Dois professores universitários fizeram uma investigação e concluíram que a austeridade pode causar suicídio, depressão e aumento de doenças infeciosas.
A austeridade está a ter um efeito devastador sobre a saúde na Europa e na América do Norte, é esta a conclusão de dois investigadores que será publicada no livro “O corpo da economia: porque mata a austeridade”, de acordo com a “Euronews”.
David Stuckler, professor da Universidade de Oxford, e Sanjay Basu, da Universidade de Stanford, concluíram que os cortes orçamentais podem provocar suicídio, depressão e doenças infecciosas devido à redução do acesso a medicamentos e cuidados de saúde.
As conclusões deste estudo fazem parte do livro “O corpo da economia: porque mata a austeridade”, no qual os investigadores defendem que a austeridade causou dez mil suicídios e um milhão de casos de depressão na Europa e América do Norte.
Os professores dão o exemplo da Grécia, onde os cortes na prevenção do HIV levaram ao aumento de 200% da taxa de infetados. Nos EUA, mais de cinco milhões de americanos perderam o acesso aos cuidados de saúde durante a última recessão. Na Grã-Bretanha, cerca de dez mil famílias foram morar para a rua devido aos cortes do Governo.
Quando é que começamos a tornar-nos conscientes do mundo que nos rodeia? Segundo os mais recentes resultados, isso poderá acontecér muito mais cedo do que se pensava.
Um dos bebés de cinco meses que participaram no estudo com a mãe CORTESIA DE SID KOUIDER
Pela primeira vez, foi possível detectar, no cérebro de bebés com apenas cinco meses de vida, um tipo de actividade cerebral que assinala que a sua consciência visual está a emergir. Os resultados são publicados esta sexta-feira na revista Science.
Sabe-se que, nos adultos, a apresentação de uma imagem, mesmo por brevíssimos instantes, dá origem a um padrão de activação neuronal característico, explica a Science no seu site. A activação começa no córtex visual e, passados uns 300 milissegundos, a mensagem chega ao córtex pré-frontal, a região do cérebro onde residem as nossas mais sofisticadas funções cognitivas – e em particular o pensamento.
Sid Kouider e colegas da Ecole Normale Supérieure, em Paris, decidiram testar, através da técnica de electroencefalografia, se a segunda fase deste padrão de ondas cerebrais se verificava também nos bebés muito novos. O estudo envolveu 80 crianças de cinco, 12 e 15 meses de idade, cuja actividade cerebral foi medida graças a um “gorro” de electrodos, enquanto visionavam séries de imagens dentro das quais estava “escondida” a de uma face humana.
Confirmaram assim que os bebés com mais de um ano respondiam àquela imagem desenvolvendo o mesmo tipo de resposta neuronal semelhante à dos adultos – o que não admira, visto que, nesta idade, a interacção visual e social do bebé com o mundo já é muito rica. Mas ficaram surpreendidos ao descobrirem que, embora de forma incipiente e muito mais lenta, essa segunda fase da resposta cerebral já estava presente nos bebés de cinco meses.
Quer isto dizer que desde tão cedo, os bebés têm consciência do que viram, que sabem que viram uma face? Nem por isso: Kouider, citado pela revistaNew Scientist, diz que o trabalho não constitui uma prova directa de que os bebés estão a ter uma experiência subjectiva. Segundo ele, não é claro que ostimings da segunda fase da resposta cerebral, que são ainda muito lentos, permitam uma autêntica experiência consciente.
Mas os rudimentos já lá estão, concluem os cientistas. “Estes resultados mostram que os mecanismos cerebrais subjacentes à percepção consciente já estão presentes na primeira infância”, escrevem no seu artigo na Science.
A abordagem utilizada neste trabalho também poderá servir, salientam, para perceber melhor os estados de consciência mínima nos adultos – seja na sequencia de lesões cerebrais, seja durante uma anestesia – para determinar até que ponto essas pessoas têm consciência do mundo exterior.
Quanto mais regular a rotina sexual, mais felizes as pessoas são (Foto: Getty Images)
Segundo uma pesquisa feita na University of Colorado Boulder, nos Estados Unidos, não basta ter casa, carro ou emprego melhor do que os vizinhos. Acreditar que sua vida sexual é melhor do que os moradores das casas ao redor é fator crucial para a felicidade.
A informação é do professor de sociologia Tim Wadsworth que analisou dados coletados entre 1993 e 2006 para a General Social Survey, pesquisa feita desde 1972 e monitorada pela Sociedade Americana de Psicologia.
No total, as respostas de 15.386 pessoas foram analisadas e disseram que achavam que eram ‘muito felizes’, ‘felizes’ ou ‘infelizes’.
Foram vistos dados como renda, status do relacionamento, saúde, idade e também a vida sexual. Segundo a análise, quanto mais regular era a rotina sexual, mais felizes os participantes pareciam. Aqueles que mantinham relações uma vez por semana eram 44% mais felizes do que os que não praticaram por um ano. Enquanto os que mantinham relações de duas a três vezes por semana, demonstraram ser 55% mais felizes.
Mas não basta fazer, é preciso acreditar que a vida sexual é melhor do que a dos amigos. Aqueles que mantinham rotina, mas acreditavam que os colegas se divertiam mais, demonstraram ser mais infelizes do que os que apostavam ter vida sexual melhor.
O pesquisador calculou que uma pessoa que mantinha relações duas ou três vezes por mês, mas acreditava que algum colega fizesse sexo uma vez por semana, demonstrava queda no índice de felicidade em torno de 14%.
“Há um aumento geral da ideia de bem estar associada ao sexo, mas há outros aspectos ligados a isso”, disse Tim ao jornal Daily Mail.
Dados finais dos Censos 2011 confirmam as expectativas e dados já conhecidos. A população sénior aumentou de 16 para 19 % sendo que as projecções apontam para que em 2030 metade da população portuguesa esteja acima dos 50 anos. Acresce que também segundo os Censos 2011, cerca de 400.000 velhos vivem sós, mais 29% que há dez anos.
