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Uma pancada na cabeça pode criar um génio Maio 22, 2012

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O fotógrafo Eadweard Muybridge – autor da célebre sequência fotográfica com os complexos movimentos de um cavalo a galope – é um dos raríssimos casos de genialidade adquirida.
O comportamento obsessivo, excêntrico e errático do fotógrafo britânico Eadweard Muybridge era atribuído a um acidente de viação e investigadores acreditam que foi uma lesão cerebral permanente que lhe despertou a genialidade artística.

A tese é referida num artigo da “The Atlantic” que dá conta de estudos efectuados neste campo.

O caso de Muybridge é enquadrado pelos psiquiatras como de genialidade adquirida, alguém cujo talento extraordinário não é inato, nem desenvolvido através de aprendizagem.

O psiquiatra Darold Treffer, da Wiscosin Medical School, tem estudado ao longo dos últimos 40 anos a síndrome da genialidade. Descobriu que se a genialidade é algo de muito raro, a genialidade adquirida é ainda muito mais. Da lista que elaborou com 330 génios, dos mais diversos pontos do mundo, 300 já terão nascido génios, apenas 30 adquiriram os seus talentos extraordinários.

Recrutamento de tecidos corticais

Há o caso de Orlando Serrell, que levou com um taco de baseball na cabeça aos 10 anos, e que veio a descobrir que memorizara as condições meteorológicas de todos dias após esse incidente. O de Derek Amato, que recuperou os sentidos após ter batido com a cabeça no fundo de uma piscina, e tornou-se num grande pianista, aos 40 anos, sem qualquer tipo de formação musical.

E ainda o de Alonzo Clemens, cujas capacidades verbais e cognitivas pararam de se desenvolver aos três anos, devido a uma lesão cerebral, mas que consegue criar esculturas extremamente pormenorizadas de animais, em escassos minutos.

Bruce Miller, professor de neurologia da Universidade da Califórnia, descobriu em 2003 que alguns dos seus pacientes, com uma doença cerebral degenerativa – a demência frontotemporal -, desenvolviam incríveis capacidades artísticas, à medida que o seu estado se agravava.

“O que acontece é que existe uma lesão”, explicou Treffert à “The Atlantic”, ” ocorre o recrutamento de tecidos corticais ainda intactos.

Dá-se uma redefinição da rede (que transporta os sinais cerebrais) através dos tecidos intactos, ocorrendo então uma libertação do potencial latente dessa área do cérebro”. Ou seja, essas pessoas passam a utilizar uma área do cérebro que para a generalidade dos seres humanos se mantém inactiva ao longo de toda a vida.

Fonte: Expresso online.

Portugal é país infeliz devido à cultura da lamentação Maio 13, 2012

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Portugal é um dos países mais infeliz do mundo devido à “cultura de lamentação” dos portugueses, uma atitude que é possível mudar já que 40 por cento da felicidade depende do comportamento das pessoas, defende o psicólogo Américo Baptista.

Um estudo realizado pela OCDE em 40 países revelou que só os chineses e os húngaros estão mais infelizes do que os portugueses.
Foi a partir desta constatação que Américo Baptista decidiu escrever o livro “O poder das emoções positivas” para demonstrar que é possível alcançar a felicidade através de determinados procedimentos.

O livro tem como finalidade “descrever o que a ciência sabe atualmente em termos de melhoria das emoções positivas”: “Se as conseguirmos manter ao longo do tempo, passaremos a ser mais felizes”.
Segundo o psicólogo, existe uma equação para a felicidade: 50 por cento depende dos genes, 10% do ambiente social e 40% do comportamento das pessoas.

Para Américo Baptista, aprender a ser feliz, é como aprender a tocar um instrumento musical.
“Se nos dedicarmos e repetirmos os procedimentos corretos aprendemos a tocar um instrumento musical. Com as emoções positivas e com a felicidade é a mesma coisa”, sustenta.
“O que se passa é que, do ponto de vista mental, pensamos que, quando compreendemos algo, temos o problema resolvido, mas não é assim. Além de o compreendermos, temos de executar manobras de um modo repetido” para não voltar a acontecer.

E as manobras são simples: Ser generoso, apreciar as coisas da vida, sorrir, aprender, melhorar o relacionamento com os outros ou fazer exercício.

Segundo o especialista, 15% do aumento da confiança na sociedade, aumenta o Produto Interno Bruto em um por cento. “Ou seja, se andarmos bem-dispostos, lidamos melhor com a crise”.

Américo Baptista alerta para os perigos da procura de emoções positivas na “psicofarmacologia cosmética” e em substâncias como o álcool.

A investigação tem mostrado também que as pessoas tomam decisões muito importantes na vida, como casarem, divorciarem-se ou mudarem de emprego, com expectativas de prazer e de felicidade antecipada que, na maior parte das vezes, acabam por nunca se realizar.

Também o jogo compulsivo é “uma situação gravíssima de procura incessante de prazer”, que, além de destruir carreiras e famílias, está associado a problemas graves de uso e abuso de substâncias, a problemas legais, à ansiedade e à depressão.
“Estima-se que 15 a 25 por cento dos jogadores compulsivos tentem o suicídio, sendo que, algumas vezes, o pior acontece”, salienta o psicólogo.
Há ainda pessoas dependentes do trabalho, das compras, do computador, do telemóvel e de sexo para tentarem alcançar emoções positivas, diz, alertando: “As fontes de prazer transformam-se, para algumas pessoas, em motivos de sofrimento imenso”.

 

Fonte: LUSA.

O cérebro dos psicopatas tem menos massa cinzenta Maio 10, 2012

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 Cientistas britânicos e canadianos afirmam ter confirmado, pela primeira vez, que a psicopatia está associada a anomalias distintivas do desenvolvimento cerebral. Num artigo na revista Archives of General Psychiatry, Nigel Blackwood, do King”s College de Londres, e colegas apresentam o primeiro estudo que examina as diferenças cerebrais entre criminosos violentos com e sem manifestações de psicopatia. Até agora, tinha-se comparado os cérebros de criminosos violentos em geral com os de pessoas que nunca cometeram crimes.

Sabe-se que a maior parte dos crimes violentos é cometida por um pequeno grupo de homens reincidentes com perturbações anti-sociais da personalidade. Mas nem todos são psicopatas e, embora ninguém saiba o que causa a psicopatia em personagens reais como o norueguês Anders Breivik ou ficcionais como Patrick Bateman, protagonista de American Psycho, as diferenças comportamentais entre anti-sociais psicopatas e não psicopatas são claras. Ao passo que os anti-sociais não psicopatas se tornam agressivos em reacção a uma suposta ameaça ou a sentimentos de frustração e têm níveis de ansiedade e uma instabilidade do humor elevados, os psicopatas têm um défice patente de empatia e de remorsos e usam friamente a agressividade para atingir os seus fins. Não distinguem o bem do mal, não se arrependem dos seus actos, gostam de magoar os outros. “Costumamos descrever os não psicopatas como impulsivos (hot-headed) e os psicopatas como frios e calculistas (cold-hearted)”, diz Blackwood em comunicado.

Os cientistas utilizaram a ressonância magnética para obter imagens do cérebro de 44 homens adultos que tinham cometido homicídios, violações, tentativas de homicídio ou causado ferimentos corporais graves a terceiros. Desses, 17 correspondiam ao perfil do psicopata, mas não os restantes 27. Também estudaram os cérebros de 22 pessoas não criminosas. E quando compararam as imagens, viram que os psicopatas, e só eles, apresentavam volumes de matéria cinzenta significativamente reduzidos em duas áreas: na região anterior rostral do córtex pré-frontal e nos pólos temporais. Estas duas áreas são importantes na percepção das emoções e das intenções alheias e são activadas quando pensamos em comportamentos morais, explica o mesmo comunicado. E as lesões nessas áreas têm sido associadas à falta de empatia, de medo, de angústia e de sentimentos de culpa e de vergonha.

Responsabilidade penal

Os novos resultados vêm juntar-se a uma série de outros estudos de visualização cerebral que, nos últimos anos, têm vindo a apontar fortemente para uma base neurobiológica da psicopatia, com alterações estruturais assimiláveis a lesões cerebrais. Coloca-se então a questão de saber se os psicopatas podem ou não ser tidos como moral e legalmente responsáveis pelos seus actos. Mais: será que no futuro as neurociências vão permitir responder a esta pergunta melhor do que hoje?

