Sim, as crianças podem ser cruéis

 

 

 

Aos 7 anos, T. convenceu os pais, profissionais liberais de Belo Horizonte, a demitir duas empregadas domésticas. O motivo alegado: elas batiam-lhe. Ambas negaram as agressões mas o menino chegou a apresentar uma marca roxa no braço. Um ano depois, nova queixa sobre outra empregada. Revoltado, o casal decidiu colocar câmeras escondidas. O que viram foi uma surpresa: T. era o agressor, com pontapés e atirando brinquedos. No fim de uma semana, perguntaram se a empregada havia batido nele novamente. Choroso, T. respondeu que havia sido surrado na cozinha – onde as imagens não mostravam nada. Diante das sucessivas mentiras, foi castigado.

Três anos depois, reincidiu. Com os pais já separados, adquiriu o costume de tirar dinheiro da carteira dos dois, dizendo ao pai que era a mesada da mãe, e vice-versa. Os pais só descobriram a farsa durante uma discussão sobre dinheiro. Pouco antes, uma empregada fora mandada embora da casa da mãe depois do sumiço de R$ 50. T. disse que a vira pegar a nota. Diante disso, os pais concluíram que o menino precisava de tratamento. Poucas sessões depois, o diagnóstico foi duro: ele apresentava o chamado transtorno de conduta, nome formal para a velha “índole ruim”.

“Não é fácil a sociedade aceitar a maldade infantil, mas ela existe”, diz Fábio Barbirato, chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa, no Rio de Janeiro. Ele explica que a criança ou adolescente que tem essa patologia pode se transformar, na vida adulta, em alguém com a personalidade antissocial – o termo usado hoje em dia para o que era chamado de psicopatia. “Essas crianças não têm empatia, isto é, não se importam com os sentimentos dos outros e não apresentam sofrimento psíquico pelo que fazem. Manipulam, mentem e podem até matar sem culpa”, diz Barbirato. Por volta da década de 70 do século passado, teorias sociais e psicanalíticas tentaram vincular esse comportamento perverso à educação e à sociedade. Nos últimos anos, porém, os avanços da neurologia sugerem a existência de um fenômeno físico: imagens mostram que, nas pessoas com personalidade antissocial, o sistema límbico, parte do cérebro responsável pela empatia e pela solidariedade, está desconectado do resto.

Um obstáculo para o tratamento de crianças com sinais de transtorno de conduta é o próprio tabu da maldade infantil. O senso comum afirma que as crianças são inocentes – uma crença que resulta da evolução histórica da família. Até o século XVII as crianças eram consideradas pequenos adultos e muitas nem sequer eram criadas pelos pais. No século XVIII, isso mudou. A família burguesa fechou-se em si mesma, dentro de casa. O lar virou um santuário e a criança o centro dos cuidados e das atenções. Foi o nascimento do sentimento de infância, dentro de um grupo que agora tinha como laços o afeto e o prazer da convivência. Se a criança é o eixo do sentimento moderno de família, ela não pode ser má. Eis o tabu.

 

Foto: Renato Rocha Miranda/Divulgação TV Globo

A atriz mirim Klara Castanho como Rafaela, a criança manipuladora de Viver a vida. A justiça não quer que ela seja má.

 
As escolas, porém, desmentem isso: elas costumam ser o palco diário das maldades das crianças com transtorno de conduta. A psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do best-seller Mentes perigosas, diz que crianças e adolescentes com esse distúrbio costumam estar por trás dos casos mais graves de bullying. Em maio, ela lançará Bullying – Mentes perigosas nas escolas, com foco na maldade infantil. “É típico do jovem com transtorno de conduta saber mentir e manipular para que os outros levem a culpa”, afirma. Barbirato faz uma ressalva. “Pequenas maldades e mentiras são absolutamente comuns na infância. De cada 100, cerca de 97 têm comportamento normal e, ao amadurecer, saberão diferenciar o certo do errado e desenvolverão a empatia”, diz.Desde que a novela das 9 da TV Globo, Viver a vida, foi ao ar, em setembro do ano passado, o Ministério Público do Rio de Janeiro acompanha de perto a personagem Rafaela. A menina, vivida pela atriz mirim Klara Castanho, de 9 anos, desagradou à Justiça. O autor, Manoel Carlos, foi notificado. No documento, um pedido para que ele tenha “cuidado ao elaborar a personalidade de personagens cujos atores são menores de idade”. Na trama, Rafaela é uma menina mimada, que, para defender seus interesses, faz chantagem com uma amiga de sua mãe. Rafaela não pratica a maldade sem motivações concretas ou demonstra curiosidade mórbida. Ainda assim, o Ministério Público considera a personagem pouco adequada. Criança, aparentemente, não pode ser vilã.

Mas, e os 3% que faltam? Serão obrigatoriamente personalidades antissociais na vida adulta, seres sem empatia? Os especialistas são taxativos ao afirmar que não se cura transtorno de conduta. Ele será, no máximo, amenizado se tratado a tempo e houver sempre algum tipo de vigilância. Na maior parte dos casos, porém, isso não acontece. E o resultado de ninguém ter notado esses sinais durante a infância aparece de forma trágica. “Essa criança poderá ser um político corrupto, um fraudador, até um torturador físico ou emocional, chegando a um assassino em série”, diz Ana Beatriz.

Os especialistas afirmam que não se cura
transtorno de conduta, mas ele pode ser amenizado

No último domingo, um exemplo extremo ocorreu na Pensilvânia, Estados Unidos. Jordan Brown, de apenas 11 anos, deu um tiro na nuca da namorada do pai, grávida de oito meses. O menino chegou a conseguir enganar a polícia dizendo que uma caminhonete preta havia entrado na propriedade da família. Mas a arma foi encontrada em seu quarto. A polícia não entendeu a motivação do crime. “Há casos em que a explicação é simplesmente uma curiosidade mórbida”, afirma Ana Beatriz. “Todos nós, quando pequenos, temos essa curiosidade. Mas, por volta de 4 ou 5 anos, começamos a ter a percepção do outro. O que não acontece com quem tem o transtorno de conduta.” A falta de tratamento dessas crianças é, muitas vezes, consequência da ignorância ou da falta de recursos. Mas não só. A estrutura familiar de hoje, com pais trabalhando fora o dia todo e com tendência a dar poucos limites aos filhos, favorece o desenvolvimento do transtorno de conduta. Qualquer criança que não é repreendida pelo pais sobre seus erros tende a crescer pouco civilizada. Se ela tem uma tendência antissocial, não haverá amarras para esse comportamento.

O relato de um psiquiatra do Rio Grande do Sul mostra quanto é difícil pais assumirem a necessidade de tratamento dos filhos. Em 2008, ele teve como paciente R., de 11 anos. A menina colocara fogo na mochila de uma colega de turma. Repreendida por professores e pais, teve como reação apenas rir. No ano anterior, fizera o mesmo com o rabo do cachorro de uma prima. Questionada, disse apenas que a prima não merecia ter um cachorro. Durante o tratamento, R. afirmou ao psiquiatra que não nutria nenhum sentimento especial em relação aos pais.“Ela tinha um olhar frio e uma ironia extremamente precoce para sua idade. Não sentia culpa. R. me tratava como um empregado”, diz o psiquiatra. Depois de um ano de tratamento, os pais acharam que ela estava melhor e poderia interromper as sessões. “Ela os manipulou – e disse a mim, explicitamente, que fingiria estar melhor e conteria seus atos. Contei a eles, mas não acreditaram em mim”, afirma. R. jamais voltou a seu consultório.

 

Fonte: Época.

 

 

Violência no namoro: “namorar não é controlar”

Corbis

 No namoro juvenil há muita violência e os agressores são os rapazes, mas as raparigas também. Ilustração: Corbis.

 

 

Namorar não é só beijos, abraços, flores e chocolates. No namoro juvenil há muita violência e os agressores são os rapazes, mas as raparigas também. Eles recorrem mais à força, elas ao abuso psicológico. Todos desvalorizam as agressões e muitos confundem ciúme, controlo e violência com sinais de afeto.

 

A porta do gabinete está sempre aberta, o telemóvel ligado e a enfermeira Fátima Esteves tem toda a disponibilidade para atender quem a procura na Unidade de Cuidados na Comunidade Consigo, em Alcântara. Foi sempre assim nos mais de 30 anos de trabalho e em todos os sítios por onde passou. Os pacientes, sobretudos mulheres e jovens, são sempre bem vindos. Os que têm marcação e os que aparecem fora de horas, quando podem e precisam. Como a Mariana, 17 anos. «Parece que a estou a ver chegar, acompanhada pelo namorado. Um belo rapaz, bonito, muito atencioso, sempre presente. Vinham porque suspeitavam que ela estivesse grávida e estavam determinados a ter a criança.» O que também não lhe sai da memória foi o dia em que a Mariana apareceu sozinha. «Tinha terminado o namoro. O namorado chamava-lhe “puta” durante as relações sexuais, tinha-lhe dado um estalo e agora queria que ela tivesse relações com vários homens.»

 

Gerardo Santos/Global Imagens

Fátima Esteves, enfermeira na Unidade de Cuidados da Comunidade Consigo, em Alcântara, já acompanhou muitos casos de violência no namoro. Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens

 

 

Fátima Esteves acompanhou a jovem durante algum tempo e ainda assistiu à reconciliação do casal e a outra rotura. Mas quando ela foi estudar para a Suíça perdeu-lhe o rasto. À primeira vista, o namorado da Mariana enganou a enfermeira. Mas não é costume. Ela sabe que alguns agressores recorrem a táticas subtis para exercer o controlo sobre as vítimas, ou não tivesse já acompanhado centenas de casos de violência doméstica, muitos passados entre jovens namorados.

Por exemplo, Maria, 15 anos, natural de Lisboa. «Também veio com o namorado, estava grávida e quis fazer uma interrupção da gravidez. Precisou de autorização da mãe. O pai batia-lhe e à mãe também. Tinha um irmão com 17 anos que também a agredia. A ela, o namorado já lhe tinha apertado o braço de uma maneira que lhe tinha desagradado. Era um sinal claro de violência.» Fátima Esteves arranjou tempo e meios para trabalhar com o jovem casal e com a mãe dela e é com indisfarçável contentamento que conta que Maria conseguiu quebrar o ciclo da violência: «Ela gostava dele e queria manter a relação. Conseguimos intervir a tempo.»