Num olhar mais específico e exemplificativo, a Operação Censos Sénior realizada pela GNR de 2013 encontrou mais de 28.000 idosos a viver sós ou em situação de isolamento. Deve registar-se que esta operação decorre fora das áreas urbanas e o número encontrado representa um aumento de 22,6 % relativamente a 2012. Em Lisboa, alguns trabalhos estimam uma “realidade de total isolamento diário para 59% da população que reside sozinha, evidenciando um risco de solidão” e completamente dependentes das relações de vizinhança comunitária, elas próprias em extinção.
Neste universo importa ainda salientar que segundo o INE e reportando-se a 2009 a taxa de risco de pobreza em Portugal continua alta, tendo subido na população idosa, 20,1 % deste grupo etário vive esta situação. Se considerarmos os efeitos conjugados das dificuldades económicas e dos cortes em políticas sociais de 2010, 2011 e 2012, esta taxa tenderá muito provavelmente a subir.
Finalmente nesta introdução, é de recordar a frequência impressionante com que surgem notícias de velhos que morrem sós, sem que ninguém se dê conta de tal tragédia.
Não sou, não quero ser, especialista nestas matérias mas creio que muitas destas pessoas morrem de sozinhismo, a doença que ataca os que vivem sós e perderam o amparo. Algumas pessoas terão morrido de solidão e não de outras causas que possam vir a figurar nas certidões. Quem não vive só mais facilmente resiste às mazelas que a idade traz quase sempre. As pessoas são, espera-se, fonte de saúde e calor.
Na verdade, o sozinhismo poderá ser verdadeiramente a causa de morte de muitos idosos. No entanto e como sempre, para além das necessárias políticas sociais emergentes do estado e das instituições privadas de solidariedade impõe-se a percepção pelas comunidades, designadamente pelas famílias, do drama da solidão e do isolamento. Os dados recolhidos e, portanto, conhecidos deveriam servir de base a políticas ajustadas à realidade.
É também uma questão de redes sociais, mas não das virtuais.
Em muitas circunstâncias, as famílias, seja pelos valores, seja pelas suas próprias dificuldades e estilos de vida, não se constituem como um porto de abrigo, sendo parte significativa do problema e não da solução produzindo cada vez mais situações de solidão e isolamento entre os velhos, com consequências que têm feito manchetes, muitos velhos morrem de sozinhismo, de solidão. Estão em extinção as relações de vizinhança e a vivência comunitária, fontes privilegiadas de protecção dos mais velhos. Aliás e felizmente, começam a emergir algumas iniciativas ou programas destinados justamente a restabelecer ou substituir esta rede de suporte comunitário que se revela de extrema importância.
É certo que existe um pequeno número de idosos que além do apoio familiar, ainda possuem meios que lhes permitem aceder a bens e equipamentos que contribuem para uma desejável e merecida qualidade de vida no fim da sua estrada, respostas que estudos recentemente divulgados pela DECO evidenciam como caras e de difícil acesso.
Uma hipótese de lidar com esta questão cada vez mais presente, na medida em que assistimos ao prolongamento da esperança de vida poderia ser, defendo-o frequentemente mas sem grande sucesso, a institucionalização do Direito aos Avós. Isto quer simplesmente dizer que todos os miúdos deveriam, obrigatoriamente, ter avós e que todos os velhos deveriam ter netos.
Num tempo em que milhares de miúdos estão sós e muitos velhos vão morrendo devagar de sozinhismo, qualquer partido verdadeiramente interessado nas pessoas, sentir-se ia obrigado a inscrever tal medida no seu programa ou, porque não, inscrevê-la nos direitos fundamentais.
Com tantas crianças abandonadas dentro de casa, institucionalizadas, mergulhadas na escola tempos infindos ou escondidas em ecrãs, ao mesmo tempo que os velhos estão emprateleirados em lares ou também abandonados em casa, isolados de tal forma que morrem sem que ninguém se dê conta, trata-se apenas de os juntar, seria uma espécie de dois em um. Creio que os benefícios para miúdos e velhos seriam extraordinários e alguns bons exemplos mostram isso mesmo.
Um avô ou uma avó, de preferência os dois, são bens de primeira necessidade para qualquer miúdo.
Número de doentes que está a faltar a consultas ou a tratamento é “maior do que o habitual” (DANIEL ROCHA)
Assistentes sociais e especialistas de saúde mental avisam que há cada vez mais doentes a faltar às consultas e a abandonar a medicação. O fenómeno não está quantificado, mas é preocupante.
As dificuldades económicas estão a fazer com que muitos doentes não consigam suportar os custos das deslocações e faltem às consultas de saúde mental. Há também cada vez mais doentes a admitir que não tem dinheiro para a medicação prescrita. As assistentes sociais alertam para um aumento anormal e preocupante do número de queixas de doentes que se dizem impossibilitados de prosseguir com o tratamento e o coordenador do Plano Nacional para a Saúde Mental da Direcção-Geral de Saúde avisa que, privados de tratamento, estes doentes correm sérios riscos.
“Temos cada vez mais informações sobre doentes que avisam que não vão comparecer às consultas por falta de dinheiro para o transporte”, avisa Álvaro Carvalho, coordenador do Plano Nacional para a Saúde Mental da Direcção-Geral de Saúde. Fernanda Rodrigues, presidente da direcção nacional da Associação dos Profissionais de Serviço Social, confirma esta realidade, acrescenta que estes doentes estão também a abandonar a medicação pelos mesmos motivos e sublinha que, apesar de não existirem dados sobre o número de pessoas afectadas, o fenómeno “é preocupante”.
“Estamos a registar uma falta de comparência às consultas que não é habitual. As assistentes sociais que trabalham na área da saúde mental referem que o principal motivo apresentado por estes doentes é o facto de não conseguirem pagar as deslocações e senhas de transporte. Por outro lado, o mesmo se passa na aquisição de medicamentos, com muitas pessoas a admitir que interromperam a terapêutica ou a comprar só parte da medicação prescrita, com escolhas que são ditadas por razões financeiras”, alerta Fernanda Rodrigues. As consequências, refere, “já estão a sentir-se com o agravamento dos problemas de saúde destas pessoas”. “Muitas vezes conseguir apenas que estas pessoas aceitem ser tratadas já não é fácil”, lamenta.
