Doentes mentais estão a abandonar tratamento por falta de dinheiro

Número de doentes que está a faltar a consultas ou a tratamento é “maior do que o habitual” (DANIEL ROCHA)

 

 

Assistentes sociais e especialistas de saúde mental avisam que há cada vez mais doentes a faltar às consultas e a abandonar a medicação. O fenómeno não está quantificado, mas é preocupante.

 

As dificuldades económicas estão a fazer com que muitos doentes não consigam suportar os custos das deslocações e faltem às consultas de saúde mental. Há também cada vez mais doentes a admitir que não tem dinheiro para a medicação prescrita. As assistentes sociais alertam para um aumento anormal e preocupante do número de queixas de doentes que se dizem impossibilitados de prosseguir com o tratamento e o coordenador do Plano Nacional para a Saúde Mental da Direcção-Geral de Saúde avisa que, privados de tratamento, estes doentes correm sérios riscos.

“Temos cada vez mais informações sobre doentes que avisam que não vão comparecer às consultas por falta de dinheiro para o transporte”, avisa Álvaro Carvalho, coordenador do Plano Nacional para a Saúde Mental da Direcção-Geral de Saúde. Fernanda Rodrigues, presidente da direcção nacional da Associação dos Profissionais de Serviço Social, confirma esta realidade, acrescenta que estes doentes estão também a abandonar a medicação pelos mesmos motivos e sublinha que, apesar de não existirem dados sobre o número de pessoas afectadas, o fenómeno “é preocupante”.

“Estamos a registar uma falta de comparência às consultas que não é habitual. As assistentes sociais que trabalham na área da saúde mental referem que o principal motivo apresentado por estes doentes é o facto de não conseguirem pagar as deslocações e senhas de transporte. Por outro lado, o mesmo se passa na aquisição de medicamentos, com muitas pessoas a admitir que interromperam a terapêutica ou a comprar só parte da medicação prescrita, com escolhas que são ditadas por razões financeiras”, alerta Fernanda Rodrigues. As consequências, refere, “já estão a sentir-se com o agravamento dos problemas de saúde destas pessoas”. “Muitas vezes conseguir apenas que estas pessoas aceitem ser tratadas já não é fácil”, lamenta.

Sobre as possíveis consequências de um abandono do tratamento Álvaro Carvalho não hesita em assumir que há riscos. “Sabe-se que um processo depressivo, por exemplo, e no caso de um tratamento estritamente farmacológico, precisa de um período mínimo de três meses e em média de seis meses para avaliação quando responde à medicação”, explica. Por outro lado, em muitas situações, uma interrupção súbita da medicação pode ser muito prejudicial. Nos casos de depressão grave podemos assistir a um agravamento do problema e ao risco de suicídio. Há casos que podem ser controlados com um tratamento e que sem ele exigem internamento. Outro exemplo: os doentes com esquizofrenia precisam da medicação para ajudar a controlar uma série de manifestações desta patologia, mas precisam também de estar inseridos em programas de reabilitação psicossocial. Quando (e se) essa vertente do tratamento falha, por falta de dinheiro para se deslocarem para os locais onde têm estas respostas, estes doentes são afectados de forma grave e acabam remetidos para um perigoso isolamento.

Os dados sobre as consultas de saúde mental nos hospitais psiquiátricos e nos serviços locais de saúde mental mostram, apesar de tudo, um aumento entre 2005 e 2011. Porém, Álvaro Carvalho nota que este crescimento “é pouco expressivo”. Principalmente, se tivermos em conta que estes números também reflectem o aumento das unidades periféricas onde existem estas consultas, traduzindo (e bem) uma actividade mais descentralizada, nota Álvaro Carvalho. Assim, seria expectável que tivessem aumentado ainda mais. A falta de dinheiro pode estar a desviar muitos doentes das consultas e a funcionar como travão, admite o especialista como uma das explicações para o “tímido” aumento das consultas.