As situações relatadas pela enfermeira Fátima Esteves repetem-se na vida de milhares de jovens portugueses. O maior estudo nacional sobre a prevalência da violência do namoro foi feito em 2009 por Sónia Caridade, que agora é professora na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, e envolveu 4.667 jovens com idades entre os 13 e os 29 anos. Destes, 25,4 por cento afirmaram ter sido vítimas de, pelo menos, uma agressão no último ano e 30,6 por cento admitiu ter sido agressor. Os atos mais frequentemente referidos foram os abusos emocionais (19,5 por cento) e físicos (13,4 por cento), mas a violência física grave (7,6 por cento) também é expressiva.

 

Adelino Meireles/Global Imagens

Rosa Saavedra, psicóloga da APAV, no Porto, afirma que a violência no namoro não é uma violência de género. Fotografia de Adelino Meireles/Global Imagens.

 

 

Rosa Saavedra, psicóloga da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, no Porto, confirma que violência no namoro não é um problema raro e diz que os nossos dados retratam uma realidade que tem vindo a ser demonstrado em diversos estudos internacionais. E se saber que um quarto dos jovens já terá sido vítima é preocupante, o que mais inquieta a coordenadora do Grupo de Trabalho de Avaliação do Risco da APAV Porto é a desvalorização das agressões. E exemplifica: «Grande parte dos jovens não reconhece o ciúme e o controle como comportamentos agressivos. Acham que são expressões de afeto.»

A enfermeira Fátima Esteves compara este erro de perceção à relação que os jovens têm com o álcool, em que acham normal embebedarem-se, minimizando os riscos do alcoolismo e de outras doenças: «O ciúme, que está na origem de grande parte das agressões entre jovens namorados, é visto como um sentimento positivo. É um sinal de amor.» Só que com o passar do tempo as restrições começam a ser outras. Vasculhar o telemóvel, as chamadas que a namorada ou o namorado faz e as mensagens que envia e recebe; controlar as fotografias que publica e os comentários que escreve no facebook são situações frequentemente reportadas pelos jovens como normais e não como uma devassa da sua privacidade. «Mas daí até à proibição de sair sozinha ou com amigos, passando pelas ofensas e afirmações feitas com objetivo de ferir e humilhar vai um pequeno passo», adverte Rosa Saavedra.

E se nada for feito, vêm os gritos e as ameaças, as intimidações, as bofetadas, os murros, os pontapés, os atos sexuais contra vontade, as perseguições e o medo. «O medo de ser ainda mais maltratada, o medo que o namorado concretize as ameaças, o medo de abandonar aquela relação», acrescenta Fátima Esteves.

 

ELAS TAMBÉM AGRIDEM
Quando os jovens consideram os ciúmes e o controlo uma coisa natural, é provável que os problemas se agravem com o tempo confirma Cecília Loureiro. A psicóloga da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta também está alarmada com a desvalorização da violência e com os dados recolhidos no âmbito dos projetos Mudanças com Arte – Jovens Protagonistas na Prevenção da Violência de Género, que estão a ser desenvolvidos em 13 escolas da região norte desde 2008. Ela conta que num estudo efetuado junto de 885 estudantes, 22 por cento dos rapazes e 10 por cento das raparigas consideram que «chamar nomes» não é violência. E quase 16 por cento dos rapazes e cinco por cento das raparigas entendem que ameaçar «é um ato normal.»

Mas as surpresas não ficam por aqui. Metade dos rapazes e 42 por cento das raparigas encara com normalidade a proibição de sair com amigos sem o respetivo namorado e as proibições para vestir uma peça de roupa. O controlo do telemóvel, dos e-mails e das palavras-chave das redes sociais também são considerados «comportamentos de não-violência» para mais de metade dos jovens e para 43 por cento das raparigas. Mas há mais. Os números mostram que um quarto dos alunos e 16 por cento das alunas acreditam que «obrigar a fazer coisas que o outro não queria fazer» não é uma ação desadequada. E quanto à agressão física, «sete por cento dos rapazes considera que bater sem deixar marca não é violência, sendo que cerca de seis por cento defende que agredir não é, de todo, violência».

 

Leonel de Castro/Global Imagens

Cecília Loureiro, psicóloga da UMAR, encontra na perpetuação dos estereótipos de género a raiz da violência de género. Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens

 

 

Cecília Loureiro destaca a percentagem mais elevada de rapazes que limitam a liberdade das namoradas e salienta a necessidade de aumentar a sensibilidade dos jovens e das jovens para o respeito pela diferença e pela igualdade de género: «Confirmamos que as raparigas não se querem deixar ficar atrás. Funcionam segundo a lógica do “bateste, então também levas”. Para muitas, igualdade de oportunidades é esta escalada de violência.»

A psicóloga Rosa Saavedra também é peremptória ao afirmar que a violência no namoro não é uma violência de género: «Há reciprocidade e simetria de atitudes e comportamentos e tanto os rapazes como as raparigas podem assumir o papel de agressores e de vítimas.» O que os estudos demonstram é que a severidade dos actos praticados pelos rapazes é maior, enquanto as raparigas são mais subtis: «Em regra, a violência é praticada como uma reacção à violência. As raparigas usam mais a violência psicológica, os rapazes exercem mais a violência física. O cyberbullying, que é uma nova forma de violência, é exercido por ambos.»

A enfermeira Fátima Esteves concorda mas lembra que apesar de também haver rapazes vítimas de violência, há mais muito mais vítimas entre as raparigas. E Cecília Loureiro volta falar dos estereótipos sociais: «Desde cedo que somos educados de forma distinta em função do sexo. Os rapazes são estimulados a brincar com carrinhos, a valorizar a ação e a força física. Às meninas oferecem-se bonecas e deseja-se que sejam obedientes, delicadas, direi mesmo submissas.» Para a psicóloga, esta ordem social, que faz das mulheres subordinadas e atribui aos homens o controlo e o poder, tende a perpetuar a violência de género durante a vida.

 

PREVENIR ANTES DE REMEDIAR
Perceber porque é que os jovens se agridem não é tarefa fácil, mas quem está no terreno identifica algumas razões. Viver e crescer numa família violenta aumenta o risco de vir a desenvolver comportamentos violentos: «As relações familiares influenciam a nossa capacidade de regular emoções, as pessoas que vivem em ambientes agressivos tendem a ter mais dificuldade em controlar os seus impulsos. Também me parece que muitos jovens desvalorizam as agressões no namoro porque, para eles, a violência doméstica é um problema dos adultos, das pessoas casadas, dos seus pais, por exemplo», afirma a enfermeira Fátima Esteves. Já a psicóloga Rosa Saavedra identifica outro factor: «Não sabem gerir conflitos de forma positiva. Os jovens têm informação e acesso à informação, o que eles não têm é quem os ajude a tomar decisões, a ser capazes de emitir opinião, a perceber se a sua opinião se assemelha ou se distingue da opinião da maioria, etc. Os jovens precisam de treinar estas competências e isto devia fazer-se na escola.»

Devia, mas não se faz. Ou melhor, nas escolas desenvolvem-se acções pontuais, quase sempre por iniciativa das organizações da sociedade civil que se dedicam à prevenção da violência doméstica e da violência de género. Mas é preciso ir mais longe, diz Rosa Saavedra. Ela sabe do que fala. Depois de fazer a tese de doutoramento sobre a violência no namoro – Prevenir antes de Remediar: Prevenção da Violência nos relacionamentos íntimos juvenis – e de desenvolver várias acções sobre o tema em contexto de escola, acabou por adaptar o programa canadense The Fourth R a Portugal: «É um currículo de prevenção universal da violência no namoro e comportamentos de risco associados que a APAV desenvolveu durante dois anos lectivos na Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia.»

A acção foi executada na disciplina de Área Projecto (entretanto extinta), envolveu a formação de professores e a preparação de manuais, vídeos e outros materiais didácticos e foi monitorizada. E Rosa Saavedra ficou muito satisfeita com os resultados alcançados: o aumento de conhecimento dos jovens, a diminuição das atitudes de tolerância à violência e uma redução da violência física no namoro: «Há um antes e um depois do programa. Os alunos passaram a distinguir uma relação saudável de uma relação não saudável, a conhecer os direitos e os deveres de cada parceiro numa relação, a identificar comportamentos abusivos, a reconhecer os factores que conduzem a relacionamentos sexuais saudáveis.» E é com este tipo de ferramentas que Rosa Saavedra está convencida que se pode prevenir o problema. E no prevenir é que está o ganho. #

 

COMO SE MANIFESTA
A violência no namoro pode assumir várias formas. Pode ser física, psicológica ou emocional e quem a exerce tem sempre como objectivo controlar e dominar o parceiro. A violência no namoro é sempre intimidante e se os jovens não romperem o ciclo – por si sós, com ajuda da família, de professores ou de profissionais de saúde – começam a viver atemorizados e em tensão constante, o que aumenta o risco de desenvolverem problemas psicológicos (baixa autoestima, ansiedade, medos, perturbações do comportamento alimentar, depressão, etc), insucesso escolar, abuso de álcool e outras drogas, entre outros.

» A violência física: bofetadas, os empurrões, as mordidas, os socos e pontapés, etc.

» A violência sexual: atos sexuais não consentidos, contactos corporais, relações sexuais e todas as pressões.

» A violência psicológica: ameaças, perseguições, esperas, proibições, mas também as críticas, humilhações e outras agressões verbais, o controlo das conversas com amigos e família, etc.

 

ELIMINAR A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
A 25 de Novembro, assinalou-se mais um Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres e a ONU encoraja os governos dos países a criar e/ou a aperfeiçoar legislação e políticas nacionais destinadas a combater todas as formas de abuso contra as mulheres, incluindo o assédio sexual, a mutilação genital feminina e a violência doméstica. De Portugal, diz-se que tem uma legislação adequada. Mas os números revelam que a violência doméstica, ainda é um crime de consequências trágicas: só no primeiro semestre de 2013 e, segundo dados da UMAR, foi o que esteve na origem de 20 homicídios e 21 tentativas de homicídio. As vítimas foram todas mulheres.