Sobre as possíveis consequências de um abandono do tratamento Álvaro Carvalho não hesita em assumir que há riscos. “Sabe-se que um processo depressivo, por exemplo, e no caso de um tratamento estritamente farmacológico, precisa de um período mínimo de três meses e em média de seis meses para avaliação quando responde à medicação”, explica. Por outro lado, em muitas situações, uma interrupção súbita da medicação pode ser muito prejudicial. Nos casos de depressão grave podemos assistir a um agravamento do problema e ao risco de suicídio. Há casos que podem ser controlados com um tratamento e que sem ele exigem internamento. Outro exemplo: os doentes com esquizofrenia precisam da medicação para ajudar a controlar uma série de manifestações desta patologia, mas precisam também de estar inseridos em programas de reabilitação psicossocial. Quando (e se) essa vertente do tratamento falha, por falta de dinheiro para se deslocarem para os locais onde têm estas respostas, estes doentes são afectados de forma grave e acabam remetidos para um perigoso isolamento.
Os dados sobre as consultas de saúde mental nos hospitais psiquiátricos e nos serviços locais de saúde mental mostram, apesar de tudo, um aumento entre 2005 e 2011. Porém, Álvaro Carvalho nota que este crescimento “é pouco expressivo”. Principalmente, se tivermos em conta que estes números também reflectem o aumento das unidades periféricas onde existem estas consultas, traduzindo (e bem) uma actividade mais descentralizada, nota Álvaro Carvalho. Assim, seria expectável que tivessem aumentado ainda mais. A falta de dinheiro pode estar a desviar muitos doentes das consultas e a funcionar como travão, admite o especialista como uma das explicações para o “tímido” aumento das consultas.
O mesmo raciocínio pode ser usado na leitura dos dados sobre as vendas de antidepressivos e estabilizantes de humor que mostram um aumento de quase um milhão de embalagens entre 2008 e 2012. É muito ou seria mais ainda, se os doentes não estivessem a passar por dificuldades económicas? Esta é uma questão mais complexa. O elevado e crescente consumo de antidepressivos em Portugal – um dos maiores da Europa – não é nada que tenha começado nos anos de crise. “É algo que já existia antes da crise”, sublinha Álvaro Carvalho. Aliás, lembra o psiquiatra, os portugueses também são líderes no consumo de outras substâncias como os ansiolíticos, o álcool ou mesmo os antipsicóticos.
Apesar de recusar fazer uma associação directa entre este consumo excessivo de antidepressivos e a crise, por falta de evidência científica, Álvaro Carvalho admite que as duas realidades não estejam completamente desligadas. Há também que considerar a hipótese de estarmos perante os efeitos de uma má prática com uma excessiva prescrição. A propósito disto, o director do Programa Nacional para a Saúde Mental refere que recentemente recuperou uma proposta – elaborada há três anos com o Infarmed e a Ordem dos Médicos – sobre as “boas práticas” da prescrição deste tipo de medicamentos e que envolve acções de formação dirigidas aos profissionais de saúde.
Afinal, as dores de cabeça já não devem ser uma desculpa para escapar ao sexo – pelo contrário. Uma equipa de neurologistas alemães concluiu que a atividade sexual pode conduzir “a uma melhoria parcial ou total” dos sintomas, aliviando as dores de cabeça durante os episódios mais violentos do problema.
De acordo com um estudo realizado pelos especialistas da Universidade de Munster, na Alemanhã, cujos resultados foram publicados na revista científica Cephalagia, fazer amor pode ser mais eficaz do que tomar analgésicos para ajudar a atenuar as dores de cabeça.
Os investigadores enviaram um questionário anónimo a 800 pacientes que sofrem de enxaquecas, escolhidos aleatoriamente, e a 200 pacientes que costumam sofrer de dores de cabeça localizadas.
As questões incidiam sobre a existência ou não de atividade sexual durante os episódios de enxaquecas e o impacto da mesma na intensidade da dor de cabeça.
Os investigadores analisaram, então, as suas respostas e constataram que mais de metade dos pacientes com enxaquecas que fizeram sexo durante um episódio experimentaram uma melhoria significativa nos sintomas.
Atividade sexual já é usada como “ferramenta terapêutica”
Um em cada cinco pacientes relatou o desaparecimento completo da dor, enquanto outros, em particular os homens que sofriam do problema, confessaram mesmo “usar a atividade sexual como uma ferramenta terapêutica”, apontaram os cientistas.
A equipa explicou que o alívio dos sintomas da enxaqueca pode estar relacionado com o facto de o sexo desencadear a libertação de endorfinas, os “analgésicos naturais” do organismo, no sistema nervoso central, o que pode reduzir ou mesmo eliminar as dores de cabeça.
“A maioria dos pacientes com enxaqueca não tem atividade sexual durante os ataques. Os nossos dados sugerem, porém, que o sexo pode conduzir a um alívio total ou parcial das dores de cabeça em alguns dos doentes”, salientaram os investigadores.
Além disso, frisaram, “os resultados mostram que a atividade sexual durante um episódio de enxaqueca pode mesmo travar o ataque em alguns dos casos e que fazer sexo com dor de cabeça não é um comportamento raro”. Aliás, o sexo é mesmo utilizado “como uma terapia contra as enxaquecas por alguns pacientes”, concluíram.
Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês).
Foi fabricado um programa de computador capaz de fazer o ser humano ver coisas que, a olho nu, nunca conseguiria visualizar.
Num vídeo do jornal The New York Times, observamos um bebé recém-nascido a dormir, muito calmamente, no seu berço. Numa primeira imagem, torna-se quase impossível ver o bebé a respirar enquanto que na segunda, já transformada pelo programa de computador, visualizamos a boca da criança a abrir e a fechar, ao mesmo tempo que a cor do rosto vai mudando para um vermelho escuro, consoante o seu batimente cardíaco.
No vídeo realizado pelo The New York Times e colocado no Youtube podemos observar como funciona este programa de computador:
Primeiramente, a equipa resolveu desenvolver um programa para monitorizar os bebés recém-nascidos, sem ser necessário qualquer contacto físico. No entanto, chegaram rapidamente à conclusão que o algoritmo podia ser aplicado noutros vídeos, afim de revelar mudanças imperceptíveis a olho nu.Segundo o The New York Times, o processo de amplificação tem como nome “Eulerian Video Magnification” e foi levado a cabo por um grupo de cientistas do Massachusetts Institute of Technology’s Computer Science and Artificial Intelligence Laboratory.