O mesmo raciocínio pode ser usado na leitura dos dados sobre as vendas de antidepressivos e estabilizantes de humor que mostram um aumento de quase um milhão de embalagens entre 2008 e 2012. É muito ou seria mais ainda, se os doentes não estivessem a passar por dificuldades económicas? Esta é uma questão mais complexa. O elevado e crescente consumo de antidepressivos em Portugal – um dos maiores da Europa – não é nada que tenha começado nos anos de crise. “É algo que já existia antes da crise”, sublinha Álvaro Carvalho. Aliás, lembra o psiquiatra, os portugueses também são líderes no consumo de outras substâncias como os ansiolíticos, o álcool ou mesmo os antipsicóticos.

Apesar de recusar fazer uma associação directa entre este consumo excessivo de antidepressivos e a crise, por falta de evidência científica, Álvaro Carvalho admite que as duas realidades não estejam completamente desligadas. Há também que considerar a hipótese de estarmos perante os efeitos de uma má prática com uma excessiva prescrição. A propósito disto, o director do Programa Nacional para a Saúde Mental refere que recentemente recuperou uma proposta – elaborada há três anos com o Infarmed e a Ordem dos Médicos – sobre as “boas práticas” da prescrição deste tipo de medicamentos e que envolve acções de formação dirigidas aos profissionais de saúde.

 

Fonte: Público.

Sexo ajuda a combater enxaquecas

Sexo ajuda a combater enxaquecas

 

 

Afinal, as dores de cabeça já não devem ser uma desculpa para escapar ao sexo – pelo contrário. Uma equipa de neurologistas alemães concluiu que a atividade sexual pode conduzir “a uma melhoria parcial ou total” dos sintomas, aliviando as dores de cabeça durante os episódios mais violentos do problema.
De acordo com um estudo realizado pelos especialistas da Universidade de Munster, na Alemanhã, cujos resultados foram publicados na revista científica Cephalagia, fazer amor pode ser mais eficaz do que tomar analgésicos para ajudar a atenuar as dores de cabeça.
Os investigadores enviaram um questionário anónimo a 800 pacientes que sofrem de enxaquecas, escolhidos aleatoriamente, e a 200 pacientes que costumam sofrer de dores de cabeça localizadas.
As questões incidiam sobre a existência ou não de atividade sexual durante os episódios de enxaquecas e o impacto da mesma na intensidade da dor de cabeça.
Os investigadores analisaram, então, as suas respostas e constataram que mais de metade dos pacientes com enxaquecas que fizeram sexo durante um episódio experimentaram uma melhoria significativa nos sintomas.

Atividade sexual já é usada como “ferramenta terapêutica”

Um em cada cinco pacientes relatou o desaparecimento completo da dor, enquanto outros, em particular os homens que sofriam do problema, confessaram mesmo “usar a atividade sexual como uma ferramenta terapêutica”, apontaram os cientistas.
A equipa explicou que o alívio dos sintomas da enxaqueca pode estar relacionado com o facto de o sexo desencadear a libertação de endorfinas, os “analgésicos naturais” do organismo, no sistema nervoso central, o que pode reduzir ou mesmo eliminar as dores de cabeça.
“A maioria dos pacientes com enxaqueca não tem atividade sexual durante os ataques. Os nossos dados sugerem, porém, que o sexo pode conduzir a um alívio total ou parcial das dores de cabeça em alguns dos doentes”, salientaram os investigadores.
Além disso, frisaram, “os resultados mostram que a atividade sexual durante um episódio de enxaqueca pode mesmo travar o ataque em alguns dos casos e que fazer sexo com dor de cabeça não é um comportamento raro”. Aliás, o sexo é mesmo utilizado “como uma terapia contra as enxaquecas por alguns pacientes”, concluíram.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês).

Fonte: Boas Notícias.

Programa de computador torna visível o invisível

por Inês Silva, editado por Helena TecedeiroOntem5 comentários

Imagens da reportagem realizada pelo The New York Times.
Imagens da reportagem realizada pelo The New York Times.Fotografia © youtube

 

Foi fabricado um programa de computador capaz de fazer o ser humano ver coisas que, a olho nu, nunca conseguiria visualizar.