Já as estatísticas do ministério da Justiça mostram que, em 2012, a PSP e a GNR registaram 22.254 crimes de violência doméstica (entre cônjuges ou entre pessoas com relação análoga, incluindo o namoro) e identificaram 1099 suspeitos de agressão com idades entre os 16 e os 24 anos e 13 com menos de 16 anos. No mesmo ano, o número de processos por violência doméstica findos nos tribunais de 1ª instância ascenderam a 2.470. Desconhece-se o número de condenações e quais as penas aplicadas no ano passado. Mas sabe-se que a esmagadora maioria dos agressores condenados a pena de prisão acaba por ficar em liberdade, com pena suspensa.

Também em 2012, a APAV registou 16.970 crimes praticados no âmbito da violência doméstica. Os de maus-tratos psíquicos (6.085 casos) e de maus-tratos físicos (4.530 casos) foram os mais frequentes, seguidos dos crimes de ameaça/coação (2.995 casos), de injúria/difamação (1.647 casos) e de natureza sexual (264 casos).

Nos crimes cometidos contra crianças e jovens (até aos 18 anos), os namorados foram apontados como agressores em 11 situações e os ex-namorados em cinco casos. Entre os 898 agressores referenciados nesse grupo, 27 tinham idade entre os 18 e os 24 anos e outros tantos tinham entre 11 e 17 anos.

Entre os adultos vítimas de crime, há 473 jovens com idades entre os 18 e os 24 anos. Neste grupo, o cônjuge é o agressor mais frequente (2505 casos), seguindo do companheiro (1007 casos), do ex-companheiro e do ex-cônjuge (981 casos), do ex-namorado (160 casos) e do namorado (109 casos). Quanto à idade, 188 agressores tinham entre 18 e 24 anos e 48 tinham entre 11 e 17 anos.

Dizer que tanto nos crimes contra crianças e jovens como contra adultos, em 80 por cento dos casos, os agressores são do sexo masculino.

 

 

Fonte: Notícias Magazine. 

 

“As experiências de quase-morte precisam de ser estudadas minuciosamente”

 

A investigadora belga Vanessa Charland-Verville ADRIANO MIRANDA

 

 

Vanessa Charland-Verville é neuropsicóloga no grupo de Ciência do Coma e no Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Liège, na Bélgica. Neste momento, estuda o que se passa no cérebro das pessoas que vivem experiências de quase-morte.

 

Em 2010, a vida de Rom Houben entrou nas notícias. Este belga foi diagnosticado com síndrome do encarceramento. Isto é, apesar de paralisado, o doente esteve sempre consciente e começou aí um processo de recuperação que lhe permitiu voltar a comunicar com médicos e família. Esteve num hospital durante 23 anos, depois de um acidente que o tinha colocado no que se supunha ser um estado vegetativo. A partir daí, começou um processo de recuperação que lhe permitiu voltar a comunicar com médicos e família.

Vanessa Charland-Verville esteve no Porto, no âmbito do 10.º Simpósio da Fundação Bial Aquém e Além do Cérebro, que termina este sábado, na Casa do Médico, falando sobre casos de lesões cerebrais como este. Ao PÚBLICO conta também a sua experiência numa nova área de estudo na sua universidade, as experiências de quase-morte.

Fez parte da equipa que estudou a recuperação de Rom Houben, que esteve em estado de coma durante 23 anos.
Ele não esteve em coma. Os media têm-no dito assim, mas, por definição, não se pode estar em coma por mais de algumas semanas. Rom Houben foi mal diagnosticado, como outros doentes que vimos em Liège. Quando um doente não mostra movimentos, mesmo que esteja consciente, às vezes pode concluir-se erradamente que não está consciente e, infelizmente, isto acontece demasiadas vezes. São os casos de locked-in syndrome [síndrome do encarceramento]. Rom Houben estava completamente paralisado desde que tinha tido um acidente e, portanto, não podia dizer aos médicos que estava consciente.

Qual foi o processo que fez com que os médicos se apercebessem de que ele não estava num estado vegetativo?
Uma TAC feita pelo professor Steven Laureys [chefe da equipa de que faz parte Vanessa Charland-Verville] mostrou que o cérebro estava normal. Foi uma grande surpresa, mas o cérebro estava a comportar-se como um cérebro normal e consciente. É muito importante ter estas técnicas ao nosso dispor, mas infelizmente nem todos os locais têm acesso à ressonância magnética ou à TAC e fazem erros de diagnóstico com frequência. Com estes doentes, temos de estar certos acerca do diagnóstico. Depois fazemos exames comportamentais e temos as técnicas de neuro-imagem.

Como está Rom Houben neste momento?
Não nos encontramos regularmente, mas a família está a tentar trabalhar num dispositivo de comunicação em que ele escreve alguma coisa num teclado especial e comunica através de um computador. Está a fazer reabilitação física, mas o objectivo principal é tentar comunicar com a família.

Ele tenta comunicar com a família de uma forma diferente daquela com que comunicou com os médicos?
Depois de tantos anos sem poder falar ou mexer-se, a prioridade é ter um dispositivo que ajude a falar para tornar esse processo mais fácil.

Este tipo de descobertas coloca dilemas éticos. Estando na Bélgica, um país onde a questão da eutanásia é muito discutida, têm sido chamados para este debate?
Somos confrontados com estas questões algumas vezes. Depois de algum tempo em estado vegetativo, o cérebro começa a degenerar-se. Vemos alguns doentes em Liège para fazer um diagnóstico e depois falamos com as famílias, explicando isto e dizendo como está o cérebro da pessoa em causa. Depois de muitos anos inconsciente, o cérebro morre.

Mas já intervieram em algum processo que terminou com eutanásia?
É parte do nosso trabalho fazer estas questões e lidar com este tema. Mas, nos três anos que levo em Liège, nunca fomos confrontados com nenhum caso em que o doente tenha acabado por morrer por decisão da família.

Tem estado também a trabalhar em experiências de quase-morte. Como neuropsicóloga, qual é o seu papel no estudo destes casos?
Procuramos sempre a correlação entre a lesão cerebral e o comportamento. Faço duas coisas: tenho um trabalho clínico, onde trabalho com doentes com perturbações na consciência, que estão em coma ou num estado vegetativo. Mas também faço investigação. Faço uma avaliação neuropsicológica das funções cognitivas depois de uma paragem cardíaca. Sabemos que o tempo em que o cérebro não recebe oxigénio pode causar problemas de memória. Acedemos às funções cognitivas, mas também pergunto aos doentes se têm algumas memórias do período em coma ou do tempo em que estiveram no hospital. Entre 10 e 20% dos doentes reportam este tipo de memórias.

As memórias que os doentes contam são sempre similares?
Quando têm experiências de quase-morte, isso torna-se claro porque contam uma história que é bastante similar. São sempre questões similares: sentimentos de paz, sair do próprio corpo, estar num lugar onde nunca estiveram, ver uma luz brilhante.

Podemos comparar este tipo de memórias com outras percepções, como sonhos ou alucinações?
No ano passado, publicámos um artigo onde demonstrámos a diferença entre as experiências de quase-morte e as memórias imaginadas, como os sonhos. As memórias imaginadas são sempre intenções que não foram cumpridas e, quando as comparamos com memórias de eventos reais, vemos que as experiências de quase-morte são mais intensas em termos de percepções e conteúdo emocional. Os doentes dizem que é mais real do que o que é real. Baseando-nos nesse estudo, podemos dizer que estas experiências não são como as memórias imaginadas, porque o conteúdo é realmente muito mais intenso.

Também testam os doentes com tecnologia hospitalar?
É impossível aceder a experiências de quase-morte em tempo real. Podemos apenas avaliar a função cerebral ou as memórias depois do evento. O que estamos a tentar fazer agora é induzir experiências de quase-morte através de hipnose e recriar a experiência para ver o que o cérebro nos pode dizer sobre este fenómeno.

Este assunto está presente na cultura popular, fora da comunidade científica…
Há outras audiências interessadas no assunto. Mas acho que as experiências de quase-morte precisam de ser agora estudadas minuciosamente e com seriedade. Há pessoas que têm escrito livros dizendo o que lhes apetece sobre isto e agora temos de saber mais acerca das características das experiências de quase-morte e por que há pessoas que contam as mesmas coisas e o que está a acontecer no cérebro nesse momento. Temos que ser rigorosos acerca desse fenómeno.

Supressão de más memórias reduz o seu impacto a nível inconsciente

A persistência da memória, de Salvador Dalí (1931) DR

 

 

Desde Sigmund Freud que se pensa que as memórias reprimidas permanecem intactas no inconsciente, podendo afectar a seguir os comportamentos e a saúde mental. Um estudo põe agora em causa esta ideia.

 

Nem todas as nossas recordações são para acarinhar. Pelo contrário, tudo fazemos para esquecer as mais traumáticas e desagradáveis. E de facto, em muitos casos até o conseguimos. Mas será que elas podem regressar, por via do inconsciente, para nos assombrar? A ideia, vigente há mais de um século, de que as memórias reprimidas permanecem intactas e fora do nosso controlo, podendo vir a ter um impacto negativo na nossa saúde mental, parece ser desmentida por um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Michael Anderson, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), e colegas pediram a um grupo de homens para suprimir voluntariamente certas memórias . Ao mesmo tempo, monitorizaram, graças à técnica de ressonância magnética funcional, os efeitos dessa supressão consciente sobre as diversas áreas do seu cérebro. E concluem que o facto de reprimir uma memória para a impedir de irromper na consciência também deteriora essa memória a nível inconsciente.

Como a maioria das pessoas que viveu uma experiência traumática se queixa de ser ulteriormente assaltada por imagens mentais indesejadas desse trauma, os cientistas fizeram a sua experiência com memórias visuais.

Começaram por treinar os participantes a associarem uma série de palavras e imagens – de forma a se lembrarem, de cada vez que uma das palavras era apresentada, do objecto visível na imagem correspondente, explica a universidade em comunicado.

Numa segunda fase, escrevem os cientistas no seu artigo, apresentaram aos mesmos participantes palavras que tinham aprendido a associar a objectos, pedindo-lhes para, segundo os casos, evocarem o objecto associado ou tentarem, pelo contrário, impedir que a imagem desse objecto surgisse na sua mente.