Marta Farah, da Universidade da Pensilvânia, não acredita que as imagens do cérebro possam um dia ser mais informativas do que as avaliações psicológicas no que respeita à intencionalidade dos criminosos psicopatas. “Diz-se amiúde que não é o cérebro que comete os crimes, mas as pessoas”, explica, citada num artigo publicado no site da DANA Foundation (organismo filantrópico que promove a investigação do cérebro). “E mesmo que uma imagem cerebral confirme uma dada perturbação, é pouco provável que possa fornecer uma resposta claramente afirmativa ou negativa à questão de saber se o arguido foi ou não responsável por um acto.”

Também para Michael Gazzaniga, não é possível, pelos menos por enquanto, “reconstituir, num dado instante, as intenções de uma pessoa com base nos seus mecanismos neurais”. Mas este conhecido neurocientista norte-americano acredita que este tipo de provas acabará por entrar nos tribunais e diz que temos “de nos preparar”. Marta Farah, que concorda com essa inevitabilidade, diz que vai ser preciso garantir que os cientistas percebem a relevância legal do seu trabalho e os advogados as vantagens e limitações da ciência.

Fonte: Público.

Mulheres nervosas entre os mais perigosos ao volante Maio 5, 2012

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A maioria dos portugueses conduz de forma agressiva, mas está “mais conscienciosa”, revela um investigador da Universidade Lusófona, que aponta os homens, as mulheres “emocionalmente instáveis” e os jovens como os mais perigosos nas estradas.

Na véspera do Dia Mundial da Cortesia ao Volante, o investigador da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, José Brites, conta à Lusa que a maioria dos portugueses “ainda conduz de forma agressiva”.

Baseado num estudo que avaliou 480 condutores (210 que nunca tinham sofrido um acidente e outros 270 que tinham tido pelo menos uma má experiência), o professor descobriu que os homens têm mais acidentes e cometem mais infrações ao código da estrada. Um fenómeno que José Brites explica com o impacto do “papel da socialização”, que “encoraja os homens para o perigo e para comportamentos de riscos”.

Resultado: nas estradas, “eles conduzem pior do que elas”. Além de andarem mais depressa, fazem mais sinais de luzes, passam mais vermelhos e desrespeitam mais vezes a sinalética.

No entanto, as condutoras também podem representar perigos. “A instabilidade emocional leva a que algumas mulheres tenham um comportamento agressivo nas estradas quando, por exemplo, têm problemas com o companheiro ou se chateiam com os filhos”, esclarece o docente.

Mas o grupo mais problemático continua a ser o dos jovens, que são quem tem mais acidentes rodoviários em Portugal. “Os condutores da faixa etária dos 18 aos 24 anos são os que relatam mais comportamentos agressivos ao volante”, conta o investigador, justificando esta atitude com o facto de os jovens procurarem novas sensações, gostarem da aventura e do prazer, expondo-se por isso a mais fatores de risco.

Durante o estudo realizado em 2010, os investigadores descobriram um outro grupo com comportamentos “muito agressivos e semelhantes aos dos jovens”: o dos condutores entre os 39 e os 45 anos, com “cargos profissionais de alguma responsabilidade” que acabavam por libertar na estrada o stress acumulado ao longo do dia de trabalho, revela José Brites.

Apesar do estudo mostrar uma relação direta entre problemas laborais e condução mais agressiva, o investigador não acredita que a atual situação económica provoque um agravamento do comportamento dos condutores.

É que o consecutivo aumento do preço dos combustíveis obriga a que a maioria dos condutores conduza mais devagar, para poupar dinheiro.
Além disso, “hoje há menos carros na estrada. Muitas pessoas estão a trocar o automóvel pelos transportes públicos. Isto associado a uma redução da velocidade deverá traduzir-se numa redução da sinistralidade”, defende.

No entanto, estas teorias só deverão ser comprovadas no próximo ano, quando a equipa de investigadores da Universidade Lusofona terminar um novo estudo sobre sinistralidade e comportamento nas estradas.

Por enquanto, o investigador sublinha apenas que em Portugal a taxa de mortalidade tem vindo a diminuir nos últimos anos mas “ainda é muito elevada”.

Fonte: DN.

Ódio de Hitler aos judeus cresceu com derrotas no exterior Maio 4, 2012

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Ódio de Hitler aos judeus cresceu com derrotas no exterior
Fotografia © DN

Reveses militares levaram Hitler a concentrar-se sobre o “inimigo interior”, indica um estudo de 1942 da autoria de psicólogos britânicos.

Um estudo psicológico dos discursos de Hitler levado a cabo pelos serviços de escuta da BBC, em 1942, chamou a atenção para a sua “paranóia” face aos judeus no momento que coincidiu com a concretização da Solução Final, decidida na conferência de Wansee, em janeiro daquele ano.

A conferência de Wansee, localidade balnear nos arredores de Berlim, é considerada o ato fundador do extermínio sistemático dos judeus na Alemanha e nos restantes países ou territórios ocupados pelo regime nazi.

O serviço de escuta da BBC estava encarregue de seguir as emissões de rádio na Europa ocupada e na Alemanha, delas elaborando um relatório semanal. Neste serviço funcionava uma unidade composta por psicólogos que tentavam determinar o seu estado de espírito e as suas preocupações pelo tom e tema dos seus discursos.

O estudo agora entregue à Universidade de Cambridge deteta “tendências mórbidas” em Hitler e uma crescente obsessão com o “veneno judaico”. O documento estará brevemente disponível para consulta dos historiadores, indicou a instituição em comunicado.

“No momento em que o estudo foi elaborado, os ventos da guerra começavam a mudar na Alemanha”, considera o historiador Scott Anthony. “O documento revela que os serviços secretos pressentiram o que se passava (…), face a derrotas na frente de batalha exterior, Hitler concentra-se sobre o que considera ser o inimigo interior, os judeus”.

O ano de 1942 fica marcado pelo início da batalha de Estalinegrado, que se inicia no verão deste ano e culmina na derrota alemã em fevereiro de 1942. O fracasso alemão em chegar a Moscovo e o impasse em Estalinegrado, com a sorte das armas virar-se, lenta mas irreversivelmente, contra os alemães constituem as primeiras derrotas significativas do III Reich. Os avanços e recuos do Afrika Korps no Norte de África entre finais de 1941 e o ano de 1942 são reveses importantes, mas sem a dimensão de que se revestem as derrotas na campanha da Rússia, até pela diferença de dimensão do esforço de guerra nazi em ambas as frentes.

Os autores do documento, como antecipando aquilo que estava em marcha na Alemanha, escrevem que para Hitler “os judeus são a encarnação do mal, enquanto ele encarna o espírito divino. Ele é o deus pelo qual uma vitória sacrificial sobre o mal pode ser alcançada”.

Para o historiador Scott Anthony, “atendendo àquilo que hoje sabemos sobre a Solução Final, este documento é pungente”.

Fonte: DN.

Dispara venda de medicamentos para crianças hiperactivas Maio 4, 2012

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As vendas de medicamentos para crianças hiperativas e com défice de atenção disparam 78% em 5 anos. Números sugerem que há cada vez mais crianças e jovens medicados para a concentração.

O “jornal i” escreve que embora não seja fácil ter uma percepção do número de crianças e jovens medicados em Portugal para problemas do foro do défice de atenção e hiperatividade, as vendas dos três medicamentos estimulantes do sistema nervoso usados nestes distúrbios mostram uma tendência de consumo crescente.

Segundo dados da consultora IMS-Health para as transações entre armazenistas e farmácias, entre 2007 e 2011 o número de unidades vendidas de Concerta, Rubifen e Ritalina (princípio activo metilfenidato) aumentou 78% no ano passado. Nos primeiros três meses deste ano foram vendidas cerca de 65 mil unidades destes medicamentos, um aumento ligeiro em relação ao primeiro trimestre de 2011 (61 200).

Fonte: DN.

Stress afecta mais o coração das mulheres do que dos homens Maio 1, 2012

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As mulheres têm mais chances de apresentar problemas cardíacos após viver situações estressantes, segundo um estudo apresentado nesta terça-feira (24) na conferência Biologia Experimental 2012, que acontece em San Diego, nos Estados Unidos.

As doenças coronarianas são a maior causa de morte nos EUA, mas o problema afeta a população de maneira diferente, pois a cada ano mais homens do que mulheres são diagnosticados com o problema.

Outros estudos mostraram que durante a prática de exercício físico o coração dos homens se contrai mais que o das mulheres e isto diminui o fluxo de sangue. Mas as mulheres são mais propensas do que os homens a terem problemas cardíacos após sobressaltos emocionais.

Uma equipe de pesquisadores do Colégio de Medicina da Universidade Estadual da Pensilvânia, liderado por Charity Sauder, realizou um estudo para entender estas diferenças e verificou que o fluxo sanguíneo realmente aumenta nos homens durante o estresse mental, mas não se altera nas mulheres.