O professor William T. Freeman, responsável por esta investigação, é da opinião que o programa poderá ajudar a encontrar e a salvar pessoas, auxiliando equipas de resgate a perceber, por exemplo, se as vítimas ainda estão ou não a respirar: “Uma vez que conseguimos amplificar estes pequenos movimentos é como se houvesse um novo mundo que nós podemos observar”.
O programa ganhou destaque no ano passado, quando a equipa o apresentou na conferência anual de computação gráfica, conhecida como Siggraph, em Los Angeles.
Não dormir as horas suficientes pode ter um impacto muito negativo na saúde – e agora começa a perceber-se porquê.
Sabe-se que quem tem por hábito não dormir um número suficiente de horas por dia aumenta os seus riscos de obesidade, doenças cardiovasculares e disfunções cognitivas. Mas os mecanismos subjacentes a esta relação sono/doença têm permanecido misteriosos. Hoje, um estudo com base em amostras de sangue humano, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere fortemente que, no ser humano, a falta crónica de sono começa por perturbar a actividade dos genes.
Em cada tecido do organismo, os genes apresentam padrões de actividade – ou “expressão” – diferentes e específicos do tecido em causa. Isso permite, a partir da uma mesma molécula de ADN, gerar a grande diversidade das células, das hepáticas às nervosas passando pelas sanguíneas. E a expressão de cada gene reflecte-se na quantidade dos vários tipos de moléculas de ARN (parecidas com o ADN) que são transcritas pela célula de forma a fabricar as proteínas de que ela precisa.
Experiências no ratinho já mostraram que tanto a falta de sono como o seu desfasamento no tempo alteram esse padrão de ARN, chamado “transcritoma”, no fígado e no cérebro desses animais. E agora, para determinar o impacto da falta de sono no ser humano, Derk-Jan Djik e colegas, da Universidade de Surrey, no Reino Unido, analisaram o transcritoma do sangue de uma série de voluntários em função do número de horas que dormiam.
“Tanto quanto sabemos, somos os primeiros a ter investigado, no ser humano, os efeitos de um nível ecologicamente relevante de falta de sono sobre o transcritoma”, disse Djik ao PÚBLICO. Os cientistas estudaram o transcritoma do sangue porque a sua recolha não é invasiva e porque fornece, argumentam, uma visão global do que está a acontecer.
Durante uma semana, 26 adultos dormiram menos de seis horas – e durante uma outra semana dormiram quase nove horas. No fim de cada semana de “tratamento”, tiveram de ficar acordados durante 40 horas a fio, numa situação de privação total do sono – e foi durante esse período que foram efectuadas as colheitas de sangue, ao ritmo de uma de três em três horas. Diga-se ainda que as duas partes da experiência decorreram com um intervalo de dez dias.
A análise do ARN do sangue revelou claramente os efeitos da falta de sono sobre a actividade de… 711 genes! Por outro lado, a privação de sono levou a uma nítida queda – de 1855 para 1481 – do número de genes que possuíam naturalmente ritmos de actividade circadianos (isto é, que ao longo de cerca de 24 horas, em sintonia com a alternância do dia e da noite, viam a sua actividade passar por um mínimo e um máximo). E mesmo nos genes cuja actividade continuou diariamente a oscilar, a amplitude das oscilações foi mais pequena. Além disso: a privação total de sono alterou só por si a expressão de uma série de genes, mas o número dos genes alterados durante esse período foi sete vezes maior após uma semana de privação crónica do que depois de uma semana de sono normal: 856 contra 122.
Entre os genes afectados há genes implicados nos processos imunitários, inflamatórios, no metabolismo celular e na resposta das células ao stress oxidativo.
Se uma semana de sono curto surte estes efeitos, não é difícil imaginar as consequências para a saúde de uma vida com horas de sono a menos, noitadas, insónias – decorrentes da actividade profissional e social típica das sociedades modernas. Segundo os dados dos Centros de Prevenção e Controlo de Doenças norte-americanos, 30% da população adulta dos EUA (mais de 40 milhões de pessoas) dorme seis horas ou menos por dia. E em Portugal, a proporção poderá ser superior a 50%.
Agora, os cientistas querem saber “se as alterações [do transcritoma] variam com a idade e relacioná-las com as perturbações fisiológicas e hormonais da obesidade e das doenças cardiovasculares”, diz Djik.
O psiquiatra Pedro Afonso alertou hoje para o aumento exponencial do consumo de antidepressivos e ansiolíticos em pessoas maiores de 65 anos, afirmando que sem esta ferramenta terapêutica o número de suicídios seria maior nesta faixa etária.
O especialista no Hospital Júlio de Matos, do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, falava à agência Lusa a propósito de dados que serão divulgados no encontro “Avanços e controvérsias em Psiquiatria”, que decorre na sexta-feira, na Ericeira.
Os dados, fornecidos pela consultora IMS Health indicam que em 2012 foram prescritos 7.753.193 ansiolíticos e 6.095.634 antidepressivos.
Em relação a 2011, registou-se um aumento da venda de antidepressivos e estabilizadores de humor na ordem dos 7,7 por cento e de 1,2 por cento na venda de ansiolíticos.
O aumento foi exponencial na prescrição destes fármacos a maiores de 65 anos que subiu de 1.739.406 em 2011 para 3.577.838 em 2012, no caso dos ansiolíticos, e de 1.439.591 em 2011 para 2.297.880 em 2012, nos antidepressivos e estabilizadores de humor.
Para Pedro Afonso, existem vários fatores que têm levado ao aumento do consumo destes fármacos, a começar pela redução dos rendimentos através da diminuição das reformas.
“São pessoas que, em muitos casos, já estão fragilizadas pela doença e que veem frustradas as suas expectativas em relação ao futuro”, disse à Lusa.
Mais frágeis, estas pessoas deparam-se com a dificuldade acrescida de terem de ajudar os filhos e sofrem também com a sua condição de desempregados e sem maneira de honrar os compromissos.
“Muitas vezes estes idosos têm de acolher os filhos em casa e até de sustentá-los, apesar de receberem menos dinheiro”, adiantou.