Num vídeo do jornal The New York Times, observamos um bebé recém-nascido a dormir, muito calmamente, no seu berço. Numa primeira imagem, torna-se quase impossível ver o bebé a respirar enquanto que na segunda, já transformada pelo programa de computador, visualizamos a boca da criança a abrir e a fechar, ao mesmo tempo que a cor do rosto vai mudando para um vermelho escuro, consoante o seu batimente cardíaco.

No vídeo realizado pelo The New York Times e colocado no Youtube podemos observar como funciona este programa de computador:

 

 


Primeiramente, a equipa resolveu desenvolver um programa para monitorizar os bebés recém-nascidos, sem ser necessário qualquer contacto físico. No entanto, chegaram rapidamente à conclusão que o algoritmo podia ser aplicado noutros vídeos, afim de revelar mudanças imperceptíveis a olho nu.
Segundo o The New York Times, o processo de amplificação tem como nome “Eulerian Video Magnification” e foi levado a cabo por um grupo de cientistas do Massachusetts Institute of Technology’s Computer Science and Artificial Intelligence Laboratory.

O professor William T. Freeman, responsável por esta investigação, é da opinião que o programa poderá ajudar a encontrar e a salvar pessoas, auxiliando equipas de resgate a perceber, por exemplo, se as vítimas ainda estão ou não a respirar: “Uma vez que conseguimos amplificar estes pequenos movimentos é como se houvesse um novo mundo que nós podemos observar”.

O programa ganhou destaque no ano passado, quando a equipa o apresentou na conferência anual de computação gráfica, conhecida como Siggraph, em Los Angeles.

 

Fonte: DN.

Uma semana de pouco sono perturba centenas de genes

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Não dormir as horas suficientes pode ter um impacto muito negativo na saúde – e agora começa a perceber-se porquê.

 

Sabe-se que quem tem por hábito não dormir um número suficiente de horas por dia aumenta os seus riscos de obesidade, doenças cardiovasculares e disfunções cognitivas. Mas os mecanismos subjacentes a esta relação sono/doença têm permanecido misteriosos. Hoje, um estudo com base em amostras de sangue humano, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere fortemente que, no ser humano, a falta crónica de sono começa por perturbar a actividade dos genes.

Em cada tecido do organismo, os genes apresentam padrões de actividade – ou “expressão” – diferentes e específicos do tecido em causa. Isso permite, a partir da uma mesma molécula de ADN, gerar a grande diversidade das células, das hepáticas às nervosas passando pelas sanguíneas. E a expressão de cada gene reflecte-se na quantidade dos vários tipos de moléculas de ARN (parecidas com o ADN) que são transcritas pela célula de forma a fabricar as proteínas de que ela precisa.

Experiências no ratinho já mostraram que tanto a falta de sono como o seu desfasamento no tempo alteram esse padrão de ARN, chamado “transcritoma”, no fígado e no cérebro desses animais. E agora, para determinar o impacto da falta de sono no ser humano, Derk-Jan Djik e colegas, da Universidade de Surrey, no Reino Unido, analisaram o transcritoma do sangue de uma série de voluntários em função do número de horas que dormiam.

“Tanto quanto sabemos, somos os primeiros a ter investigado, no ser humano, os efeitos de um nível ecologicamente relevante de falta de sono sobre o transcritoma”, disse Djik ao PÚBLICO. Os cientistas estudaram o transcritoma do sangue porque a sua recolha não é invasiva e porque fornece, argumentam, uma visão global do que está a acontecer.

Durante uma semana, 26 adultos dormiram menos de seis horas – e durante uma outra semana dormiram quase nove horas. No fim de cada semana de “tratamento”, tiveram de ficar acordados durante 40 horas a fio, numa situação de privação total do sono – e foi durante esse período que foram efectuadas as colheitas de sangue, ao ritmo de uma de três em três horas. Diga-se ainda que as duas partes da experiência decorreram com um intervalo de dez dias.

