imagem desenvolvendo o mesmo tipo de resposta neuronal semelhante à dos adultos – o que não admira, visto que, nesta idade, a interacção visual e social do bebé com o mundo já é muito rica. Mas ficaram surpreendidos ao descobrirem que, embora de forma incipiente e muito mais lenta, essa segunda fase da resposta cerebral já estava presente nos bebés de cinco meses.

Quer isto dizer que desde tão cedo, os bebés têm consciência do que viram, que sabem que viram uma face? Nem por isso: Kouider, citado pela revistaNew Scientist, diz que o trabalho não constitui uma prova directa de que os bebés estão a ter uma experiência subjectiva. Segundo ele, não é claro que ostimings da segunda fase da resposta cerebral, que são ainda muito lentos, permitam uma autêntica experiência consciente.

Mas os rudimentos já lá estão, concluem os cientistas“Estes resultados mostram que os mecanismos cerebrais subjacentes à percepção consciente já estão presentes na primeira infância”, escrevem no seu artigo na Science.

A abordagem utilizada neste trabalho também poderá servir, salientam, para perceber melhor os estados de consciência mínima nos adultos – seja na sequencia de lesões cerebrais, seja durante uma anestesia – para determinar até que ponto essas pessoas têm consciência do mundo exterior.

 

Fonte: , Público. 

Acreditar que vida sexual é melhor do que a dos amigos traz felicidade

 

Quanto mais regular a rotina sexual, mais felizes as pessoas são (Foto: Getty Images)

Quanto mais regular a rotina sexual, mais felizes as pessoas são (Foto: Getty Images)

 

 

Segundo uma pesquisa feita na University of Colorado Boulder, nos Estados Unidos, não basta ter casa, carro ou emprego melhor do que os vizinhos. Acreditar que sua vida sexual é melhor do que os moradores das casas ao redor é fator crucial para a felicidade.

A informação é do professor de sociologia Tim Wadsworth que analisou dados coletados entre 1993 e 2006 para a General Social Survey, pesquisa feita desde 1972 e monitorada pela Sociedade Americana de Psicologia.

No total, as respostas de 15.386 pessoas foram analisadas e disseram que achavam que eram ‘muito felizes’, ‘felizes’ ou ‘infelizes’.

Foram vistos dados como renda, status do relacionamento, saúde, idade e também a vida sexual. Segundo a análise, quanto mais regular era a rotina sexual, mais felizes os participantes pareciam. Aqueles que mantinham relações uma vez por semana eram 44% mais felizes do que os que não praticaram por um ano. Enquanto os que mantinham relações de duas a três vezes por semana, demonstraram ser 55% mais felizes.

Mas não basta fazer, é preciso acreditar que a vida sexual é melhor do que a dos amigos. Aqueles que mantinham rotina, mas acreditavam que os colegas se divertiam mais, demonstraram ser mais infelizes do que os que apostavam ter vida sexual melhor.

O pesquisador calculou que uma pessoa que mantinha relações duas ou três vezes por mês, mas acreditava que algum colega fizesse sexo uma vez por semana, demonstrava queda no índice de felicidade em torno de 14%.

“Há um aumento geral da ideia de bem estar associada ao sexo, mas há outros aspectos ligados a isso”, disse Tim ao jornal Daily Mail.

 

Fonte: Pavablog via Terra.

Morrer de sozinhismo, o direito aos avós

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Dados finais dos Censos 2011 confirmam as expectativas e dados já conhecidos. A população sénior aumentou de 16 para 19 % sendo que as projecções apontam para que em 2030 metade da população portuguesa esteja acima dos 50 anos. Acresce que também segundo os Censos 2011, cerca de 400.000 velhos vivem sós, mais 29% que há dez anos.