A pesquisa foi realizada com 17 adultos saudáveis, oito homens e nove mulheres. Em cada voluntário foi medido o ritmo cardíaco e a pressão arterial em descanso, assim como a condutância vascular, que verifica por meio de um aparelho de ultrassom o fluxo sanguíneo pelas vias coronarianas até o coração.

Depois, os voluntários se submeteram a uma prova de três minutos de aritmética mental na qual os pesquisadores pediram que eles subtraíssem sete de um número ao acaso.

Para aumentar o estresse, os cientistas pressionaram os voluntários para realizarem a tarefa rapidamente, e além disso diziam que estavam errados mesmo quando fizeram a conta corretamente.

Após a prova, eles foram submetidos mais uma vez às três medições cardíacas. Os testes mostraram que quando estavam em repouso os resultados dos homens e das mulheres não apresentavam grandes diferenças.

Durante a tarefa de aritmética mental todos os voluntários mostraram um aumento do ritmo cardíaco e da pressão arterial. Mas enquanto os homens tiveram um aumento da condutância coronariana sob estresse, as mulheres não apresentaram mudanças.

Esta diferença, explicou um dos autores do estudo, Chester Ray, poderia predispor as mulheres a problemas cardíacos durante o estresse.

Os resultados foram surpreendentes, acrescentou Ray, já que estudos anteriores indicavam que os homens têm um fluxo de sangue para o coração significativamente menor do que o das mulheres durante a prática de exercício físico. A nova pesquisa poderia explicar por que as mulheres têm mais problemas cardíacos após eventos estressantes, como a morte do marido, por exemplo.

“A redução do estresse é importante para todos, seja qual for o gênero”, disse Ray, “mas este estudo mostra que o estresse afeta de maneira distinta os corações das mulheres”, e por isso o risco delas sofrerem um problema coronariano após uma situação traumática é maior.

A conferência Biologia Experimental começou nesta segunda-feira e vai até amanhã. O evento, que deverá atrair 12 mil participantes, é patrocinado pela Sociedade Fisiológica dos EUA e outras cinco instituições científicas.

Fonte: Agência EFE, via Terra.

Ciência e espiritualidade Abril 26, 2012

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Matthieu Ricard trocou uma carreira científica de topo por uma vida de espiritualidade, meditação e ajuda humanitária nos Himalaias. Quarenta anos depois, o seu cérebro foi alvo de estudo e é considerado o homem mais feliz do mundo. Fomos descobrir o seu segredo.

Filho do filósofo francês Jean-François Revel, Matthieu Ricard cresceu entre a nata da nata dos intelectuais da Paris, como Stravinsky e Cartier-Breson. Doutorou-se em biologia molecular e trabalhou com um nobel da Medicina. Mas, aos 26 anos, percebeu que isto não era suficiente. Que os génios que o rodeavam podiam ter cérebros iluminados, mas isso não aumentava as suas qualidades humanas.

Trocou então a ciência pela espiritualidade e rumou aos Himalaias. Estudou com alguns dos maiores guias do budismo e hoje é tradutor e braço direito de Dalai Lama. Pelo meio arranja ainda tempo para fotografar, escrever livros e com isso angariar dinheiro para o projeto humanitário Karuna Shechen, que ajuda mais de 90 mil pessoas (clique aqui para saber como pode colaborar).

Agora, com 65 anos e mais de 10 mil horas de meditação, voltou à ciência como objeto de estudo e foi monitorizado com 256 sensores colados na cabeça, que mediram a actividade do córtex pré-frontal do seu cérebro. A escala de felicidade, criada para a investigação da Universidade de Wisconsin e testada em centenas de outras pessoas, ia de um mínimo de felicidade, +0.3, ao máximo de -0.3. Matthieu Ricard atingiu -0.45. Em suma, em estado contemplativo, o monge conseguiu um equilíbrio entre emoções jamais visto, com um claro desvio para as positivas, como o entusiasmo e a alegria, que anulavam as negativas, como o medo e a ansiedade. Foi considerado o homem mais feliz do mundo.

Com traje budista, ténis desportivos e sorriso aberto, encontrámo-lo no II Congresso Internacional da Felicidade Coca-Cola, em Madrid.

Cinco perguntas a Matthieu Ricard:

Foi considerado o homem mais feliz do mundo. Qual é o seu segredo?
(risos) Não, isso não é bem assim.Mas posso dar alguns conselhos sobre as pessoas em geral. Primeiro há que se reconhecer que quer ser feliz. Acima de tudo não devemos negligenciar as nossas emoções, o nosso interior. Egoísmo, arrogância, agressividade são tudo sentimentos que nos fazem sentir mal, que controlam as nossas mentes e impedem a nossa felicidade. Não são sentimentos que nos sejam impostos, nós somos os responsáveis por eles e toda a gente sabe o mal que nos fazem. A verdade é que nós podemos treinar a nossa mente. Não interessa o que se passa cá fora, o nosso controlo aí é muito limitado. Já lá dentro só depende de nós.

Temos de pôr de lado os prazeres mundanos para sermos felizes?
Não há mal nenhum no prazer. Mas o prazer não tem nada a ver com felicidade. Imagine por exemplo um banho quente. Se viermos gelados da rua e nos pusermos debaixo de água quente, sabe maravilhosamente. Mas se ficarmos lá 24 horas, é insuportável. Tal como a música alta. Um bocadinho é bom, 24 horas pode ser tortura. Aliás, é um dos métodos usados em Guantanamo. Viver apenas de prazer deixa-nos exaustos. A felicidade é uma forma de estar na vida, não é apenas uma sensação momentânea.

Durante décadas, muitos psicólogos defenderam que nos devemos focar mais no “eu”. Já você tem uma visão totalmente contrária. Afinal quem tem razão?
Essa é uma visão muito estúpida. É óbvio que devemos pensar em nós próprios, mas não devemos passar o dia focados no”eu,eu, eu”. Que forma mais aborrecida de viver! O individualismo e o egoísmo destroem a felicidade. Essa ideia de que primeiro vou tomar conta de mim e depois, se me sentir bem, é que me dedico aos outros, não funciona. É uma atitude em que todos têm a perder. Parte de treinar a mente está em amar os outros, preocuparmo-nos com os outros, dar aos outros e aí a felicidade será conjunta. Dar e receber é uma bola de neve. Mas atenção: preocuparmo-nos connosco, gostarmos de nós, é importante. Só não pode é ser feito de forma narcísica.

Estamos no meio de uma profunda crise económica. Ainda há pouco tempo um homem suicidou-se em frente ao Parlamento grego por causa da falta de dinheiro. Nestas condições, como é que podemos ser felizes?
Se ligarmos a felicidade exclusivamente ao dinheiro nunca conseguiremos. Há muitas coisas supérfluas nas nossas vidas. Coisas de que não precisamos. Passamos a vida a tentar ter essas coisas materiais e se não as temos sentimo-nos miseráveis. Mas realmente precisamos delas? De tanto luxo?

E quando se deixa de ter dinheiro para pagar as contas? Não é uma questão de luxo…
Viver de forma mais simples não significa que tenhamos de voltar a viver na floresta. Mas não podemos nós mudar o estilo de vida e viver com menos? Essenciais são a amizade, a paz, a sensação de ter o coração cheio, de que cada momento vale a pena ser vivido. Está mais do que estudado – e atenção que não falo de ensinamentos budistas – que quanto maior o nível de consumismo, menor é a felicidade que se alcança.

Fonte: Expresso online.

Nomofobia: o medo de ficar sem telemóvel Abril 25, 2012

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Uma pesquisa realizada em fevereiro no Reino Unido comprovou quão pessoal é o telefone celular. Mais que isso: trouxe na carona o nome de uma síndrome que acomete os que não suportam a ideia de ficar sem ele nas mãos. É a “nomofobia”, contração do inglês “no mobile phobia”.