A análise do ARN do sangue revelou claramente os efeitos da falta de sono sobre a actividade de… 711 genes! Por outro lado, a privação de sono levou a uma nítida queda – de 1855 para 1481 – do número de genes que possuíam naturalmente ritmos de actividade circadianos (isto é, que ao longo de cerca de 24 horas, em sintonia com a alternância do dia e da noite, viam a sua actividade passar por um mínimo e um máximo). E mesmo nos genes cuja actividade continuou diariamente a oscilar, a amplitude das oscilações foi mais pequena. Além disso: a privação total de sono alterou só por si a expressão de uma série de genes, mas o número dos genes alterados durante esse período foi sete vezes maior após uma semana de privação crónica do que depois de uma semana de sono normal: 856 contra 122.

Entre os genes afectados há genes implicados nos processos imunitários, inflamatórios, no metabolismo celular e na resposta das células ao stress oxidativo.

Se uma semana de sono curto surte estes efeitos, não é difícil imaginar as consequências para a saúde de uma vida com horas de sono a menos, noitadas, insónias – decorrentes da actividade profissional e social típica das sociedades modernas. Segundo os dados dos Centros de Prevenção e Controlo de Doenças norte-americanos, 30% da população adulta dos EUA (mais de 40 milhões de pessoas) dorme seis horas ou menos por dia. E em Portugal, a proporção poderá ser superior a 50%.

Agora, os cientistas querem saber “se as alterações [do transcritoma] variam com a idade e relacioná-las com as perturbações fisiológicas e hormonais da obesidade e das doenças cardiovasculares”, diz Djik.

 

Fonte: CM.

Consumo de ansiolíticos em maiores de 65 anos duplicou em 2012

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O psiquiatra Pedro Afonso alertou hoje para o aumento exponencial do consumo de antidepressivos e ansiolíticos em pessoas maiores de 65 anos, afirmando que sem esta ferramenta terapêutica o número de suicídios seria maior nesta faixa etária.

O especialista no Hospital Júlio de Matos, do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, falava à agência Lusa a propósito de dados que serão divulgados no encontro “Avanços e controvérsias em Psiquiatria”, que decorre na sexta-feira, na Ericeira.

Os dados, fornecidos pela consultora IMS Health indicam que em 2012 foram prescritos 7.753.193 ansiolíticos e 6.095.634 antidepressivos.

Em relação a 2011, registou-se um aumento da venda de antidepressivos e estabilizadores de humor na ordem dos 7,7 por cento e de 1,2 por cento na venda de ansiolíticos.

O aumento foi exponencial na prescrição destes fármacos a maiores de 65 anos que subiu de 1.739.406 em 2011 para 3.577.838 em 2012, no caso dos ansiolíticos, e de 1.439.591 em 2011 para 2.297.880 em 2012, nos antidepressivos e estabilizadores de humor.

Para Pedro Afonso, existem vários fatores que têm levado ao aumento do consumo destes fármacos, a começar pela redução dos rendimentos através da diminuição das reformas.

“São pessoas que, em muitos casos, já estão fragilizadas pela doença e que veem frustradas as suas expectativas em relação ao futuro”, disse à Lusa.

Mais frágeis, estas pessoas deparam-se com a dificuldade acrescida de terem de ajudar os filhos e sofrem também com a sua condição de desempregados e sem maneira de honrar os compromissos.

“Muitas vezes estes idosos têm de acolher os filhos em casa e até de sustentá-los, apesar de receberem menos dinheiro”, adiantou.

Pedro Afonso garante que estes casos são aos milhares em todo o país e refletem a pressão enorme a que este idosos estão sujeitos, a que acresce, em muitos casos, a solidão em que vivem.

Sobre o consumo destes medicamentos, o psiquiatra não tem dúvidas de que esta ferramenta terapêutica tem evitado um maior número de suicídios.

“Não podemos resolver os problemas destas pessoas, mas apenas oferecer algum alívio ao seu sofrimento e às vezes conseguimos esse alívio através do tratamento”, concluiu.

 

Fonte: DN.