Pedro Afonso garante que estes casos são aos milhares em todo o país e refletem a pressão enorme a que este idosos estão sujeitos, a que acresce, em muitos casos, a solidão em que vivem.
Sobre o consumo destes medicamentos, o psiquiatra não tem dúvidas de que esta ferramenta terapêutica tem evitado um maior número de suicídios.
“Não podemos resolver os problemas destas pessoas, mas apenas oferecer algum alívio ao seu sofrimento e às vezes conseguimos esse alívio através do tratamento”, concluiu.
Os velhos ditados dizem que “se não não usas algo, podes acabar por perde-lo”. O psiquiatra californiano Daniel G. Amen levou a ideia a sério e desenvolveu um método que mostra as “áreas negras” do cérebro que precisam de ser estimuladas, prevenindo assim o seu “adormecimento”.
Veja a reportagem da BBC:
Como relata a BBC, através de uma imagem tridimensional Amen percebe quais as zonas do cérebro onde o fluxo de sangue é mais baixo. Depois, conforme o diagnóstico, o psiquiatra desenha um tratamento adequado às necessidades do paciente, que irá estimular as áreas adormecidas.A fórmula que promete combater os efeitos do envelhecimento do cérebro é promovida por Daniel Amen. Distinguido pela American Psychiatric Association, Amen utiliza o seu programa de digitalização cerebral para detetar as “zonas adormecidas do cérebro”, que lhe vão poder indicar os quais os problemas que impedem uma pessoa de viver mais tempo e de se sentir mais jovem.
Para uns, ler, dormir ou fazer alguns jogos será mais que suficiente. Para outros, o exercício físico ou a estimulação do córtex com luzes, sons e outras terapias, pode ser o tratamento mais indicado.
Daniel Amen pensa que o tempo de vida do ser humano é, em parte, determinado pelas funções cerebrais. As pessoas devem ser capazes de tomar decisões certas decisões que protejam o seu cérebro, tais como não comer ou beber demais.
A simulação do cérebro humano num supercomputador para o conhecer melhor e curar doenças é o objetivo do Projeto do Cérebro Humano, que vai receber 1,19 mil milhões de euros da União Europeia e envolve a participação de Portugal.
Reconstruir o cérebro humano, peça por peça, através de modelos e simulações produzidas por um supercomputador, de modo a perceber o seu funcionamento, é o objetivo do Projeto do Cérebro Humano.
A iniciativa vai receber um financiamento de 1,19 mil milhões de euros da Comissão Europeia nos próximos 10 anos e irá produzir ferramentas, baseadas em tecnologia de informação e computação, que irão revolucionar o conhecimento do cérebro e permitir que este venha a ser aplicado na medicina.
Todo o conhecimento existente sobre o cérebro humano será concentrado nesse supercomputador e os referiodos modelos abrirão as portas ao conhecimento das doenças do cérebro, bem como permitirão o desenvolvimento de novas tecnologias computacionais e robóticas.
Participação da Fundação Champalimaud
O projeto envolve 80 instituições científicas europeias e mais de 200 investigadores. A participação portuguesa é feita através de Zachary Mainen e Rui Costa, do Programa de Neurociência da Fundação Champalimaud.
Os investigadores da Champalimaud irão participar a dois níveis, explica Zachary Mainen: “Por um lado contribuiremos para o estabelecimento de uma relação entre ações, comportamentos e os circuitos neurais que estão na sua génese; por outro, pretendemos desenvolver modelos computacionais que nos permitam integrar e processar esta informação.”
Para Rui Costa, “será uma oportunidade única para a partilha de conhecimento e para o desenvolvimento de modelos que permitirão compreender a complexidade dos circuitos neurais que compõem o cérebro humano.”
Competitividade da ciência feita em Portugal
Para Ministério da Educação e Ciência, o Projeto do Cérebro Humano “tem grande potencial para a saúde e a compreensão do comportamento humano.” A Fundação para a Ciência e Tecnologia, por sua vez, considera que a participação portuguesa “é o reflexo direto da competitividade internacional que a ciência feita em Portugal detém.”
A coordenação do consórcio de 80 centros de investigação está a cargo de quatro instituições: Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne, Universidade de Lausanne e Centre Hospitalier Universitaire Vaudois, Suíça; e Universidade de Heidelberg, Alemanha. E poderá contar ainda com parceiros norte-americanos e japoneses.
O projeto deverá arrancar ainda em 2013 e prevê-se que tenha um grande impacto no desenvolvimento da medicina, da neurociência e da computação na Europa e no Mundo, sendo considerado uma espécie de CERN (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear) do cérebro.
500 milhões para investigar grafeno
A CE anunciou a seleção do Projeto do Cérebro Humano como um dos dois projetos vencedores da Future and Emerging Technologies Flagship Projects, uma iniciativa europeia que pretende responder aos maiores desafios da ciência.
O outro projeto de investigação, que terá um financiamento de 500 milhões de euros da Comissão Europeia, incide sobre o grafeno, a forma do carbono descoberta em 2010 que tem um grande potencial de aplicação na indústria eletrónica.
É promovido pelo consórcio Graphene Flagship, reúne 600 equipas de investigação em toda a Europa e é liderado em Portugal por Nuno Peres, da Escola de Ciências da Universidade do Minho, envolvendo investigadores portugueses e estrangeiros desta universidade, das universidades de Aveiro e do Porto, do Instituto Ibérico de Nanotecnologia (que tem sede em Braga) e do Instituto Superior Técnico.
Todos nós sabemos que uma boa noite de sono é ótimo para a nossa saúde e bem-estar geral.
Mas uma série de novos estudos descobriu um benefício surpreendente de um sono bom: mais sentimentos de gratidão nos relacionamentos interpessoais.
“Pesquisas anteriores mostraram que a gratidão promove um bom sono, mas nosso estudo olha a conexão na direção inversa e, pelo que sabemos, é o primeiro a mostrar que experiências diárias de sono de má qualidade estão negativamente associadas com a gratidão para com os outros – uma emoção importante que ajuda a formar e estreitar os laços sociais,” disse Amie Gordon, da Universidade de Califórnia em Berkeley.
Dormir para se sentir agradecido
Um grande número de estudos tem documentado que as pessoas que sentem gratidão – sentem-se agradecidas pelo que os outros fazem ou pela companhia – são mais felizes e saudáveis.