Cerca de mil pessoas participaram do estudo. 66% das pessoas ouvidas se dizem “muito angustiadas” só de pensar em abandonar o telefone. Entre jovens de 18 a 24 anos, a proporção chega a 76%, de acordo com as informações fornecidas pela empresa de soluções de segurança SecurEnviy. 40% deles disseram ter mais de um aparelho.
“O fenômeno aumentou com a chegada dos smartphones e de planos ilimitados. Cada um pode ter acesso a uma infinidade de serviços: saber onde está, se existem restaurantes nas proximidades, comprar passagem para o fim de semana, planejar a noitada, etc.”, resume Damien Douani, especialista em novas tecnologias da agência FaDa, em entrevista à France Presse.
“Há alguns anos, o SMS já era uma forma de nomofobia. Falávamos até da ‘geração de polegadas’ para descrever quem enviava mensagens sem parar. Contudo, a internet móvel via smartphone, é o SMS 10 mil vezes mais poderoso”, explica.
“O reflexo do Google foi transferido para o mobile: se preciso de uma informação e encontro resposta para tudo, isso é a facilidade encarnada”, ressalta Damien Douani.
Coisa de louco
Os britânicos não são os únicos amantes da mobilidade. Pesquisa semelhante, realizada com 1.500 pessoas na França, comprova os efeitos viciantes. Para 22% dos entrevistados, é “impossível” ficar por mais de um dia sem celular. Entre os jovens entre 15 e 19 anos, o percentual é de 34%.
“Podemos compreender que as pessoas sejam viciadas em seus smartphones, pois elas têm toda a vida programada ali, e se, por acaso, perderem o aparelho ou ele quebrar, vão ficar isoladas do mundo”, ressalta o escritor Phil Marso, organizador do Dia Mundial sem Celular, que acontece anualmente nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro.
Fonte: Adnews, com informações da agência de notícias France Presse, via Pavablog.

De cavalo para burro (descer de estatuto social leva a modificações genéticas) Abril 24, 2012

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Uma experiência efetuada com macacos mostra o processo biológico através do qual a mudança para uma posição social inferior leva a uma condição física mais débil.

A experiência com 49 macacos fêmeas ajudou a perceber o processo biológico que ocorre com a mudança para uma posição social inferior, dando conta de uma alteração genética que fragiliza o sistema imunitário e que deverá dificultar que voltem a subir na hierarquia do seu grupo.

Anteriores investigações já tinham mostrado que os indivíduos que ocupam posições sociais superiores têm em geral vidas mais saudáveis. O estudo da Universidade de Chicago, agora divulgado, procura perceber as mudanças biológicas que ocorrem com a mudança de posição social.

Uma vez que este tipo de experiência não poderia ser efectuado com humanos, a equipa de investigadores conduzida por Jenny Tung e Yoav Gilad recorreu a macacos, tendo em conta que a espécie também tem fortes hierarquias sociais.

Divulgada na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences “, a experiência passou pela colocação dos 49 macacos fêmeas em novos grupos. Os últimos a chegar a um grupo ocupam em geral posições inferiores, pelo que a mudança levou a uma perca de status.

Ao mesmo tempo que observaram as posições que passaram a ocupar nos novos grupos, os investigadores efetuaram testes sanguíneos aos macacos.

Apenas tendo em conta os resultados dos testes, os investigadores conseguiram determinar, com 80% de precisão, a sua posição social, encontrando uma clara correlação com a atividade genética.

O processo epigenético

Os que ocupam as posições mais baixas denotaram níveis mais altos de atividade de genes associados a uma fragilização do seu sistema imunitário, assim como a inflamações, fatores que aumentam as probabilidades de uma série de doenças, que vão desde problemas cardíacos a Alzheimer.

Procurando perceber o que leva às mudanças biológicas, os investigadores observaram que a mudança social influi num fenómeno denominado como mudança epigenética.

Através do processo da epigenética, os genes são ativados ou desativados na presença de estruturas químicas chamadas grupos methyl e acetyl. Os padrões dessas estruturas químicas variam consoante a posição social e é isso que leva a que a mudança de status conduza a uma mudança genética.

Caso se volte a subir de estatuto devido a fatores externos, isso desencadeará uma mudança do processo epigenético no sentido do regresso a uma melhor condição física.

Fonte: Expresso.

Cérebro, atracção e manipulação Abril 23, 2012

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Já parou para pensar o que, exatamente, faz com que você se sinta atraído (a) por certas pessoas mesmo sem conhecê-las direito?  Ou por que aquela mulher ou aquele cara que você viu de relance parece muito mais bonita (o) do que realmente é?

Tudo isso pode ser explicado com base no funcionamento “secreto” do nosso cérebro – ou seja, toda aquela atividade que não chega até a nossa consciência.

No livro “Incógnito – A vida secreta do cérebro”, o neurocientista David Eagleman conta que realizou um experimento no qual exibiu lampejos de fotos de homens e mulheres a voluntários e pediu a eles que as classificassem quanto ao seu grau de atração. Depois, eles ainda as classificaram uma segunda vez, mas levando o tempo que quisessem para analisá-las.

O resultado mostrou que as pessoas eram sempre julgadas mais bonitas quando vistas de relance do que quando eram melhor analisadas. Isso é algo que provavelmente já aconteceu com você. Por exemplo, quando vê de relance um amigo conversando com outras pessoas e percebe que, no grupo dele, está uma mulher linda. Quando para parar falar com eles, porém, você descobre que ela estava longe de ser aquele poço de formosura que você havia inicialmente vislumbrado.

Estudos como o de Eagleman têm mostrado que esse tipo de engano é mais comum em homens do que em mulheres, provavelmente porque a avaliação que eles fazem do que éatraente se baseia mais fortemente em fatores visuais.

Mas por que isso acontece? Por que nosso cérebro sempre erra para o lado de acreditar que as pessoas são muito mais bonitas, em vez de simplesmente calcular a beleza na média? Segundo o neurocientista, isso se deve às exigências da reprodução. Expliquemos melhor: para nós, supostamente é melhor julgar um parceiro em potencial como sendo inicialmente maravilhoso porque, para comprovar ou negar isso, basta dar uma segunda olhada e pronto. No entanto, se a pessoa fosse linda e você a julgasse como sendo feia de relance, iria perder o interesse – e poderia perder a chance de ter um possível futuro genético promissor. Ou seja, para não correr o risco de perder um parceiro em potencial, o palpite é sempre para o lado positivo.

Eagleman cita outros estudos que mostraram que homens acham mais atraentes fotos de mulheres com as pupilas dilatadas, embora esse fosse um detalhe extremamente sutil e imperceptível pela consciência. Mas há um detalhe: os homens não sabiam, mas pupilas dilatadas indicam interesse sexual (pode reparar, suas pupilas provavelmente ficam maiores quando você está olhando para a pessoa em quem está atraído).

Por que isso acontece? Seu sábio cérebro captou esse sinal de receptividade muito antes de sua consciência e já lançou a mensagem para você: “essa pessoa vale a pena, invista nela!”. E aí ela passa a ser vista como atraente.

O que dançarinas de boate nos ensinam sobre o cérebro

A atração que outras pessoas exercem sobre nós também se adapta às circunstâncias. No reino animal, a fêmea dá sinais claros de que está no cio. As fêmeas dos babuínos, por exemplo, ficam com o traseiro com um rosa vivo que é entendido pelos machos como um convite claro para o acasalamento.

Entre os humanos, apesar de não ocorrer nada assim tão claro, as mulheres também são consideradas mais bonitas quando estão no período fértil. “Isso é verdadeiro tanto quando ela é julgada por homens quanto por mulheres, e o efeito funciona mesmo quando o teste é feito por fotos”, explica Eagleman. Ou seja, não depende da forma como ela age – somente de sua aparência.

Ainda não se sabe que sinal é esse que elas transmitem. Pode ter algo a ver com a tonalidade de sua pele, que muda durante essa época, ou ao fato de suas orelhas e seios ficarem mais simétricos. Nossa consciência não sabe ainda o que é – mas o cérebro sim.

E isso é um efeito mensurável. Cientistas do Novo México descobriam que dançarinas de boates locais ganhavam uma média de 68 dólares por hora em seu pico de fertilidade, enquanto as que estavam menstruando ganhavam apenas 35. A média geral era de 52 dólares.

Isso mostra que o poder da atração, apesar de estar além do nosso alcance consciente, já estádeterminado neurologicamente. O cérebro é muito bom na detecção de dicas sutis. Se você for medir as feições de uma pessoa que acha bonita com a de alguém que não acha, verá que a primeira apresenta uma simetria maior, mas que é tudo extremamente sutil. Um alienígena ou uma barata jamais entenderiam a diferença, assim como nós não saberíamos diferenciar um ET ou barata bonitos de outros feios. Para nós, eles têm todos a mesma cara – mas pesquisadores de baratas garantem que cada uma delas possui um rosto com traços particulares.

As pequenas diferenças em nossa própria espécie têm um efeito intenso no nosso cérebro, que está equipado para a seleção e busca de um parceiro. E, como escreveu David Eagleman, “tudo isso ocorre sob a superfície de nossa consciência – nós simplesmente desfrutamos das sensações agradáveis que borbulham dela.”

Fonte: Superinteressante,via Pavablog.