Num olhar mais específico e exemplificativo, a Operação Censos Sénior realizada pela GNR de 2013 encontrou mais de 28.000 idosos a viver sós ou em situação de isolamento. Deve registar-se que esta operação decorre fora das áreas urbanas e o número encontrado representa um aumento de 22,6 % relativamente a 2012. Em Lisboa, alguns trabalhos estimam uma “realidade de total isolamento diário para 59% da população que reside sozinha, evidenciando um risco de solidão” e completamente dependentes das relações de vizinhança comunitária, elas próprias em extinção.

Neste universo importa ainda salientar que segundo o INE e reportando-se a 2009 a taxa de risco de pobreza em Portugal continua alta, tendo subido na população idosa, 20,1 % deste grupo etário vive esta situação. Se considerarmos os efeitos conjugados das dificuldades económicas e dos cortes em políticas sociais de 2010, 2011 e 2012, esta taxa tenderá muito provavelmente a subir.

Finalmente nesta introdução, é de recordar a frequência impressionante com que surgem notícias de velhos que morrem sós, sem que ninguém se dê conta de tal tragédia.

Não sou, não quero ser, especialista nestas matérias mas creio que muitas destas pessoas morrem de sozinhismo, a doença que ataca os que vivem sós e perderam o amparo. Algumas pessoas terão morrido de solidão e não de outras causas que possam vir a figurar nas certidões. Quem não vive só mais facilmente resiste às mazelas que a idade traz quase sempre. As pessoas são, espera-se, fonte de saúde e calor.

Na verdade, o sozinhismo poderá ser verdadeiramente a causa de morte de muitos idosos. No entanto e como sempre, para além das necessárias políticas sociais emergentes do estado e das instituições privadas de solidariedade impõe-se a percepção pelas comunidades, designadamente pelas famílias, do drama da solidão e do isolamento. Os dados recolhidos e, portanto, conhecidos deveriam servir de base a políticas ajustadas à realidade.

É também uma questão de redes sociais, mas não das virtuais.

Em muitas circunstâncias, as famílias, seja pelos valores, seja pelas suas próprias dificuldades e estilos de vida, não se constituem como um porto de abrigo, sendo parte significativa do problema e não da solução produzindo cada vez mais situações de solidão e isolamento entre os velhos, com consequências que têm feito manchetes, muitos velhos morrem de sozinhismo, de solidão. Estão em extinção as relações de vizinhança e a vivência comunitária, fontes privilegiadas de protecção dos mais velhos. Aliás e felizmente, começam a emergir algumas iniciativas ou programas destinados justamente a restabelecer ou substituir esta rede de suporte comunitário que se revela de extrema importância.

É certo que existe um pequeno número de idosos que além do apoio familiar, ainda possuem meios que lhes permitem aceder a bens e equipamentos que contribuem para uma desejável e merecida qualidade de vida no fim da sua estrada, respostas que estudos recentemente divulgados pela DECO evidenciam como caras e de difícil acesso.

Uma hipótese de lidar com esta questão cada vez mais presente, na medida em que assistimos ao prolongamento da esperança de vida poderia ser, defendo-o frequentemente mas sem grande sucesso, a institucionalização do Direito aos Avós. Isto quer simplesmente dizer que todos os miúdos deveriam, obrigatoriamente, ter avós e que todos os velhos deveriam ter netos.

Num tempo em que milhares de miúdos estão sós e muitos velhos vão morrendo devagar de sozinhismo, qualquer partido verdadeiramente interessado nas pessoas, sentir-se ia obrigado a inscrever tal medida no seu programa ou, porque não, inscrevê-la nos direitos fundamentais.

Com tantas crianças abandonadas dentro de casa, institucionalizadas, mergulhadas na escola tempos infindos ou escondidas em ecrãs, ao mesmo tempo que os velhos estão emprateleirados em lares ou também abandonados em casa, isolados de tal forma que morrem sem que ninguém se dê conta, trata-se apenas de os juntar, seria uma espécie de dois em um. Creio que os benefícios para miúdos e velhos seriam extraordinários e alguns bons exemplos mostram isso mesmo.

Um avô ou uma avó, de preferência os dois, são bens de primeira necessidade para qualquer miúdo.

 

Fonte: José Morgado, Público.