Tudo isto porque os autores queriam saber se a supressão voluntária da imagem mental de um objecto afectaria a capacidade ulterior de ver esses objectos – capacidade que escapa ao controlo consciente. Por isso, na terceira e última fase da experiência, tornaram a mostrar aos participantes as imagens apresentadas na fase inicial de associação imagem/palavra, pedindo-lhes agora para identificar os objectos representados. Só que, desta vez, as imagens originais surgiam distorcidas e fugazmente, dificultando a tarefa.

Ora, sabe-se que, nestas condições, as pessoas conseguem geralmente identificar melhor os objectos que viram recentemente, mesmo quando não se lembram de os ter visto, porque conservam na sua memória um “vestígio” inconsciente desses objectos. Mas não foi isso que aconteceu aqui.

 

Para além da consciência

De facto, os participantes tiveram uma maior dificuldade em identificar os objectos cuja memória tinham activamente reprimido na fase anterior do que os outros objectos. Ou seja, a “pegada” inconsciente das memórias suprimidas tinha sido afectada.

Os cientistas constataram ainda que a repressão activa da memória das imagens tinha inibido a actividade neuronal de certas áreas visuais do cérebro dos participantes, perturbando literalmente a sua capacidade de as ver. “Essencialmente, o facto de terem expulsado a imagem mental de um objecto estava a dificultar-lhes a visualização ulterior desse objecto no mundo real”, lê-se no comunicado.

“Os nossos resultados sugerem que os mecanismos de supressão activa das memórias, que já se sabia perturbarem a recordação consciente, também reduzem as expressões inconscientes da memória”, concluem os autores, acrescentando que deve ser possível desvendar os mecanismos desse processo neurobiológico – que aliás não se limita, especulam, apenas à memória visual.

“Embora tenha havido muitas pesquisas sobre como a supressão afecta a memória consciente, houve poucas a estudar a influência que este processo poderia ter nas expressões inconscientes da memória no comportamento e no pensamento”, diz Anderson. “E de facto, o que é supreendente é que os efeitos da supressão extravasam a memória consciente. (…) A influência da supressão das memórias vai para além das áreas cerebrais associadas à memória consciente, afectando também componentes perceptuais susceptíveis de nos influenciar de forma inconsciente.”

Os resultados poderão ter implicações no tratamento de estados patológicos como a síndrome pós-traumática, decorrentes de vivências muito difíceis de esquecer. “Quando se descontrolam, as nossas memórias podem causar perturbações psicológicas”, diz Pierre Gagnepain, co-autor da Universidade de Caen (França). “Queríamos saber se o cérebro das pessoas saudáveis conseguia genuinamente suprimir memórias, incluindo aos níveis mais inconscientes – e como o fazia. A resposta é afirmativa, embora nem toda a gente o faça de forma igualmente eficaz. Ao percebermos melhor os mecanismos neurais subjacentes a este processo, talvez possamos explicar melhor as diferenças de adaptação de cada um às memórias traumáticas.”

Quanto à ideia enunciada há mais de um século, “os nossos resultados põem em causa o que Freud afirmou acerca dos efeitos da supressão das memórias”, disse Anderson ao PÚBLICO. “Freud estipulou que quando as memórias eram banidas para o inconsciente pela repressão/supressão, permaneciam totalmente intactas e capazes de influenciar o comportamento. O nosso trabalho mostra que, na realidade, e ao contrário do que pensava Freud, a supressão de memórias indesejadas também perturba as suas influências inconscientes.”

 
Fonte: Público. 

Estudo mostra que bom humor melhora a saúde e a inteligência

 

Rir relaxa os vasos sanguíneos, melhorando a circulação, de forma similar ao exercício aeróbico (foto: Getty Images)

 

 

Um bebê engoliu uma bala calibre 22. Chorando, a mãe corre à farmácia. “O que devo fazer?” E o farmacêutico responde: “Dê a ele um frasco de óleo de rícino, mas não o aponte para ninguém”.

Achar essa piada engraçada depende de mais variáveis do que provavelmente você possa supor. Depende de uma compreensão cultural comum das propriedades técnicas do óleo de rícino. Como muitas piadas e qualquer aluno do quarto ano pode comprovar, depende de sua delicadeza em relação às funções corporais. De forma menos óbvia, o senso de humor também depende da sua idade, gênero, QI, inclinação política, grau de extroversão e da saúde do seu circuito de recompensa de dopamina.

Se você acha toda essa análise pouco engraçada, [o escritor norte-americano] E.B. White estaria com certeza lhe apoiaria. Ele escreveu um dia que desmontar piadas é como dissecar sapos: poucas pessoas se interessam e o paciente sempre morre no final.

Felizmente, o neurocientista cognitivo Scott Weems não tem medo de parecer sem graça. O humor merece um estudo acadêmico sério, ele argumenta em seu livro, “Ha! The Science of When We Laugh and Why” (Há! A ciência de quando rimos e por quê, em tradução livre), porque produz vislumbres de como nosso cérebro processa um mundo complexo e como isso, por sua vez, nos transforma em quem somos.

Mais tempo rindo

Embora animais riam, os humanos passam mais tempo rindo do que exibindo qualquer outra emoção. Porém, o que confere a algumas pessoas um senso de humor melhor do que o de outros? Sem surpresa, os extrovertidos costumam rir mais e produzir mais piadas; contudo, em testes que medem a capacidade de escrever legendas de charges, as pessoas mais neuróticas, agressivas, manipuladoras e dogmáticas eram as mais engraçadas. Como diz o velho ditado, os melhores humoristas são tristes.

Talvez, escreve Weems, as pessoas infelizes são “mais propensas do que as outras a falar de forma desajeitada ou não aceitável socialmente para fazer uma boa piada”. Ou como pessoas de Aristóteles a Gertrude Stein ressaltaram, a infelicidade pode gerar a criatividade, e as melhores piadas exigem ginástica intelectual e uma observação astuta da natureza humana.

Analisar o humor às vezes exige dissecar piadas. Weems desmonta as piadas da “compreensão” em três componentes básicos: construção (examinar conhecimento relevante, experiência e expectativas), avaliação (descartar nossos erros e expectativas errôneas) e resolução (chegar a uma conclusão satisfatória e muitas vezes surpreendente). Veja como seu cérebro rapidamente faz essas três coisas ao ler o seguinte título merecedor de ser citado pelo apresentador Jay Leno: “Doutor testemunha em julgamento de cavalo”.

Para Weems, essas três etapas são as mesmas que usamos para solucionar problemas diários, quer logísticos, interpessoais ou existenciais.

Segundo ele, “interpretar nosso mundo é um evento criativo”. Em sua raiz, as piadas têm a ver com conflitos e “detectar erros é a forma pela qual nossos cérebros transformam conflitos em recompensas”. Sem essa capacidade, não seríamos capazes de tomar decisões, aprender novos truques ou nos darmos bem com os outros.

Homens e mulheres

Existem questões importantes que o livro não aborda. Em particular, a discussão do humor masculino e feminino é interessante, mas insatisfatória. Ao explicar por que os homens costumam fazer mais piadas embora as mulheres tenham uma tendência maior de rir delas, o autor especula que as mulheres encaram as piadas “com uma mente mais aberta”. Entretanto, eu suspeito que existam fatores culturais em ação que têm a ver com poder e submissão, além de antigas estratégias evolucionárias de galanteio. Faça-nos rir e seremos suas.

Os homens querem que as mulheres riam, para o constrangimento de feministas como a artista de rua Tatyana Fazlalizadeh (visite seu site “Stop Telling Women to Smile”, parem de mandar as mulheres sorrirem, em tradução livre). De forma interessante, as mulheres riem menos conforme envelhecem, mas não os homens.

Ainda assim, Weems faz uma boa defesa de que o humor nos torna melhores e de que todos nós deveríamos rir mais.

Como exercício

“Estudos mostram que o humor melhora nossa saúde, nos ajuda a nos dar bem com os outros e até nos torna mais inteligentes”, garante o livro. Rir literalmente relaxa os vasos sanguíneos, promovendo uma circulação saudável, de forma similar ao exercício aeróbico.

Curiosamente, no entanto, as pessoas mais engraçadas não vivem mais tempo. Não apenas elas costumam ser mais neuróticas como apresentam maior probabilidade de fumar, a ser mais sedentárias e a ganhar peso.

Mesmo assim, mesmo que não prolongue a vida, o humor a torna mais suportável ao reduzir nossa dor física e emocional.

Em famoso estudo sobre humor conduzido por James Rotton, Universidade Internacional da Flórida, os participantes que assistiam a filmes cômicos após uma cirurgia pediam 25% a menos de analgésicos. Outro estudo mostrou que ver um episódio de “Friends” reduzia três vezes mais a ansiedade do que sentar-se e relaxar. Os participantes do estudo também se saíram melhor em testes cognitivos, tais como problemas de associação de palavras, depois de ler piadas engraçadas e ver vídeos com apresentações humorísticas de Robin Williams.

Para aqueles que estão mais para o Grinch do que para o Groucho, Weems afirma ser possível melhorar o senso de humor, seja por treinamento ou aumentando a exposição a pessoas e mídias engraçadas, em conjunto com muita prática. Para seu crédito, ele até mesmo tentou fazer um show humorístico certa noite em uma boate em Baltimore.

Ele matou o público de rir? Parece que não. Felizmente para nós, ao que tudo indica, ele não largará seu emprego.

 

Suicídio: terceira causa da morte de jovens no Brasil

 

foto: Shutterstock

foto: Shutterstock

 

Relacionamentos ou lares desfeitos, aumento do uso de drogas e dificuldades financeiras são alguns dos problemas que levam pessoas ao suicídio. No Brasil, essa é a terceira causa de morte entre jovens (atrás apenas de acidentes e violência), segundo a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Uma das maiores especialistas do país no assunto, a médica foi entrevistada por Jairo Bouer no @saúde desta semana.

Os transtornos psiquiátricos são o principal fator de risco para que alguém acabe com a própria vida. Segundo Meleiro, a depressão está em primeiro lugar (em 35% dos casos). Em segundo aparece a dependência de álcool e drogas e, em terceiro, a esquizofrenia. Por isso é muito importante combater o estigma que essas doenças possuem, ressalta a médica.