Optimismo ajuda a preservar saúde do coração Abril 19, 2012

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Uma visão positiva da vida ajuda a manter o coração saudável. Esta é a conclusão de um grupo de cientistas da Harvard School of Public Health, no Reino Unido, que observaram que as pessoas mais otimistas têm menos 50% de probabilidades de sofrer um enfarte ou de desenvolver doenças coronárias.
Esta investigação demonstrou que um bem-estar global a nível psicológico e um estado de espírito positivo são elementos importantes na preservação do coração.Através da análise de mais de 200 estudos em duas amplas bases de dados científicas, Julia Boehm e Laura Kubzansky constataram que caraterísticas como o otimismo e as emoções positivas oferecem proteção ao sistema cardiovascular, contribuindo, também, para desacelerar a progressão de problemas cardíacos.

As investigadoras estudaram também a associação entre os fatores psicológicos e os marcadores biológicos, bem como as ações que influenciam a saúde do coração. “Os indivíduos mais otimistas têm menos 50% de risco de sofrer de doenças de coração face aos que têm uma perspetiva mais negativista”, afirmou Julia Boehm, citada pelo Daily Mail.
“A ausência de pessimismo não significa presença de otimismo. Descobrimos que fatores como o otimismo, a satisfação e a felicidade estão associados a um risco mais reduzido de problemas cardiovasculares independentemente da idade, do peso ou da posição socioeconómica”, esclareceu Boehm.
A explicação está relacionada com o facto de, muitas vezes, o bem-estar psicológico estar associado a práticas saudáveis como o exercício físico, a qualidade do sono e a adoção de uma dieta equilibrada.Isto porque estes comportamentos são inseparáveis de um bom funcionamento das funções biológicas, promovendo uma tensão arterial mais baixa e um peso corporal adequado e, consequentemente, comportando benefícios para o coração.

Estudos anteriores tinham já demonstrado que estados de espírito negativos como a depressão, a raiva ou a ansiedade podem deteriorar a saúde cardiovascular.Agora, os especialistas defendem que, se as próximas investigações obtiverem resultados semelhantes e demonstrarem que uma postura positiva é, de facto, eficaz, as conclusões terão fortes implicações nas estratégias de prevenção a nível mundial.

Fonte: Boas Notícias.

Demência afeta 35,6 milhões e triplicará até 2050 Abril 12, 2012

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Mais de 35 milhões de pessoas são afetadas por demência em todo o mundo, número que pode duplicar em 2030 e mais do que triplicar em 2050, mas há falta de informação sobre o problema, alertou hoje a Organização Mundial de Saúde.

Esta doença atinge toda a população, porém, mais de metade (58%) das pessoas com demência vive em países com baixo ou médio rendimento e em 2050 esta percentagem deverá subir aos 70%.

Os custos de tratar e cuidar dos dementes estão estimados em 604 mil milhões de dólares (cerca de 460 mil milhões de euros) por ano, montante que inclui cuidados de saúde e sociais e o apoio aos cuidadores.

No entanto, somente oito países estão a desenvolver programas dedicados à demência, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Atualmente, são 35,6 milhões os dementes em todo o mundo, estimando-se que subam aos 65,7 milhões em 2030 e atinjam 115,4 milhões em 2050.

Um relatório publicado pela OMS e pela entidade internacional do Alzheimer denominado “Demência: uma prioridade de saúde pública” recomenda o diagnóstico preventivo tal como a sensibilização pública para a doença e a melhoria dos cuidados e do apoio aos cuidadores.

A OMS realça a falta de diagnóstico como o problema mais relevante mesmo para os países desenvolvidos nos quais somente entre um quinto e metade dos casos de demência estão reconhecidos e controlados.

E quando é feito o diagnóstico, muitas vezes é numa fase avançada da doença.

O relatório aponta ainda a falta de informação e de compreensão da demência, o que cria um estigma na sociedade e leva ao isolamento tanto dos doentes como de quem cuida deles.

“O cuidado público face à demência, os seus sintomas, a importância de ter um diagnóstico e a ajuda disponível para os doentes são muito limitados”, uma situação que é necessário alterar, defende o diretor executivo da entidade internacional da doença de Alzheimer, Marc Wortmann, citado num comunicado da OMS.

A demência é normalmente uma doença crónica causada por várias patologias do cérebro que afetam a memória, o pensamento, o comportamento e a capacidade para desempenhar as atividades quotidianas.

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência e as estimativas apontam para que seja responsável por cerca de 70% dos casos.

Fonte: DN.

Nem felizes, nem deprimidos: os portugueses “vão andando” Abril 11, 2012

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 Os países mais felizes do mundo estão todos no Norte da Europa: Dinamarca, Finlândia, Noruega. Os mais infelizes são dos mais pobres da África subsariana: Togo, Benim e República Centro-Africana.

No primeiro Relatório Mundial sobre Felicidade, elaborado pela Universidade de Colúmbia a pedido das Nações Unidas (ONU), Portugal ficou classificado no lugar 73, a meio de um ranking com 156 nações, mas atrás de 22 dos 27 Estados-membros da União Europeia. Apesar de existir uma ligação entre a riqueza e o bem-estar das pessoas, o estudo concluiu que factores como liberdade política, laços sociais fortes e a ausência de corrupção são igualmente importantes.

Os dados deste ranking foram recolhidos entre 2005 e 2011 e, numa escala de 0 a 10, foi pedido aos entrevistados que avaliassem a qualidade de vida, sendo 0 a pior vida possível e 10 a melhor vida possível. No caso de Portugal, a avaliação média de vida dos entrevistados foi de 5,4, uma classificação que os autores do estudo descrevem como uma situação de bem-estar moderado, pouco consistente, ou de um certo receio em relação ao futuro.

“Faz parte da idiossincrasia portuguesa: fugimos dos extremos. Os portugueses nunca estão muito bem nem muito mal. Vão andando”, afirma Rui Brites, sociólogo e professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, da Universidade Técnica de Lisboa. Para este investigador, que tem trabalhado na área da avaliação do bem-estar e da felicidade, estes resultados são “consistentes” com outros estudos publicados nos últimos anos. No entanto, alerta para a dificuldade de se fazerem comparações entre países. “Quando perguntamos apenas às pessoas qual o seu grau de felicidade, é complicado depois comparar países porque as realidades culturais são diferentes e os resultados finais não têm em conta essas especificidades”, refere.

Mais felizes, logo, mais optimistas

Apesar de se situar sensivelmente a meio do ranking a nível mundial, Portugal fica atrás de 22 dos países da UE, estando apenas à frente da Roménia, Hungria, Letónia e Bulgária. Estes resultados são idênticos aos registados noutros inquéritos anteriores sobre felicidade e bem-estar, como o que foi realizado em 2008 pela European Social Survey: Portugal ficou classificado no penúltimo lugar entre 15 países europeus.

De acordo com Rui Brites, a correlação entre a felicidade/bem-estar e o optimismo é “muito forte”, sendo que a tendência é para que os países “mais felizes” sejam “mais optimistas relativamente ao futuro” e que os menos felizes sejam também os mais “pessimistas”. “Os portugueses encontram-se habitualmente entre os mais pessimistas e, nesse aspecto, apresentam um padrão de identificação mais próximo dos cidadãos dos antigos países comunistas da Europa de Leste do que dos restantes países europeus: têm menores níveis de confiança social, e não acreditam tanto nas instituições nacionais”, refere. Ainda assim, considera que os portugueses não devem ser olhados como pessoas infelizes. “Não somos tão felizes como noutros países, como é o caso dos países nórdicos, mas somos felizes “, conclui.

José Luís Pais Ribeiro, psicólogo e docente da Universidade do Porto, realizou nos últimos quatro anos um estudo sobre o bem-estar dos portugueses, com amostras com mais de 500 pessoas em todos os distritos, e confirmou que, neste tipo de inquéritos, o país fica sempre abaixo dos restantes países europeus. “Numa escala de 0 a 100, o valor médio ficou entre os 60 e os 70% ao passo que nos restantes países europeus esses valores andam próximos dos 80%”, refere.