Em três novos estudos, a Dra. Amie e sua colega Serena Chen, também da Universidade da Califórnia, analisaram em detalhes como um sono ruim afeta os sentimentos de gratidão.
No primeiro estudo, pessoas que tiveram uma noite de sono ruim mostraram menor gratidão depois de enumerar cinco coisas que valorizaram em sua vida.
No segundo estudo, foram comparados a qualidade do sono e os sentimentos de gratidão de voluntários durante duas semanas. Os resultados mostraram não apenas um declínio na gratidão nos dias de sono ruim, como também os participantes relataram sentir mais egoísmo naqueles dias.
O estudo final avaliou casais, e mostrou que as pessoas tendem a se sentir menos gratas com relação aos seus parceiros depois de dormirem mal.
“Em pleno acordo com esta constatação, as pessoas relataram sentir-se menos valorizadas por seus parceiros quando algum deles dorme mal, o que sugere que a falta de gratidão é transmitida para o parceiro,” diz Amie.
Psicologia social
Os psicólogos sociais estão cada vez mais reconhecendo que comportamentos “pró-sociais” – incluindo agradecer e oferecer coisas aos outros – são essenciais para o nosso bem-estar psicológico.
Mesmo a forma como escolhemos gastar o nosso dinheiro em compras afeta nossa saúde e felicidade.
E as crianças desenvolvem maneiras específicas para ajudar os outros desde idades muito jovens.
A Dra. Amie Gordon e outros pesquisadores apresentaram algumas das últimas descobertas na área na reunião anual da Sociedade de Psicologia Social e Personalidade (SPSP), que está ocorrendo em Nova Orleans (EUA).
Vendas bateram recorde em 2012. Aumento de depressões pode não ser a única explicação, mas todos os dias há casos ligados à crise.
Em 2012 os portugueses compraram em média 20 500 embalagens de antidepressivos por dia, um número inédito desde que há registos. Os dados fornecidos ao i pela consultora IMS Health revelam que as vendas destes medicamentos aumentaram 7,6% ao longo do ano passado, resultando num total de 7,5 milhões de embalagens. Por dia são mais 1469 que em 2011, ano em que os portugueses consumiram 6,9 milhões de embalagens.
A literatura científica aponta para uma forte relação entre os períodos de crise e subida do desemprego e o aumento dos casos de depressão. Confrontada com esta subida, Luísa Figueira, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental e médica do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, reconhece que a crise, podendo não explicar todo o aumento de consumo de antidepressivos, começa a ser mais invocada nos diagnósticos. “Há mais depressões e casos de descompensação, alguns claramente desencadeados pelo desemprego e por dificuldades económicas”, conta a a chefe do serviço de psiquiatria de Santa Maria.
Embora não haja dados nacionais, um mecanismo de triagem dos casos referenciados pelos médicos de família para este hospital vai permitindo tirar algumas conclusões: “Passou a ser frequente vir referido nos processos que o doente está deprimido por dificuldades financeiras ou situações de desemprego na família. Não se pode dizer que seja uma percentagem muito elevada, mas todos os dias aparecem casos de depressões por razões de natureza económica. Há um ano isto não acontecia.”
Apesar de a relação começar a consubstanciar-se de forma mais clara, para a especialista é preciso cautela ao avaliar o aumento do consumo de remédios. Outros factores poderão contribuir em simultâneo para esta tendência, explica, seja um aumento da prescrição de medicamentos genéricos – por vezes com embalagens com menos comprimidos e que podem motivar um maior número de unidades vendidas – seja o facto de o preço dos remédios em geral ter vindo a cair. Os dados da IMS Health confirmam que, apesar de existir um aumento das embalagens vendidas, os custos diminuíram. Em 2012 as vendas de antidepressivos totalizaram 86 milhões de euros. Em 2011, com menos embalagens vendidas, a factura foi superior 14%, rondando os 100 milhões de euros. Os dados da consultora permitem ainda concluir que o aumento das vendas se verificou ao longo de todo o ano. A maior subida aconteceu ainda assim em Outubro, altura em que se venderam mais 100 mil embalagens que no mesmo mês em 2011 (+17%).
NOVOS DADOS EM 2012 A evolução do consumo de antidepressivos, embora não permita determinar com rigor os factores na sua origem, é o único dado disponível quase em tempo real para tentar perceber a evolução dos casos de depressão. As estatísticas do Infarmed, com informação actualizada até Novembro, apontam para uma taxa de crescimento semelhante (7,7%). Faltam mais dados, reconhece Luísa Figueira, que defende que esse deve ser o caminho, ponderando a prescrição dos médicos e fazendo uma monitorização nacional dos casos referenciados. “Poderia ajudar na planificação dos cuidados. Não podemos mudar as condições económicas das pessoas mas temos de nos preparar para dar cada vez mais apoio a estes doentes”, defende.
Por agora, o único estudo nacional sobre a incidência da depressão em Portugal data de 2010 e ainda não foi divulgado na íntegra. Com base numa amostra representativa da população, os investigadores verificaram que Portugal tinha das taxas mais elevadas de doenças mentais da Europa (23% dos portugueses tinha sido diagnosticado com algum tipo de perturbação nos 12 meses anteriores e a prevalência ao longo da vida superava os 40%). A incidência da depressão fixou-se nesse ano nos 7,9%, só atrás das síndromes de ansiedade. José Caldas de Almeida, director da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e co-autor do trabalho, adiantou ao i que os resultados de 2010 deverão ser publicados na íntegra neste trimestre, adiantando que os investigadores estão a tentar garantir financiamento para levar a cabo um novo inquérito.
Pessoas espiritualizadas, mas que não seguem uma religião formal, são mais propensas a sofrerem de transtornos mentais do que ateus e religiosos “tradicionais”.
O trabalho, feito pelo University College London e publicado no “British Journal of Psychiatry”, entrevistou 7.400 pessoas na Inglaterra, das quais 35% seguiam uma religião, 19% eram espiritualizadas e 46% não eram uma coisa nem outra, ateus e agnósticos.
Os espiritualizados não religiosos tiveram um risco 77% maior de abusar de drogas. Eles também foram muito mais propensos a sofrer de transtornos alimentares, fobias e neuroses.