“Os homens se suicidam mais, mas as mulheres tentam mais o suicídio”, comenta a psiquiatra em relação aos brasileiros. Mas ela diz que há exceções: na classe médica, por exemplo, são elas que mais se matam.

Entre os jovens, a taxa de suicídio multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4 a cada 100 mil pessoas no país. A tendência de aumento, aliás, é global. A psiquiatra diz que a gravidez indesejada na adolescência é um fator de risco importante nessa faixa etária.

Como os pais podem prevenir o suicídio de um filho? Segundo ela, o principal indício que deve ser valorizado é a mudança de comportamento. Irritação, desesperança, faltas no trabalho ou na escola também devem chamar atenção, assim como comentários de que a vida não vale a pena. Se alguém próximo se matou, o risco aumenta – se for o pai ou a mãe, a propensão é quatro vezes maior.

Assista à íntegra desta entrevista e aos demais programas no UOL Saúde.

 

Fonte: UOL, via Pavablog. 

O cérebro esquece de forma selectiva

cerebro

 

 

Às vezes nos sentimos estranhos por não conseguir lembrar alguns rostos, nomes e detalhes, mas o esquecimento é uma parte importante do cérebro para não nos tornarmos cognitivamente sobrecarregados. E, aparentemente, o cérebro tem uma abordagem bem específica para lidar com isso.

Na verdade, os processos envolvidos no esquecimento não são muito bem compreendidos, então o fato dos cientistas terem encontrado uma proteína – chamada musashi – ativamente envolvida no processo de perda controlada de memória é de certa forma um avanço.

A pesquisa, publicada no diário Cell, explica como o desempenho da memória aumentou significativamente em nematódeos que foram modificados para sofrerem de alta da proteína musashi em comparação com amostras controladas. Os autores acreditam que essa é a primeira vez que o esquecimento foi mostrado como processo ativo, e não passivo.

Na verdade, parece que a proteína impede o corpo de produzir moléculas que normalmente estabilizam as sinapses – as lacunas entre neurônios que estão envolvidos em cimentar memórias. O estudo também identificou uma proteína chamada aducina que, em contraste à musashi, estimula o crescimento de sinapses e ajuda a formar as memórias.

Os pesquisadores alegam que é o equilíbrio entre essas duas proteínas que determina se as memórias permanecem ou não. É cedo para dizer com certeza qual será o impacto deste estudo na humanidade, mas talvez um dia um inibidor de musashi possa ajudar no tratamento de condições como Alzheimer.

 

Fonte: Gizmodo, via Pavablog.

Percentagem de trabalhadores com sinais de esgotamento quase duplicou em seis anos

Associação que fez estudo defende que este é “um problema de saúde pública” e que é urgente avançar com medidas para alterar a situação.

 

Estudo foi apresentado esta quarta-feira na comissão de Saúde, no Parlamento. FOTO: NUNO FERREIRA SANTOS

    As situações de esgotamento e de stress nas empresas portuguesas estão a crescer de forma preocupante, revela um estudo esta quarta-feira apresentado na Comissão Parlamentar de Saúde. Associação que fez avaliação defende que este é “um problema de saúde pública” e que é urgente avançar com medidas para alterar a situação.

    A percentagem de trabalhadores que se encontra num estado de esgotamento ( “burnout”) aumentou substancialmente entre 2008 e 2013. No ano passado, 15% dos trabalhadores inquiridos no âmbito de um estudo da Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional (APPSO)  evidenciavam sinais de esgotamento, quando em 2008 a percentagem que estava nessa situação era de 9%. “O máximo aceitável seria 9 a 10%”, sublinha João Paulo Pereira, presidente da associação, para quem é “assustadora” a degradação dos indicadores de bem-estar no mundo laboral que ficou patente nesta avaliação que abrangeu mais de 37 mil trabalhadores dos sectores público e privado.

    Também a percentagem de inquiridos que afirmavam estar a enfrentar situações stress  nas suas empresas e organizações quase duplicou neste período, passando de 36%, em 2008, para 62%, em 2013. “As disfuncionalidades emocionais estão a aumentar drasticamente”, lamenta João Paulo Pereira.

    Apesar disto, depois de ter aumentado entre 2008 e 2011, o absentismo destes trabalhadores manteve-se aos mesmos níveis nos últimos dois anos. Explicação para este aparente paradoxo? “As pessoas estão a trabalhar num estado de saúde cada vez mais degradado, mas não faltam porque não podem abdicar de nenhuma forma de rendimento, nomeadamente do subsídio de refeição”, explica o presidente da APPSO.

    Os  responsáveis da APPSO apresentaram esta quarta-feira o “Relatório de Avaliação de Perfil de Risco Psicossocial – A gestão de Pessoas e Organizações Saudáveis” na Comissão Parlamentar de Saúde. Quiseram fazê-lo porque acreditam que este é “um problema de saúde pública”.

    De acordo com os resultados do estudo (que abrangeu 38 719 trabalhadores que responderam a um questionário através de uma plataforma online), os  funcionários públicos apresentaram os piores resultados em todas as variáveis analisadas, quando comparados com os trabalhadores do sector privado.

    Esta não é uma amostra representativa, porque não está estratificada, mas João Paulo Pereira acredita que pode funcionar como  “um retrato fiel” da realidade nacional, uma vez quase metade dos inquiridos foram submetidos “a intervenções e a uma avaliação presencial”.

    Outro indicador do mal estar evidenciado pelos trabalhadores inquiridos fica patente na vontade de mudar de emprego no horizonte dos próximos cinco anos (o chamado “turnover” na gíria da saúde ocupacional). Se em 2008 cerca de um terço dos trabalhadores inquiridos manifestavam esta intenção, em 2013 eram já 78% os que pretendiam fazê-lo. “Isto funciona como um mecanismo de defesa. As pessoas querem fazer outra coisa, querem dar-se ao luxo de continuar a sonhar”, interpreta João Paulo Pereira. A degradação das condições de trabalho nos últimos anos reflectiu-se ainda noutro indicador: 83% dos inquiridos estava “em risco de exaustão” .

    Para o presidente da APPSO, este mal estar no mundo do trabalho não deve ser encarado como “uma fatalidade nacional”. João Paulo Pereira pretende aliás que o tema não seja abandonado, que seja elaborado um barómetro anual da situação e que sejam definidas medidas para alterar estes resultados.  “É necessária uma mudança de paradigma, é preciso fazer um 25 de Abril nesta área”, reclama.

     

    Fonte: Público.

    “Luz contra a escuridão”: crianças sírias pintam e desenham para lidar com traumas

    Esta simboliza o desejo de uma menina de viver no fundo do mar, longe da guerra.

    Esta simboliza o desejo de uma menina de viver no fundo do mar, longe da guerra.

     

    Desenhos de crianças

    Traumatizadas pelas cenas de violência na guerra civil na Síria, crianças refugiadas no Líbano foram “recuperadas” por uma ONG através de acompanhamento psicológico e social. A coleção de pinturas e desenhos feitas por elas se transformou em exposição na capital, Beirute, e percorrerá a Alemanha, França e a Grã-Bretanha ainda este ano.

    Os desenhos retratam a visão de crianças profundamente marcadas por uma sangrenta guerra que já deixou cerca de 2,5 milhões de refugiados distribuídos em países vizinhos (quase um milhão no Líbano), além de 4,2 milhões de sírios deslocados internamente, segundo a ONU.

    De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), perto de 5,5 milhão de crianças na Síria e em países que acolheram os refugiados foram afetadas pelos combates entre tropas do governo e rebeldes de diferentes facções.

    Intitulado de “Luz contra a Escuridão”, o projeto da ONG Najda Now Lebanon International atende 206 crianças sírias com idades entre 9 e 13 anos, vindas de cidades como Damasco, Homs, Deera e Deir Er Zour. Ao longo de um ano, elas receberam tratamento psicológico e social e participaram de três oficinas ministradas por artistas e cartunistas para que, através das pinturas, expressassem seus sentimentos antes e depois do tratamento.

    O coordenador do projeto, o sírio Ali Haidar, 33 anos, disse à BBC Brasil que muitas das crianças apresentavam sintomas de violência antes de iniciarem o acompanhamento psicológico.

    “Algumas agrediam fisicamente outras crianças. Outras, quando não tinham a quem agredir, batiam coma cabeça na parede, com um alto grau de agressividade. Foi um processo difícil e demorado, com um amplo apoio de psicólogos e assistentes sociais.

    Fases

    Os desenhos mostram a vida em família, suas casas e os detalhes de momentos de felicidades com amigos e parentes. Mas também retratam violência, morte, medo, destruição e uma infância perdida.

    “Algumas (crianças) testemunharam a morte de amigos ou familiares, viram os bombardeios incessantes sobre seus bairros”, contou Haidar, que é natural da cidade síria de Hama.

    Segundo ele, as crianças tiveram oficinas de pintura e desenho divididas em três fases. A primeira foi ministrada por um cartunista sírio, em que as crianças desenhavam livremente e expressavam cenas de seu país. “A maioria dos desenhos era de guerra e destruição e mostrava claramente os traumas sofridos por elas ao testemunharem helicópteros e aviões bombardeando casas ou soldados matando pessoas”, contou Haidar.

    A segunda fase trouxe um pintor sírio e também deixou as crianças à vontade para expressar seus sentimentos em relação ao seu país, mas desta vez com pinturas.

    Na terceira oficina, as crianças aprenderam diferentes técnicas de pintura e desenho, mas com temas divididos entre passado e futuro.

    “Pedimos para que elas primeiro desenhassem sua visão do passado na Síria, e depois o que queriam que seu futuro parecesse. Estes trabalhos (passado e presente) foram transformados em exposição”.

    Prisão e fuga

    Além da exposição, os desenhos também viraram calendários e livros, que são vendidos ao público e a renda revertida para financiar o projeto da ONG.

    Apesar de sediada no Líbano, a Najda é uma ONG síria e recebe fundos da embaixada da Noruega. Durante um ano, no entanto, operou o projeto em Damasco, mas foi forçada a deixar o país devido às dificuldades e ameaças supostamente feitas pelo governo do presidente Bashar al-Assad.