Mais felizes, mais ricos

De acordo com o estudo da Universidade de Colúmbia, os factores mais importantes para a felicidade podem ser pessoais –como a saúde mental e física, a experiência familiar, a educação – ou externos, como as condições económicas, o trabalho, a comunidade e as instituições de Governo. Os países mais felizes tendem a ser os mais ricos, mas nos países mais avançados, no entanto, a correlação entre felicidade e riqueza só se verifica até um certo ponto. “A partir de um patamar aceitável de vida, essa relação deixa de existir e passam a contar outras coisas”, afirma José Luís Pais Ribeiro. É o caso dos EUA: segundo o estudo, apesar de a riqueza do país ter aumentado desde 1960, os indicadores de felicidade e bem-estar da população têm permanecido praticamente inalterados no último meio século. O aprofundamento das desigualdades económicas no país e a degradação das condições ambientais e da qualidade de vida dos americanos são alguns dos factores apontados no estudo.”Estes indicadores de felicidade e bem-estar são úteis para completar a realidade dos países, que normalmente é apenas retratada através de indicadores económicos de riqueza e pobreza”, afirma Pais Ribeiro, acrescentado que estes indicadores podem contribuir para redefinir as prioridades das políticas públicas.

Na década de 1970, o Butão foi o primeiro país a criar o conceito de Felicidade Interna Bruta, mas actualmente há já outros países a utilizar instrumentos de medicação da felicidade e do bem-estar. No Japão, o Governo nomeou recentemente um painel de especialistas que criaram um índice de felicidade, que cruza factores económicos com indicadores sobre o estado psicológico da população. “Felicidade e bem-estar começaram a ser levados em linha de conta a partir do surgimento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) que quis contrariar a tendência de classificar os países pelo seu PIP. Hoje são sem dúvida conceitos que estão na moda”, refere Pais Ribeiro.

Fonte: Público.

Felicidade das crianças não depende de situação económica Abril 10, 2012

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 O nível do bem-estar geral das crianças está dependente do grau de educação dos pais e da sua situação relativa ao trabalho, revela um estudo da professora da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica do Porto, Liliana Fernandes.

A forma subjectiva de expressar esse bem-estar – a felicidade – “parece não depender” da situação económica, refere a mesma investigação que serviu de base à tese de doutoramento daquela professora.

Em declarações ao PÚBLICO, Liliana Fernandes esclarece, contudo, que o seu estudo não é a nível nacional e as conclusões não podem ser generalizadas. A investigação foi desenvolvida na Região Norte através de inquéritos a 1246 crianças entre os oito e os 13 anos e a seus pais. Para avaliar o bem-estar dos inquiridos foram tidos em conta factores como o bem-estar material, as condições de saúde e a situação escolar, as actividades de lazer e recreativas, bem como características psicobiológicas das crianças.

A felicidade relacionada com a percepção subjectiva das crianças quanto ao seu bem-estar não depende do rendimento económico da sua família. A grande maioria das crianças considera-se feliz, tendo-se colocado no topo da escala de felicidade (de 1 a 10) que lhes foi apresentada – 57,1% no grau 10; 16,5% no grau 9; 13,7% no grau 8.

Este estudo demonstra que os pais estão muitas vezes convencidos de que as questões materiais afectam a felicidade dos filhos. Mas, segundo Liliana Fernandes, “as crianças estão mais distantes das questões materiais do que esses pais pensam”.

Fonte: Público.

Cientistas revertem autismo severo em ratos Abril 4, 2012

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Clique no link abaixo para ver uma entrevista aos investigadores (em inglês)

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Cientistas da Escola de Medicina da Universidade da Virginia (EUA) conseguiram reverter, em ratos, os sintomas de um dos tipos mais severos de autismo: a síndrome de Rett. O tratamento, divulgado este mês no site da revista Nature, baseia-se em transplantes da medula óssea e no reforço do sistema nervoso dos doentes.
O Síndrome de Rett resulta de uma anomalia no gene mecp2 que causa desordens de ordem neurológica que eliminam as capacidades motoras e intelectuais dos doentes, atingindo sobretudo crianças do sexo feminino. Os doentes do sexo masculino costumam falecer com apenas alguns meses de idade. As pacientes do sexo feminino sobrevivem até à idade adulta mas necessitam de vigilância 24 horas por dia.
Até agora não havia qualquer tipo de tratamento ou medicação para este tipo de autismo, mas a descoberta destes cientistas traz nova esperança para as famílias destes doentes.
Os investigadores da Virgínia desconfiavam que as células micróglias – da família das células glias e responsáveis pela defesa do sistema nervoso – apresentavam uma deficiência nos indivíduos portadores da doença. Examinando o papel destas células na doença de Rett, o investigador Jonathan Kipnis desenvolveu uma nova forma de combater esta devastadora síndrome neurológica.

Para testarem a teoria, Kipnis e a sua equipa trataram ratos portadores da síndroma de Rett com uma radiação que matou as suas células micróglias doentes, efetuando depois um transplante de células de medula óssea para dar origem a novas células micróglias reforçanco assim a defesa do sistema nervoso dos alvos (ver vídeo explicativo acima – em inglês).

Os ratos submetidos ao tratamento começaram a respirar melhor, adquiriram uma maior mobilidade e aumentaram a sua massa corporal. O tratamento funcionou tanto em ratos do sexo feminino como em ratos do sexo masculino embora os resultados tenham sido mais evidentes nas fêmeas.

“Se conseguirmos provar que o sistema imunitário desempenha um papel fundamental nos doentes com Rett e se conseguirmos substituí-lo de forma segura podemos vir a desenvolver terapias bem-sucedidas no futuro”, disse Jonathan Kipnis, o investigador principal, à revista Nature.com.
Clique AQUI para aceder a um comunicado do Rett Syndrome Research Trust (em português), que patrocinou a investigação.
Fonte: Boas notícias.

Cientistas revelam a surpreendente simplicidade da geometria cerebral Março 30, 2012

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 (Van Wedeen/Harvard Medical School )

O cérebro humano é o objecto mais complexo que conhecemos, mas a organização das suas ligações nervosas é das coisas mais simples que se possa imaginar.

Basta olhar para a imagem que ilustra esta notícia para perceber do que se trata. Elas revelam que, ao contrário do que se poderia pensar, a arquitectura das ligações nervosas no cérebro não tem nada a ver com um emaranhado sem nexo de esparguete — e tudo a ver com a malha, muito bem organizada e estruturada, de um tecido acabado de sair do tear. Esta sexta-feira, na revista Science, Van Wedeen, da Universidade de Harvard, e colegas publicam estas espectaculares visualizações do cérebro (humano e de vários primatas) e explicam como chegaram à surpreendente conclusão de que a arquitectura dos circuitos nervosos, que define a geometria subjacente do cérebro adulto, é uma simples retícula 3D, com todas as fibras projectadas pelos neurónios a entrecruzarem-se em ângulo recto numa das três dimensões do espaço.

“O nosso objectivo era mapear a arquitectura das fibras cerebrais”, explica Wedeen numpodcast no site da revista. “Dada uma ligação, por onde é que ela passa na sua vizinhança imediata? Descobrimos que essa organização não podia ser mais simples.” As fibras formam superfícies curvas onde pacotes de fibras paralelas entre si se cruzam num ângulo recto com outros pacotes de fibras paralelas entre si. E não é tudo: o fenómeno não é apenas local, estende-se ao cérebro todo. Essas superfícies bidimensionais não são independentes umas das outras: empilham-se umas em cima das outras e estão ligadas entre si por pacotes de fibras perpendiculares a elas, fazendo com que a totalidade do cérebro esteja interligada da mesma forma: “As diversas partes do cérebro são como as peças de um puzzle que se encaixam umas nas outras”, salienta Weeden. “A estrutura do cérebro é um todo unificado.” Não é aleatória, mas construída com base em regras extremamente simples. “No cérebro adulto”, explica ainda Wedeen, “as fibras estão tremendamente retorcidas e dobradas, mas a geometria do cérebro continua a poder ser essencialmente descrita como uma retícula 3D”.

Já se sabia que as ligações nervosas dentro de certas partes do cérebro, como a espinal medula ou o tronco cerebral (uma das suas estruturas mais “primitivas”), estavam assim organizadas — espelhando, aliás, os padrões de base do desenvolvimento embrionário. Mas o resto do cérebro — e em particular o córtex, a sua casca exterior, responsável pelas funções cognitivas superiores dos humanos — tem um aspecto tão retorcido, com tantas convoluções, que parecia impossível que essa mesma organização ali prevalecesse, já para não falar nas interligações à escala global. Mas estava fora de questão fazer-se estudos no ser humano injectando, por exemplo, compostos químicos para seguir o seu rasto nos tecidos cerebrais.

Agora, os investigadores conseguiram ultrapassar os obstáculos graças às mais poderosas técnicas de visualização não invasiva do cérebro, aliadas a sofisticadas análises matemáticas. E o sistema subjacente, que rege o desenvolvimento do cérebro guiando o crescimento das fibras nervosas e que até aqui permanecera oculto, surgiu então com toda a sua elegante simplicidade.