Treinar o cérebro pode dar-nos mais anos de vida

Treinar o cérebro pode dar-nos mais anos de vida

Os velhos ditados dizem que “se não não usas algo, podes acabar por perde-lo”. O psiquiatra californiano Daniel G. Amen levou a ideia a sério e desenvolveu um método que mostra as “áreas negras” do cérebro que precisam de ser estimuladas, prevenindo assim o seu “adormecimento”.

Veja a reportagem da BBC:

Como relata a BBC, através de uma imagem tridimensional Amen percebe quais as zonas do cérebro onde o fluxo de sangue é mais baixo. Depois, conforme o diagnóstico, o psiquiatra desenha um tratamento adequado às necessidades do paciente, que irá estimular as áreas adormecidas.A fórmula que promete combater os efeitos do envelhecimento do cérebro é promovida por Daniel Amen. Distinguido pela American Psychiatric Association, Amen utiliza o seu programa de digitalização cerebral para detetar as “zonas adormecidas do cérebro”, que lhe vão poder indicar os quais os problemas que impedem uma pessoa de viver mais tempo e de se sentir mais jovem.

Para uns, ler, dormir ou fazer alguns jogos será mais que suficiente. Para outros, o exercício físico ou a estimulação do córtex com luzes, sons e outras terapias, pode ser o tratamento mais indicado.

Daniel Amen pensa que o tempo de vida do ser humano é, em parte, determinado pelas funções cerebrais. As pessoas devem ser capazes de tomar decisões certas decisões que protejam o seu cérebro, tais como não comer ou beber demais.

Fonte: DN.

Cérebro humano simulado em supercomputador

Estrutura cerebral influencia opções políticas?

A simulação do cérebro humano num supercomputador para o conhecer melhor e curar doenças é o objetivo do Projeto do Cérebro Humano, que vai receber 1,19 mil milhões de euros da União Europeia e envolve a participação de Portugal.

Reconstruir o cérebro humano, peça por peça, através de modelos e simulações produzidas por um supercomputador, de modo a perceber o seu funcionamento, é o objetivo do Projeto do Cérebro Humano.

A iniciativa vai receber um financiamento de 1,19 mil milhões de euros da Comissão Europeia nos próximos 10 anos e irá produzir ferramentas, baseadas em tecnologia de informação e computação, que irão revolucionar o conhecimento do cérebro e permitir que este venha a ser aplicado na medicina.

Todo o conhecimento existente sobre o cérebro humano será concentrado nesse supercomputador e os referiodos modelos abrirão as portas ao conhecimento das doenças do cérebro, bem como permitirão o desenvolvimento de novas tecnologias computacionais e robóticas.

Participação da Fundação Champalimaud

O projeto envolve 80 instituições científicas europeias e mais de 200 investigadores. A participação portuguesa é feita através de Zachary Mainen e Rui Costa, do Programa de Neurociência da Fundação Champalimaud.

Os investigadores da Champalimaud irão participar a dois níveis, explica Zachary Mainen: “Por um lado contribuiremos para o estabelecimento de uma relação entre ações, comportamentos e os circuitos neurais que estão na sua génese; por outro, pretendemos desenvolver modelos computacionais que nos permitam integrar e processar esta informação.”

Para Rui Costa, “será uma oportunidade única para a partilha de conhecimento e para o desenvolvimento de modelos que permitirão compreender a complexidade dos circuitos neurais que compõem o cérebro humano.”

Competitividade da ciência feita em Portugal

Para Ministério da Educação e Ciência, o Projeto do Cérebro Humano “tem grande potencial para a saúde e a compreensão do comportamento humano.” A Fundação para a Ciência e Tecnologia, por sua vez, considera que a participação portuguesa “é o reflexo direto da competitividade internacional que a ciência feita em Portugal detém.”

A coordenação do consórcio de 80 centros de investigação está a cargo de quatro instituições: Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne, Universidade de Lausanne e Centre Hospitalier Universitaire Vaudois, Suíça; e Universidade de Heidelberg, Alemanha. E poderá contar ainda com parceiros norte-americanos e japoneses.