    “Um de nossos membros está preso na Síria há um ano. O governo impunha muita burocracia e barreiras para que operássemos. No fim, decidimos vir ao Líbano para continuarmos o projeto e operarmos de forma mais livre”, explicou Haidar.

    O projeto da Najda também trabalha música e teatro ministradas por artistas e diretores sírios.

    “As crianças escreveram os roteiros das peças de teatro. As famílias vieram para o prédio da Unesco em Beirute e assistiram as peças teatrais em que elas atuaram”.

    De acordo com a ONU, a guerra civil na Síria já matou mais de 135 mil pessoas desde março de 2011.

    Neste desenho menino retrata protesto do povo sírio com bandeiras da revolução. Manifestantes são alvo de tiros.
    Neste desenho menino retrata protesto do povo sírio com bandeiras da revolução. Manifestantes são alvo de tiros.

    Este desenho simboliza a irmã de um sírio que morreu durante a guerra.

    Este desenho simboliza a irmã de um sírio que morreu durante a guerra.

    Menina síria retrata mãe que morreu em bombardeio em Homs, na Síria.

    Menina síria retrata mãe que morreu em bombardeio em Homs, na Síria.

    Escultura simboliza o povo sírio sorrindo e superando a tristeza da guerra.

    Escultura simboliza o povo sírio sorrindo e superando a tristeza da guerra.

    Desenho mostra a destruição causada por helicóptero do governo em bairro de Homs.

    Desenho mostra a destruição causada por helicóptero do governo em bairro de Homs.

    Fonte: BBC Brasil.

    Uma em cada três mulheres da União Europeia é vítima de violência

    Estudo revela que 97% das vítimas de abuso sexual, físico ou psicológico no seio da União Europeia são mulheres. Novas tecnologias representam riscos.

    Uma em cada três mulheres da União Europeia (UE) foi ou será vítima de pelo menos um episódio de abuso sexual, físico ou psicológico, conclui um estudo, alertando para os riscos que as novas tecnologias representam.O maior estudo sobre violência de género alguma vez realizado na UE foi divulgado hoje pela Agência para os Direitos Fundamentais (FRA, na sigla em inglês), revelando a persistência do problema e um forte pendor de género: 97 por cento das vítimas de violência sexual, física ou psicológica são mulheres.”É uma chamada de alerta: a violência afeta praticamente todas as mulheres”, disse à Lusa a investigadora Joanna Goodey, em Viena de Áustria, sede da FRA.

    As mulheres foram questionadas sobre as suas experiências de abusos físicos, sexuais e psicológicos, em casa, no trabalho, na esfera pública e também no espaço virtual (perseguição e assédio através da internet).

    Nos doze meses anteriores à realização do estudo – com 42 mil inquiridas nos 28 Estados-membros da UE -, 3,7 milhões de mulheres foram alvo de violência sexual e 13 milhões de mulheres foram vítimas de violência física.

    Os resultados dizem ainda que a violação dentro do casamento não é uma raridade e que uma em cada cinco grávidas foi violentada pelo parceiro atual.

    Estes e outros indicadores revelam “claramente” que “os direitos das mulheres da UE não estão a ser garantidos na prática”, resume o estudo. Joanna Goodey não tem dúvidas: “Se estes dados dissessem respeito a um país fora da UE, haveria imensas declarações de indignação, mas isto é dentro da UE.”

    Considerando que o combate à violência de género “não está entre as prioridades” comunitárias, a perita lamenta que o tema esteja a ficar “fora de moda”, com a UE a preferir fazer campanhas focadas “em áreas particulares da violência”, que, sendo “muito importantes”, afetam menos mulheres.

     

    Casas-abrigo centralizadas

    A FRA não se limita a analisar os dados, deixando algumas recomendações, nomeadamente para lidar com o número de mulheres que, sendo vítimas de violência física e/ou sexual, não contactam as autoridades.

    A “grande maioria” das mulheres recorrem aos serviços de saúde quando querem denunciar um caso de maus tratos e, por isso, “os profissionais de saúde precisam de ser treinados para saberem ler os sinais”, sublinha Goodey, recordando que os centros de apoio, como casas-abrigo, são “subfinanciados” e só existem na capital ou nas grandes cidades.

    “O abrigo mais próximo pode estar a uma distância de quatro horas de carro, enquanto toda a gente sabe onde fica o médico mais próximo”, compara, frisando que as mulheres inquiridas aprovaram, por “grande maioria”, que os profissionais de saúde passem a incluir, nas consultas de rotina, perguntas sobre violência, quando observam sinais que a indiciam. “Não é um assunto de privacidade”, frisa.

    Uma das novidades da pesquisa é a inclusão de “novas ou recentes” formas de violência de género, que recorrem à tecnologia, concluindo que onze por cento das inquiridas foram alvo de “avanços inapropriados” nas redes sociais e através de mensagens escritas de telemóvel (sms) ou de correio eletrónico (emails).

    As mulheres entre os 18 e os 29 anos são mais vulneráveis, com 20 por cento das jovens a reportarem “ciberassédio”, refere Goodey, recusando o argumento da “liberdade de expressão”.

     

    Fonte: Lusa/Expresso.

    Mapa corporal das emoções é universal

    As emoções traduzem-se em sensações no corpo que são iguais para as diferentes culturas, mostra um estudo que elaborou mapas corporais de 13 emoções distintas. Este trabalho pode ajudar a detectar problemas psicológicos.

    O filme O Cavalo de Turim, do realizador húngaro Béla Tarr, arranca com um narrador a contar uma história profética sobre Friedrich Nietzsche. Segundo relatos, o filósofo alemão saiu para a rua da cidade italiana, num dia de Janeiro de 1889, e viu, ao longe, um cavalo que se recusava a andar, a ser chicoteado por um homem numa carroça. Nietzsche não aguentou e insurgiu-se com a cena, impedindo a violência, abraçando o animal, chorando. Béla Tarr escolheu no seu filme seguir aquele cavalo, a caminho da escuridão. Mas é Friedrich Nietzsche quem fica caído numa rua de Turim, iniciando a última década da sua vida, dez anos de loucura, depressão e ausência.

    Se o filósofo nos pudesse descrever o que sentiu no corpo, quando estava caído, era provável que nos falasse de um nó na garganta, um aperto no peito, uma tensão na região dos olhos e de sentir os braços e pernas frios, distantes. A descrição pode traduzir o mapa corporal das sensações associado à tristeza. Este é um de vários mapas corporais das emoções, definidos por uma equipa de investigadores da Finlândia num trabalho em que defendem que estes padrões são universais, ultrapassando fronteiras geográficas e culturais, e deverão ter uma raiz biológica, explica-se no artigo publicado nesta segunda-feira na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

    “Muitas vezes sentimos as emoções directamente no corpo”, lê-se no artigo. Um exemplo clássico, também referido no artigo, é o formigueiro no estômago associado ao início sempre surpreendente do amor.

    A equipa que fez a investigação, da Universidade da Tampere, na Finlândia, começou por estudar as regiões do corpo que ficavam mais activadas ou desactivadas quando as pessoas sentiam 13 emoções: raiva, medo, nojo, felicidade, tristeza, surpresa, ansiedade, amor, depressão, desprezo, orgulho, vergonha, inveja.

    Para isso, os investigadores pediram primeiro a um grupo de 390 pessoas para fazerem um jogo simples. Num programa de computador, os participantes liam a palavra correspondente a uma emoção para depois pintarem num corpo desenhado as regiões que sentiam ficar mais activadas e aquelas que sentiam ficar menos activadas durante essa emoção. Esta primeira experiência foi feita em finlandeses, suecos e tailandeses para verificar se a linguagem tinha influência e se havia diferenças culturais nas sensações no corpo.

    Depois, a equipa quis perceber se as sensações pintadas no corpo estavam influenciadas por uma questão conceptual. Ou seja, testaram se o resultado obtido nos mapas traduzia uma ideia racionalizada de cada participante sobre o que se deveria sentir no corpo quando se estava com raiva ou feliz, ou se era efectivamente aquilo que os participantes estavam a sentir. Nesta segunda experiência, feita a 108 pessoas, os investigadores pediram aos participantes para descrever o que sentiam no corpo quando liam frases associadas a emoções, mas que não tinham lá a palavra referente a cada emoção. Para suscitar felicidade, uma das frases era: “É um belo dia de Verão. Está a guiar um descapotável em direcção à praia com os seus amigos e há música a sair das colunas.” Já na tristeza, a frase podia ser: “Numa visita ao hospital, vê uma criança que está a morrer e que quase não consegue manter os olhos abertos.”

    Raiz biológica para sete emoções básicas
    Os resultados deste conjunto de experiências foram consistentes. Os investigadores conseguiram criar, para cada uma das emoções enumeradas em cima, um mapa semelhante com a activação e a desactivação das regiões do corpo humano, independentemente da nacionalidade ou da forma como a emoção foi suscitada. “Estes resultados dão um novo conhecimento sobre como as emoções estão representadas no corpo e não só na mente”, diz ao PÚBLICO Laurie Nummenmaa, uma das autoras do trabalho.

    Os mapas mostram que cada uma das 13 emoções tem um mapa corporal diferente, que se repete em cada cultura. “Como as diferentes emoções parecem ter uma base corporal diferente (que é consistente nas várias culturas), isto sugere que as emoções básicas [raiva, medo, nojo, felicidade, tristeza e surpresa, as outras sete já são ‘emoções complexas’] testadas neste estudo podem ter uma raiz biológica e uma base evolutiva.”

    A activação e a desactivação de que o estudo fala podem reflectir vários fenómenos fisiológicos de acordo com a emoção. “Pedimos apenas às pessoas que nos relatassem como se sentiam, por isso os resultados reflectem diferentes tipos de respostas fisiológicas que estão a acontecer. Desse ponto de vista, os mapas provavelmente são uma mistura de diferentes tipos de actividade esqueleto-muscular, visceral e do sistema nervoso autónomo”, interpreta a cientista.