A técnica de visualização utilizada foi a DSI (diffusion spectrum imaging), forma de ressonância magnética que “mapeia as fibras [nervosas] através dos movimentos das moléculas de água nos tecidos”, diz Wedeen. “A seguir, uma série de análises matemáticas permitiram inferir qual o padrão de fibras nervosas mais susceptível de ter produzido esse padrão de fluxos de água.”

Os cientistas analisaram a forma como as fibras nervosas se cruzam em diversos pontos do cérebro, para “desmontar a estrutura dos cruzamentos”. E viram que “em cada cantinho, essa estrutura é basicamente uma grelha cúbica”. E também analisaram os cérebros de vários primatas e de voluntários humanos, pondo em evidência o mesmo tipo de sistema natural de “coordenadas espaciais” em todos essas espécies.

“Acho que ninguém suspeitava que o cérebro pudesse ter este tipo de padrão geométrico omnipresente”, frisa Wedeen. Para mais, esta forma de construção do cérebro faz todo o sentido do ponto de vista evolutivo, tornando possível a crescente complexidade do cérebro: “É precisamente a simplicidade desta estrutura quadricular que permite integrar as mudanças graduais e aleatórias da evolução”, diz o investigador.

Fonte: Público.

Internet vence sexo, bebidas e chocolate Março 27, 2012

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Sexo, bebida ou chocolate? Qual deles você largaria para acessar à Internet?

Um estudo realizado pelo Boston Consulting Group com 20 mil pessoas, em 20 países, mostra que algumas pessoas deixariam de fazer coisas do dia a dia, como tomar banho, para ficarem conectadas.

A pesquisa fez entrevistas com mil pessoas em cada um dos países do G-20. Os resultados são assustadores, já que os usuários que acessam constantemente a Internet sofrem sintomas de abstinência semelhante aos dos dependentes químicos quando ficam offline por mais de 24 horas.

Os pesquisadores descobriram que mais de um a cada sete entrevistados deixaria a vida sexual de lado para viver online. Cerca de 73% desistiriam do álcool para ficar conectado, enquanto, aproximadamente, um a cada sete prefere ficar sem café. Outros 83% não comeriam em fast foods e 43% parariam de fazer exercícios físicos. Dez por cento dariam o carro e 7% preferem ficar sem tomar banho para acessar à Internet por um ano.

De acordo com os pesquisadores, em 2016 cerca de 5% do PIB das maiores economias do mundo resultarão, exclusivamente, da Internet, o que é equivalente a R$ 6,2 trilhões. Até lá, serão três bilhões de pessoas conectadas, um impressionante salto se levarmos em conta que hoje são 1,9 bilhões.

Fonte: Daily Mail, via Tech Tudo e Pavablog.

Perdoar faz bem Março 26, 2012

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O “perdão” é um sentimento complexo, uma palavra pouco usada e demasiado associada à religião. Embora o caminho não seja fácil, os benefícios do perdão estão comprovados em vários estudos realizados nos últimos 20 anos nos Estados Unidos. Dois dos principais investigadores desta área garantem ao Boas Notícias que, saber perdoar, pode mudar a vida de indivíduos, casais, sociedades e até nações.

Toda a gente tem na sua cronologia pessoal uma mágoa por perdoar. Talvez uma pessoa próxima tenha traído a sua confiança. Talvez um ente querido o tenha magoado ou humilhado. Talvez tenha sido alvo de um roubo ou de outro crime por parte de um estranho.

Saber perdoar quem (ou o que) nos magoa não é um processo simples. Mas, garantem os estudos dos últimos anos, esta capacidade confere vantagens mentais e físicas: um sistema imunitário mais forte, menos riscos de ataques cardíacos, mais autoestima, um maior domínio das capacidades mentais e de tomadas de decisão, melhores relações interpessoais. Por fim, a capacidade de perdoar previne o abuso de substância e a depressão.

Contudo, não é fácil definir o próprio conceito de perdão. Everett L Worthington (na foto), psicólogo e professor da Universidade da Virgínia que estuda o perdão há mais de 15 anos, afirma que este conceito não tem uma definição consensual mas defende que é necessário distinguir dois tipos de perdão: o exterior e o emocional.

Segundo o mesmo investigador, o primeiro conceito é superficial – e pode até funcionar como uma forma de magoar o agressor mostrando desprezo ou superioridade. Embora ajude “a reduzir a hostilidade” este tipo de perdão “não reduz, necessariamente, as situações de stress”. Já o perdão emocional exige uma “alteração a nível interpessoal e de comportamento” trazendo os benefícios referidos acima.

“Dar a outra face” não é sinónimo de perdão

Em declarações ao Boas Notícias, o investigador sublinha, no entanto, que perdoar não significa dar a outra face. Questionado sobre se devemos aprender com as situações que nos magoaram, para evitar que se repitam, o psicólogo é categórico: “absolutamente”.

“O perdão acontece dentro de nós, é uma decisão sobre como vamos passar a agir e implica uma alteração emocional” mas “aprender a mudar o nosso comportamento no futuro” é um dos pontos fundamentais para evitar novas agressões, defende o psicólogo.

Também o psicólogo norte-americano Fred Luskin (na foto), responsável por vários estudos e livros relacionados com o perdão, sublinha, ao Boas Notícias, este ponto afirmando que é “importante tirar lições da experiência” e acrescentando ainda que é também fundamental que “as pessoas saibam perdoar-se a si próprias quando cometem um erro”.

Ou seja, em situações de agressão (física e emocional) a vítima tem, por vezes, alguma responsabilidade – por exemplo um comportamento demasiado permissivo pode resultar em abusos emocionais e uma atitude de descuido com os seus bens pessoais que pode resultar num furto. Por isso, aprender a perdoar passa também por assumir a nossa responsabilidade nas agressões e evitar que voltem a acontecer.

Raiva construtiva

Luskin sublinha ainda que sentimentos negativos como a raiva podem ser úteis se aprendermos com eles. É aquilo a que chama “raiva construtiva”. “A raiva pode ser positiva se a usarmos para nos tornarmos mais fortes, mais assertivos, para mostrar que estamos contra determinado comportamento”, diz o psicólogo numa das suas palestras. Mas a raiva, continua Luskin, deixa de ser positiva quando se torna um “sentimento persistente que não conduz a situações construtivas”.

“Perdoar não significa permitir ou aceitar”, salienta o psicólogo no seu site pessoal Learn to Forgive (Aprender a Perdoar), associado à Universidade de Stanford. Pelo contrário, perdoar é reconhecer que “algo está errado” e “implica recuperar a capacidade de confiar e de amar, deixando de culpar os outros pelos nossos problemas emocionais”.

Ou seja, perdoar é uma escolha e confere à pessoa que segue este “caminho” mais liberdade e poder: o poder de se tornar uma pessoa mais forte. Oferece, sobretudo, a possibilidade de abandonar a posição de vítima. Mas para isso, a pessoa deve aprender, crescer, e assumir as suas responsabilidades, nem que seja a responsabilidade de mudar o seu destino.

Um dos casos que Luskin seguiu de perto, foi o de um casal cuja filha perdeu a vida, com apenas quatro anos, ao ser atropelada por uma mulher que atingiu a criança ao volante de um carro descontrolado, quando a família almoçava num restaurante. Seguiram-se momentos difíceis de raiva e mágoa que deixaram o casal esgotado.

“Dia após dia não conseguia dormir, sentia-me fisicamente magoada, foi uma luta”, diz a mãe da criança, Jody Ferlaak, num vídeo divulgado na internet. No entanto, orientado pelo psicólogo, o casal acabou por substituir esses sentimentos negativos por outros mais positivos. “Não foi fácil [perdoar], é um processo… Mas abraçar o perdão foi o que nos curou”, garante o casal no mesmo vídeo.

Perdoar é um processo de aprendizagem

Segundo a investigação de Everett e Luskin, é possível perdoar algo que acabou de acontecer ou situações remotas que estão enterradas há muitos anos. O perdão é também possível em situações “simples”, como um relacionamento amoroso, e em situação mais dramáticas como entre as vítimas de conflito armado ou de crimes violentos. No entanto, quanto maior for a mágoa, mais complicado e longo se torna o processo de perdão.

Worthington avisa ainda que perdoar é mais difícil e demora mais tempo do que a reação instintiva de raiva ou vingança. É um processo demorado “como aprender a jogar um jogo”, explica o professor no manual que disponibiliza gratuitamente online sobre aprender a perdoar através do seu método conhecido como REACH.