O projeto deverá arrancar ainda em 2013 e prevê-se que tenha um grande impacto no desenvolvimento da medicina, da neurociência e da computação na Europa e no Mundo, sendo considerado uma espécie de CERN (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear) do cérebro.

500 milhões para investigar grafeno

A CE anunciou a seleção do Projeto do Cérebro Humano como um dos dois projetos vencedores da Future and Emerging Technologies Flagship Projects, uma iniciativa europeia que pretende responder aos maiores desafios da ciência.

O outro projeto de investigação, que terá um financiamento de 500 milhões de euros da Comissão Europeia, incide sobre o grafeno, a forma do carbono descoberta em 2010 que tem um grande potencial de aplicação na indústria eletrónica.

É promovido pelo consórcio Graphene Flagship, reúne 600 equipas de investigação em toda a Europa e é liderado em Portugal por Nuno Peres, da Escola de Ciências da Universidade do Minho, envolvendo investigadores portugueses e estrangeiros desta universidade, das universidades de Aveiro e do Porto, do Instituto Ibérico de Nanotecnologia (que tem sede em Braga) e do Instituto Superior Técnico.

Fonte: Expresso.

Dormir bem aumenta sentimentos de gratidão

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Todos nós sabemos que uma boa noite de sono é ótimo para a nossa saúde e bem-estar geral.

Mas uma série de novos estudos descobriu um benefício surpreendente de um sono bom: mais sentimentos de gratidão nos relacionamentos interpessoais.

“Pesquisas anteriores mostraram que a gratidão promove um bom sono, mas nosso estudo olha a conexão na direção inversa e, pelo que sabemos, é o primeiro a mostrar que experiências diárias de sono de má qualidade estão negativamente associadas com a gratidão para com os outros – uma emoção importante que ajuda a formar e estreitar os laços sociais,” disse Amie Gordon, da Universidade de Califórnia em Berkeley.

Dormir para se sentir agradecido

Um grande número de estudos tem documentado que as pessoas que sentem gratidão – sentem-se agradecidas pelo que os outros fazem ou pela companhia – são mais felizes e saudáveis.

Em três novos estudos, a Dra. Amie e sua colega Serena Chen, também da Universidade da Califórnia, analisaram em detalhes como um sono ruim afeta os sentimentos de gratidão.

No primeiro estudo, pessoas que tiveram uma noite de sono ruim mostraram menor gratidão depois de enumerar cinco coisas que valorizaram em sua vida.

No segundo estudo, foram comparados a qualidade do sono e os sentimentos de gratidão de voluntários durante duas semanas. Os resultados mostraram não apenas um declínio na gratidão nos dias de sono ruim, como também os participantes relataram sentir mais egoísmo naqueles dias.

O estudo final avaliou casais, e mostrou que as pessoas tendem a se sentir menos gratas com relação aos seus parceiros depois de dormirem mal.

“Em pleno acordo com esta constatação, as pessoas relataram sentir-se menos valorizadas por seus parceiros quando algum deles dorme mal, o que sugere que a falta de gratidão é transmitida para o parceiro,” diz Amie.

Psicologia social

Os psicólogos sociais estão cada vez mais reconhecendo que comportamentos “pró-sociais” – incluindo agradecer e oferecer coisas aos outros – são essenciais para o nosso bem-estar psicológico.

Mesmo a forma como escolhemos gastar o nosso dinheiro em compras afeta nossa saúde e felicidade.

E as crianças desenvolvem maneiras específicas para ajudar os outros desde idades muito jovens.

A Dra. Amie Gordon e outros pesquisadores apresentaram algumas das últimas descobertas na área na reunião anual da Sociedade de Psicologia Social e Personalidade (SPSP), que está ocorrendo em Nova Orleans (EUA).

 

Fonte:  Diário da Saúde, via Pavablog.

Portugueses compraram 20 mil embalagens de antidepressivos por dia

Pode ser possível tratar doenças com placebo sem mentir ao doente

 

Vendas bateram recorde em 2012. Aumento de depressões pode não ser a única explicação, mas todos os dias há casos ligados à crise.