    No artigo, os cientistas descrevem estes mapas mais pormenorizadamente. Na maioria das emoções básicas, há uma “actividade elevada” na área do peito, associada ao aumento de respiração e do ritmo cardíaco. Há também muitas sensações na região da cabeça, “que provavelmente reflectem tanto mudanças fisiológicas na cara [a contracção dos músculos, o aumento da temperatura quando se cora ou a produção de lágrimas] como mudanças sentidas na mente provocadas por acontecimentos emocionais”, lê-se no artigo. Já a região do estômago aparece activa quando as pessoas sentem nojo.

    A actividade nos membros está aumentada em emoções associadas à acção como a felicidade ou a raiva. Em contraste, algumas das característica que definem a tristeza são as pernas os braços adormecidos. “As emoções podem promover o bem-estar preparando-nos tanto para a acção, ao aumentar a activação como acontece na raiva, como protegendo os nossos recursos corporais e sociais, ao diminuir a activação como acontece na tristeza”, defende Laurie Nummenmaa.

    Um dos próximos objectivos da equipa é tentar relacionar estes mapas com os fenómenos fisiológicos que realmente estão a ocorrer em cada região do corpo e de uma forma exaustiva. Uma medição directa desta “activação e desactivação” corporal será difícil de se obter, explica a investigadora. “Em princípio, poderíamos medir a velocidade do sangue com uma perfusão e uma tomografia por emissão de positrões, ou obter imagens corporais de temperatura para detectar diferenças fisiológicas durante a activação [das regiões do corpo]. Que eu saiba, ninguém tentou fazê-lo antes devido a dificuldades técnicas.” A equipa quer ainda caracterizar como é que crianças de diferentes idades sentem as emoções no seu corpo.

    Estes mapas obtidos poderão ser ainda utilizados como instrumentos ou “marcadores corporais” para a saúde psicológica. Desta forma, poderão ajudar a inferir estados emocionais das pessoas quando estão com problemas psicológicos, sugere Laurie Nummenmaa. Nas doenças mentais, as respostas emocionais e as sensações corporais podem estar alteradas. Por exemplo, a ansiedade fica exacerbada, provocando dores no peito e fazendo suar as palmas das mãos.

    “Medir as sensações corporais, sem ter havido estímulos emocionais prévios, pode ser uma nova forma de detecção de uma alteração nos processos emocionais de alguém. Em alternativa, é possível que as sensações corporais associadas, por exemplo, à tristeza, estejam marcadamente alteradas no caso de uma depressão, o que seria mais um indício para se detectar esse problema”, explica a investigadora.

    Para Laurie Nummenmaa é “fascinante a ligação directa” entre o que se passa na mente, quando se está a viver uma emoção, e a reacção do corpo a essa emoção. O que originou aquele momento em que Nietzsche abraça o cavalo, um momento tão marcante que levou Béla Tarr a realizar O Cavalo de Turim. Mas a imagem com que ficamos da descrição do comportamento do filósofo é facilmente reconhecível, já que o mapa corporal da tristeza extrema é universal.

     

    Fonte: Público.

    UTIS e Envelhecimento Activo

    No Simpósio “Envelhecimento Activo e Gerontomotricidade” promovido pelo Instituto Superior de Ciências Educativas (ISCE), a apresentar uma comunicação sobre o tema “A importância das Universidades Seniores no Envelhecimento Activo”, em representação da RUTIS (Rede de Universidades da Terceira Idade), no passado dia 28 de Fevereiro.

    Interveio igualmente o Prof. Villaverde Cabral (IE-UL), que algumas apresentou conclusões de uma investigação sobre o envelhecimento activo na população portuguesa, assim como o Prof. José Marmeleira (UE), que discorreu sobre as questões do envelhecimento, motricidade e capacidade funcional.

    simposio1

    Fumar altera cérebro de adolescentes

    Um estudo revela que a exposição precoce ao tabaco pode afetar a maneira como se deseja nicotina.

    Os resultados do estudo mostram que fumar durante a adolescência causa mudanças no cérebro que tornam mais difícil deixar o tabaco mais tarde
    Os resultados do estudo mostram que fumar durante a adolescência causa mudanças no cérebro que tornam mais difícil deixar o tabaco mais tarde. Nuno Fox.
    Começar a fumar muito jovem pode diminuir a parte do cérebro responsável pela tomada de decisões e pela capacidade de controlar a vontade de fumar, revela um estudo norte-americano.

    A investigação, publicada no jornal “Neuropsychopharmacology”, descobriu que a ínsula direita dos jovens fumadores é mais fina do que a dos não-fumadores, e que essa diferença nasce com o hábito de fumar um maço de cigarros ou menos por dia.

    A parte do cérebro em questão, altamente sensível à nicotina, é responsável pela tomada de decisões e está associada a áreas que abragem tanto os vícios como a capacidade de controlar a vontade de fumar.

    “É possível que fumar durante este período possa ter efeitos e altere a dependência de tabaco mais tarde na vida, e que isso acabe por influenciar a trajetória de desenvolvimento do cérebro”, explica Edythe London, uma das investigadoras responsáveis pelo estudo à revista “Time”.

    Os resultados dos cientistas da Universidade da Califórnia, Los Angeles, mostram que fumar durante a adolescência, uma altura importante para o desenvolvimento do cérebro, causa mudanças que tornam mais difícil deixar o tabaco mais tarde.

    “Acho que esta descoberta é muito entusiasmante porque aponta para uma vulnerabilidade, um fator de vulnerabilidade com potencial, quer para que os jovens se tornem dependentes da nicotina ou para os efeitos daí decorrentes na trajetória do desenvolvimento do cérebro”, concluiu Edythe London.

    Essa mudança de trajetória pode não só alterar o comportamento do fumador mas a tomada de decisões, no geral, já que a ínsula é responsável por essas funções.

    Os cientistas norte-americanos chegaram a estas conclusões depois de analisarem o cérebro de 18 adolescentes fumadores e de 24 adolescentes não-fumadores, entre os 16 e os 21 anos.

    O foco desta investigação surgiu na sequência de descobertas anteriores, que já mostravam alterações causadas pelo tabaco no tamanho e volume da ínsula em adultos e animais.

    Fonte: Expresso.

    Este país não é para cientistas

    nm1135_investigadores02
    Leonardo Negrão / Global Imagens.

    Da neurociência às ciências sociais, estes sete investigadores representam o melhor do que se faz em ciência em Portugal. Todos tiveram financiamento internacional para os seus projetos de investigação, todos ganharam prémios e todos levantam o cartão vermelho à atual política pública para a ciência.

    Ler o artigo completo aqui.

    Solidão mata mais que a obesidade

     

     

    Estas e outras conclusões num estudo a duas mil pessoas com mais de 50 anos.

    Durante seis anos, cientistas da Universidade St. George de Londres, Reino Unido, seguiram a saúde de duas mil pessoas com mais de 50 anos. No fim descobriram que os idosos que viviam sozinhos corriam o dobro do risco de morrer mais cedo em comparação aos que sofriam de obesidade.

    Publicado na revista ‘The Journal of Psychology: Interdisciplinary and Applied’, o estudo concluiu que um quinto dos idosos sentia-se sempre sozinho. Metade referiu que a solidão era pior aos fim-de-semana. O estudo surge numa altura em que cada vez mais idosos vivem sozinhos, afastados das famílias.

    A solidão tem sido associada a outros problemas de saúde como a hipertensão arterial, sistema imunitário deficitário, risco de depressão, enfartes e ataques cardíacos. E segundo o psicólogo norte-americano John Cacioppo, causa tanta dor quanto a dor física.

    “As pessoas têm de se preparar para evitar a depressão”, disse o psicólogo, autor do livro ‘Loneliness’ (solidão, em português). Num encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência, realizada em Chicago, o psicólogo aconselhou que os recém reformados não se devem afastar da família. “Nós achamos que a reforma é deixarmos os filhos e amigos e mudarmo-nos para a Florida, onde faz calor. Isso não é uma boa ideia.”

    Mas viver perto dos filhos não basta. Os cientistas falaram com idosos que, apesar de estarem próximos da família, se sentiam sozinhos. Os resultados indicam que fazer companhia não é suficiente – é preciso que as pessoas se sintam valorizadas pelos outros.

    Fonte: Sábado.

    A importância da improvisação musical

    A visualização da actividade cerebral durante “conversas musicais” informais e espontâneas entre músicos de jazz mostra que o processamento da música e da linguagem possuem circuitos neuronais em comum.

    A “conversas” musicais fazem apelo a certas áreas cerebrais da comunicação linguística JOÃO MATOS

    As áreas do cérebro hum

    Os cientistas recrutaram para o estudo onze experientes pianistas de jazz com idades entre os 25 e os 56 anos e puseram-nos a “trocar quatros” – tradução literal da expressão em inglês “trading fours”, que se refere a um exercício de improvisação em que cada um de dois intérpretes vai criando, alternadamente, quatro compassos de música. Durante as sessões, que duravam 10 minutos, um dos dois participantes estava deitado de costas numa máquina de ressonância magnética. Com os pés relativamente elevados graças a um almofadão e um teclado de plástico pousado nas coxas, esse músico conseguia ver a posição dos seus dedos no teclado olhando para um sistema espelhos colocados por cima da sua cabeça.

    Nas imagens da função cerebral obtidas ao vivo e em directo durante as improvisações, os investigadores observaram que a essa tarefa musical activava áreas cerebrais associadas ao processamento sintáctico da linguagem. “Até aqui, os estudos de como o cérebro processa a comunicação auditiva entre duas pessoas têm sido feitos no contexto da linguagem falada”, diz Limb em comunicado da sua universidade. “Mas ao olharmos para o jazz, conseguimos investigar as bases neurológicas da comunicação musical interactiva fora desse contexto.”

    E acrescenta: “Quando dois músicos de jazz a trocar quatros parecem imersos nos seus pensamentos, não estão simplesmente à espera da sua vez para tocar. Pelo contrário, estão a utilizar as áreas sintácticas do seu cérebro para processar o que estão a ouvir de forma a conseguir responder com uma série de notas que nunca tinham sido compostas nem interpretadas.”

    Por outro lado, os cientistas também descobriram uma diferença substancial entre linguagem e música. Mais precisamente, a improvisação musical “desligava” as áreas associadas ao processamento semântico da linguagem – ou seja, aquelas que interpretam o significado do que está a ser dito.