Os autores do artigo, liderados pelo professor Michael King, reconhecem que são necessários outros estudos para realmente destrinchar e explicar essa relação entre os espiritualizados e os transtornos mentais.
Eles, no entanto, sugerem uma explicação, mesmo que parcial, para o fenômeno: a falta da estrutura de uma religião formal na busca espiritual pode deixar os crentes mais vulneráveis aos problemas mentais.
A discussão é antiga: será que em pessoas criativas e com dons artísticos há maior incidência de doenças mentais como bipolaridade, depressão e abuso de drogas? Logo de cara já dá para pensar em vários exemplos: Amy Winehouse, Sylvia Plath (foto), Kurt Cobain …
Pois pesquisadores do Karolinska Institutet, na Suécia, analisaram o histórico de quase 1,2 milhão de pacientes e seus familiares e confirmaram essa hipótese. No ano passado, a equipe já havia mostrado que há uma porcentagem maior de artistas e cientistas em famílias onde o transtorno bipolar e a esquizofrenia estão presentes do que na população em geral.
Agora, eles expandiram o estudo para abranger outros diagnósticos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, abuso de álcool, uso de drogas, autismo, TDAH, anorexia nervosa e suicídio, e incluíram pessoas em atendimento ambulatorial em vez de pacientes exclusivamente hospitalares.
Os resultados confirmaram os do estudo anterior: o transtorno bipolar novamente se mostrou mais comum entre pessoas com profissões artísticas ou científicas, como bailarinos, pesquisadores, fotógrafos e escritores, do que na população geral. Mas, tirando o transtorno bipolar, os indivíduos com profissões criativas não mostraram maior propensão a sofrer de transtornos psiquiátricos em relação aos outros.
“No entanto, ser um escritor está especificamente associado com maior probabilidade de se ter esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, transtornos de ansiedade e abuso de drogas”, diz o estudo. E tem mais: eles foram quase 50% mais propensos a cometer suicídio do que as outras pessoas. Estão aí Sylvia Plath, Virginia Woolf e Ernest Hemingway como exemplo.
Será que são as doenças que levam a pessoa para essas profissões ou o contrário? Em todo caso, de acordo com Simon Kyaga, um dos autores do estudo, tal associação entre a criatividade e a doença mental dá motivos para se reconsiderar a forma como ela é tratada. “Na psiquiatria e medicina em geral, tem havido uma tradição de se ver o problema como algo em preto-e-branco e há o esforço para tratar o paciente removendo tudo o que for considerado mórbido”, diz ele no Medical Xpress. “Mas, se alguém acredita que certos fenômenos associados a ele são benéficos para o paciente, isso abre o caminho para uma nova abordagem no tratamento. Nesse caso, médico e paciente devem chegar a um acordo sobre o que deve ser tratado, e a que custo”, completa.
Todos os anos registam-se mais de mil casos de suicídio e cerca de 30 mil comportamentos suicidários não consumados em Portugal, apesar dos especialistas referirem que esta é ainda uma realidade pouco referenciada. A prevenção destes comportamentos esteve em discussão durante o primeiro dia do Congresso Nacional de Psiquiatria, a decorrer no Porto até sábado.
A escassez de autópsias psicológicas e o elevado número de mortes por causas indeterminadas escondem ainda muitos dos casos de suicídio em Portugal. Um grave problema de saúde pública que os especialistas querem combater através da prevenção.
De acordo com Bessa Peixoto, director do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Braga, «existem princípios básicos que devem ser tidos em consideração na óptica da estratégia das consultas de prevenção do suicídio», nomeadamente a redução da disponibilidade e acessibilidade aos meios de suicídio; a implementação de estratégias que visem a diminuição do estigma associado à doença mental; o estabelecimento de procedimentos relativos à informação com os órgãos de comunicação social; desenvolvimento e implementação de programas de prevenção, entre outras.
No entanto, segundo o especialista, «existem ainda algumas dúvidas se o foco principal da prevenção deve estar nestas questões ou se deve ser dirigido para os cuidados primários. Há que reflectir se estes serviços estão apetrechados de forma a poder desenvolver consultas de intervenção em crise que, em tempo útil, respondam ou criem uma acessibilidade capaz de dar resposta a estes aspectos».
No simpósio dedicado aos «comportamentos suicidários: da prevenção à pósvenção» foram ainda abordadas as questões dos impactos do suicídio nas famílias e nos profissionais da área. De acordo com Ema Lima das Neves, Psicóloga Clínica do Hospital de Santa Maria, «o suicídio de um membro da família é ainda hoje visto como um tabu, a fonte de muita culpa e de muito segredo dentro das famílias», acrescentando que o neste campo «o foco é colocado nos sobreviventes – aqueles que são deixados para trás como consequência do suicídio – e na intervenção a esse nível».
Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2000 existiam entre 6 a 10 sobreviventes directos por cada suicídio, o que quer dizer «que há uma necessidade de caracterizar as famílias dos suicidas e de pensar qual a intervenção nestas situações».
Ainda neste campo foi apresentado por Inês Rothes, investigadora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, o primeiro estudo sobre o impacto do suicídio de um doente em profissionais de saúde portugueses e que revelou as principais reacções emocionais, o impacto na prática clínica e os recursos disponíveis aos técnicos. Segundo o estudo, que incluiu 242 profissionais de várias áreas, 27% dos inquiridos já tinham passado pelo suicídio de um doente e segundo a especialista «são os clínicos gerais que tendem mais a estar em risco devido à organização do nosso sistema de saúde».
Os principais sentimentos e reacções emocionais nos técnicos são sobretudo o sofrimento emocional; preocupações, medos, inseguranças e dúvidas, sobretudo relativamente a doentes futuros; frustração e desilusão, existindo mesmo a situação de culpabilização da família. Muitos dos técnicos chegam a efectuar diversas alterações na sua prática clínica e 7% referem implicações na vida pessoal. «Os profissionais tendem a recorrer pouco a ajuda mas quando recorrem consideram-na útil», explica.