Ambos os investigadores desenvolveram métodos para ensinar a perdoar que têm sido aplicados com sucesso no “tratamento” de indivíduos, casais, grupos, empresas e até de nações vítimas de conflito armado. Luskin chegou mesmo a dar formação a um grupo que atuou recentemente na Serra Leoa, no apoio a vítimas da guerra civil.

Analisando ambos os métodos, poderemos apontar as seguintes etapas como sendo os pontos mais importantes da aprendizagem:

- Descrever o que aconteceu de forma objetiva (pode ser feito por escrito ou partilhado com alguém de confiança)
- Reconhecer as emoções negativos associadas (raiva, humilhação, ódio, medo, revolta)
- Comprometer-se a perdoar incondicionalmente e reconhecer os benefícios do perdão
- Sentir empatia pela outra pessoa (pôr-se na pele do outro, recordar momentos em que também magoámos outras pessoas, admitir que toda a gente erra, recordar alturas em que fomos perdoados)
- Relativizar: admitir que, na maior parte dos casos, o maior stress vem de dentro da própria pessoa “agredida”, da mágoa e desilusão que sente, do que propriamente do gesto que magoou
- Fazer gestos altruístas
- Encontrar outros meios de lidar com injustiça (poderá passar por sessões de meditação, exercício físico, técnicas de relaxamento ou mesmo a oração, no caso de pessoas religiosas)
- No caso de vítimas de crimes, delegar o assunto para as autoridades removendo a carga pessoal e emocional
- Aprender com a situação e tirar lições positivas (evitar que as situações se repitam)
- Não esperar que a outra pessoa corrija a sua atitude: o perdão é uma decisão pessoal
- Reescrever a história de uma perspetiva mais positiva, abandonando o papel de vítima (retirando a parte subjetiva da dor emocional)

Este é apenas um resumo esquemático e simplificado dos métodos aplicados pelos dois psicólogos, já que ambos os autores exigem esforço, empenho, várias horas de dedicação. Para além destes pontos, os métodos passam por muitas outras etapas – como por exemplo identificar o tipo de vingança que a pessoa magoada pensa que gostaria de aplicar no agressor ou identificar, entre exemplos de várias situações, quais são as que refletem um verdadeiro perdão.

Estes métodos também devem ser aplicados, sobretudo em casos de mágoa mais profunda, em conjunto com um terapeuta profissional. No entanto, cada um poderá estuda-los individualmente retirando as lições que acha mais importantes (veja os links abaixo para aceder aos respetivos métodos).

Perdão entre povos

Tanto Luskin como Worthington apontam como um exemplo extremo de perdão o trabalho realizado na África do Sul, pela Comissiton for Truth and Reconciliation (CTR – Comissão para a Verdade e Reconciliação, em português), liderada pelo arcebispo Desmond Tutu, Nobel da Paz em 1984.

Esta comissão, cujo trabalho tem sido replicado em vários pontos de conflito do mundo – embora nem sempre com o mesmo grau de sucesso – foi instalada após o Apartheid para promover uma reconciliação dos sul-africanos com o seu passado de abuso dos direitos humanos. Milhares de pessoas, de ambos os lados da barricada, foram ouvidas por esta comissão. Os testemunhos impressionantes destas vítimas e destes agressores podem ser acedidos no site oficial da CTR.

Num vídeo divulgado no YouTube (ver acima) Desmond Tutu afirma – referindo-se ao fim do apartheid – o seguinte: “Imagine que tínhamos escolhido o caminho da retribuição e da vingança… o nosso país seria só pó e cinzas”. “Quando alimentamos a raiva a nossa pressão sanguínea aumenta, quando perdoamos a nossa pressão sanguínea desce e temos um bem-estar físico que reflete o nosso bem-estar espiritual”, continua o arcebispo. “Por isso podemos dizer que perdoar faz bem à saúde!”, conclui com uma gargalhada.

Embora o perdão não seja uma “arma infalível” para conseguir a paz, admite Worthington no livro “Trauma Rehabilitation After War and Conflict”, esta capacidade deverá ser disseminada e promovida nas sociedades como uma das “maneiras de ajudar a restaurar a harmonia após um trauma social”, já que reduz a vontade de perpetuar a violência promovendo um espírito de reconciliação.

Odiar é simples mas magoa. Perdoar é difícil mas cura. A raiva é um ciclo vicioso. O perdão é liberdade. E a escolha está nas mãos de cada um.

Clique AQUI para fazer o download do manual REACH, de Everett L Worthington, e AQUI para visitar o projeto Learn to Forgive de Fred Luskin (ambos os projetos estão em inglês).

 Fonte: Boas Notícias.

Allan Hobson: “Não poderíamos ver se não fosse o sono” Março 25, 2012

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Allan Hobson, o cientista que contrariou a teoria dos sonhos de Freud, está em Portugal para abrir o 9.º simpósio sobre o cérebro da Fundação Bial, uma oportunidade para ouvi-lo defender que quando sonhamos estamos “a treinar”.


O “Sono e os Sonhos” é o tema do Simpósio “Aquém e além cérebro” que abre no dia 28 de março, no Porto, com a palestra de Allan Hobson que, em entrevista telefónica à Lusa, lembrou que “o sono é algo muito elaborado, a única coisa que se perde é consciência, mas a consciência no máximo ocupa cinco por cento da atividade cerebral”.

O cientista debruçou-se sobre os sonhos para concluir, por exemplo, que quando conservamos a visão durante o sono, conseguindo formar imagens perfeitas, aquilo que o nosso cérebro está a fazer “no fundo é treinar a visão e isso é muito importante que ele faça”.

“A minha teoria é que não poderíamos ver se não fosse o sono REM (Rapid Eye Movement), sem aquilo que considero ser o sistema trabalhar ‘off line’ ou a criação de uma realidade virtual para o cérebro”, afirmou Allan Hobson. ”E não é só a visão é também, por exemplo, a locomoção”, notou. “Todos os sonhos são animados, nós nunca ficamos quietos, sonhamos sobre correr, andar, mesmo voar, é como um programa de ensaio para o cérebro”, disse, garantindo que “é muito sobre integrar visão e movimento o que não coisa fácil, é um grande trabalho”.

O cientista que formulou esta teoria da “protoconsciência” que serve para o desenvolvimento e manutenção da “consciência desperta”, lembrou que “nós vemos a consciência como algo que só existe depois de acordarmos”, mas aquilo que tentou explicar “é que sonhar é uma outra forma de consciência, que precede no tempo o estado consciente”.

Para Allan Hobbes, essa atividade “começa a acontecer no útero, na terceira semana de desenvolvimento do feto, num momento em que certamente não regista significativos efeitos do meio que o rodeia, ou seja, o cérebro já se está a preparar para estar consciente e está a ‘correr programas’ como um computador que se prepara para o trabalho do dia seguinte”.

O neurocientista publicou em 1977 com Robert McCarley, um estudo em que concluiu que os sonhos são mudanças bioquímicas e impulsos elétricos aleatórios que agitam o cérebro enquanto dormimos, sem qualquer significado no sentido que Freud lhes deu. Só que quando acordamos a nossa consciência, habituada a que tudo faça sentido, força uma “narrativa” para dar alguma lógica a esses impulsos.

Esta é a teoria de “ativação-síntese” comummente aceite no meio científico e que contraria a teoria psicanalítica, mas que Hobson atualizou em 1999 ao considerar que a parte do cérebro que gere as emoções também mantinha atividade durante os sonhos.

Apesar de ser apontado como o “maior provocador no campo dos estudos dos sonhos” afirmou que faz “o que Freud queria fazer, mas que em 1895 não podia, porque não sabia nada sobre o cérebro, por isso estava obrigado a elaborar a sua teoria dos sonhos a partir de especulação”. Para ele, “‘A interpretação dos sonhos’ é um grande livro, mas não há ali nada de científico sobre os sonhos”.

Usando microeléctrodos, capazes de gravar células individualmente, reavivou “a teoria dos sonhos” colocando-a “em linha com aquilo que hoje sabemos sobre o cérebro que, passados 115 anos, é certamente muito mais, o que não é surpreendente”.

E se dormir e sonhar é para Allan Hobbes tão importante, ele não acha que estejamos obrigados a dormir as aconselhadas sete horas. “Não percebo porque é que o sono deveria ser uniforme quando nada é uniforme na biologia”, sustentou.

Só aconselhou a quem “dorme 11 horas não deve tentar ser uma pessoa que dorme 4 horas porque é como tentar ser basquetebolista sendo muito pequeno”. Por outro lado, as escolas de medicina, por exemplo, deviam perguntar se uma pessoa dorme muito ou pouco: “Quem dorme pouco deveria ser favorecido em profissões que limitam o sonho”.

Fonte: Lusa/DN.

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