    “Neste estudo, mostrámos que existe uma diferença fundamental entre a forma como o significado da música e da linguagem é processado pelo cérebro”, salienta Limb. “Especificamente, é o processamento sintáctico, e não o semântico, que é essencial para este tipo de comunicação musical. Os conceitos convencionais da semântica poderão não ser aplicáveis ao processamento da música pelo cérebro.”

     

    Fonte: Público.

    O ADN decide: ou Alzheimer ou cancro

    Los procesos de destrucción cerebral y los de activación celular se contraponen. / YUJI SAKAI (GETTY)

    El Centro de Investigaciones Oncológicas desvela la paradoja de por qué una enfermedad ahuyenta la otra.

    El cáncer protege del alzhéimer (en general, de enfermedades del cerebro y del sistema nervioso central), y viceversa. Esta curiosa paradoja, que durante años ha desconcertado a oncólogos, psiquiatras y neurólogos, ya tiene una explicación; y está en los genes. Científicos del Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas (CNIO)dirigidos por Alfonso Valencia se han sumergido con herramientas informáticas en el ADN de 1.700 pacientes y han identificado un centenar de genes responsables de esta asociación, lo que representa la evidencia molecular más contundente de la relación excluyente entre tumores y enfermedades neurodegenerativas y su efecto protector cruzado.

    Distintos estudios ya habían observado una menor incidencia de casos de cáncer entre enfermos de alzhéimer, párkinson o esquizofrenia. En los pacientes con alzhéimer, por ejemplo, el riesgo de un tumor es un 42% inferior. Entre personas con esquizofrenia, la relación a era aún más llamativa, como destaca Rafael Tabarés, catedrático de Psiquiatría de la Universidad de Valencia y cofirmante del estudio. “Algunas de estas personas son grandes fumadores y, comparativamente, padecen menos tumores de pulmón de lo que sería esperable por este hábito”, lo que desconcertaba aún más a los investigadores.

    Anteriormene se habían planteado distintas hipótesis para describir la vinculación inversa entre estas enfermedades aparentemente tan dispares, pero no había ningún estudio que mediante pruebas analíticas hubiera llegado a construir un relato suficientemente sólido. Hasta el trabajo publicado este jueves por la revistaPLOS Genetics.

    Para llegar a ello, los investigadores del CNIO cruzaron mediante herramientas bioinformáticas los datos de expresión genética de casi 1.700 personas procedentes de 30 estudios sobre enfermedades del sistema nervioso central (SNC): alzhéimer, párkinson y esquizofrenia, y los de trabajos sobre tres tipos de cáncer (colon, pulmón y próstata). Como resultado de esta operación encontraron un centenar de genes que intervenían en los dos tipos de enfermedades, aunque de forma distinta.

    Los investigadores han buceado en los datos de 1.700 pacientes

    Había 74 genes cuyo comportamiento se encontraba reprimido en personas con enfermedades del SNC pero sobreexpresado (trabajando en exceso) en las personas con alguno de los tres tumores analizados. En otros 19 genes se daba el caso contrario: presentaban una mayor actividad en enfermedades como el alzhéimer y una expresión reducida en afectados por cáncer.

    “Hasta el 90% de los procesos biológicos que aparecen aumentados (acelerados por una mayor expresión de los genes) en el caso del cáncer están reprimidos en las enfermedades del sistema nervioso analizadas”, destacan los investigadores del CNIO Cesar Boullosa y Kristina Ibáñez. Esto sugiere que los mismos mecanismos celulares que disparan el cáncer podrían estar protegiendo de sufrir alzhéimer, y al contrario.

    Entre la lista de genes identificados se encuentra el PIN1, relacionado con el proceso de plegamiento de las proteínas y que, a pequeña escala, reproduce el hallazgo de los investigadores del CNIO. Si se encuentra sobreactivado acelera el metabolismo celular, lo que se vincula con el desarrollo de tumores. Pero, simultáneamente, protegería del alzhéimer ya que impide el funcionamiento normal de la proteína TAU, y esta tiene un papel clave en la neurodegeneración y, en concreto, su acumulación se asocia a esta patología que daña a las neuronas.

    Sin embargo, el mecanismo descrito por los investigadores no es siempre tan lineal, y tiene mucho más que ver con procesos biológicos más complejos y de acción de los genes.

    El trabajo pone sobre la mesa otra cuestión cada vez más presente entre los investigadores: plantea una raíz común entre unas patologías en teoría tan distintas como los procesos neoplásicos y los neurodegenerativos.

    Hay medicamentos que tienen efecto en ambos tipos de enfermedades

    Esta cuestión ya la han abordado otros investigadores que hablan de las enfermedades neurodegenerativas y el cáncer como dos caras de una misma moneda: la alteración de mecanismos celulares básicos a lo largo del envejecimiento. Es decir, sostienen que la senescencia es en sí misma una enfermedad, más allá de que sus manifestaciones puedan ser enfermedades oncológicas o neurodegenerativas, como sostiene Massimo Musico, un investigador italiano que advirtió —a partir de la observación de 200.000 casos— que el alzhéimer protege del cáncer.

    Esta relación se basa en los controles que fallen en la regulación de la proliferación y la muerte celular. Así, puede haber un desequilibrio en un sentido —desarrollo incontrolado de los tejidos en el caso del cáncer— o en el otro —problemas con la muerte celular programada y la reparación de lesiones, en el caso de enfermedades neurodegenerativas—.

    La expresión de estos desajustes se manifiesta con el comportamiento genético descrito. Pero su origen es más complicado de determinar. En el caso de la esquizofrenia, por ejemplo, se desconoce si la protección frente al cáncer se debe al propio mecanismo que desencadena la enfermedad o si es la medicación —de carácter crónico, se consume durante años— que se administra para combatirla la que tiene esta función antitumoral, como advierte Alfonso Valencia. “En todo caso, el mecanismo final sería el descrito, ya fuera porque la propia enfermedad reprimiera la expresión de un gen o si fuera debido al consumo de un fármaco”.

    De hecho, como apunta Rafael Tabarés, se ha observado que algunos fármacos, como, por ejemplo, antipsicóticos de la familia de las fenotiazinas —usados para tratar la esquizofrenia—, tienen efectos anticancerígenos. De ahí que los investigadores planteen que la asociación genética descrita en el trabajo entre tumores y enfermedades del sistema nervioso podría ser aprovechada en beneficio de ambos tipos de pacientes. “Podría abrir la puerta a la utilización de fármacos antineoplásicos para tratar algunas dolencias del sistema nervioso y a la inversa” plantean los investigadores del CNIO.

     

    Fonte: http://www.elpais.com, via Alzheimer Universal.

    A musicoterapia no combate ao cancro

    CDs

    Projeto de pacientes envolvia escrever letras, gravar música e selecionar imagens para fazer um videoclipe.

     

    Jovens que fizeram musicoterapia enquanto recebiam tratamento para câncer mostraram-se mais aptos a tolerar os rigores do tratamento, de acordo com um estudo publicado na revista científica Cancer.

    Pesquisadores da Indiana University School of Nursing, em Indianapolis, nos Estados Unidos, acompanharam um grupo de pacientes com idades entre 11 e 24 anos enquanto participavam de um projeto que envolvia escrever letras, gravar música e selecionar imagens para fazer um videoclipe.

    A equipe concluiu que os pacientes tornaram-se mais resilientes e melhoraram seus relacionamentos com a família e amigos.

    O termo resiliência, nesse contexto, se refere à capacidade dos participantes de se ajustarem positivamente aos estresses e efeitos adversos do tratamento que estavam recebendo.

    Segundo o site da American Music Therapy Association, musicoterapia é uma prática terapêutica em que profissionais qualificados usam música para auxiliar indivíduos a lidar com questões físicas, emocionais, cognitivas e sociais.

    Efeito PositivoOs participantes foram orientados por musicoterapeutas profissionais. O projeto, que durou três semanas, culminou na produção de videoclipes que, quando prontos, foram compartilhados com amigos e familiares.

    Os pesquisadores concluíram que o grupo que participou do projeto de musicoterapia demonstrou mais resiliência e capacidade de suportar o tratamento do que um outro grupo que não recebeu musicoterapia.

    Cem dias após o tratamento, o mesmo grupo relatou que a comunicação na família e os relacionamentos com amigos tinham melhorado.

    “Esses ‘fatores protetores’ influenciam a forma como adolescentes e jovens adultos lidam (com o câncer e o rigoroso tratamento), ganham esperança e encontram sentido (para suas vidas) durante a jornada do câncer”, disse a líder do estudo, Joan Haase.

    “Adolescentes e jovens que são resilientes têm a capacidade de superar sua doença, sentem-se em controle e autoconfiantes pela forma como lidaram com o câncer e mostram um desejo de ajudar o outro”.

    Entrevistas com os pais dos pacientes revelaram aos pesquisadores que os videoclipes tinham produzido um benefício adicional, oferecendo aos pais uma melhor compreensão sobre como é a experiência de crianças que sofrem de câncer.

    Estresse e AnsiedadeUma das musicoterapeutas envolvidas no estudo, Sheri Robb, explicou por que música pode ter um efeito tão positivo sobre jovens lutando contra o câncer:

    “Quando tudo parece incerto, canções que ele conhecem e com as quais se identificam fazem com que se sintam conectados”.

    Segundo a ONG britânica Cancer Research UK, musicoterapia pode diminuir a ansiedade e melhorar a qualidade de vida de pessoas que sofrem de câncer. A terapia também pode ajudar a aliviar alguns sintomas do câncer e efeitos colaterais do tratamento – mas não pode curar, tratar ou evitar doenças, inclusive o câncer.

    Estudos anteriores que investigaram os efeitos da musicoterapia sobre crianças com câncer concluíram que a atividade pode ajudar a diminuir o medo e a angústia, além de melhorar os relacionamentos da criança com a família.

    A portavoz de uma entidade que oferece apoio a adolescentes com câncer e suas famílias – o Teenage Cancer Trust – disse que é muito importante incentivar crianças com câncer a se comunicar e cooperar umas com as outras.

    “Sabemos que ser tratado ao lado de outros (pacientes) da mesma idade faz uma diferença imensa, especialmente em um ambiente que permita que jovens com câncer ofereçam apoio uns aos outros”.

     

    Fonte: BBC.