Durante este primeiro dia do Congresso Nacional de Psiquiatria foi ainda apresentado o estudo WAVE-bd que, segundo Luísa Figueira, directora do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria), «procurou descrever e avaliar os resultados do tratamento da doença bipolar». Realizado em 10 países, entre os quais Portugal, os resultados permitem concluir que no nosso país «os episódios de depressão são os mais frequentes na doença bipolar» e que «os doentes com episódios de depressão tiveram a mais baixa adesão ao tratamento e os doentes com episódios mistos tiveram a mais alta adesão ao tratamento».
De acordo com as estimativas a prevalência da doença bipolar está entre os 0,2% e 6,0%, sendo considerada já a 9ª causa de perda de vida saudável e morte prematura, especialmente nas faixas etárias entre os 15 e 44 anos.
A cannabis é a droga ilícita mais consumida pelos adolescentes e a maior parte das primeiras experiências ocorre durante a adolescência, fase crucial para o desenvolvimento e amadurecimento do órgão cerebral.
Segundo Julio Bobes, professor catedrático de Psiquiatria da Universidade de Oviedo, «trata-se de um facto preocupante, uma vez que como consequência deste consumo, os adolescentes estão mais propensos a ter uma redução significativa e irreversível do seu potencial cerebral».
Alterações na capacidade de pensamento e raciocínio, ansiedade, deficiências em mecanismos da memória e de aprendizagem são alguns dos efeitos mais comuns desta droga. O consumo de cannabis – particularmente em adolescentes e jovens adultos – facilita igualmente a manifestação de perturbações mentais em indivíduos vulneráveis. É também comum um indivíduo apresentar sintomas psicóticos quando consome pela primeira vez.
Abordando o tema da «Recuperação da cognição na doença mental – o papel da quetiapina na esquizofrenia, transtorno bipolar e perturbação depressiva major», Eduard Vieta explicou que esta recuperação «deve incluir as esferas sintomática, cognitiva e funcional. Apesar de muitos tratamentos permitirem uma recuperação sintomática, alcançar a recuperação cognitiva e funcional é mais difícil», acrescentando que «muitos doentes melhoram os sintomas característicos da doença mas sofrem de dificuldades neurocognitivas e de adaptação psicossocial».
Sobre como esta recuperação é realizada, João Marques Teixeira, da Universidade do Porto, referiu que são utilizadas «técnicas específicas de remediação e estimulação cognitiva (face a face ou com o auxílio de computadores), da estimulação da cognição social em pequenos grupos e em interacções contextuais com o envolvimento da família». Trata-se de uma área altamente especializada «que requer um treino prolongado e uma equipa terapêutica dedicada apenas a essa tarefa. Este investimento justifica-se dado os resultados animadores quanto à integração socioprofissional destes doentes».
No que se refere ao papel da quetiapina, João Marques Teixeira explica que «a psicofarmacologia tem um papel importante na facilitação da remediação cognitiva, muito embora a investigação não se tenha virado completamente ainda para esta área de intervenção», tendo apresentado um racional para a utilização da psicofarmacoterapia como complemento da remediação cognitiva, «no qual a quetiapina, pelos estudos que existem e pela sua configuração farmacológica, assume um papel de destaque». Uma situação corroborada por Eduard Vieta, segundo o qual «a quetiapina é uma das substâncias melhor toleradas do ponto de vista cognitivo, tanto na esquizofrenia como nos transtornos afectivos».
O Congresso Nacional de Psiquiatria, que se prolonga até sábado, no Sheraton Porto, terá na sexta-feira em destaque temas como «o balanço de 20 anos de política comunitária em saúde mental», «a sobrecarga das perturbações mentais dos idosos», «perturbação esquizo-afectiva: sua caracterização e seus limites», «medicina sexual e psiquiatria», «perturbações psicóticas na prática clínica» e «recovery – um desafio actual na promoção da saúde mental».
Encarar a velhice de forma positiva pode ser uma maneira eficaz de melhorar a saúde. De acordo com uma pesquisa publicada no periódico The Journal of The American Association (JAMA), essa atitude eleva as chances de um idoso readquirir a capacidade de realizar sozinho atividades do cotidiano, como tomar banho ou andar, e também retarda a perda dessa habilidade, problema que ocorre normalmente com o envelhecimento.
Onde foi divulgada: periódico The Journal of The American Association (JAMA)
Quem fez: Becca Levy, Martin Slade, Terrence Murphy e Thomas Gill
Instituição: Universidade Yale, Estados Unidos
Dados de amostragem: 598 pessoas com mais de 70 anos de idade
Resultado: Idosos que têm opiniões mais positivas sobre a velhice se recuperam mais facilmente da incapacidade de realizar tarefas do cotidiano. Eles também perdem essa capacidade de forma mais lenta do que idosos que são pessimistas em relação à velhice.
O estudo, feito na Universidade Yale, nos Estados Unidos, acompanhou 598 pessoas com mais de 70 anos ao longo de 11 anos. Quando a pesquisa começou, nenhum participante tinha dificuldade em realizar tarefas do cotidiano. No entanto, durante o período em que o estudo foi realizado, todos eles apresentaram, em algum momento, incapacidade em relação a essas tarefas.
Durante os anos do estudo, os pesquisadores avaliaram a saúde dos participantes e também a visão de cada um em relação à terceira idade. Para isso, a equipe pedia que esses indivíduos falassem a primeira frase ou as primeiras cinco palavras que lhes viessem à mente quando pensavam em velhice. As incapacidades levadas em conta no estudo foram aquelas que impediam que os idosos realizassem, sozinhos, tarefas do dia-a-dia, como tomar banho, vestir-se e andar.
De acordo com os pesquisadores, os idosos com o ponto de visa mais otimista em relação à velhice apresentaram até 44% mais chances de se recuperar completamente de alguma incapacidade do que os participantes mais pessimistas em relação à terceira idade. Ou seja, eles conseguiram voltar a realizar atividades cotidianas sem a de ajuda de alguém. Essas pessoas também foram mais capazes de atenuar a gravidade da incapacidade e, além disso, apresentaram um declínio mais lento dessas habilidades.
A pesquisa mostra, segundo os pesquisadores, que o ponto de vista de uma pessoa em relação à velhice pode fazer com que ela seja um idoso mais independente e saudável. Eles acreditam que os próximos estudos devam buscar formas de promover o otimismo entre pessoas que estão entrando na terceira idade.