 

Em 2012 os portugueses compraram em média 20 500 embalagens de antidepressivos por dia, um número inédito desde que há registos. Os dados fornecidos ao pela consultora IMS Health revelam que as vendas destes medicamentos aumentaram 7,6% ao longo do ano passado, resultando num total de 7,5 milhões de embalagens. Por dia são mais 1469 que em 2011, ano em que os portugueses consumiram 6,9 milhões de embalagens.

A literatura científica aponta para uma forte relação entre os períodos de crise e subida do desemprego e o aumento dos casos de depressão. Confrontada com esta subida, Luísa Figueira, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental e médica do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, reconhece que a crise, podendo não explicar todo o aumento de consumo de antidepressivos, começa a ser mais invocada nos diagnósticos. “Há mais depressões e casos de descompensação, alguns claramente desencadeados pelo desemprego e por dificuldades económicas”, conta a a chefe do serviço de psiquiatria de Santa Maria.

Embora não haja dados nacionais, um mecanismo de triagem dos casos referenciados pelos médicos de família para este hospital vai permitindo tirar algumas conclusões: “Passou a ser frequente vir referido nos processos que o doente está deprimido por dificuldades financeiras ou situações de desemprego na família. Não se pode dizer que seja uma percentagem muito elevada, mas todos os dias aparecem casos de depressões por razões de natureza económica. Há um ano isto não acontecia.”

Apesar de a relação começar a consubstanciar-se de forma mais clara, para a especialista é preciso cautela ao avaliar o aumento do consumo de remédios. Outros factores poderão contribuir em simultâneo para esta tendência, explica, seja um aumento da prescrição de medicamentos genéricos – por vezes com embalagens com menos comprimidos e que podem motivar um maior número de unidades vendidas – seja o facto de o preço dos remédios em geral ter vindo a cair. Os dados da IMS Health confirmam que, apesar de existir um aumento das embalagens vendidas, os custos diminuíram. Em 2012 as vendas de antidepressivos totalizaram 86 milhões de euros. Em 2011, com menos embalagens vendidas, a factura foi superior 14%, rondando os 100 milhões de euros. Os dados da consultora permitem ainda concluir que o aumento das vendas se verificou ao longo de todo o ano. A maior subida aconteceu ainda assim em Outubro, altura em que se venderam mais 100 mil embalagens que no mesmo mês em 2011 (+17%).

NOVOS DADOS EM 2012 A evolução do consumo de antidepressivos, embora não permita determinar com rigor os factores na sua origem, é o único dado disponível quase em tempo real para tentar perceber a evolução dos casos de depressão. As estatísticas do Infarmed, com informação actualizada até Novembro, apontam para uma taxa de crescimento semelhante (7,7%). Faltam mais dados, reconhece Luísa Figueira, que defende que esse deve ser o caminho, ponderando a prescrição dos médicos e fazendo uma monitorização nacional dos casos referenciados. “Poderia ajudar na planificação dos cuidados. Não podemos mudar as condições económicas das pessoas mas temos de nos preparar para dar cada vez mais apoio a estes doentes”, defende.

Por agora, o único estudo nacional sobre a incidência da depressão em Portugal data de 2010 e ainda não foi divulgado na íntegra. Com base numa amostra representativa da população, os investigadores verificaram que Portugal tinha das taxas mais elevadas de doenças mentais da Europa (23% dos portugueses tinha sido diagnosticado com algum tipo de perturbação nos 12 meses anteriores e a prevalência ao longo da vida superava os 40%). A incidência da depressão fixou-se nesse ano nos 7,9%, só atrás das síndromes de ansiedade. José Caldas de Almeida, director da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e co-autor do trabalho, adiantou ao i que os resultados de 2010 deverão ser publicados na íntegra neste trimestre, adiantando que os investigadores estão a tentar garantir financiamento para levar a cabo um novo inquérito.

 

Fonte: Ionline.